O Rei e o Valente
24 King And Lionheart - Epílogo
Notas iniciais
"Nós ainda somos os mesmos... Porque você é o meu rei e eu sou o seu valente..."
King And Lionheart — Of Monsters And Men
Pouco mais de um ano havia passado desde que Ciel e Sebastian tinham deixado o castelo. As mudanças em suas vidas e rotinas foi significantemente grande, e após certo desconforto conseguiram se acostumar à ela. Os cômodos da casa já não pareciam tão desconhecidos e estranhos aos olhos de Ciel e depois de todo esse tempo o garoto sentia que podia considerar o lugar como seu lar.
Naquela época do ano fazia frio, porém nada que se comparasse com o intenso frio que sentia quando ainda morava no castelo Phantomhive. Ali, onde moravam, chovia com frequência, mas raramente nevava e Ciel, de certa forma, agradecia por isso. O rapaz preferia mil vezes ver as gotas de chuva escorrendo pelo vidro de sua janela do que olhar e ver tudo empalidecido pelo branco da neve.
Depois de alguns meses de procura, Sebastian conseguiu um emprego como guarda em um pequeno castelo próximo, e para sua sorte não era necessário morar no local, já que os guardas ali trocavam de turno e cada um ia para sua casa. O trabalho que havia conseguido era com certeza bem mais sossegado do que o trabalho que realizava no castelo. Ali não era acordado durante as madrugadas e nem ficava de vigia até tarde.
Ciel passou boa parte dos dias de sua nova vida tentando encontrar algo para fazer de sua rotina quase enfadonha, porém não encontrava nada que o agradasse, não importava para que lado olhasse. Por fim, quando já estava quase desistindo, decidiu que estudaria literatura. O rapaz tinha aulas duas vezes por semana e durante o resto da semana estudava sozinho.
Além disso, já que passava o dia todo em casa, coube a Ciel a tarefa de cuidar da organização do lar. O rapaz insistia exageradamente na ideia de que não era e nem parecia em nada com uma esposa, mas era só observar um pouco e ficaria nítido que o antigo rei Phantomhive havia se tornado uma dedicada, ou nem tão dedicada assim, esposa.
Durante a manhã Ciel estudava e durante o resto do dia realizava as tarefas que houvessem para ser feitas. Uma empregada aparecia para ajudar três vezes por semana, e no resto dos dias o garoto tentava sair-se o melhor possível sozinho. Além de tirar poeira dos móveis, lavar louça e limpar o jardim havia aprendido também a cozinhar e depois de muitas tentativas frustradas passou a ser inesperadamente bom com as panelas e utensílios. Quem diria que um rei acostumado a mordomias poderia mudar à esse ponto.
A semana era bem corrida para ambos e acabavam se vendo somente à noite. Tinham tempo para si e para ficar juntos apenas aos finais de semana e durante esses dois dias passavam cada segundo juntos, aproveitando a presença um do outro. Às vezes lembravam-se da antiga vida que levavam no castelo e então agradeciam por ter tido a coragem necessária para fugir e procurar um lugar onde pudessem ter paz.
Sebastian havia trabalhado durante toda a semana, Ciel havia cuidado da casa, como sempre, e naquela manhã de Sábado tinham tomado para si o direito de acordar bem mais tarde do que de costume. Após acordarem do sono, tomaram café da manhã juntos e depois de muita insistência da parte de Ciel, resolveram retirar os vestidos volumosos que ocupavam espaço no armário.
O rapaz tinha os vestidos como uma lembrança de tudo o que haviam vivido dentro daquela carruagem e daquelas pousadas, mas todos aqueles momentos foram para si, nem tão agradáveis assim, e depois de ter que suportar os vestidos ali, ocupando demasiado espaço, resolveu que precisavam livrar-se deles ou ao menos encontrar um lugar melhor para guardá-los.
— Não acredito que me deixei convencer! – Ciel bufou saindo do banheiro do quarto.
— Realmente achou que tiraríamos os vestidos do armário sem que algo assim acontecesse? – Sebastian sorriu.
Ciel havia insistido para que as peças volumosas e coloridas fossem tiradas do quarto e Sebastian insistiu mais ainda para que o garoto vestisse o vestido que haviam usado na noite em que fugiram do castelo.
Após muita insistência, e uma quase discussão, Sebastian havia ganhado a suposta briga e no outro canto do quarto estava Ciel, vestido como uma dama, tão bem arrumado e com todos os acessórios que havia usado naquele dia de tamanha aflição.
— Vou tirar isso, Sebastian!
— Não, vai não! Acha que eu te ajudei a vestir tudo isso para você simplesmente tirar assim?
— Já me viu vestido como dama, isso não é suficiente?
Sebastian havia convencido Ciel de que estava apenas com saudade de vê-lo vestido daquela maneira, de vê-lo irreconhecível trajando roupas femininas, e por algum motivo, o rapaz havia acreditado que era apenas isso. Talvez um pouco da inocência de Ciel ainda existisse, relutante em ir embora.
— Sim, é suficiente. — o guarda suspirou. — Venha até aqui, vamos tirar esse vestido.
O rapaz andou até a cama, local onde Sebastian estava sentado e então parou ao lado dele. O guarda tocou os ombros do garoto com ambas as mãos, abaixando delicadamente as alças do vestido rosa.
Os dedos do guarda subiram lentamente em direção ao pescoço fino, acariciando com cuidado a extensão de pele que havia pelo caminho e então pararam apoiando-se na nunca de Ciel. Aquela altura o rapaz já havia fechado os olhos e nem dava mais tanta atenção assim ao fato de estar usando um espartilho apertado.
Sebastian o puxou para mais perto da cama, e então depositou um beijo rápido em seus lábios. Os dedos que repousavam na nuca do rapaz voltaram a se mover, passando novamente pelo ombro e parando em um dos braços. A luva branca e comprida que o rapaz usava foi delicadamente retirada e após desnudar a pele o guarda encostou seus lábios nela, beijando firmemente e tragando o cheiro daquela pele quente.
Os lábios escorregaram, distribuindo beijos por todo o caminho e chegando até uma das palmas. Os olhos azuis assistiam a tudo com atenção, focando-se na expressão desejosa que tomava conta do guarda.
A palma da mão de Ciel foi beijada várias vezes, os dedos esticavam-se involuntariamente, abrindo espaço para que a caricia continuasse. Os lábios que dedicavam total atenção a mão pequena e macia pararam em um dos dedos, sugando-o com avidez e o primeiro arrepio de prazer tomou conta do corpo do rapaz.
— Venha até aqui. – Sebastian falou puxando o garoto pela cintura.
Em um momento Ciel estava no chão e no outro já estava sentado no colo do guarda, uma perna de cada lado, o vestido volumoso aumentando a distancia entre seus corpos.
— Esse vestido atrapalha. – Ciel sussurrou.
— Quer tanto assim que eu te toque que não tem paciência para esperar que eu tire o vestido com calma?
O rapaz olhou para o guarda durante alguns segundos e então desviou o olhar. Sebastian sabia muito bem que o desejo entre eles era sempre recíproco, porém não se permitia perder uma oportunidade de provocar a vergonha contida que o garoto guardava dentro de si.
— Quero que tire esse vestido. – Ciel fez o possível para não desviar o olhar outra vez. — Quero... Que me toque. – A última frase saiu quase sussurrada.
O guarda sorriu, pensando se algum dia poderia ser mais feliz do que estava sendo e então beijou Ciel. Os lábios tocaram-se com pressa, denotando que a paciência de ambos se esvaia aos poucos.
As mãos hábeis de Sebastian tatearam a parte de trás do vestido, abrindo fecho por fecho, deixando à mostra a parte de cima do espartilho. Assim que os lábios se separaram Ciel foi levantado e o vestido rosa incômodo foi jogado no chão do quarto com extrema pressa.
Voltaram a posição de antes, beijando-se com ainda mais luxuria. O rapaz remexia-se no colo do guarda quase que sem perceber a ansiedade que tomava conta de seu corpo. Os lábios que se mexiam em cima dos seus e o espartilho que o apertava com força tiravam quase todo o seu ar, causando uma sensação sufocante estranhamente prazerosa.
Os lábios se separaram após o longo beijo e ainda respirando com dificuldade, Sebastian passou a sugar a pele de Ciel com força, deixando marcas por onde passava. Os braços do rapaz envolveram-se no pescoço do outro, agarrando-se ao roupão preto de tecido fino.
— Ciel... – O guarda sussurrava entre uma caricia e outra.
Não demorou muito para que ambos estivessem completamente excitados e após perceber a ereção de Sebastian embaixo de si foi que Ciel percebeu que o guarda não usava nada além daquele roupão.
O rapaz respirou fundo, sentindo o corpo arrepiar a cada caricia e após um momento de coragem afastou os lábios do guarda.
— Aconteceu algo, Ciel? – Questionou confuso.
Sem responder nada e sem desviar o olhar, Ciel lentamente puxou o tecido que cobria os ombros e peito de Sebastian, afastando-os e deixando a pele nua. As mãos pequenas tremiam um pouco, mas em momento algum pararam de fazer o que haviam começado.
Após desnudar a pele, o rapaz aproximou-se calmamente, apoiando o rosto na curva do pescoço, respirando forte contra a pele. O rapaz nunca havia agido daquela maneira, mas as atuais atitudes pareciam extremamente agradáveis aos olhos do guarda.
Os lábios pequenos tocaram a pele por um instante antes da boca se abrir e morder de leve a região. Os quadris anteriormente imóveis passaram a se mover para frente e para trás, aumentando o contato entre a ereção de Sebastian e suas nádegas.
As mãos do guarda desceram em direção aos quadris, apoiando-se uma de cada lado e fazendo com que a velocidade aumentasse. O membro, há muito ereto, de Ciel roçava na pele de Sebastian e entre um gemido e outro a pele era machucada pelos dentes que ainda permaneciam no mesmo local.
O guarda deixou que Ciel, pela primeira vez, comandasse as caricias e após chocarem-se um contra o outro com ânsia e desejo ambos gozaram sujando o tecido e a pele que havia no caminho. Permaneceram parados durante algum tempo e quando perceberam que aquilo não era suficiente para acalmar seu desejo voltaram a se beijar ansiosamente.
As últimas peças de roupa que ainda cobriam o corpo do rapaz foram retiradas bruscamente, com a pressa que as atuais circunstâncias exigiam.
— Eu preciso tanto de você. – Sebastian murmurou em meio a um sorriso.
Ciel não pôde conter o sorriso imenso e carregado de felicidade que insistia em aparecer e após sentir-se aconchegado e completo puxou o guarda para outro beijo. As mãos dos dois deslizavam por toda a extensão de pele, tocando, arranhando, acariciando com pressa.
Estavam ainda mais excitados do que antes e após trocar um último beijo, Sebastian ergueu o garoto aos poucos, encaixando seu membro latejante e levemente úmido na entrada do rapaz. O membro foi forçado com delicadeza e após certa dificuldade e desconforto estava todo dentro de Ciel.
Fazia alguns dias que algo assim não acontecia entre eles e quanto mais tempo passavam distante mais incômoda acabava se tornando a sua próxima vez juntos. O interior de Ciel fazia pressão em torno do pênis do guarda, causando uma sensação enlouquecedoramente boa e que fazia com que quisesse afundar-se cada vez mais naquele corpo.
— Hum... Sebastian... – Sussurrou assim que sentiu o primeiro movimento dentro de si.
Os quadris de Ciel moviam-se instintivamente acompanhando os movimentos lentos e compassados que Sebastian fazia. O discreto incômodo que sentia foi embora aos poucos, deixando para trás somente as sensações boas.
A cama de madeira recém comprada rangia de forma quase inaudível, misturando-se a respiração descompassada e aos gemidos altos e despreocupados. Se no castelo tinham quem manter um pouco de silencio, ali podiam fazer quanto barulho quisessem.
Os corpos chocavam-se com rapidez, subindo e descendo, indo para frente e para trás. Os dedos de Ciel forçavam se contra a pele da nuca de Sebastian, agarrando-se violentamente as mechas de cabelo que caiam por ali.
A peruca que o rapaz ainda usava foi tirada com calma e então finalmente Sebastian pôde ver seu tão amado rei como verdadeiramente era. Continuaram a mover-se conforme o desejo de seus corpos, e em meio a um longo gemido de satisfação chegaram ao ápice pela segunda vez, quase que juntos.
Ciel deixou que o corpo caísse para o lado, deitando-se no colchão. As mãos pequenas passaram pela testa, empurrando para trás os fios de cabelo que grudavam em meio as tímidas gotas de suor que acumulavam na região.
Estavam extremamente satisfeitos e lembrando-se mais uma vez da jornada que travaram até conseguir chegar aonde chegaram. Era como olhar para trás e ver que tudo havia valido infinitamente à pena.
— Vamos tomar um banho. – Sebastian sorriu maliciosamente, deitando-se por cima do corpo de Ciel.
O rapaz envolveu os braços no pescoço do guarda, sorrindo novamente e aproveitando-se do aconchego proporcionado.
— Obrigado, Sebastian – Ciel sussurrou.
— Obrigado? Pelo que? – Sebastian questionou confuso.
— Por não desistir de mim e por não me deixar desistir.
— Quanto à isso não precisa agradecer. Eu acho que jamais desistiria, mesmo que você tivesse casado com Elizabeth ou com qualquer outra, mesmo que tivesse filhos e filhas e que envelhecesse ao lado de uma rainha qualquer. Se não pudesse tê-lo como amante, eu continuaria como guarda até o fim da minha vida ou da sua.
Ciel julgou que o que tinha acabado de ouvir era a maior e mais profunda declaração de amor que já havia ouvido de Sebastian. Não é fácil encontrar alguém disposto a não desistir, disposto a enfrentar as dificuldades e a não desanimar assim que a primeira pedra obstruir o caminho. O garoto sabia disso, e exatamente por saber algo assim era que sentia-se extremamente grato por estar ali naquela casa.
Depois de muitos percalços, o Rei e seu valente haviam finalmente traçado seu caminho juntos.
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