O Rei e o Valente

4 Reação Inesperada


Notas iniciais
A fic ficou tanto tempo sem atualização por conta de uma viagem que fiz, então não tive tempo para escrever. Boa leitura. *O*

Ciel sinceramente achou que seria bem mais fácil resolver as coisas com Elizabeth, mas a cada segundo que passava o rei percebia que fazê-la entender a situação não seria nada simples. A garota andava pelo castelo mudando coisas de lugar, reclamando do frio que fazia, ignorando tudo o que Ciel dizia e tentando deixar tudo o mais fofo possível.

As dores de cabeça do rei só pioravam cada vez mais, Angelina e Sebastian eram os únicos a se divertirem com toda aquela situação. Ciel havia acordado especialmente irritado naquela manhã, mal abrira os olhos e já sentia a enxaqueca chegando. Mexeu-se preguiçosamente na cama e então se levantou. Olhou pela janela como sempre fazia e deu de cara com a mesma paisagem branca e gélida de sempre.

– Não sei por qual motivo ainda insisto em olhar por essa janela, as coisas nunca mudam.

Trocou de roupa pensando no dia longo que enfrentaria, o garoto achava que a experiência de conviver com Elizabeth era similar a um pequeno inferno particular, passava o dia se questionando sobre o que havia feito para merecer aquilo, mas mesmo assim manteve a compostura. Foi extremamente cortês e gentil com Elizabeth, apesar de soltar algumas pequenas ironias de vez em quando, mas nada que a garota tivesse percebido.

Desceu para o café e ao chegar se deparou com sua tia e Elizabeth rindo escandalosamente enquanto bebiam de suas xícaras. As duas falavam sobre as moças do reino, na verdade nenhuma delas tinha nada de bom para falar, a conversa se baseava em criticar e salientar todos os defeitos que haviam notado.

Ciel se aproximou em silencio, se sentando no lugar de sempre. As duas mulheres sequer olharam para ele. O garoto serviu para si um pouco de café, bebeu um pouco do liquido e então olhou para as mulheres a sua frente, a conversa estava mais animada do que antes. Elizabeth falava de uma tal Soara, que segundo ela era a mulher mais feia que já havia visto em sua vida, Angelina apenas sorria prestando atenção no que Elizabeth dizia.

Ciel não suportava aquela situação, a conversa fútil, os barulhos, os risos altos. Sentia imensa saudade do tempo em que tinha o castelo só para si.

– Desse jeito acabarão por se engasgar em seu próprio veneno. – falou baixinho olhando para sua xícara.

– Disse algo, Ciel? – Angelina falou olhando em direção ao garoto.

Ciel não achava que fosse possível a tia ter ouvido o que ele havia dito. O rei levantou a cabeça, olhou em direção a tia e então abriu um sorriso largo, o mais falso que havia dado nos últimos dias.

– Eu? Não me lembro de ter dito nada.

Angelina apenas ignorou a resposta do sobrinho.

– Dormiu bem Ciel? – Perguntou Elizabeth.

E de repente todas as atenções estavam voltadas para Ciel e o rei se via preso à uma conversa que não queria ter.

– Não tão bem quanto gostaria. – respondeu secamente.

– O que aconteceu? – questionou Angelina.

– Nada, está tudo maravilhoso, tudo perfeito. – respondeu tentando soar o mais falso que conseguia.

Angelina percebia a irritação do sobrinho, mas apenas ignorava. Já Elizabeth nem sequer notava, a garota enxergava somente o que queria enxergar e na cabeça dela tudo estava perfeito e em algum momento Ciel se apaixonaria por ela, os dois se casariam e viveriam felizes para sempre.

As duas voltaram a ter a mesma conversa fútil de antes ignorando o rei e então Ciel pôde tomar seu café da manhã sem ser envolvido em conversas que não queria ter. Ciel continuou comendo em silencio, apenas fingindo que as duas não estavam lá e que todas aquelas vozes irritantes não eram ouvidas. Terminou seu café da manhã e estava prestes a sair da mesa quando uma conversa sobre certo baile de mascaras surgiu.

– Baile de mascaras? Que baile de mascaras? – questionou Ciel.

Angelina respirou fundo, bebeu um pouco de chá e então olhou em direção a Ciel com uma expressão de calma.

– O baile de mascara que estamos organizando e que acontecerá aqui. – falou calmamente.

Ciel olhou para ela quase surtando, o rei não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Uma festa era motivo mais do que suficiente para fazer Ciel Phantomhive perder o controle.

– E você acha normal organizar uma festa no meu castelo sem ao menos me avisar antes? Quando pretendia me contar isso?

– Eu lhe contaria em breve. Na verdade seria mais fácil conversar com você, se você não surtasse por conta de tudo.

– Eu não surtei, apenas acho um absurdo tudo isso. Tia você chega aqui...

Ciel parou de falar e então olhou em direção a Elizabeth, a garota assistia a tudo atentamente e em silencio. O rei se levantou e então se afastou da mesa.

– Não terei essa conversa na frente de Elizabeth!

– Ciel, eu não me... – Elizabeth tentou falar, mas foi interrompida por Ciel.

– Não quero ouvir Elizabeth!

Ciel começou a andar em direção à escada dando passos largos. Angelina o chamou várias vezes, mas o rei sequer olhou em sua direção. O garoto chegou rapidamente em seu quarto e então trancou a porta. O quarto era o único lugar em que ainda tinha um pouco de sossego, o único lugar em que podia ficar quieto e em silencio.

O rei não estava acostumado a mudanças e muito menos a barulhos e saber que Angelina e Elizabeth estavam organizando uma festa sem sequer pedir sua autorização foi o suficiente para que seu ultimo resquício de paciência fosse embora. Ciel andou até a janela e abriu a cortina, olhou a paisagem monocromática e então suspirou sentindo-se um pouco mais calmo.

Olhava para o tronco dos pinheiros quando viu alguém chegando próximo a floresta. No inicio foi um pouco difícil identificar a pessoa, mas após algum tempo Ciel notou que era Sebastian. O guarda caminhou lentamente e então se encostou ao tronco de uma das arvores, olhando em direção ao castelo.

Ciel não entendia o que o guarda poderia estar fazendo ali sozinho, talvez quisesse ficar sozinho um pouco, pensou Ciel. O garoto continuou a observar o guarda e por um momento se esqueceu dos problemas com a tia, com Elizabeth e todo o resto. O rei gostava de observar o guarda e às vezes se pegava olhando para ele, mas jamais admitiria isso. Sebastian era para ele nada mais do que apenas um guarda irritante e que não sabia seu lugar com empregado, pelo menos era disso que Ciel estava convencido.

Sebastian continuou parado no mesmo lugar, olhando sempre na mesma direção, como se estivesse procurando por algo. Ciel já estava começando a se cansar de observar o guarda quando viu outra pessoa se aproximando. Ciel estreitou os olhos tentando enxergar melhor, notou então que era uma mulher, mas não conseguiu reconhecê-la. A moça se aproximou de Sebastian e ele a abraçou.

Os dois se beijaram calorosa e demoradamente, Sebastian puxava o corpo da moça contra o seu. Ciel assistia a tudo incomodado, sentia uma sensação estranha no peito, mas não sabia dizer o que era.

– Quem ele pensa que é? Meu guarda pessoal as voltas com uma qualquer? E se alguém o vir assim? O que irão pensar?

Ciel andava de um lado para o outro, pensou um pouco e então sentou-se na cama suspirando. Sabia que estava nervoso sem motivo algum, afinal não tinha nada a ver com a vida pessoal de Sebastian, o guarda podia fazer o que bem entendesse e com quem quisesse. O garoto tentou esquecer a cena que vira, mas não conseguiu. Foi de novo até a janela, mas chegando lá não viu mais ninguém, tanto Sebastian, quanto a mulher haviam desaparecido.

Preparava-se para deitar na cama quando ouviu batidas na porta, continuou o que estava fazendo ignorando o barulho. Não queria ver ninguém, mas para seu desanimo as batidas não pararam.

– Não quero ver ninguém!

– Sou eu, Ciel. – falou Angelina do lado de fora.

– Você, mais do ninguém, está incluída na lista de pessoas que não quero ver.

– Não seja grosseiro, precisamos conversar.

Ciel abriu a porta ainda relutante.

– Sobre o que deseja falar?

– Sobre a discussão de hoje cedo.

O rei se afastou da porta dando espaço para a tia entrar. A mulher entrou sentando-se em uma poltrona. Ciel fechou a porta, mas permaneceu em pé esperando que a tia começasse a falar.

– Você realmente precisava reagir daquele jeito, Ciel?

– Resolveu criticar minhas reações também?

– Ah, por favor, Ciel. Não seja exagerado.

– Minha paciência está por um fio, seja direta.

– Quero que nos deixe fazer o baile.

– Esse é um pedido sem cabimento.

– Você pretende rejeitar Elizabeth, correto?

– Já rejeitei, mas acho que ela não entendeu ou não quer entender.

– Enfim, deixe o baile acontecer. Eu já percebi que foi um erro trazer Elizabeth aqui e me arrependo do que fiz, eu darei um jeito de me livrar dela.

– Você faria isso?

– Sim, mas somente se nos deixar fazer o baile de mascaras. Gosto muito de Elizabeth e gostaria de lhe dar essa pequena alegria antes de partir seu pobre coração.

– Quanto tempo demorariam para organizar esse baile?

– Um mês. Talvez mais, talvez menos.

– Impossível, eu não posso concordar com isso! – Ciel falou irritado.

– Após esse tempo você se verá livre de mim e de Elizabeth, não acho que seja um pedido impossível de se conceder.

Ciel pensou um pouco em todas as possibilidades que tinha e concluiu que não tinha uma forma melhor para se livrar de Elizabeth. Não queria ser grosseiro, mas sabia que se continuasse com tantas sutilezas ao falar com a garota, jamais se veria livre dela.

– Tudo bem, eu concordo. Seja breve e organize essa maldita festa o mais rápido possível.

– De acordo.

Angelina se levantou da cama e então foi rumo à porta, Ciel a chamou antes que saísse.

– Tia, diga para algum dos guardas que eu preciso falar com Sebastian e peça que ele chegue aqui o mais rápido possível.

A tia de Ciel apenas acenou positivamente com a cabeça, demonstrando que havia entendido o pedido e então saiu. Ciel se sentou na cama e ficou a espera do guarda, na verdade o garoto sequer sabia direito o motivo de ter pedido para ver Sebastian. Longos minutos se passaram até que Sebastian batesse na porta.

– Entre. – falou Ciel.

– Com licença. – falou Sebastian entrando.

– Desde quando pede licença para entrar aqui?

– Não sei, só achei que deveria.

Ciel observou bem a expressão do guarda e julgou que ele parecia diferente do usual, talvez mais calmo e menos petulante.

– Esqueceu-se do seu trabalho, Sebastian?

– Não entendo o motivo de tal pergunta.

– Creio que já passa do meio dia e não te vi sequer uma vez hoje.

– Eu estava ocupado. – Sebastian respondeu sorrindo.

– Ocupado? Eu poderia saber quais foram essas ocupações tão importantes?

– Nada demais, apenas ajudei os outros guardas em seus afazeres.

Ciel olhava diretamente nos olhos de Sebastian, o garoto sabia que o guarda mentiria sobre o que estava fazendo, mas a forma como as mentiras saiam da boca dele deixavam Ciel irritado. O garoto não planejava tocar no assunto e sabia que não deveria tocar no assunto, mas a vontade de questioná-lo sobre aquela mulher era bem maior do que sua racionalidade.

– Ajudando os outros guardas? Tem certeza disso?

– Sim, eu tenho certeza.

– Quem era aquela mulher, Sebastian?

– Que mulher?

– A mulher que você estava beijando há menos de uma hora atrás.

Sebastian abriu um largo sorriso ao ouvir a pergunta de seu rei, jamais imaginou que Ciel fosse capaz de questioná-lo sobre algo assim, decidiu então que talvez fosse hora de irritar o garoto um pouco mais.

– Está com ciúmes, Ciel? – Sebastian falou sorrindo.

Uma expressão de espanto tomou conta da face de Ciel, o garoto se levantou bruscamente da cama.

– Nunca mais me faça uma pergunta inútil como essa! Você é meu guarda, ouviu bem? Meu guarda! O que você faz nas horas vagas não me interessa, mas o que você faz durante seu horário de trabalho é sim do meu interesse. Seu dever é me servir, me proteger e a próxima vez que desaparecer por tanto tempo, será substituído por alguém que possa realizar o serviço com mais eficiência!

Ciel sentou-se novamente na cama, respirando pesadamente. Sebastian estava um pouco assustado por conta da reação exagerada que o garoto havia tido. O rei olhou novamente em direção a Sebastian.

– Você entendeu bem o que eu disse Sebastian?

– Cada palavra, jovem rei. – Sebastian falou fazendo uma reverencia.

– Desapareça da minha frente então!

Sebastian saiu do quarto rapidamente deixando o rei sozinho. Ciel começava a se acalmar e poucos instantes depois já se sentia arrependido da reação descontrolada que havia tido. Jogou-se na cama, escondendo o rosto no travesseiro. Tentou se convencer de que não havia sido exagerado. Aquele guarda precisava saber o lugar dele e foi isso que eu mostrei a ele, pensou Ciel.

– Ciúmes? – sussurrou com o rosto ainda oculto pelo travesseiro.

Sebastian já havia descido as escadas e estava parado na área externa do castelo se sentindo extremamente satisfeito com a reação de Ciel. A mulher a quem beijara, não representava nada em sua vida, mas seu rei não precisava saber disso.

Notas finais
Continuem comigo. Bjo bjo, até a próxima