Notas iniciais
Boa leitura *O*

Ciel e Sebastian ficavam cada vez mais próximos, o rei já havia admitido para si mesmo que gostava do guarda e que sentia falta dele, mas ainda não conseguia se atrever a dizer nada a Sebastian. Declarar sentimentos e ser carinhoso sempre foi uma tarefa muito difícil para o rei. Sebastian queria, e muito, saber exatamente o que Ciel sentia, mas sabia que era cedo demais para cobrar alguma declaração do garoto. E a maior proximidade que havia entre eles bastava para o guarda, ao menos por enquanto.

O rei acostumou-se muito rápido a ter a companhia do guarda em sua cama e nunca mais se sentiu bem dormindo sozinho. A cama lhe parecia enorme e solitária e sempre que se deitava para dormir sentia falta do calor do guarda ao seu lado. Ciel passou a dormir sempre com a porta destrancada e tarde da noite, quando todos já estavam dormindo, o guarda entrava silenciosamente pela porta e se acomodava ao lado do garoto e só então Ciel conseguia adormecer.

— O que você pretende fazer se a Elizabeth não desistir do casamento?

— Não sei ainda. – Ciel respondeu.

— Você acha que ela vai desistir?

— Sinceramente, não sei. As reações da Elizabeth são completamente confusas, ela é um mistério para mim. Eu já a rejeitei mais vezes do que consigo lembrar, mas ela parece não querer entender.

— Cancele o casamento então. – Sebastian falou.

— Não farei isso. Eu já fui bem claro quando ao que sinto por ela e deixo a decisão de cancelar, ou não, o casamento por conta dela. Eu creio que saberei o que fazer até o dia desse bendito casamento. – Ciel respondeu enquanto bebericava seu chá.

O rei e o guarda tomavam café da manhã juntos sempre que podiam. Ciel começou a exigir que lhe servissem o café no quarto, assim poderia ter mais privacidade com Sebastian. Ciel ainda era o mesmo garoto arrogante, sério e frio de sempre, mas essas características estavam mudando aos poucos sem que ele sequer percebesse.

— Se casará com ela e aguentará suas ilusões pelo resto de seus dias, jovem rei. – Sebastian falou em tom de brincadeira.

— Não faça brincadeirinhas sem graça, Sebastian. – Ciel respondeu rispidamente.

— Tudo bem, não digo mais nada.

Sebastian nunca mais tentou nada com Ciel, as provocações de antes pararam completamente. O guarda decidiu não tentar nada que pudesse fazer com Ciel se afastasse, ele se sentia extremamente covarde por não conseguir agir com mais pressa, mas preferia ser covarde a se arriscar a perder Ciel. Era difícil para Sebastian dormir na mesma cama de Ciel e não poder tocá-lo ou beijá-lo, mas o que o guarda não sabia era que essa falta de caricias entre eles também afetava Ciel. O garoto queria que Sebastian se aproximasse mais, mas jamais pediria isso.

— Ciel acho que irão estranhar se continuarmos a tomar café da manhã no quarto. Elizabeth não ficará nada feliz quando começar a notar a sua ausência, e menos feliz ainda se souber que tomo café da manhã com você.

— Não me interessa saber o que Elizabeth acha ou deixa de achar. Eu sou o rei e posso tomar café da manhã com meu guarda quantas vezes quiser!

Sebastian sorriu feito um bobo ao ouvir as palavras de Ciel. O guarda sabia o quanto Ciel se importava com a opinião das pessoas à sua volta e ouvi-lo dizendo que era o rei e que não ligava para o que Elizabeth pensava sobre a proximidade deles o deixava muito feliz.

— Por que está sorrindo Sebastian?

— Por nada. Preciso ir agora, tenho trabalho a fazer. – Sebastian, falou levantando da cadeira onde estava sentado.

— Tudo bem.

Sebastian se aproximou de Ciel e depositou um longo beijo em sua testa.

— Até mais tarde – sussurrou.

O guarda saiu deixando o rei sozinho. Ciel sentia o coração palpitar com cada pequena aproximação do guarda, apenas um beijo na testa e o garoto já sentia as mãos suarem. O rei não conseguia deixar de se sentir bobo por ter aquelas reações, mas com o tempo foi se acostumando ao nervosismo que sentia perto do guarda e achava até mesmo normal sentir-se assim.

O rei ainda trajava o pijama que usara noite passada. Ciel já estava acostumado a usar este tipo de roupa na presença do guarda desde muito tempo atrás, então não se incomodava em tomar café da manhã vestido daquele jeito. Ciel terminou seu café da manhã e foi em direção ao armário, o garoto se preparava para trocar de roupa quando a porta de seu quarto foi aberta bruscamente.

— Acaso se esqueceu de bater na porta? – Ciel questionou ao ver Elizabeth entrando no quarto.

A garota começou a andar pelo quarto sem dar atenção a Ciel e então parou próximo a mesa onde Ciel e Sebastian tomavam café da manhã.

— Está fazendo suas refeições no quarto? – Elizabeth falou com um tom de voz alterado.

— Não lhe parece obvio que sim?

— Nem ao menos faz questão de me ver...

Elizabeth sentou-se à mesa, olhando para Ciel. O rei suspirou sem saber o que responder para a garota. Ciel gostaria de voltar a ser educado com Elizabeth, mas sua paciência era extremamente curta e Elizabeth parecia estar sempre querendo acabar com ela.

— O que você deseja Elizabeth? – Ciel questionou suspirando.

— Eu queria ver você. Eu não te vejo há dias, sinto sua falta.

Elizabeth se aproximou de Ciel e repentinamente o abraçou, o rei limitou-se a ficar parado e não fez questão de retribuir o abraço. Ciel apenas queria que aquela situação com Elizabeth chegasse ao fim.

— Elizabeth afaste...

Ciel começou a falar, mas foi interrompido por Elizabeth. A garota grudou seus lábios nos de Ciel, e depois envolveu seus braços no pescoço dele, abraçando-o com força.

— Afaste-se Elizabeth! – Ciel falou interrompendo o beijo.

Elizabeth se afastou de Ciel com os olhos cheios de lágrimas. O rei levou a mão aos lábios, limpando-os. Ciel jamais esperou que Elizabeth fosse capaz de tal ato desesperado.

— Elizabeth o que significa isso?

— É que... Eu achei que... Algo pudesse mudar entre nós... Se nos beijássemos. Eu queria te beijar assim como o Sebastian... – Elizabeth falou em meio a lágrimas.

Ciel não gostava de ver Elizabeth naquele estado, e com o passar dos dias nutria cada vez mais pena pela moça.

— Por que insiste nisso Elizabeth? Por que insiste em sofrer e se iludir?

— Eu te amo, Ciel.

— Me ama? Como pode amar alguém que conheceu há menos de três meses? Alias, como pode amar alguém que você sequer conhece direito?

Elizabeth passou a andar descontroladamente pelo quarto, enquanto as lágrimas continuavam a descer por seus olhos.

— Pare com isso, Elizabeth!

— É tudo culpa dele, Ciel! Eu juro que não sou assim, é a presença dele que me deixa assim. Eu juro.

— Tudo bem, Elizabeth. Agora se acalme e sente-se aqui. – Ciel falou apoiando as mãos nos ombros da garota.

Ciel levou Elizabeth até sua poltrona e fez com que a garota se sentasse lá. Elizabeth estava visivelmente descontrolada e tudo que Ciel menos queria era que a garota surtasse.

— Ciel, você está tomando café da manhã com ele. Está dormindo com ele! Eu sei disso. Você é homem e ele também, isso é completamente... Errado.

—Você parecia ser uma pessoa tão boa quando chegou aqui, e agora veja o que se tornou! Eu quero que se acalme e volte a ser a dama que conheci quando você chegou ao castelo. Agora volte ao seu quarto e depois conversamos. – Ciel falou na tentativa de acalmar a garota.

— Eu não posso, pelo menos não enquanto ele estiver aqui! Ciel demita-o, é por culpa dele que você não aceita o nosso casamento.

Elizabeth se aproximou de Ciel e o segurou nos ombros e passou a olhá-lo fixamente nos olhos.

— Elizabeth esqueça o Sebastian e volte para seu quarto.

— Ciel ouça o que eu digo! Você não pode seguir com essa loucura! Ambos são homens, isso é asqueroso! É nojento, é inaceitável! Jamais aceitarão algo assim no reino! Eu digo isso para o seu bem.

O rei sabia que aquela não era uma boa hora para ser grosseiro com Elizabeth, mas estava se tornando impossível controlar a raiva. A conversa toda já havia sido estressante, mas ao ouvir as últimas palavras de Elizabeth Ciel se descontrolou.

— Elizabeth eu não me casarei com você! Você será abandonada no altar se prosseguir com esse casamento! Não é da sua conta o que eu e Sebastian estamos fazendo! Ele é meu guarda e dormimos sim na mesma cama, e eu sinto falta do calor dele ao meu lado, como jamais sentirei do seu!

Elizabeth ficou sem reação ao ouvir as palavras de Ciel e ficou alguns instantes em silencio antes de levantar a mão e bater com força no rosto do rei. Ciel concluiu que havia exagerado nas palavras, e o arrependimento começava a surgir.

— Eu não vou desistir desse casamento! Eu não vou passar por essa vergonha! Os convites já foram enviados!

Elizabeth saiu do quarto de Ciel correndo. O rei foi atrás dela, mas a garota entrou em seu quarto e fechou a porta rapidamente. Ciel suspirou ainda olhando para a porta fechada, pensou em chamar pela garota, mas depois de um tempo desistiu de falar com ela e voltou para seu quarto. O rei trancou a porta do quarto, a fim de evitar que Elizabeth entrasse sem permissão novamente.

— Eu preciso resolver essa situação o mais rápido possível. – Ciel sussurrou enquanto passava a mão no local onde Elizabeth lhe dera o tapa.

O rei passou o resto do dia trancafiado em seu quarto, temendo que Elizabeth fizesse um escândalo. Ele havia dito que o que Elizabeth pensava não lhe importava, mas ainda tinha medo de que a garota contasse para alguém o que sabia. Ciel estava mudando e aceitando Sebastian aos poucos e um escândalo só atrapalharia tudo. O rei estava começando a se arrepender de ter sido tão sincero com Elizabeth. Teria sido melhor expulsá-la do quarto logo de inicio. Estarei perdido se ele disser algo, eu não estou pronto para enfrentar esse tipo de acusação, Ciel pensou.

— O que farei se ele contar tudo o que sabe? Direi que é mentira? Mas e se não acreditarem em mim? – Ciel falou enquanto se acomodava em sua poltrona.

Era noite e Ciel saiu do quarto apenas para pedir que lhe servissem o jantar no quarto e também aproveitou para perguntar por Elizabeth. A empregada informou à ele que a garota estava bem, que parecia feliz e que estava jantando com Angelina. Ciel não conseguia entender o que havia de errado com Elizabeth. A garota vem até aqui, grita, me ataca, sai correndo aos prantos e depois de tudo age como se nada tivesse acontecido? Realmente não consigo entendê-la, pensou Ciel.

O rei sentou-se à mesa e a empregada lhe serviu o jantar. O dia fora tão estressante que Ciel achou que um vinho não cairia nada mal naquele momento. A empregada desceu e rapidamente voltou trazendo uma garrafa de vinhos nas mãos.

— Pode ir agora. Volte em trinta minutos para limpar a mesa.

A empregada fez uma reverencia e saiu rapidamente do quarto do rei. Ciel sentia-se solitário e desanimado. O rei olhava constantemente para a cadeira vazia que Sebastian normalmente ocupava durante o café da manhã.

— Sinto falta dele. – Ciel sussurrou enquanto começava a beber a segunda taça de vinho.

O rei terminou seu jantar e continuou tomando seu vinho. Ciel sabia que era fraco para bebidas e que pequenas quantidades já o deixavam tonto, mas mesmo assim continuou bebendo. Sentou-se em sua cama com a taça ainda na mão e nem sequer percebeu direito quando a empregada veio limpar a mesa de seu quarto.

O garoto adormeceu, a garrafa de vinho aos pés da cama e a taça vazia em mãos. Ciel sabia que não conseguiria dormir e que se ficasse acordado passaria o tempo todo remoendo o que aconteceu mais cedo com Elizabeth ou então pensando em como se sentia solitário quando Sebastian não estava por perto. Decidiu então que beberia vinho até conseguir dormir e foi exatamente isso o que fez.

Várias horas se passaram até que Sebastian viesse ao encontro de Ciel e chegando no quarto do rei tudo o que o guarda encontrou foi um garoto adormecido com uma taça na mão. Sebastian achou a situação bastante estranha, já que Ciel normalmente evitava qualquer bebida que tivesse álcool.

Sebastian guardou a taça e o vinho e depois acomodou Ciel de uma forma mais confortável na cama e quando estava cobrindo o garoto com os cobertores ouviu o garoto sussurrar algumas palavras que ele não chegou a entender.

— O que disse, Ciel?

— Sebastian? É você?

— Sim. Você não deveria ter bebido, Ciel.

— Eu só bebi um pouquinho. – Ciel respondeu com uma voz lenta.

— Não se preocupe com isso. Agora volte a dormir.

— Sebastian fique aqui até eu dormir. Não me deixe sozinho.

— Eu ficarei.

O guarda acomodou-se ao lado de Ciel como sempre fazia e então o rei se aproximou envolvendo os braços na cintura de Sebastian.

— A Elizabeth... Ela vai contar... Eu sei que vai...

— Ela não contará, mas se contar nós podemos ir embora daqui juntos. – Sebastian falou enquanto afagava os cabelos do rei.

— Eu gosto muito... De você. – Ciel sussurrou antes de fechar os olhos e adormecer outra vez.

O rei só havia dito que gostava de Sebastian por conta da coragem que o álcool lhe trouxera, mas Sebastian não pôde deixar de sorrir e de se sentir feliz mesmo sabendo disso.

Notas finais
Continuem comigo. Bjo bjo, até a próxima