O Reencontro
10 Visita
Notas iniciais
# ROSE #
— Bom dia família! – disse chegando a cozinha para o café da manhã. Já estavam todos na mesa, exceto Edward e Lucca.
— Bom dia, queria. – minha tia cumprimentou. – Panquecas ou ovos?
— Panquecas. – respondi. Sentando-me à mesa. Minha tia me serviu de algumas e eu adicionei calda.
— Eu quero ovos e panquecas, vovó. – Lucca disse chegando na cozinha com meu primo. Edward o ajudou a subir em sua cadeira de acento elevado.
— Você está comendo demais, menino. Vai ficar gordinho. – Edward brincou sentando-se ao meu lado.
— Não papai, eu vou ser sarado! – e todos na mesa caíram na gargalhada.
— Nossa que felicidade! E ainda são dez da manhã. – Emmett falou entrando na cozinha. Eu voltei meu olhar para o prato.
— Você não tem casa não, McCarty? – Alice perguntou quando Emmett se sentou a mesa conosco.
— Tenho sim. Mas a minha mãe é uma péssima cozinheira, e vive enchendo o meu saco pra eu voltar a morar em Forks. Vê se tem cabimento! – ele respondeu já se servindo.
— Alice não implique com o Emmett, ele sempre foi muito bem-vindo nessa casa. – tia Esme falou. A verdade é que ela adorava a casa cheia.
Ele apenas sorriu pra ela de boca cheia.
— Além do mais, Alice, está é na hora de você trazer um namorado para dentro dessa casa. – Alice engasgou com o café. Tio Carl deu uns tapinhas nas costas da filha.
— Não vejo nenhuma necessidade disso, mamãe. – Alice respondeu ainda meio vermelha. – Por que não cobra isso do Edward? Com tudo o que dizem sobre ele... – Alice provocou.
— Ei! – Edward reclamou.
— Sua irmã está certa, filho. Está na hora de você arranjar uma... uma pessoa. – Emmett explodiu numa gargalhada.
— Até você, mamãe?! Pelo amor de Deus! Você é minha mãe, como pode acreditar nesses tabloides de fofoca?
— Filho, eu realmente não me importo com a sua... – Esme começou a falar.
— Eu não sou gay! – Edward a interrompeu.
— Ok. – tio Carlisle se pronunciou pela primeira vez. – Sua mãe só se preocupa com vocês. É sempre bom ter alguém pra dividir as coisas da vida, independente de quem for, desde que façam vocês felizes.
— Papai, o que é gay? – Lucca perguntou. Eu ri. Trabalhava com crianças, sabia que cada palavra nova era uma pergunta difícil.
— Errr, vamos lá! Gay é quando um menino gosta e namorar outro menino, e isso serve pra meninas também. – Lucca pareceu pensativo.
— Eu não quero namorar outro menino. – ele disse depois de um tempo.
— Tudo bem. – Edward respondeu tomando um gole de seu café.
— Tio Ed, por que as pessoas pensam que você e gay? – dessa vez foi Meg quem perguntou. Edward respirou fundo e sorriu.
— É porque eu não tenho muitas namoradas.
— Ah tá. – ela balançou a cabeça em concordância, antes de perguntar. – Por quê?
— Essa é uma boa pergunta... – Esme comentou.
— Eu só não achei ninguém que eu gostasse o bastante para namorar. – meu primo respondeu devagar.
— É, pelo visto ninguém aqui arranjou alguém que gostasse o suficiente para namorar... – tia Esme comentou.
— Eu gosto de alguém. – Emmett falou, atraindo a atenção de todos, inclusive a minha. Edward riu ao meu lado.
— Quando vou conhecer sua namorada, querido? – tia Esme perguntou animada.
— Ela ainda não é minha namora, ainda nem aceitou sair comigo...
— Você já a convidou? – dessa vez foi meu primo quem perguntou.
— Ainda não. Então, você aceita ir amanhã na quermesse da escola comigo, Rose? – dessa vez quem engasgou fui eu. Edward me ofereceu um como de água. Eu consegui respirar novamente ainda muito vermelha. Todos me olhavam com expectativa. Eu encarei Emmett, que me olhava profundamente, com aquele sorriso lindo de covinhas. Eu me surpreendi por realmente querer sair com ele.
— Eu adoraria. – respondi.
— Hummmmmmm. – o coro foi coletivo, me deixando muito sem graça. Tia Esme trocou um olhar emocionado comigo, ela sabia de tudo o que eu tinha passado e estava feliz por eu seguir em frente. Bem, eu estava tentando.
— Tá namorando! Tá namorando! – as crianças começaram a cantarolar. Com apoio da Alice. O restante apenas ria.
O café da manhã continuou, entre risos e brincadeira das crianças. E alguns olhares trocados entre mim e Emmett. Eu não sabia se estava fazendo o certo a aceitando o convite do Emmett, mas eu precisava seguir em frente, não é possível que todos os homens sejam iguais ao Royce. Eu não queria ficar sozinha para sempre, e o Emmett era uma pessoa especial, ele não era falso, sempre falava tudo o que vinha na cabeça, era espontâneo e sempre gostou e mim. E eu tinha que admitir que também tinha um carinho muito grande por ele, agora, um pouco mais intenso que antes.
Após o café Edward foi brincar com o Lucca, no quintal dos fundos; Alice foi resolver alguma coisa no quarto; tio Carl foi trabalhar e tia Esme foi fazer algumas compras e levou a Meg com ela.
Eu sentei em a mesa que ficava no quintal dos fundos, observando os meninos brincarem. Emmett sentou ao meu lado.
— Você jogou sujo me convidando na frente de todo mundo. – Emmett riu.
— Cada um luta com as armas que têm. – ele piscou.
— Tinha medo de eu negasse se falasse comigo em particular? – perguntei.
— Não seria a primeira vez... – eu olhei pra ele que ainda mantinha um sorriso no rosto. Uma coisa que eu adorava em Emmett é que ele sempre estava sorrindo.
— As coisas agora são diferentes, Emm. – eu realmente esperava que fossem.
— Quer dizer que eu finalmente terei minha chance? – ele pegou em minha mão. Isso me incomodou um pouco. Eu afastei minha mão da sua e me levantei.
— Vou ver se Alice precisa de ajuda para... para... – eu não sabia que desculpa dar.
— Vou te ver hoje a noite no coquetel? – ele perguntou.
— Sim. Até mais tarde, Emm. – me despedi e entrei em casa.
Eu sabia que não ia ser fácil, mas eu esperava conseguir superar meus fantasmas, e realmente dar a chance que o Emmett merecia, a chance que eu merecia.
# JASPER #
O dia havia amanhecido ensolarado novamente, algo muito atípico em Forks, ainda mais por um tempo tão longo. Estávamos a quase uma semana sem chuva. Isso era bom pra mim, sem chão molhado, menos chance de escorregar.
Eu havia ido pra loja caminhando, como sempre ia quando o tempo estava bom, não morava muito longe daqui.
Geralmente eu saía com a Kiara, que era a minha cão guia, mas ela havia tipo filhotes recentemente, e eu não tinha coragem de separá-la dos seus cinco bebezinhos. Por isso a deixava em casa e usava só a bengala mesmo. O caminha já estava mais que decorado, e o transito era tranquilo, apesar de a prefeitura não fazer a manutenção dos sinais sonoros, e deixar algumas calçadas esburacadas.
Quando cheguei a loja a Maria já estava abrindo. O movimento pela manhã não era muito, então eu aproveitei para tocar um pouco de piano. Passei as primeiras horas do dia assim.
Eu não conseguia tirar a Alice da minha cabeça, ter reencontrado ela ontem foi algo inesperado, isso porque eu sou uma pessoa desatenta, pois deveria imaginar que ela viria para Forks, hoje era o tal coquetel da festa de 100 anos da escola de Forks. Eu ainda não havia decidido se iria, nunca me dei muito bem com o pessoal da escola. Mas com certeza a Alice estaria lá. Eu sei que não deveria me aproximar, mas eu desejava muito conversar com ela. Alice Cullen foi a melhor amiga que tive, a única garota que amei, e talvez eu pensasse que esse sentimento não existisse mais, mas depois de segurá-la em meus braços ontem percebi que estava errado. Eu iria a esse coquetel, queria muito a chance de pelo menos conversar mais um pouco com ela, me desculpar mais uma vez por ter fugido, fazê-la entender meus motivos.
Eu tocava concentrado, o silencio na loja era pacífico. Maria não estava muito boa comigo hoje. Isso porque eu não aceite o convite para jantar que ela me fez ontem, eu sabia o que esse jantar implicava, já havia “jantado” com ela outras vezes, mas Maria queria um compromisso que eu não poderia ter com ela. Tanto pela minha condição de deficiente, quanto pelo meu amor por outra mulher. Não era justo com ela, mas ela não entendia. E por isso estava me ignorando, não que eu estivesse reclamando.
Ouvi aplausos assim que terminei de tocar uma de minhas composições.
— Isso foi lindo, Jasper! Você deveria ser um pianista famoso! – eu aqui pensando em Alice e a mãe dela aparece.
— São apenas seus ouvidos Esme, sou apenas um músico amador. – sorri timidamente, na virando no banco, na direção de sua voz.
— Essa música foi linda, parecia música dos filmes de princesa. – ouvi uma voz infantil, de uma garotinha. – Como é o nome dela? – a menininha perguntou.
— Ela não tem nome. – respondi.
— Mas toda música tem um nome. – ela questionou, o que me fez rir. Ela possuía uma maturidade em sua voz que não condizia com uma criança.
— Que tal assim, qual é seu nome? – perguntei.
— Megan. – ela respondeu.
— Então esse será o nome da música. Megan. – pude ouvi o barulho de palminhas de animação, e isso me pareceu muito familiar.
— Uma música com o meu nome? Obrigada, tio! Viu vovó eu tenho uma música com o meu nome. – ela comemorou, mas eu fiquei preso ao fato dela ter chamado a Esme de vó, será que...
— Não sabia que tinha netos, Esme. – comentei para sanar minhas dúvidas.
— Ela tem, eu e o Lucca. Sou Megan Cullen. – se apresentou antes que Esme dissesse algo.
— A Meg é minha neta mais velha, filha da Alice, o Lucca é o caçulinha da família, filho do Edward. – ela explicou. Agora sabia de onde conhecia o som das palminhas de animação. A Alice tinha uma filha, mas eu não deixei de reparar que a menina se apresentou com o nome de solteira da mãe, isso poderia querer dizer alguma coisa.
— Prazer em conhecê-la Meg! – eu ainda precisava assimilar o fato da Alice ter tido uma filha. – Então, Esme o que vai ser hoje, recebi uma coleção de colecionador, posso te mostrar.
— Claro, eu adoraria ver.
Eu procurei minha bengala que deixei encostada no piano. E me levantei, rumo a parte da loja onde havia guardado os discos. Conhecia tudo por aqui, mesmo não enxergando, essa loja era como a extensão de minha casa.
— Porque você usa uma bengala? Você é novo. – Megan perguntou. Eu ri. Eu já havia ouvido essa pergunta de muitas crianças.
— Porque eu não enxergo. Uso a bengala para não esbarrar nas coisas, e saber por onde estou andando. – expliquei.
— É por que você é cego? Por que você é assim? E dá pra saber pra onde tá indo só com a bengala? – ela me bombardeou de perguntas.
— Querida...
— Não Esme, tudo bem, eu não me importo de respondê-la. – Algumas pessoas achavam que eu me incomodava com perguntas sobre a minha condição, mas eu já estava mais que acostumado. – Então, princesa, sim eu sou cego, sou assim porque fiquei dodói, e a bengala ajuda muito sim, mas eu tenho uma amiga, uma cachorra chamada Kiara, ela não veio comigo porque teve filhotinhos, ela que me ajuda a andar por aí.
— Você disse filhotinhos? Você pode me dar um? Por favorzinho... – eu ri.
— É claro que sim, se seus pais permitirem. – eu não queria pensar muito sobre isso.
— Eu vou pedir a minha mãe, eu não tenho um pai, sou uma produção independente. – ela disse a última parte com certo desanimo. E eu me perguntei se isso significava que a Alice não era casada.
— Megan, olha que lindo aquele violão lilás! Você não queria aprender a tocar? – Esme claramente quis desviar o assunto.
— Posso ir lá olhar vovó? – ela perguntou animada.
— Claro, meu amor. Só não toque em nada. – eu pude ouvir os passinhos se afastando rumo a outra parte da loja.
— Ela fica triste por não conhecer o pai, isso me corta o coração. – Esme comentou. Eu senti uma coisa estranha sobre isso. – E a Alice ainda fica dando essa desculpa de “produção independente”.
Ficamos em silêncio por um momento até que ela começou a falar sobre a coleção que eu havia mostrado. Deixando o assunto sobre a paternidade da neta de lado. Minha cabeça estava confusa, um pensamento surgiu, mas eu o estava evitando, não era seguro. Assim que Esme se decidiu por levar a coleção, me surpreendeu com uma pergunta.
— Você e Alice eram muito amigos na época do colegial, não é?
— É, nós éramos amigos, sim. – respondi tentando entender onde ela queria chegar.
— Eu me lembro dela ter ficado muito triste quando você foi embora de Forks antes do verão acabar. – tinha algo em sua voz, não conseguia distinguir o que, era como se ela tivesse testando algo.
— Eu precisei ir.
— Sabe Jasper, será que você como amigo da Alice na época, não saberia quem é o pai dela? – eu fiquei muito surpreso co essa pergunta. O que me deu muito mais coisas para pensar.
— Como eu poderia saber? Não vejo a Alice há mais de oito anos, literalmente. Encontrei com ela ontem, mas...
— Alice foi pra faculdade grávida. Ela sempre se negou a dizer quem era o pai. Você era amigo dela nessa época, pensei poderia saber algo sobre isso. – meu coração perdeu uma batida no momento que ela disse isso. O que quer dizer que... que... Ah meu Deus!
— Esme... err... eu não...sei. – não consegui dize nada de coerente.
— Meg, já estamos indo! – ela pareceu perceber minha confusão.
— Já? Posso levar o violão? – ela perguntou.
— Pode. – eu respondi, antes mesmo que Esme pudesse falar algo. Minha ficha ainda não havia caído.
— Eu não acho que seja melhor comprar o violão agora querida, sua mãe precisa encontrar um professor primeiro. – Esme explicou. Ouvi um muxoxo da menina. Se ela fosse parecida com a mãe, estaria de braços cruzados e bico nesse exato momento.
— Não se preocupe, Esme. Será um presente meu.
— Oba!!! – sorri com a empolgação da pequena.
— Não precisa mesmo...
— Eu faço questão! – a interrompi. Eu tinha quase oito anos de presentes atrasados para dar.
Caminhamos até o balcão.
— Maria, pegue um violão para o tamanho dessa princesa, por favor.
— Que cor você quer, Meg? – perguntei.
— Vermelho, eu amo vermelho. – ela respondeu animada.
— Aqui está. – Maria trouxe o violão. – Vai ser no cartão?
— Maria, só os discos. O violão é um presente. – mesmo não enxergando, podia sentir que Maria havia achado isso estranho, mesmo não tendo feito nenhum comentário sobre.
Acompanhei as duas até a porta da loja.
— Obrigada tio! – tio não era bem a palavra certa.
— De nada, princesa.
— Ei, você não me disse seu nome! – ela segurou minha mão.
— É Jasper! – respondi. Feliz pelo pequeno contato.
— Eu vou falar com a mamãe se eu posso ficar com o cachorrinho, tio Jasper. Amanhã eu volto aqui pra dizer se ela deixou, tá?
— Tudo bem, princesa. Vou te esperar. Posso ganhar um beijo? – perguntei antes que ela fosse embora. Meg riu.
— Claro! – eu me abaixei ganhando um delicioso beijo estalado na bochecha, meu coração se aqueceu.
— Até amanhã! – ela se despediu.
Senti Esme colocar a mão no meu ombro.
— Vocês precisam resolver isso, filho. – eu apenas assenti percebendo que assim como eu ela já havia entendido tudo. – Quer saber de uma coisa? Ela é sua cara. – disse rindo. E se afastou.
A pequena ainda me deu tchau mais uma vez, me deixando com cara de bobo na calçada. Eu ainda estava tentando assimilar essa nova realidade. Eu tinha uma filha.
# BELLA #
Estava no chalé, eu podia ver que o céu estava repleto de estrelas, mais do que parecia ser possível, como naquelas fotos de satélites, não parecia real.
Caminhei pela grama, e sentei em uma pedra na beira do riacho, chutei meus sapatos para o lado e comecei a brincar com os pés na água. De repente ele estava ao meu lado.
Edward também colocou os pés na água, e sua mão alcançou a minha entrelaçando nossos dedos, eu tentei puxar minha mão, mas ele não permitiu.
— Você não vai mais fugir de mim, borboleta. – ele disse convicto.
— Eu não quero sofrer de novo. – disse ainda olhando para a água, mas muito concentrada na quentura de sua mão na minha.
— Eu prometo que vou te fazer feliz. Me dá uma chance! – ele falou. Era clara a súplica em sua voz.
— Você está mentindo. – acusei o olhando, mas algo em seus olhos me desarmou.
— Nós temos duas opções, borboleta: ou seremos inteiros juntos ou quebrados para sempre. – ao dizer isso ele se aproximou, seus lábios encostaram delicadamente nos meus.
Nos beijamos calma e apaixonadamente. Ao fim do Beijo ele acariciou meu rosto, seu olhar estava preso ao meu. O verde vívido me deixava hipnotizada. Eu sorri pra ele. Tentaria mais uma vez. Aproximei meus lábios dos seus novamente, mas ele se afastou rindo.
— Você nunca aprende, não é? – ele ficou de pé, então seu olhar era de deboche. Eu estava confusa.
— Do que você está falando? Seremos felizes agora. – eu me levantei dando um passo em sua direção. Ele deu um passo para trás.
— Você continua sendo uma boba, Isabella. Eu nunca vou querer você de verdade. Não enquanto você achar que não é boa o bastante. Você sempre será quebrada, borboleta. – E então ele sumiu.
— Edward? Edward? – eu tentei correr atrás dele, mas caí no chão sujando todo meu rosto de terra. A ferida no meu peito nunca esteve fechada, mas agora parecia que estava sendo cutucada por uma faca. Doía.
— Você sempre será quebrada, borboleta... – ouvi a voz dele como se fosse um eco.
Acordei ofegante, sentando na cama de forma rápida. O sol já iluminava o meu quarto por conta da janela que eu havia deixado aberta.
— Merda de pesadelo! – xinguei me levantando irritada. Acho que foi péssima a ideia de ter vindo pra cá. Eu simplesmente não pude me contentar com a minha vida de quase paz em Los Angeles, tive que voltar para esse fim de mundo e cutucar o passado. Agora nem um momento de paz durante o sono eu tenho mais.
Caminhei até a janela fim de abrir mais as cortinas, mas desisti assim que pude ouvir a voz de Edward conversando com o filho em seu quarto. Eles gargalhavam na verdade. Será que era impossível fugir desse homem? Ninguém mandou vir para Forks, Isabella! Meu subconsciente meio que respondeu.
Estava tentando ignorar o pesadelo. A verdade é que estar de volta nesta casa, nesta cidade está mexendo comigo. A quem estou querendo enganar?! A maldita verdade era que eu estava assim por ter reencontrado o Edward. Eu viajei pra cá na esperança de que se o visse novamente, se conversasse com ele, visse que ele seguiu em frente e que eu realmente não importava para ele, eu pudesse seguir minha vida como deveria. Eu voltaria para LA, nunca mais pensaria no passado, me acertaria com o Demi e finalmente seria totalmente feliz, na medida do possível. Mas eu deveria saber que não seria simples assim. E ficava com muita raiva por não conseguir superar como uma pessoa normal. Eu não era a primeira pessoa do mundo a sofrer uma desilusão amorosa, tudo bem que foi uma desilusão grande com direito a plateia e tudo, mas, ainda assim, eu não era a única. Eu via todos os dias nos tribunais casos terríveis de mulheres que passaram por situações inimagináveis, minha desilusão não era nem um pouco pior que a da Rose, eu mesma havia colocado aquele desgraçado do Royce na cadeia, e havia ficado ao seu lado em momentos difíceis. É por isso que as vezes eu sentia raiva de mim, por não superar, por ficar remoendo um caso insignificante da adolescência. Eu tentava enxergar isso como nada demais e seguir em frente, mas chegava a um ponto que eu não conseguia mais avançar. Havia uma barreira.
Inevitavelmente lembrei do sonho. A grande verdade é que eu tinha medo, medo de me entregar completamente para alguém, medo de ser usada novamente, medo de ser enganada. Eu tentava ir em frente, mas meu subconsciente não permitia.
Nos primeiros anos me distraí com os estudos e com a construção de minha carreira. Talvez por isso seja tão bem sucedida, mesmo sendo tão nova. Mas depois outra parte da minha vida, que estava sendo completamente ignorada, começou a fazer falta. E então começaram as tentativas frustradas e inevitavelmente as sessões de terapia. Mas pelo visto, a pequena fortuna que eu pago ao Dra. Cameron não está adiantando.
Por tempo demais eu tentei ignorar os acontecimentos da minha adolescência, mas agora, estando em Forks, a apenas alguns metros do causador de toda essa catástrofe emocional, era meio que impossível não lembrar. Tudo vinha a tona, ontem à noite havia sido terrível. Depois de tantos anos cuidando para não pensar sequer o nome dele, conversamos na varanda como dois amigos de longa data relembrando o passado. Na verdade, foi isso que ele propôs, que sejamos amigos. Amigos, porra! Ou melhor, ele disse pra iniciarmos pela amizade. Qual seria o próximo passo? Onde mais ele queria chegar. Eu me recusava a cair de novo.
Ao mesmo tempo em que eu sentia raiva do Cullen, por agir numa boa como se nada tivesse acontecido, eu sentia que não era o mesmo Edward de oito anos atrás. Eu não podia negar o quanto ele estava diferente, não estou falando fisicamente, mas mentalmente. Ele me disse que isso tem a ver com o Lucca, que amadureceu muito criando o filho sozinho. E esse é outro assunto que está rondando a minha mente. Por que ele criou o filho sozinho? Cadê a mãe do Lucca? Quem é ela? Nem o próprio Lucca mencionou ela alguma fez. Será que ele também magoou a coitada, fazendo-a deixar o filho pra trás? Será que ele foi capaz de tirar o filho dela? Por mais que o amor que ele sinta por aquele anjinho seja visível, quase palpável isso era ainda pior do que o que ele fez comigo. Além disso é impossível não amar o Lucca. Eram tantas dúvidas, tantas possibilidades...
Depois de tomar um banho pra começar bem o dia e colocar uma roupa confortável, fui para cozinha preparar meu café da manhã. Tomei o meu chá gelado e comi duas torradas integrais com geleia de morango. Aproveitando que eu havia deixado o notebook em cima da mesa da cozinha, na noite anterior, resolvi ligá-lo para ler as notícias do dia, era um costume que eu sempre tive.
Abri o Twitter vendo as notícias matinais dos principais jornais americanos e de alguns outros países. Mas nenhuma tragédia conseguiu prender a minha atenção, logo eu tinha aberto outra aba no Google e digitado “Edward Cullen”. Quase cuspi meu chá com a primeira sugestão de pesquisa.
Lia-se “Edward Cullen é gay?” Não resisti e selecionei.
Eu ainda não tinha não compreendia o porquê daquilo ser a coisa mais pesquisada sobre ele. Ele nunca me pareceu gay. Nós ficamos juntos por quatro meses, Edward era o cara mais pegador da escola, ele me enganou pra ter sexo, e quando transamos foi... Arrrg! Eu não devia estar lembrando disso. Edward definitivamente não era gay. Mas, segundo o site, o primeiro dos muitos que falavam sobre o assunto, Edward Cullen nunca havia sido visto com nenhuma mulher que não fosse de sua família. No site tinha algumas fotos, nas quais ele aparecia com a mãe, Alice ou Rose. Dizia também que ele era o único jogador que não tinha saído com nenhuma famosa. Era sem dúvida um tabloide sensacionalista. Mas levando em consideração a quantidade de matérias sobre o mesmo assunto e de datas distintas, Edward não tinha uma fama de ser “macho”. E eu realente achei isso muito estranho.
— Então, Cullen, vamos ver o que mais dizem de você, além da sua homossexualidade unânime... – falei em voz alta, divertindo-me com essa descoberta, era realmente cômico.
Digitei apenas “Edward Cullen” no campo de buscas. Havia uma notícia em destaque a respeito do título do Real Madrid na Champions League. E algumas fotos do Edward levantando uma taça, junto ao time, o Lucca e ainda apoiado em muletas. A matéria contava a história do jogo, e como a atuação do Edward foi impecável, já que ele fez o gol decisivo para o título nos últimos minutos da prorrogação. Tinha também toda uma retrospectiva de sua carreira, inclusive fotos dele no time de Forks e no Arcenal da Inglaterra onde ele se tornou conhecido. Ele tinha construído uma bela carreira, seu nome estava sendo cotado para o prêmio de melhor do mundo deste ano, no fim das contas Edward realizaria o seu sonho, assim como eu realizei o meu.
Nossa, como eu sentia falta de futebol” Nunca fui uma boa esportista, mas Edward me fez ficar fascinada por esse esporte em especial quando eu ainda era muito pequena, mesmo depois de nos afastarmos na adolescência, eu continuei acompanhando e assistindo aos jogos, porque gostava, e também queria ter algum assunto caso ele viesse conversar comigo algum dia. E eu tive a oportunidade de usar esses meus conhecimentos futebolísticos quando ele começou a me dar atenção no último ano.
Mas, depois de toda a decepção, abandonei tudo relacionado ao esporte, de modo a evitar ter qualquer notícia dele, já esse era o seu meio.
Depois de ler mais algumas notícias, abri a parte imagens sendo bombardeada por dezenas de foto do homem que até pouco tempo atrás, eu me recusava a pensar no nome.
Eu já havia, infelizmente, esbarrado com alguns outdoors de campanhas publicitárias que o Edward fez, em LA. Afinal ele era muito famoso. Mas sempre evitava olhar e fugia rapidamente de qualquer imagem dele ou que me fizesse lembrá-lo. Mas agora eu podia reparar nitidamente nas mudanças físicas. Nas quatro vezes que eu tive contato com ele, eu estive bem nervosa e não me permiti reparar. O Edward Cullen garoto era lindo, o mais bonito da cidade. Mas o Edward Cullen homem, eu realmente não tinha palavras para descrevê-lo. Imediatamente fechei o computador.
O que eu tinha na cabeça? Ficar stalkeando o Edward, e admirando seus feitos e beleza? Estava descobrindo um lado masoquista que eu não sabia que existia.
Uma risada infantil chamou minha atenção. Eu levantei imediatamente da cadeira indo até a porta que dava para o quintal dos fundos. Escorei-me no batente observando o garotinho correr pelo quintal dos fundos da casa dos Cullen, não havia nenhuma cerca que dividia os quintais, apenas um caminho de pedras, que levava até a trilha da floresta, separando um gramado do outro.
Era incrível o carinho que eu conseguia sentir por ele, eu o conhecia há um par de dias e ele tinha tomado meu coração, mais rápido até do que o pai dele fez no passado.
Lucca corria atrás de uma bola por todo o quintal.
— Você já está cansado papai? Não vai brincar comigo? – o menino gritou olhando em direção a casa.
— Acho que vou ter que diminuir o açúcar na sua alimentação, rapazinho! Não é normal essa disposição toda logo de manhã. – dei um passo para trás assim que ouvi a voz de Edward fando com o filho. Mas paralisei assim que ele entrou no meu campo de visão. Vestido apenas com uma bermuda de moletom cinza.
Fugir das fotografias era fácil, mas ignorar pessoalmente era mais complicado. Uma grande diferença do Edward do passado para o Edward de agora, com certeza era o físico. Edward sempre malhou, tinha até um pouco de músculo, mas sempre foi magro. Ele definitivamente tinha ganhado corpo nesses últimos anos. E tatuagens. Muitas delas. Elas cobriam todo seu braço esquerdo e parte do peitoral, havia outras espalhadas por outros cantos como costela, e panturrilhas. Eu nunca imaginei que gostaria tanto de tatuagens.
O barulho da campainha tocando me fez tomar um susto, já que estava tão distraída com... com a interação entre pai e filho. Nesse momento Edward voltou sua atenção para mim, parada na porta dos fundos de minha casa. Eu corei, como sempre, depois de ser pega espionando, mas esse contato não durou muito já que eu entrei indo até a porta da frente atender a campainha.
Abri a porta distraidamente, já que minha mente esta manhã estava uma verdadeira confusão. Mas paralisei assim que olhei pra ele.
— Bella, eu sinto sua falta. Preciso entender o que aconteceu com a gente...
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