Notas iniciais
Oi gente, queria avisar que de hoje em diante vou tentar postar uma vez por semana. Sempre nos domingos! ♥ Queria agradecer pelos novos favoritos e novos acompanhamentos, vocês são tudo! Ah, também queria fazer uma indicação. Tem uma autora muito boa e o nome dela é NandaHerades. Ela escreve uma história sobre anjos e demônios. Esse é o link pra história >>>> https://fanfiction.com.br/historia/631717/Herdeira_do_Trono <Deem uma passada lá. ;)

Eu andava pelas ruas tentando entender o que tinha acontecido com a minha vida. Minhas mãos estavam nos bolsos e a mochila nas costas. Sim, eu havia fugido da escola de novo. Não suportei ficar lá, encarando professores e alunos com tanto em minha cabeça.

Sem perceber, meus pés haviam me levado para a frente da casa dos meus pais. Ela ainda não estava á venda. Suspeito que estavam fazendo uma limpeza, jogando fora aquilo que não seria vendido junto com a casa.

Por força do hábito, ainda colocava a chave em minha mochila antes de ir para a escola e logo a tirei e abri a casa. Estava extremamente silenciosa. Meus passos ecoavam pelas escadas. Eu sabia que não devia estar ali. Se a empresa encarregada de vender a casa me pegasse eu poderia estar em sérios apuros, mas a curiosidade me levava adiante.

Cheguei ao segundo andar e entrei na biblioteca. Ela estava intacta e me peguei pensando se os livros iriam continuar ali depois que a casa fosse vendida. Provavelmente não.

Havia ali uma prateleira que minha mãe dava uma atenção especial, e não me deixava ter muito acesso. Hoje eu sei do que essa prateleira se trata. E foi nela que eu me dirigi.

A maioria dos livros que estavam ali eram parecidos com os livros na cabana da floresta. Rústicos e com a aparência de velhos. Passei a mão por eles, louca para saber que segredos eles escondiam, que tipo de informação eles poderiam me dar sobre aquele mundo louco.

Peguei um que tinha um desenho estranho na capa. Logo percebi que era o símbolo que eu havia visto naquelas meninas que me levaram para o castelo. As Arqueiras.

O outro livro que eu peguei era mais estranho ainda. Tinha o desenho de um homem com uma mulher logo nas primeiras páginas. A mulher, que descobri mais tarde, era uma Arqueira. O homem era desconhecido pra mim e tinha um nome difícil: Duwell Smirnnoskroff.

Algumas folhas a frente, tinha outra ilustração, e esse cara eu conhecia. Era o homem que tinha me ajudado na floresta, e tinha também uma frase:

“Duwell foi transformado em um ser único por 500 anos, como parte de seu castigo por ter tentado viver para sempre de forma ilegalmente. Depois da morte da Arqueira Mary Furn ele foi viver na floresta, sozinho durante toda a sua sentença.”

Isso explica o humor daquele ser.

Peguei mais alguns livros e fiz uma pequena pilha a fim de levá-los comigo para casa. Mas antes que eu conseguisse colocar todos na pilha, ouvi a porta da frente se abrir. Algumas vozes vieram pelo corredor, mas eu não conseguia ouvir o que estavam dizendo. Ou eram os corretores ou marginais. De qualquer jeito, eu não estava em bons lençóis.

Comecei a colocar alguns livros na minha mochila, mas nem todos cabiam. Ouvi passos subindo a escada e foi aí que eu realmente entrei em pânico. Abracei os livros que ainda restavam e disse a frase bem baixo, pedindo que todos aqueles livros fossem junto comigo.

Não eram muitos livros, mas, desajeitada do jeito que sou, logo que cheguei à cabana eles caíram no chão, o que fez Smirnnoskroff me olhar de um jeito quase mortal.

― Você não fica longe mesmo? ― ele disse, estreitando os olhos quando viu os livros no chão. ― O que é tudo isso? ― sem deixar o mau humor de lado.

― Livros da minha mãe.

― E você os roubou? ― ele perguntou.

― Quê?

― Está escrito na sua cara. E no jeito como você entrou aqui. ― ele disse olhando pra mim ― Agora se puder pegar tudo isso e sair daqui... Bem, não vou ficar agradecido, mas seria muito bom. ― disse ele voltando a fazer o que estava fazendo ― Bom mesmo.

― Primeiramente, seu ser rancoroso, tudo o que é da minha mãe é meu por direito, então não roubei nada. ― Dei uma pausa, não era só ele que podia ser grosso. ― Eu sei o que você é. ― ele riu e me fez sentir uma idiota. ― Quer dizer, o que aconteceu com você. ― eu disse cruzando os braços. ― Duwell.

Ele se enrijeceu.

Virou-se de vagar, e de vagar eu pude ver o brilho quase vermelho em seus olhos. Minhas pernas começaram a tremer instantaneamente, e a espada que estava na mão dele, que só tarde demais eu percebi, não me deixou mais calma.

― Do que você me chamou? ― Perguntou ele.

― Du... Duwell. ― Eu dei um passo pra trás. ― É esse o seu nome. Certo? Duwell Smirnnoskroff.

Ele me jogou na parede e me prensou contra ela. A espada estava perto demais do meu pescoço para o meu gosto.

― Onde você viu isso? QUEM TE CONTOU? ― gotas de saliva, muito nojentas por sinal, acertaram o meu rosto. Eu estava quase sufocando.

― Estava escrito em um livro. ― eu disse, com dificuldade. Esse povo daqui tem uma séria mania de sufocar as pessoas.

― ONDE? ― Ele gritou.

― EM UM LIVRO DA MINHA MÃE. ― eu gritei de volta. ― E PARA DE GRITAR QUE EU NÃO SOU SURDA.

― VOCÊ TEM UMA ESPADA NO SEU PESCOÇO, MENINA TOLA!

― Nesses últimos dias eu achei que estivesse alucinando, fui parar em um mundo totalmente diferente, onde um ser idiota me expulsou da casa dele, fui rendida por Arqueiras, levada para um castelo onde a Rainha me prendeu no ar com um feitiço. Uma espada no meu pescoço, não é muita coisa. Além de tudo, eu não tenho mais nada a perder. ― eu disse olhando determinada para ele.

Seus olhos ficaram ainda mais ameaçadores, mas eu não demonstrei medo. Como pude pensar em ajudar esse ogro?

― Você... ― ele disse ― ainda vai morrer por toda essa petulância garota.

― Meu nome é Lexie Canderwell. ― falei com um olhar quase tão frio quanto o dele.

Ele respirava rápido. Eu sabia um pouco do que tinha acontecido com ele, mas a raiva dele estava quase... Palpável.

Ele me soltou de forma brusca e se afastou um pouco.

― Eu posso te ajudar ― eu disse.

Ele riu.

Se você não entendeu, eu repito: ele riu.

― Você tá pensando o quê? ― ele disse ― Que é só um feitiço e pronto? E onde você vai encontrar uma bruxa disposta a fazer isso? E os ingredientes? Você não entende nada, NADA, disso tudo. ― ok. Ele estava quase cuspindo em mim.

― Mesmo você sendo idiota e arrogante, foi a única pessoa me ajudou, me desculpe se quero fazer alguma coisa pra você.

De novo: ele riu.

― Menina se fosse tão fácil você acha que eu já não teria feito?

― Como eu vou saber? Tem gente que tem todo um respeito pela rainha...

― É porque eles não viveram 200 anos sozinhos numa cabana sem nada pra fazer, preso nisso que eu acho de corpo. ― ele disse elevando a voz.

― Se você não quer minha ajuda, o problema é todo seu.

― E como você pretende fazer isso? Posso saber? Como é que você vai entrar no castelo? Como é que você vai achar tudo o que precisa? Eu duvido que a rainha vá te ajudar.

Agora eu ri.

― Não preciso da ajuda dela. Eu tenho isso ― e o mostrei a pérola. ― Eu já entrei no castelo. A única coisa que eu preciso é pensar onde estive e eu vou pra lá. Fácil assim.

Ele me encarou. A sua expressão não mudou, mas dava para perceber que estava intrigado. Intrigado o bastante para considerar minha ajuda. Finalmente, ele me soltou.

― E além do mais, eu vou explorar o castelo de qualquer jeito. ― eu disse me recompondo.

― Você vai arrumar confusão...

― Eu tenho o direito de estar naquele castelo, não importa o que a rainha fale.

― Faça o que você quiser, ― ele disse ― só não me coloque no meio dessa confusão.

Eu bufei e fui embora.

Notas finais
E aí, o que vocês acham do Smirnnoskroff? Respondam nos comentários!