O Rei e o Valente

19 Só Pode Ser Um Pesadelo


Notas iniciais
A partir daqui as coisas começam a ficar tensas. U_U Boa leitura *O*

Ciel não conseguia pensar em outra coisa que não fosse o casamento que aconteceria em cinco dias. Os convidados que moravam mais longe do reino já haviam partido de seus castelos, a fim de chegar a tempo para o bendito matrimônio. Elizabeth estava radiante e mais feliz impossível. A garota só conseguia pensar no casamento e não parava de falar o quanto seu vestido era bonito, branco como a neve e em como aquela cor representava pureza.

O rei ouvia a tudo em silencio, mas já nem fazia questão de fingir os sorrisos. Depois da conversa que teve com Sebastian ficava cada vez mais difícil fingir que nada estava acontecendo, ficava cada vez mais difícil suportar a tudo e ainda fingir que estava feliz. Ciel contava os dias para sair daquele castelo e deixar tudo para trás. Ficar ali era sufocante e deprimente e chegou ao ponto em que tudo à sua volta parecia triste, depressivo.

Elizabeth havia insistindo para almoçar com Ciel, mesmo depois que o garoto alegou uma dor de cabeça horrível. A garota disse que se sentia sozinha e que era dever do noivo fazer companhia para sua noiva sempre que necessário. O rei respirou fundo, reunindo forças o suficiente para não surtar e calmamente acompanhou Elizabeth, fingindo mais uma vez que tudo estava bem e na mais perfeita ordem.

E agora Ciel estava ali, sentando em volta da mesa, ouvindo Elizabeth divagar mais uma vez sobre o branco puríssimo que reluzia em seu vestido, sobre o penteado que faria, sobre as pessoas que havia convidado e sobre como seria a festa. Como se Ciel já não soubesse todos esses detalhes de cor e salteado.

— O vestido é tão lindo, Ciel. Você precisa ver! Ele é branco como a neve e combina tanto com meu cabelo loiro. Eu sei que você vai adorar! – Elizabeth exclamou.

Ciel mexia a comida de um lado para o outro, sem ter vontade de comer. A refeição havia esfriado há muito tempo e o garoto sequer havia tocado nela.

— Eu imagino como o vestido deve ser lindo. O branco é realmente uma cor muito bonita. – Ciel falou enquanto pensava no quanto odiava o branco.

Tudo em volta do reino era branco por causa da neve. Monocromático e tediosamente branco. O branco que causava dor aos olhos e que enchia Ciel de desânimo. O tão odiado branco.

— Sua tia chega amanhã.

— Já estava na hora de voltar. Achei que ela não seria capaz de chegar a tempo do casamento.

— Óbvio que não. Ela jamais seria capaz de perder o casamento de seu sobrinho. —Elizabeth sorriu. — O casamento que ela organizou com tanto cuidado e carinho.

— Também acho. – Ciel respondeu desanimado.

O rei e sua noiva seguiram com a conversa e com o tão desagradável almoço e em meio a distração Sebastian apareceu. O guarda tencionava falar com Ciel, mas achou que seria melhor não incomodar. Ele se planejava para seguir em direção a área externa do castelo quando Elizabeth o chamou.

— Sebastian?

— Sim?

— O que aconteceu com você? Soube que passou alguns dias fora.

— Apenas alguns problemas pessoais. Peço perdão, mas meu rei já sabe o que aconteceu. Creio que não preciso mais tocar nesse assunto. Com licença, senhorita Elizabeth. – O guarda fez uma reverencia e lentamente saiu do cômodo.

A garota sentia ódio sempre que Sebastian fazia aquela bendita reverencia e tudo em que conseguia pensar era que mandaria o guarda embora assim que se casasse com Ciel. Elizabeth tinha certeza de que muitas coisas mudariam naquele castelo depois do tão aguardado casamento.

— Sinto muito, Elizabeth, mas tenho que me retirar agora. Preciso descansar ou jamais estarei melhor. Continuamos nossa conversa mais tarde.

— Tudo bem. Nos vemos no jantar?

— Se eu estiver melhor até lá, pode ser que sim.

— Até mais tarde, Ciel.

— Até mais tarde, Elizabeth.

O rei saiu rapidamente do local, andando apressadamente em direção as escadas. Tudo o que mais queria era poder se afastar de Elizabeth e de toda a sua conversa irritante e sem sentido. O único consolo que Ciel tinha era saber que tudo isso em breve acabaria ou ao menos ele esperava que acabasse, já que ainda havia a possibilidade de tudo dar errado.

Ciel entrou em seu quarto e só então pôde se sentir à vontade. O quarto do garoto era o único local do castelo que ainda não estava contaminado pela presença de Elizabeth. Todo o resto do castelo tinha mudado em relação a decoração. Elizabeth fizera questão de mexer em praticamente tudo, trazendo um ar exageradamente feminino ao ambiente.

O resto do dia passou com uma rapidez enorme. O rei continuou em seu quarto, lendo, olhando pela janela, pensando no futuro e o mais importante de tudo, fugindo de sua noiva. Já era noite quando a garota bateu em sua porta, chamando-o para o jantar. Ciel estava acordado, mas fingiu estar dormindo e quando ela estava quase desistindo de bater na porta, o garoto a chamou fazendo sua melhor voz de sono e com toda a falsidade do mundo mentiu que a cabeça ainda doía.

Elizabeth desistiu de insistir para ver o rei e pelo menos pelo resto da noite ele teria sossego. Ciel continuou a tentar se distrair, esperando ansiosamente que todos fossem dormir, pois só assim poderia ver Sebastian. O único momento do dia em que algo valia à pena era quando podia estar junto do guarda. A vida de Ciel não estava sendo das melhores, mas pelo menos ainda havia esperança de que tudo pudesse mudar muito em breve.

As horas começaram a passar lentamente, Ciel trocou de roupa e continuou esperando pelo guarda, mas ele não veio. Já passava da meia noite quando o rei decidiu sair de seu quarto, para procurar Sebastian. O garoto olhou pela fresta da porta, o corredor estava pouco iluminado e aparentemente todos estavam em seus quartos.

Ciel andou lentamente pelo corredor, seguindo em direção ao quarto de Sebastian. O garoto abriu lentamente a porta, entrando rapidamente no cômodo. As luzes do quarto estavam todas apagadas, apenas a luz da lua entrava pela janela, dissipando um pouco da escuridão. A cama estava arrumada e Sebastian não parecia estar por ali.

O quarto do guarda era relativamente grande e aconchegante, e havia também um banheiro só para ele. Ciel olhou em volta e então percebeu que a luz do banheiro estava acesa. O garoto calmamente andou até lá, procurando não fazer barulho por algum motivo que até mesmo ele desconhecia.

O rei pôde ouvir o barulho de água caindo e então começou a imaginar se Sebastian estaria tomando banho. Ciel achou difícil acreditar que alguém pudesse estar tomando banho tão tarde da noite e em meio a tanto frio, mas achou que só podia ser isso e diante dessa hipótese resolveu esperar no quarto.

O garoto acomodou-se na cama, ficando próximo aos travesseiros de Sebastian, o lençol e tudo ali carregava o cheiro do guarda. Ciel esperou por um bom tempo e quando pensava em ir atrás de Sebastian a porta do banheiro se abriu. O garoto continuou em silencio, como se não fosse necessário avisar que estava ali.

O guarda saiu do banheiro completamente nu, como de costume, e ao chegar ao quarto a primeira coisa que viu foi Ciel sentando em sua cama. O rei assustou-se um pouco com a visão que tinha. O corpo de Sebastian ainda estava úmido, algumas gotas de água escorriam pelo cabelo, descendo em direção ao rosto.

— Estava me esperando? – Sebastian questionou sorrindo.

O rei levantou-se da cama com pressa, sem saber o que dizer e sem conseguir desviar o olhar. Ciel já havia visto Sebastian nu diversas vezes, mas apesar disso o constrangimento insistia em surgir vez ou outra. Não fazia sentido ainda sentir vergonha, mas não era como se isso fosse algo que pudesse controlar.

— Eu... Eu preciso... ir para o meu quarto...

Ciel começou a andar, indo rumo a porta, mas não conseguiu dar muitos passos antes que fosse puxado por Sebastian. O guarda o agarrou pela cintura, jogando-o de volta na cama e mais do que depressa se debruçou por cima dele.

— Está tão frio... Esquente-me. – Sebastian sussurrou no ouvido do jovem rei.

O corpo inteiro de Ciel pareceu estremecer ao ouvir a voz do guarda. Aquele era com certeza um pedido difícil de negar. O guarda abraçou seu rei com mais força, prendendo-o entre seus braços. As pernas do garoto estavam entreabertas e Sebastian se encaixava entre elas. A água que escorria por seu cabelo ia de encontro ao rosto do mais jovem, deixando-o levemente úmido.

Os dois se entreolharam por alguns instantes, enquanto a distancia entre seus rostos diminuía. Os lábios se tocaram com a pressa que o momento parecia exigir. Fazia bastante tempo que não se beijavam, não se tocavam. Desde que Sebastian voltou de viagem nada aconteceu entre eles. Nenhuma dos dois admitia, mas era óbvio que sentiam falta de trocar caricias, de ficar perto ou de apenas dormir juntos.

— Eu senti tanto a sua falta. – Ciel admitiu quando os lábios se separaram.

— Eu também senti a sua. – Sebastian respondeu, enquanto beijava o pescoço do garoto.

O guarda adoraria conversar, saber como Ciel estava, ouvi-lo contar como tinha sido seu dia, mas naquele momento as vontades que seu corpo exigia eram outras. O rei tentou falar, mas assim que começou foi interrompido por Sebastian. O guarda voltou a beijá-lo, enquanto sua mão deslizava pela cintura do garoto. O simples e delicado toque fez com que a pele de Ciel arrepiasse.

O frio que se fazia presente no quarto, começava a dissipar-se aos poucos, conforme as caricias se tornavam mais ansiosas. O rei quebrou o beijo e com certa dificuldade empurrou Sebastian, tentando deixar a timidez de lado e ficando por cima dele. O guarda admirou o corpo magro de seu rei e aos poucos levantou seu camisolão, deixando-o completamente nu.

As mãos do guarda pousaram na cintura do garoto, apertando a região e aos poucos subiram, indo em direção ao peito. Os dedos deslizaram pela pele quente e suave e por fim pararam nos mamilos rosados. O rei fechou os olhos, enquanto Sebastian pressionava ambos os mamilos entre os dedos. Ciel começava a se sentir excitado e seu corpo dava sinais disso.

— Sebastian... Continue.

Os dois estavam distraídos e completamente focados no desejo que sentiam. Era difícil prestar atenção no que acontecia em volta quando tudo o que mais queriam, tudo o que mais necessitavam no momento estava ali.

O rei passou a mover os quadris instintivamente, fazendo com que o guarda ficasse ainda mais excitado. Sebastian puxou Ciel pelos braços, derrubando-o por cima de si e vagarosamente mordeu a orelha do garoto, arranhando a pele da região com os dentes, deixando pequenas marcas de mordida e fazendo com que um gemido exageradamente alto escapasse pelos lábios do rapaz.

Os sons que inundavam o quarto eram extremamente eróticos e cheios de luxuria, de paixão. Ambos estavam tão distraídos que nem ao menos perceberam quando a bendita porta do quarto se abriu. E bem ali, em frente a porta estava Elizabeth, vestida com sua camisola rosa e com os cabelos soltos. A garota assistiu a cena sem conseguir acreditar ou entender o que estava vendo. A distração que Ciel e Sebastian dedicavam ao momento de prazer acabou por ser sua desgraça.

Elizabeth continuou parada, enquanto ouvia seu noivo gemendo como jamais imaginou que ouviria, como jamais imaginou que ele fosse capaz de gemer. A garota sentiu-se enojada, suja, traída e poderia gritar aos quatro ventos o ódio que estava sentindo se não fosse o estado de choque em que se encontrava.

— Ciel... – Elizabeth disse baixinho, reunindo todas as forças que ainda tinha.

O rei foi capaz de ouvir a garota chamando por seu nome e assim que se virou, seus olhos se fixaram nos dela. Era um pesadelo, só podia ser um pesadelo. Ciel afastou-se de Sebastian e vestiu-se mais do que depressa. Sebastian apenas cobriu seu corpo com o lençol, sem saber se deixava a garota ali ou se chegava perto dela.

— Como pôde? – Elizabeth questionou. — Como pôde? Eu achei que estivesse enfrentando uma situação difícil, mas jamais podia imaginar que algo assim estava acontecendo! Você é meu noivo, meu! E mesmo assim foi capaz de me desrespeitar, de me trair com esse guarda imundo!

Elizabeth estava indignada e completamente descontrolada. A garota sabia que Ciel tinha algo com seu guarda, mas não havia sido capaz de imaginar que algo como aquilo estava acontecendo entre eles. Elizabeth achava que seu noivo ainda tivesse um pouco de respeito por ela e nem em seu pior pesadelo foi capaz de pensar que veria uma cena tão terrível quanto a que acabara de presenciar.

Ciel se aproximou aos poucos ainda pensando no que fazer. O rei estava tremendo e se pudesse voltar atrás jamais teria saído de seu quarto. Jamais teria ido atrás do guarda naquela noite.

— Não se aproxime! Eu não quero que encoste em mim!

O rei não obedeceu e continuou a andar em direção a garota. Não havia motivo para uma aproximação, mas Ciel apenas pensava que talvez fosse melhor ficar perto de Elizabeth. Sebastian levantou-se da cama, mas apenas continuou parado. O guarda não conseguiria resolver nada conversando com Elizabeth, e achava que o melhor era se manter afastado e deixar que Ciel se aproximasse.

Elizabeth começou a andar em direção ao corredor e antes que pudesse se afastar muito. O rei a segurou. A garota rapidamente se virou, acertando um tapa no rosto de seu noivo.

— Não encoste em mim! Eu tenho nojo de você! Acha que pode me tocar depois de tudo o que eu vi. Acha que tem o direito de se aproximar de mim? Eu o vi em cima de Sebastian, gemendo feito uma vadia. Isso é asqueroso...

Outro tapa foi desferido, o som estalado se fazendo presente, mas dessa vez foi Ciel que havia desferido a bofetada, acertando Elizabeth em uma das bochechas. O rei estava farto e naquele momento sequer tinha controle sobre si ou sobre suas ações. Todo o ódio, incomodo e desânimo que havia guardado estava lutando para dominar seu corpo.

A garota tocou a bochecha com uma das mãos e rapidamente se pôs a correr, tentando manter o máximo de distancia possível. Ciel estava atônito e naquele instante foi capaz apenas de cair de joelhos no chão, imaginando o inferno que sua vida seria dali em diante.

Notas finais
Continuem comigo. Bjo bjo, até a próxima