O Rei e o Valente

23 A Paz Que Tanto Queriam - Final


Notas iniciais
Ainda teremos um epílogo para fechar a fanfic com chave de ouro U_U Boa leitura *O*

O castelo Phantomhive estava ligeiramente diferente após o desaparecimento do último Phantomhive. O reino, agora sem rei, não havia mudado tanto desde a partida de seu suposto governante. Ciel sempre fora apenas uma peça em toda aquela história de reinado. Uma peça e nada mais.

Não tinha poder sobre basicamente nada, não tomava decisões importantes. Era apenas a parte visível, a parte que os súditos conheciam, que raramente viam e que tinham como uma figura de autoridade. O desaparecimento do rei permaneceu em segredo. Todos ali no castelo foram obrigados a jurar silencio. Ninguém sabia de nada, ninguém havia visto nada e para todos os efeitos o rei ainda estava no castelo.

Os conselheiros do reino decidiram sustentar o segredo até quando fosse possível, mentiriam sobre o tal casamento com Elizabeth, inventariam até mesmo um herdeiro vindo de Ciel e da garota se fosse necessário e tudo então seguiria como se nada de anormal tivesse ocorrido.

Elizabeth estava decidida a ficar no castelo a todo custo, até por que para ela não havia outra opção. Acabara de descobrir que a casa onde morava havia sido vendida para pagar algumas dúvidas. Não tinha mais noivo, casamento e nem ao menos uma casa para voltar, um lugar para onde ir caso descobrissem algo sobre os planos não concretizados de sua família.

A garota tentou imaginar o fato de ainda poder ficar no castelo como uma benção, porém não conseguia. Era como se cada parede, cada cômodo gritasse “Você não é bem vinda aqui.” Não se lembrava de ser se sentido assim, tão deslocada, quando Ciel estava ali, e também não conseguia entender os motivos que a faziam sentir-se assim agora.

Durante o dia andava pelo castelo, sendo a doce e ingênua garota que sempre pareceu ser. Sempre que falava do noivo tentava parecer o mais triste possível e quando estava com Angelina tentava ser divertida e o mais amigável que conseguia. Durante a noite, quando estava sozinha em seu quarto, sofria em silencio. Relembrava momentos felizes e se lamentava por não poder voltar para essa época.

Pensava também em seu noivo, tentando imaginar o quão feliz ele poderia estar sendo agora. Boa parte de si ainda torcia para que tudo desse errado com o noivo perdido. Durante noites seguidas pedia aos céus que a vida dele fosse tão infeliz quando a dela estava sendo. E após pensar e repensar em torno do mesmo assunto acabava adormecendo. No outro dia acordava apenas para viver e sentir o mesmo que vivera e sentira no dia anterior.

Ciel andou por entre os cômodos da casa, tentando se acostumar, de alguma forma, ao novo lugar. As coisas lhe pareciam tão irreais e tão difíceis de acreditar. Sofrera tanto esperando que tudo corresse bem, que mais nada atrapalhasse e agora finalmente podia respirar aliviado. Ainda era como se estivesse sonhando e mesmo estando distante de seu reino ainda sentia um frio incômodo no estomago. Ainda pensava, vez ou outra, no que poderia dar errado em sua vida.

Jurou que esqueceria esse tipo de pensamento pessimista e tentou se focar apenas nas coisas agradáveis que o rodeava. Abriu a janela de seu quarto e ficou parado próximo ao parapeito, observando as arvores imensas que havia por toda parte, sentindo a brisa fresca que soprava e o cheiro de natureza que tomava conta do ambiente. Pela primeira vez naquele dia agradeceu por não ter visto uma paisagem fria e monocromática. Sentiu-se imensamente feliz por não sentir frio e por não ver uma grossa camada de neve.

Andou pelo quarto, imaginando as noites que dormiria ali com Sebastian ao seu lado. Sentou-se na grande e confortável cama de casal, alisando os lençóis de tom escuro com as mãos. O quarto era bem simples, mas extremamente organizado. Havia um armário bem grande em uma das paredes, duas mesas de cabeceira, uma de cada lado da cama. Próximo a janela uma confortável poltrona, e na parede oposta à cama uma porta que levava a um banheiro de tamanho razoável.

Levantou-se da cama e após sentir o espartilho lhe apertar o corpo percebeu que ainda estava de vestido. Suspirou algumas vezes, relembrando a quantidade exagerada de dias que passou usando aquele tipo de roupa.

Não tinha esperança de encontrar algo para vestir, mas mesmo assim resolveu abrir o armário que havia no quarto. Puxou uma das portas calmamente e então se sentiu grandemente surpreso ao ver que metade do espaço daquele armário trazia roupas que eram de seu tamanho.

Passou a mão pelas peças de roupa e então escolheu um conjunto de tom azulado. Olhou mais uma vez para as roupas de diferentes tons, percebendo então que a outra metade do armário estava ocupada pelas vestimentas de Sebastian. Surpreendia-se cada vez mais com o modo delicado que seu guarda havia planejado as situações e em como aquela casa parecia aconchegante mesmo que não fosse habitada por ninguém até a chegada deles.

Abriu um sorriso largo ao fechar as portas do móvel. Os olhos azuis carregavam um brilho singular, nunca antes visto. Ciel estava feliz como há muito não se sentia. Vestiu rapidamente as peças que havia escolhido e logo em seguida deixou o quarto. Andou em direção ao corredor, passando pelos dois quartos de hóspedes, olhando rapidamente a pequena biblioteca que havia ali e parando de andar ao chegar na sala de estar.

Sentou-se na primeira poltrona que encontrou, sentindo o corpo relaxar ao recostar as costas no encosto almofadado. Ciel olhou para a porta durante alguns longos minutos, esperando que Sebastian entrasse por ela a qualquer momento. O cansaço que tomava conta do corpo do garoto era imenso e difícil de ignorar. Os olhos fecharam aos poucos e logo em seguida adormeceu.

Sebastian havia saído da propriedade há algumas horas, indo em busca de alguns mantimentos e coisas do gênero. Andou por toda a cidade vizinha e após algumas horas voltou para casa, trazendo consigo o que julgava necessário para viverem confortavelmente bem durante os próximos dias.

A primeira visão que teve ao entrar pela porta da frente foi a de Ciel adormecido em uma das poltronas. Sorriu ao ver o rosto sereno do garoto ser levado pelo sono. Deixou os sacos pesados que trazia consigo em um canto qualquer. Aproximou-se silenciosamente e após ajoelhar-se aos pés de seu rei, o tocou carinhosamente com a palma da mão.

Os dedos frios passearam pela bochecha macia, alisando com todo cuidado possível. O guarda aproximou-se ao poucos do rosto do garoto e após alguns instantes depositou um beijo rápido em seus lábios. Os olhos de Ciel abriram-se rapidamente e após assustar-se um pouco com o contanto repentino correspondeu ao beijo.

— Poderia ter dormido em sua nova cama. – Sebastian falou sorrindo.

— Eu não tinha intenção de dormir. Estava te esperando.

— Encontrar comida e artigos de higiene à essa hora do dia não foi tão fácil quanto pensei que seria.

O guarda se afastou de Ciel e após se levantar andou rumo a cozinha. O garoto levantou-se com certa dificuldade, sentindo um choque de dor percorrer suas costas e então seguiu o guarda a passos lentos.

— Vejo que encontrou suas roupas no armário.

— Jamais imaginei que encontraria roupas que me servissem naquele armário, achei que teria que continuar usando aquele vestido até que você voltasse.

— Bom, eu te disse que sou um homem prevenido. Acho também que não seria má ideia vê-lo usando aquele vestido durante os próximos dias. Seria uma visão extremamente agradável! — Falou sorrindo maliciosamente.

— Eu odiaria ter de usar aquele vestido por mais tempo, mesmo que isso te fizesse estranhamente feliz. Alias, como sabia meu tamanho?

— Ora, acha que isso seria uma tarefa difícil depois de observar suas roupas e depois de tanto tocar seu corpo?

Ciel sentiu-se ligeiramente envergonhado com o modo malicioso que o guarda falava, mas tentou não deixar esse sentimento transparecer em sua expressão.

— Sorte a minha! – Exclamou. — Ao menos estou livre daquelas roupas incômodas.

Continuaram na cozinha pelas próximas horas. Sebastian preparou uma refeição rápida e a noite já havia caído quando terminaram de se alimentar. O corpo de ambos sofria com o cansaço da longa viagem e das noites mal dormidas. Tomaram um banho juntos e logo em seguida foram para cama, mas apesar de cansados não conseguiam dormir.

A cabeça de Ciel estava apoiada no peito nu de Sebastian, os braços do guarda o envolviam com cuidado e passavam uma sensação extremamente aconchegante de calor e amor. O sono todo que sentiam parecia ter sumido repentinamente.

— Está dormindo? – Ciel questionou levantando a cabeça.

— Não. – Sebastian respondeu antes de puxá-lo para um beijo.

As mãos de Ciel espalmaram-se sobre o peito do guarda, enquanto os lábios se tocavam de forma lenta e displicente. A primeira vez que se beijavam em seu novo quarto, na sua nova cama. Tudo de agora em diante teria um gosto de novidade durante um bom tempo.

Deixaram que aquele contato seguisse por um bom tempo, parando algumas vezes para respirar e logo em seguida se beijando outra vez. Afastaram-se então após matar um pouco da saudade que sentiam dos lábios um do outro.

O garoto voltou a posição de antes no aconchego dos braços de Sebastian. Ambos estavam felizes e completamente realizados. O plano de fuga que parecia tão distante e tão difícil de realizar estava agora concluído. Não conseguiriam descrever a felicidade gigantesca que sentiam nem se tentassem com todas as forças que tinham.

— Queria ter visto minha tia uma última vez. – Ciel falou desanimado.

— Foi melhor assim. Não teríamos como esperar mais tempo. Sua tia deve estar bem e provavelmente irada com o fato de você ter fugido. Imagino se algum dia ela descobrirá sobre os planos de Elizabeth e da família dela.

— Acha que Elizabeth seria capaz de fazer algo de ruim com minha tia?

— Creio que não. As duas parecem bem próximas e também parece existir bastante carinho entre elas. Creio que serão felizes para sempre juntas.

— Poderiam se casar se estivessem interessadas e se um casamento assim fosse aceito no reino. – Ciel falou em tom de ironia.

— Sim, poderiam.

Ciel tentou imaginar como sua tia estaria. Se ela estava triste por sua partida ou se sentia ódio pelo fato do casamento ter dado errado. Sentia um pouco de ódio ao lembrar que todo aquele inferno pessoal que vivera era em boa parte culpa dela, mas apesar disso não conseguia odiar Angelina. O garoto esperava apenas que o destino se encarregasse tanto de sua tia quanto de Elizabeth e que se possível as duas continuassem a conviver bem como antes. A verdade é que tudo estaria bem se apenas pudesse viver sua nova vida em paz, sem jamais ser incomodado por nenhuma delas.

— Sebastian?

— Sim?

— O que faremos de agora em diante?

— O que faremos em relação à que?

— Eu não sou mais rei e você não é mais um guarda. O que faremos nos dias que virão?

— Bom, eu conseguirei um emprego e você cuidará da casa. Algo como uma esposa.

— Uma esposa? Não quero ser uma esposa! – Ciel falou sorrindo ao pensar na ideia de ser esposa de Sebastian.

— O que há de errado nisso? Você cuidará da organização da casa e me receberá com um beijo e um banho pronto todas as noites. – Sebastian falou em tom de brincadeira.

— Sabe muito bem que a casa se tornará uma bagunça caso fique em meus cuidados. Nunca tive que cuidar de nada!

—Nunca é tarde para aprender. — O guarda passou a acariciar o topo da cabeça de Ciel. — Você, jovem rei, fará o que desejar fazer. Nunca mais será obrigado a fazer nada que não queira e não será forçado a se casar com quem não ama. Não precisa se preocupar com nada, apenas fique ao meu lado e acho que tudo dará certo.

Ciel sorriu mais uma vez, sentindo o coração palpitar após cada palavra que ouvia. A voz de Sebastian parecia carregada de amor, cuidado e carinho. Era como se estivesse ainda mais apaixonado após ter ouvido tudo aquilo.

— Sebastian, eu te amo tanto! – Falou com toda a certeza do mundo.

— Eu também te amo.

Não falaram mais nada após aquilo. Haviam dito, por hora, tudo o que precisavam dizer. Ainda tinham muito o que conversar, muito o que discutir, muito o que viver, mas isso não importava naquele momento. Agora, depois de muito sofrer, tinham paz e a certeza de um futuro feliz juntos.

Notas finais
Eu optei por um final mais fofo, mas não se preocupe ainda teremos mais um lemon de despedida! Continuem comigo. Bjo bjo, até a próxima.