Notas iniciais
Oi amores! Nem demorei tanto dessa vez. O capítulo deu trabalho, mas consegui. Preparem-se para as emoções finais de OR. Obrigada pelos comentários do último! Os que eu não respondi ainda responderei em breve. Mais de 7000 palavrinhas pra vocês! Espero que gostem!!!

# BELLA #

Flashback on

Quando passamos pela porta, ele praticamente me atacou. Seus lábios buscaram os meus avidamente, me deixando sem folego, não apenas pelo beijo, mas também pela intensidade do seu olhar. Ele me olhava com um certo carinho, admiração, mas nada sobrepunha o desejo. Isso era claro, como a cor de seus olhos. Não percebi muita coisa depois, já que lutava com todas as minhas forças para não pensar em nada, pois sabia que se minha mente tomasse o rumo errado, seria minha ruína novamente.

Já no quarto ele nos livrou de todas nossas roupas, parecia agir rápido, talvez com medo de que eu desistisse.

Eu não queria desistir. Eu também o desejava, muito. Ele era lindo, estava apaixonado e parecia ser feito especialmente pra mim.

Sua boca separou-se da minha trilhando outros caminhos, suas mãos começavam a explorar outras partes do meu corpo, há muito não tocadas. E como se quisesse garantir a perfeição do momento, usou mais uma vez a arma com que me conquistou. Recitando em meu ouvido.

— “Tu és formosa e modesta,

As outras são tão vaidosas!

Embora vivas na sombra?

Amo-te mais do que às rosas.”

Eu fechei os olhos apreciando o momento.

— “A borboleta travessa

Vive de sol e de flores...”

Para. – pedi quase sem voz. Eu não podia fazer isso. Ele me olhou confuso.

Bella? – seus olhos agora estavam nos meus agora. Tinha medo ali.

Desculpa, eu não posso.. – disse com lágrimas já se formando.

Eu pensei que... não entendo... – Demetri disse ainda confuso, mas me deu espaço para que eu saísse da cama. Minhas roupas estavam de volta numa velocidade humanamente impossível.

Eu não estou inteira pra você. – sussurrei já na porta do quarto. Ele ainda me olhava quieto, sem entender o que estava acontecendo. E mais uma vez eu fugi. Por causa de uma única palavra, que levou minha mente para onde não deveria. Trouxe de volta o medo que eu com toda as forças tentei empurrar para longe. Eu sabia que, no fundo, o problema não era a incapacidade de confiar em outro homem, depois do que ele me fez, o problema, o que eu odiava admitir, era que nenhum deles era ele.

# Flashback off #

— Bella, eu sinto sua falta. Preciso entender o que aconteceu com a gente... – Demetri começou a falar assim que eu abri a porta.

— Demi, o que está fazendo aqui? – perguntei muito surpresa.

— Você achou mesmo que uma mensagem, depois de ter praticamente fugido da minha cama, seria o suficiente? – ele perguntou muito sério. Não parecia o Demi doce ali, o poeta romântico, e sim o juiz Volturi, que com um olhar conseguia ler a verdade nos olhos do réu.

— Entre. – pedi. Ali não era lugar para conversar, ainda mais com chances do Edward aparecer. Ele me seguiu para dentro de casa, paramos na sala, eu apontei o sofá para que ele sentasse e me acomodei no outro a sua frente.

— Você ama outra pessoa, é isso? – ele perguntou direto. Eu sabia a resposta para essa pergunta? Eu ainda amava Edward Cullen?

— O problema não é esse. – eu sinceramente não queria ter essa conversa agora.

— Então qual é o problema, Isabella? Eu preciso entender, sou seu amigo há tanto tempo, fui seu namorado por três meses, meses maravilhosos para mim, percebi que você sempre esteve tão fechada, mas, ainda assim, parecia gostar de mim. O que eu fiz de errado? – ele não estava tão composto agora, seu olhar era agoniado. Eu me senti horrível por isso.

— Não é você, sou eu. – ele arqueou as sobrancelhas incrédulo pela minha fala clichê.

— É sério que essa vai ser minha explicação? Estamos num romance de quinta agora? – eu me levantei, sentei-me ao seu lado e segurei sua mão.

— Tem sim outra pessoa. – suspirei derrotada. – Ele me magoou muito no passado, é algo que eu simplesmente não consigo deixar pra trás. Foi uma história incompleta entende? Eu estou aqui justamente para por um ponto final nisso. Para seguir em frente. – soltei, mostrando minhas fraquezas para ele pela segunda vez.

— Você poderia ter falado comigo, eu sinto muito se forcei as coisas e... – eu o interrompi.

— Não! Você não forçou nada. Você é perfeito pra mim, mas... eu não sou perfeita pra você. Pelo menos não nesse momento. – eu não sabia se ainda esperava resolver isso tudo e tentar seguir em frente com o homem que estava a minha frente agora. Isso é o que eu queria quando vim pra Forks, isso foi antes de vê-lo de novo. Eu estava numa luta comigo mesma agora. E não podia envolver o Demetri nisso. Ele não era nenhum menino de 18 anos pra ficar metido nas minhas fraquezas de menininha, no meu drama adolescente interminável.

— Bella olha pra mim. – ele pediu. Eu olhei. – Eu realmente gosto de você, muito. Se você acha que tem alguma possibilidade da gente dar certo quando você voltar pra LA, eu vou esperar. Mas você precisa me dizer. – eu poderia pedir que ele fosse pra casa e esperasse por mim, o que eu esperava que acontecesse nesse final de semana afinal? Que surgisse alguma explicação milagrosa sobre aquela noite e tudo ficasse bem? Que eu esquecesse tudo como num passe de mágica? Um pedido de desculpa talvez? Como, se eu não permitia acreditar em uma desculpa dele? A verdade é que no fim, eu ia voltar para LA, Edward para Madrid, e nunca mais nos veríamos de novo. Mas o que esse reencontro ia mudar na minha vida? Ver que ele havia se tornado uma pessoa melhor mudaria algo pra mim? Ou talvez eu devesse parar para ouvir suas desculpas... O que eu queria? Eu não sabia a resposta para essa pergunta.

— Eu não tenho uma resposta. – falei simplesmente.

— Entendo. – ele balançou a cabeça pouco conformado. – Eu estarei em Forks até domingo. Aqui só tem um hotel, então sabe onde me encontrar. Você tem algum tempo para achar sua resposta, Bella. – ele disse levantando-se, e caminhando até a porta. Eu não o acompanhei. Me sentia triste por não saber o que fazer quanto ao passado, me sentia destruída por magoar um homem maravilhoso como Demetri. As lágrimas saíram sem que eu permitisse.

— Bella, você está bem? – Rose me encontrou ainda no sofá da sala, alguns momentos depois dele sair. – Foi mesmo o Demetri quem eu vi sair? – eu acenei positivamente.

— Por que eu não posso simplesmente me apaixonar por ele? – perguntei a minha amiga. Ela me olhou triste, como quem entendia o dilema de não conseguir seguir em frente.

— Tem coisas que a gente não controla, Bella. O coração é uma delas. – ela me abraçou de forma reconfortante. – Mas nós vamos conseguir, amiga. Só temos que deixar o medo de lado.

— Essa é a parte difícil. – disse rindo entre as lágrimas que ainda me restavam. Ela riu também. Nós éramos as amigas perfeitas, quebradas, tentando nos consertar num único fim de semana.

***

O resto do dia passou sem mais nenhuma emoção forte. Mas isso não quer dizer que minha cabeça tenha ficado melhor. Eu me encontrava em uma encruzilhada, onde um lado levava ao futuro, e o outro ao passado, e uma linha reta que continuava nem em um lugar, nem em outro. O que eu deveria fazer afinal? Falar de uma vez das coisas do passado, despejar sobre ele todas as dores que eu senti e toda minha decepção, para quem sabe me livrar desse peso que carrego? Seguir minha vida com Demetri fingindo que nada aconteceu? Ou simplesmente continuar do jeito que eu estava, travada, amargurada, fechada para o mundo até Deus sabe quando? Definitivamente, essa última opção estava descartada.

Eu poderia ir até o hotel e sumir dessa cidade com o Demi. Mas e depois? Quando eu travasse de novo, quando eu fugisse dele mais uma vez, quando ele percebesse que poderia ter uma mulher inteira que seria capaz de fazer bem pra ele? Ir com Demetri agora seria o mesmo que fugir, e eu não faria isso novamente. Eu não era mais aquela adolescente idiota. Pelo menos era disso que eu tentava me convencer.

Eu não tinha alternativa, teria que encarar o passado. Eu não sei se isso resolveria alguma coisa, mas eu teria uma conversa definitiva com Edward. Eu precisava disso! Precisava olhar bem nos olhos dele e dizer tudo o que eu senti quando ele me enganou, precisava dizer que por culpa dele eu nunca mais consegui seguir em frente, que eu não me permitir ser feliz, que eu fiquei presa naquela noite, durante malditos oito anos, eu precisava fazê-lo saber o quanto ele fodeu com a minha vida. Talvez eu estivesse finalmente pronta para ouvir seu pedido de desculpas, não que ele pudesse fazer algo a mais sobre isso. Afinal ninguém pode mudar o passado.

— Estou pronta. Vamos? – Rose disse me encontrando na porta de casa. Tiirando-me de meus pensamentos complicados.

— Sim. Vamos rever nossos queridos amigos do colegial. – disse irônica. Ela riu.

— Eu não senti saudades de ninguém. – ela comentou entrando no carro. O coquetel seria num espaço na própria escola, um espaço que não existia quando estudávamos ali.

— Nem do Emmett? – perguntei, fazendo ela ficar sem graça. Depois de me consolar após o episódio com Demetri, Rosálie me contou que tinha aceitado ir na quermesse com o McCarty. O que me deixou radiante pela minha amiga, depois do tudo que ela passou, merecia mais que ninguém ser feliz, e pelo que eu me lembrava o Emmett sempre correu atrás dela no colegial, e apesar de andar com a turminha do mal, não era uma pessoa ruim, ele gostava de zoar e curtir, mas não fazia mal a ninguém, diferente de outras pessoas.

— É, digamos que agora que estamos nos vendo novamente, eu percebi que ele fez falta sim. Era um bom amigo. – ela falou, sem conseguir esconder o sorriso.

— Está apaixonada? – soltei para provocar.

— Bella!

— O que foi? Vocês são solteiros, o que há de mau nisso?

— Ainda é muito cedo. Afinal, estamos conversando a apenas dois dias. – ela deu de ombros.

— Mas e a paixonite que você tinha por ele no colegial? – perguntei. – Eu lembro que você me falou isso naquele porre que tomamos em Santa Mônica. “Eu tinha era é que ter ficado com o McCarty!” – imitei sua voz de bêbada. E caímos na gargalhada.

— E tinha mesmo! Poderíamos nem estar juntos atualmente, mas tenho certeza que as coisas seriam diferentes. Eu fui muito idiota, não ficando com o cara porque ele me achava bonita. O que eu estava pensando afinal? – ela parecia pensativa.

— Sinceramente, Rose, acho que você é a única pessoa que eu conheço que não gosta de ser bonita. – comentei. Eu sinceramente não entendia.

— Ninguém gosta de ser apenas um rosto bonito, Bella. – nisso ela tinha razão.

— Mas você nunca foi apenas um rosto bonito.

— Não era isso que os outros pensavam de mim. – ela resmungou.

— Sabe qual foi o nosso problema? Ligar muito para o que os outros pensavam. Devíamos ter ligado o “foda-se” a muito tempo.

— E agora, ele está ligado? – ela perguntou divertida.

— Com certeza! – disse parando o carro depois de oito anos no estacionamento da escola que estudei por quase toda vida.

— Nossa, isso aqui não mudou quase nada. – ela disse quando descemos do carro.

Nós não tivemos dificuldade nenhuma em achar o local do evento, já que era o único espaço novo anexado a escola.

Não tinha muita gente ainda. Reconheci alguns rostos, outros eram estranhos, até agora não tinha visto ninguém da turma.

— Bella? – uma voz me fez virar.

— Jake, oi. – disse o cumprimentando.

— Rosálie, como vai? – ele falou com a Rose que estava ao meu lado.

— Tudo bem, Jacob. – ela sorriu pra ele.

— Então estão gostando da festa? – ele perguntou.

— Na verdade acabamos de chegar, ainda estávamos tentando achar um rosto conhecido. – comentei.

— Na verdade não fazemos tanta questão. – Rosálie brincou, nos fazendo rir.

—Não estão perdendo nada, bem pelo menos me referindo aos nobres cidadãos de Forks. – ele comentou.

— Nobres cidadãos? – me interessei pela forma irônica com que ele falou.

— Sim, o prefeito e sua corja. – ele respondeu fazendo uma careta.

— Conhecemos? – Rose perguntou. Jacob riu.

— Mike Newton. – eu o encarei incrédula.

— Sério? Ele era tão burro. – comentei.

— E isso não mudou. – Jake respondeu fazendo eu e Rosálie rirmos.

— Ele é bem novo para ser prefeito, não? – Rose perguntou.

— Sim, mas com a influência do papai não foi difícil. O cara nem terminou a faculdade. – ele comentou.

— Bem, que minha tia reclama que a cidade vai de mal a pior. – comentou Rose.

— Ah pode ter certeza, o dinheiro vai todo para as mordomias da primeira dama, Jéssica está cada dia pior.

— Jéssica Stanley?

— Sim, ela mesma.

— Ele conseguiu mesmo se casar com ele então. – ele vivia tentando segurar o Mike, mas ele pegava qualquer uma que desse mole.

— Golpe da barriga. – Jacob soltou.

— Nossa, você continua cruel, Black. – ele riu.

— O que? Não falei nada demais, é o que todos na cidade disseram. Mike estava namorando uma modelo de Seattle, já estavam falando até de noivado. Aí Jéssica apareceu grávida dizendo que o filho era dele, e você deve imaginar que rolou toda aquela comoção. Eles casaram um mês depois do alvoroço. Vocês sabem que o pai dele segue toda aquela coisa de tradicionalismo e tal. – ele contou a história.

— Nossa, isso é tão a cara dela. – Rose comentou, nós rimos.

— Eles vivem metidos em escândalos, as secretárias não duram um mês na prefeitura. Ela vive pegando ele com elas no gabinete. – ele completou.

— Você está me saindo melhor que os nossos pais na arte da fofoca, Jacob. – eu provoquei.

— Fazer o que? Deve ser genética.

— Mas e você, nuca pensei que permaneceria aqui. Nunca gostou de todo esse comodismo e conservadorismo da cidade, o que te prendeu a Foks? – perguntei.

— Meu pai precisava de mim. Ele está bem melhor ultimamente, é bem mais independente e nem bebe mais. – Jacob, diferente das irmãs, sempre cuidou do pai. Eu ficava muito feliz por ele, o Billy era uma pessoa legal, apenas passou por um momento difícil com o acidente e tudo mais.

— Isso é muito bom. – Rose disse.

— Sim, é ótimo. Nós estamos felizes, eu, ele e a Claire. – disse sorrindo.

— Quem é Claire? Sua namorada? – perguntei.

— Não, é minha filha. – ele disse sorrindo, como um pai orgulhoso, foi impossível não lembrar do Edward e do Lucca.

— Não sabia que tinha uma filha.

— Sim, eu tenho. Ela tem seis anos. Fui meio descuidado e engravidei minha namorada da faculdade, Vanessa não estava muito preparada para isso, então a guarda da Claire ficou comigo, mas mesmo não estando mais com Vanessa, ela é uma mãe presente, mora em Seattle e vem buscar nossa pequena todos os finais de semana.

— Isso é bem diferente de se ver. É até estranho te imaginar como um pai. – ele riu.

— As coisas mudam, não é? Mas me digam, como anda a vida? – ele quis saber.

— Eu e a Rose moramos em Los Angeles, somos praticamente vizinhas. – comentei.

— Ah sim, meu pai disse que o Charlie tinha se mudado pra lá.

— É, eles sentiram saudades de mim. Bem, além de ser promotora, como você também já sabe, não tem muito mais o que falar de mim.

— Também não tenho muita coisa pra contar, como a Bella disse, somos quase vizinhas, e sou professora primária, amo trabalhar com crianças. – Rosálie falou.

— Crianças são mesmo maravilhosas, eu penso em ter mais filhos, mas a garota que eu gosto está bem difícil, não cede aos meus encantos de jeito nenhum. – nós rimos de sua fala. Eu ficava bem feliz pelo Jacob, ele sempre foi uma pessoa boa, apesar de ser o valentão briguento da escola, sempre foi um amigo de verdade pra mim, por mais que confundisse isso na época.

Levamos tanto tempo conversando que nem percebemos que o lugar estava cada vez mais cheio. Por meio de Jacob, descobri mais algumas coisas sobre os nossos antigos colegas de classe.

O casal Sam e Leah havia se separado, e depois de algum tempo o Sam, que agora era médico, acabou casando com a Emily, a garota que segurava vela, mas a Leah não aceitava isso muito bem, pois considerava uma traição por parte da prima. O que complicava as coisas para o Jacob, que se descobriu apaixonado pela sua prima de segundo grau há uns três anos, mas Leah era muito amargurada e não dava uma chance para ele.

Erick York, que era um dos nerds excluídos da nossa turma, havia ficado milionário após ter criado um aplicativo, e agora possuía uma grande mansão em Forks, segundo Jacob, ele pegava todas as meninas da FHS.

James, o cara que era o drogado da escola e vivia sendo preso, agora era candidato a prefeito, e concorria contra Mike, ao que parece James havia largado o submundo e virado um homem muito decente e honesto depois que Victória, sua namorada que também era da turma, morreu por causa de uma overdose na faculdade.

Ele também falou sobre o Jasper e toda a história da cegueira, mas a Alice já havia me contado, ele disse que se tornaram muito amigos e que o Jasper tinha uma loja de música muito legal, e uma garota linda que era louca por ele, mas ele não queria nada sério com ela, por preconceitos bobos com ele mesmo. Talvez pudesse compartilhar essa informação com a Alice.

Já estávamos há um par de horas ali, até que Rose se afastou dizendo que ia falar com o Emmett. Jacob foi engatou numa conversa com o James que, para minha surpresa, realmente estava muito mudado, até mais bonito e simpático, participei da conversa por um tempo e fiquei bem admirada com as ideias dele para a cidade, eu realmente esperava que ele conseguisse desbancar o Newton. Depois que me desliguei da conversa fui pegar mais uma bebida, porém fiquei meio receosa, pois provavelmente o Edward também já tinha chegado, eu havia decidido conversar com ele e tudo mais, mas não achava que agora seria o momento.

Sem falar que eu ainda não esquecia o que havia acontecido, do papel de otária que eu fiz na frente da maioria daquelas pessoas, eu lembrava de cada rosto aquela noite, daqueles que riram e daqueles que me olharam com pena, ainda era estranho estar aqui, conversar sobre o passado, por mais que o Jacob tenha sido cavalheiro e não tocado no assunto daquele dia, mas eu sabia que ele lembrava.

— Isabella Swan! Eu não acredito que é você! – eu me virei para a voz feminina que me chamou. Deparando-me com Angela Weber, muito diferente do que costumava ser no colegial.

— Angela! Quanto tempo. – disse me aproximando, abraçando a mulher que foi o mais próximo que eu tive de uma amiga no Ensino Médio.

— Sim, muito tempo. Você está tão diferente, está linda! – ela disse se afastando para me olhar. Eu não estava lá essas coisas, usava um vestido preto alças finas com um detalhe de renda na cintura e solto até o meio da coxa, além de uma sandália salto 10cm que eu nunca usaria na época da escola.

— Você também está diferente Ang. – disse a olhando melhor, e pude perceber a leve protuberância em sua barriga. Ela percebeu meu olhar e sorriu.

— Estou com quatorze semanas, é uma menina. – disse feliz. Eu fiquei muito feliz por ela também.

— Isso é maravilhoso. Você e seu marido devem estar muito felizes. – comentei depois de perceber a aliança em sua mão esquerda.

— Nós estamos, você lembra do Ben Cheney, certo? – sim, eu me lembrava, era o garoto mais inteligente da sala, e a Angela sempre teve uma queda por ele, mas nunca disse nada por ter aquela ideologia louca de que namorar era pecado.

— Lembro sim.

— Então, eu era louca por ele naquela época, mas achava que tudo era pecado. – nós rimos. – Nos reencontramos em Nova York há quatro anos, estava lá para o lançamento do meu livro e esbarrei com ele enquanto caminhava no Central Park, estamos juntos desde então. Casamos no ano passado.

— Eu fico muito feliz por vocês, Ang. Ele não veio? – perguntei.

— Não, ele trabalha pra Nasa, estão fazendo alguns testes ou algo assim, era importante, ele não pode vir. – Nasa era grande, sabia que aquele menino ia longe.

— É uma pena, seria bom revê-lo, mas me diz, você virou escritora? – perguntei.

— Também. Desde que comecei a faculdade, na verdade, sou publicada há algum tempo. – ela disse animada.

— Algo que eu conheça? – perguntei curiosa.

— Caroline Weber. – disse me olhando divertida. – Assino com meu nome do meio.

— Você está brincando, né? – indaguei surpresa. Parecia impossível.

— Não, fui eu quem escrevi todos eles. – disse orgulhosa. Eu já tinha lido todos, sem nem imaginar que eram da Angela.

— São livros eróticos. – disse ainda chocada, fazendo ela rir.

— São, e acredite, você não é a primeira a ficar surpresa.

— Eu nunca imaginaria, você era a filha recatada do pastor. – Angela vivia tentando converter todo mundo.

— Bem, eu ainda sou filha do pastor e ainda sou cristã, mas percebi que não precisamos levar tudo a ferro e fogo. Se quer ficar ainda mais surpresa, sou sexóloga. – é, eu realmente fiquei surpresa. O tempo realmente mudava as pessoas.

Levei mais algum tempo conversando com Angela, até que ela resolveu ir pra casa, pois a gravidez fazia ela ficar indisposta.

A festa continuava, e eu não sabia como cabia tanta gente naquele lugar, na verdade 90% da cidade havia estudado ali, é claro que não estava todo mundo, mas uma considerável variedade de pessoas.

Depois de rodar mais um pouco procurando Rosálie e não encontrar e conversar com Kate Denali, que sempre havia sido simpática comigo, e agora era primeira bailarina de Seattle, me sentei em um canto mais reservado, saboreando o vinho servido.

Percebi que não estava mais sozinha, quando senti o peso de outra pessoa sentando na mesma poltrona de dois lugares em que eu estava acomodada, continuei olhando a taça, reconhecendo o inconfundível perfume. Eu sabia que não poderia fugir a festa toda.

— Eu gostaria muito de saber qual foi o feitiço que lançou sobre o meu filho, Isabella? – ele perguntou, e o desconforto ao utilizar o meu nome era palpável.

— Por que está perguntando isso? – quis saber sendo incapaz de ignorar qualquer coisas relacionada ao Lucca.

— Ele não parou de perguntar por você o dia todo. – ele parecia enciumado, mas tinha um toque de divertimento em sua voz.

— Eu senti falta dele hoje. Vi vocês no quintal de manhã. – eu tinha sido pega observando.

— É eu também te vi, o Lucca também, mas você sumiu e a Rose disse que estava com visita, não quis incomodar. Mas foi muito difícil distraí-lo. Lucca é realmente apaixonado por você. Deve ser algo de família. – e isso me deixou desconfortável. Por que ele ainda fazia isso?

— É, estava com um amigo.

— Rose disse que era seu ex.

— A Rose fala demais. – resmunguei irritada. Precisava conversar com ela, desde quando a Rosálie dava informações minhas pra ele.

— Então não era o seu ex? – ele insistiu.

— Acho que isso não é da sua conta! – disse o olhando pele primeira vez essa noite. A maneira como ele me olhava me desarmou completamente.

— Me desculpe, sabe que curiosidade é um defeito meu. – ele disse sorrindo. Droga de sorriso torto perfeito!

— É, eu sei.

— Está gostando da festa? – ele perguntou. Agora éramos um casal flertando numa balada?

— Descobrindo que o tempo realmente muda as pessoas. – disse dando um gole no meu vinho.

— Eu te disse isso ontem.

— É, você disse.

— Mas eu estou realmente surpreso, algumas pessoas realmente mudaram demais. Outras nem tanto. – ele parecia pensativo.

— É verdade, Angela Weber escreve livros eróticos, e o James é bem legal agora. Isso que é mudança.

— Irina Denali, namora uma mulher que se parece com um motoqueiro, e Tyler Crowey deu em cima de mim. – ele soltou divertido. Eu o encarei.

— Isso é sério? – perguntei chocada, talvez mais pela Irina do que pelo Tyler.

— Sim, olhe a sua esquerda. – eu olhei pro lado e vi uma morena de longos cabelos cacheados e quase dois metros de altura.

— É ele? – perguntei espantada.

— Na verdade, agora é ela. Thayla se não me engano. – ele ainda tinha divertimento em sua voz. – Olha como a Jéssica olha pra ela. – ele apontou discretamente.

Pude reparar que um pouco mais a frente Jéssica conversava com Mike, que estava começando a ficar calvo, e algumas outras pessoas, mas não tirava os olhos do Ty... ou melhor, da Thayla, com uma cara de nojo.

— Ela provavelmente está com inveja dos peitos dela. – comentei ácida. Não suportava esse povo preconceituoso. – Na verdade até eu to com inveja dos peitos dela. – Ele/ela havia caprichado do silicone ali.

— Você não precisa, os seus são lindos.

— Edward! – olhei pra ele chocada pelo comentário.

— Desculpa, também deve se lembrar da minha falta de filtro. – ele disse sem graça.

— Então, vai considerar dar uma chance a ela? – eu não resisti.

— A ela quem? – ele perguntou confuso.

— Thayla. – perguntei com meu melhor sorriso provocador. Acho que a bebida estava fazendo efeito.

— O que? Não! – ele respondeu de imediato, parecendo irritado.

— Eu vi na internet que você era gay. – provoquei. Eu acho que realmente estava bêbada, era só o que justificava eu estar tendo essa conversa agora.

— Você sabe que eu não sou gay.– ele disse, seu olhar era malicioso.

— Eu não sei de nada.

— Eu sei que você se lembra, borboleta, de todos os detalhes, assim como eu. – merda! Eu realmente lembrava, de cada detalhe daquela noite, inclusive os que eu queria esquecer.

— Acredite, os detalhes ruins daquela noite apagaram todos os outros. – isso era uma meia verdade. Os nossos momentos bons não foram apagados, mas ficaram com um gosto amargo.

— Eu sinto muito por isso. – ele disse suspirando. – Eu fui um idiota.

— Idiota é muito pouco para o que você fez, Edward. – o clima descontraído tinha evaporado.

— Eu sei. E não suporto mais isso, preciso te contar a verdade. – suas mãos foram para os cabelos bagunçando-os como ele sempre fazia quando estava nervoso, ou ansioso. Lucca tinha a mesma mania.

— A verdade? E o que me faria acreditar nessas suas verdades? Sinceramente, eu não vejo como isso seja possível. – eu acreditei nele uma vez, o olha onde fomos parar.

— Você tem razão. Por que acreditar em mim, não é mesmo? – seu olhar era angustiado.

— Eu confiei em você uma vez, mas como eu disse, eu não sou aquela menina burra.

— Você nunca foi uma menina burra, o culpado de tudo foi eu.

— Sim, você foi um canalha, mas eu me deixei usar Edward. Eu aceitei um relacionamento, no qual o cara tinha vergonha de mim. E isso foi um erro meu. Talvez se eu tivesse me imposto, ou nem aceitado essa situação, não estaríamos tendo essa conversa agora. – na verdade eu não deveria estar aqui, estava acontecendo uma festa, não era o lugar mais adequado para resolver essas coisas do passado.

— Bella... – eu não fiquei para ouvir o que ele disse, me levantei e segui para um corredor que levava para algum lugar que eu desconhecia. Não tinha ninguém ali. Não avancei muito já que alguém segurou o meu braço. Eu fechei os olhos quando minha mão encontrou o peito dele. Nós estávamos muito próximos, isso era perigoso demais pra mim.

— Por favor, não faz isso... – supliquei.

— Por favor, não foge, eu preciso... – ele parou, seus olhos pareciam tão perdidos nos meus quanto os meus estavam nos dele. –...preciso disso. – e então, depois de oito anos, eu estava beijando Edward Cullen novamente. Não adiantava tentar não corresponder, eu não tinha controle para isso. Tudo que eu fiz foi segurar sua nuca enquanto ele me abraçava, devorando minha boca. Não foi um beijo doce, nem um beijo malicioso, foi um beijo urgente, cheio de saudade.

Eu não sei quanto tempo passou, mas, assim que nossas bocas se separaram em busca de ar, eu fugi. Talvez fosse o que sabia fazer de melhor. Quando eu não sabia lidar muito bem com as coisas, eu simplesmente fugia. Eu só queria poder fugir do que eu sinto com a mesma facilidade.

Entrei na primeira porta que vi, identificando uma antessala que levava aos banheiros, entrei no feminino parando eufórica na frente do espelho.

Eu não acreditava que eu tinha permitido isso. Eu era algum tipo de masoquista doente agora? Eu vim para Forks justamente para colocar uma pedra em cima dessa história. E havia acabado de beijar Edward. Mesmo que tivesse sido dele a inciativa, eu havia permitido. Eu tinha retribuído, e talvez, só talvez, eu pudesse justificar o beijo como um experimento, uma forma de saber que o passado não significava nada e que eu poderia sim esquecer tudo e seguir em frente, mas eu sabia que essa não era a verdade, e se fosse, eu, definitivamente, tinha perdido nesse teste. Porque eu ainda me sentia do mesmo jeito. Ainda estava tudo aqui dentro. Isso me assustava demais. Será que eu seria condenada a essa dependência para sempre? Meu coração havia acelerado do mesmo jeito, talvez até mais, beijá-lo tinha sido perfeito, como sempre foi.

Respirei fundo me olhando no espelho, evitando chorar a todo custo. Não podia jogar água no rosto porque ia arruinar minha maquiagem. Peguei uma toalha de papel limpando o batom borrado, pelo beijo.

Foi então que ela entrou no banheiro, de incio eu não a reconheci, o cabelo castanho estava muito diferente do loiro platinado de antigamente, estava mais comprido também, e escondia parte do seu rosto.

— Isabella. – ela me cumprimentou. Era a primeira vez que Tanya Denali dirigia a palavra a mim que não fosse para algo ofensivo. Eu apenas a encarei, não sabendo o que esperar. Ela sorriu amargamente. – É, eu realmente não mereço que você me dirija a palavra, não depois de todas as coisas que eu fiz pra você.

— Você nunca fez nada demais, Tanya. Não foi a primeira, nem a única que riu ou fez piadinhas comigo. Apesar de errado, quase todo adolescente já passou por isso. – eu disse fingindo não me importar. Na verdade, agora não era mesmo importante, talvez tivesse sido a algum tempo atrás.

— Eu era uma pessoa terrível. – disse me olhando através do espelho. – Eu humilhei mais pessoas do que sequer lembro, sempre me achei melhor do que os outros. Mas eu realmente peguei pesado com você, com vocês na verdade. Mas naquela época eu não poderia imaginar que o meu orgulho ferido poderia custar a felicidade de duas pessoas. – ela disse parecendo mesmo arrependida, e eu não sabia se acreditava ou não. Apesar desse retorno ter me feito enxergar o quanto o tempo pode mudar as pessoas, ele também provou que algumas coisas continuavam na mesma.

— Eu não sei do que você está falando, Tanya. – me fiz de desentendida.

— Naquela noite, eu sinto...

— Não, você não teve nada a ver com aquela noite, você não me prometeu nada. Você não me devia nada, Tanya. – apesar dela ter participado ativamente, de ter rido, de ter me humilhado também, eu já estava acostumada. O errado foi ele, foi ele quem disse que me amava, foi ele quem mentiu pra mim, foi ele que tinha que ter me respeitado.

— Eu tive sim. – ela disse se aproximando mais.

— Não, você... – eu parei de falar quando pude ver seu rosto melhor. Havia um grande hematoma roxo, abaixo do seu olho esquerdo, que ela escondia com cabelo. – Quem fez isso com você? – perguntei me aproximando mais.

— Isso não é importante. – ela deu um passo para trás, voltando a esconder o rosto com a franja.

— É claro que é importante! Isso é claramente uma marca de agressão. Você precisa ir a polícia e...

— Sério, que você tá mesmo preocupada comigo?! – ela perguntou espantada.

— Eu ficaria assim por qualquer uma. É o meu trabalho na verdade. – e realmente era. E mesmo com toda mágoa que eu guardava de Tanya Denali eu não consegui ser indiferente a isso.

— Eu sei que é o seu trabalho, também moro em Los Angele, e sua fama por lá não é pequena, promotora Swan.

— Quem fez isso com você?

— Riley, ele era meu... amante digamos assim, um ator fodido assim como eu, que gostava de descontar suas frustrações em mim, mas não se preocupe, ele está bem longe agora, estou de mudança para o Alasca. Vou começar de novo. – reparando bem ela parecia bem abatida, e não tinha mais aquele sembrante superior de oito anos atrás.

— Eu ainda acho que você deveria denunciá-lo. – insisti.

— Realmente não precisa, eu quero começar minha vida em outro lugar. E tenho pressa, não se preocupe, ele não vai me achar. – isso não era o certo a se fazer, mas eu não poderia fazer nada.

— Se é o que você quer...

— Eu vi vocês no corredor. – ela mudou completamente de assunto. Eu apenas fiquei quieta. Ela continuou. – Eu não tinha ideia que era de verdade, não que isso fosse fazer muita diferença para mim naquela época, mas eu sinto muito...

— Não sinta, você não o obrigou a nada. E boa sorte! – disse saindo dali.

O corredor estava vazio para meu alívio. Voltei ao salão a procura de Rosálie para avisá-la que estava indo, mas desisti assim que vi que ela estava com ele, saí da festa antes que eles me vissem digitando uma mensagem para a Rose no caminho até o carro. Estava me sentindo culpada por deixá-la sozinha, mas ela arranjaria uma carona fácil.

Assim que entrei no carro, recostei no banco e respirei fundo. O que eu estava fazendo aqui? Ter voltado a Forks foi uma loucura muito grande da minha cabeça. Estava tudo embaralhado novamente. Eu não sabia o que fazer. E agora esse maldito beijo que não saia da minha cabeça...

Tudo isso quando eu só queria esquecer.

# Flashback on #

Eu nunca me senti tão feliz em toda minha vida. Nossa noite havia sido simplesmente perfeita, foi tudo tão mágico que eu mal cabia em mim de tanta felicidade. A maneira como nos amamos, a lua, o céu, a água do lago, o barulho das ondas, tudo parecia estar em harmonia criando o momento perfeito.

Mas, infelizmente, não poderíamos ficar aqui para sempre. E mesmo não querendo tivemos que ir embora. Nós não fomos para casa, ainda não estava muito tarde e rumamos para o luau que sempre acontecia depois do baile de formatura. Era algo feito pelos alunos, sem a presença de responsáveis da escola, algo mais como uma despedida livre, onde todos teriam seu último momento no Ensino Médio.

Assim que chegamos a praia, fiquei receosa, será que mesmo depois de tudo, Edward ainda ia fingir que nem sabia que eu existia? Eu confesso que não saberia lidar com isso. Ele havia dito que me amava.

Ele abriu a porta do carro para mim como um cavalheiro e me deu a mão, caminhando comigo pela orla até o local onde havia uma fogueira e música, não havia tenta gente ali, a maioria eram os formandos, havia um ou outro de outras turmas, ou até mesmo alguns acompanhantes.

Quando nos aproximamos do local juntos, a atenção foi totalmente atraída para nós. As pessoas com que o Edward andava nos olhavam curiosos, mas não disseram nada. Talvez acharam comum estarmos juntos pelo fato de eu ter sido coroada a rainha do baile, o que eu não conseguia entender até agora, mesmo me sentindo bonita depois da mágica que a Alice fez comigo e tudo o que aconteceu no chalé.

Alice, que estava mais afastada com o Jasper, e me lançou um sorriso. Rosálie olhava para nos dois, curiosa como a maioria. Jéssica lançava me um olhar de inveja e Jacob estava com a cara amarrada.

Eu não reparei muito mais que isso, pois Edward e eu ainda estávamos na nossa bolha de perfeição. Ele fazia carinho em meu rosto e me beijava, as vezes sussurrando a letra das músicas que tocavam em meu ouvido, as vezes dizendo que me amava.

Eu não queria mais precisei me afastar par usar o banheiro, ainda sentia algum incomodo lá, e precisava muito fazer xixi. O banheiro da praia era um pouco afastado de onde estava acontecendo o luau, e ele quis me acompanhar, mesmo eu dizendo que não precisava. Ele ficou me esperando do lado de fora enquanto eu entrava no espaço com duas cabines, tinham algumas meninas ali, que me olhavam com um sorriso malicioso me deixando desconfortável. Será que perceberam que nós fugimos da festa? Só uma cabine estava disponível, pois uma garota bêbada estava vomitando na outra, eu levei algum tempo para conseguir usar o banheiro. Quando saí Edward não estava mais ali. Será que ele tinha cansado de esperar e voltado para a fogueira. Eu esperei um pouco imaginando que ele estivesse usando o banheiro masculino que ficava ao lado, mas ele não apareceu. Resolvi voltar para o luau.

A noite estava realmente muito bonita, o que era raro em Forks, mas estava acontecendo frequentemente naquele começo de verão. Mas as estrelas perderam completamente o brilho pra mim assim que eu voltei pra fogueira.

No mesmo lugar em que estávamos antes, estava Edward, acompanhado de ninguém menos que Tanya Denali, mas isso não era o pior. Ele a estava beijando. Pareciam nem se importar com a sua volta. Pude perceber olhares direcionados para mim, quando cheguei perto.

Por que ele estava fazendo isso comigo? Há um segundo dizia que me amava, e agora estava com ela, na minha frente, na frente de todos. Meus olhos encheram-se de lágrimas, que eu não tive nem tempo de tentar segurar, meu coração parecia estar esmagado. Mas ainda assim eu me aproximei mais. No mesmo momento que eles terminaram o beijo, talvez por causa dos cochichos e das risadinhas, já que pareciam tão perdidos no que faziam.

Edward olhou para mim, seu olhar não era o mesmo de antes, ele parecia estranho. E abriu um sorriso amargo.

Por quê? – perguntei, minha voz mais aguda por causa do choro. – Por que fez isso comigo, Edward?! – Tanya riu.

Você não achou mesmo que aquilo tudo era verdadeiro, né?! – ele perguntou. Seu tom era sério. Frio, de um jeito que eu nunca o ouvi falar antes.

Você disse que me amava. – sussurrei, já incerta se ele tinha mesmo dito aquilo, ou se foi só um delírio da minha mente.

Acredite, você não foi a primeira a ouvir isso. Um homem usa as armas que pode para conseguir o que quer, Isabella. – ele havia me chamado pelo nome, depois de não sei quantos anos. – E eu consegui o que queria. Mas se quer saber de uma coisa, não foi bom o bastante para valer todo esse teatro. – eu perdi meu chão ao ouvir aquilo. Já não bastava toda a humilhação por ele ter ficado com Tanya na frente de todo mundo, ele ainda tinha que pisar mais, me humilhar da pior forma.

O que você está fazendo?! Por que está me tratando assim?! Eu não entendo! – praticamente gritei, tomada pelo desespero. Lá no fundo da minha consciência eu sabia que estava fazendo um papel de ridícula, que o mais digno seria virar as costas e sumir dali, mas eu não conseguia entender. Tudo ruiu tão rápido. Eu só consegui lembrar dele falando que me amava, me pareceu tão verdadeiro.

Você é burra ou o que garota? – Tanya perguntou com voz de deboche.

Olha pra você, Isabella. Você acha mesmo que eu gostaria de você? Por que acha que eu nunca apareci com você em público durante esse tempo? Você é só uma nerd boba! E como eu já disse, eu só queria uma coisa e consegui, agora me deixa em paz. – ele disse virando as costas.

Edward, o que está fazendo?! – Alice perguntou se aproximando. Pude perceber que todos prestavam atenção no que acontecia ali.

Não se mete nisso. – ele disse caminhando para longe. Eu ainda encontrei forças e fui atrás dele.

Eu odeio você! – ele não se virou com a minha fala. – Eu quero ter a sorte de nunca mais ter que olhar na sua cara, Cullen!

# Flashback off #

E eu tive essa sorte, até dois dias atrás. Até eu resolver ter a brilhante ideia de voltar para essa cidade, até eu resolver que eu teria que mexer no passado para seguir meu futuro. Até eu aceitar um pedido de namoro de um garotinho, do filho dele, do homem que eu jurei nunca mais ver. Eu não entedia como eu tive o sangue frio de conversar com ele como se fossemos bons amigos do passado, como se ele tivesse me dispensado de uma forma natural. Se fosse assim eu não teria ficado esses anos todos com a merda daquele noite na cabeça, com a convicção que seria assim com todos, que eu sempre seria aquela adolescente nerd que foi chutada, da pior forma possível, pelo carinha popular da escola assim que ele conseguiu tirar sua virgindade.

Quando parei o carro e desci, não entendia nem como havia conseguido chegar até lá. Eu simplesmente segui sem rumo, ou nem tão sem rumo assim.

Tudo que eu queria era pensar numa forma de me vingar, de xingá-lo, de fazer entender tudo o que eu senti naquela noite, queria odiá-lo, mas tudo o que eu sentia era o gosto do seu beijo, a sensação do seu abraço, o seu cheiro. E eu me odiava por isso. Por não ter conseguido esquecer, por estar sucumbindo novamente. Caminhei até a beira do lago.

O tempo parecia não ter passado naquele lugar… Estava exatamente do mesmo jeito que estava na última vez que estive aqui, naquele dia infeliz, onde nem a lembrança de tudo que vivi nessa beleza digna de contos de fadas foi capaz de aplacar a dor que eu senti a ser enganada e humilhada pela pessoa que eu mais amava.

E aqui estou eu novamente. Não podia acreditar que tudo estava se repetindo, eu não podia estar me apaixonando por ele de novo… Isso era errado. Ele me magoou uma vez, por que eu não conseguia arrancar esse sentimento do meu peito? No fundo eu sabia que não estava me apaixonando de novo, na verdade eu nunca deixei de amá-lo, mesmo que ele não merecesse, mesmo que não quisesse sentir isso… Eu nunca tive escolha.

E agora aqui nesse lugar mágico, no nosso lugar mágico, eu podia sentir tudo isso intensamente. Tudo aqui fazia lembrar nosso passado…

Das tardes que passamos nessa campina, curtindo o raro sol de Forks; dos banhos no lago prateado a minha frente; nas horas que passávamos observando o quebrar das ondas pela janela do chalé, foi ali que nos beijamos pela primeira vez; da melhor e pior noite da minha vida, onde fizemos amor sob a luz da lua cheia que entrava pela janela como se fosse um holofote iluminando nosso amor… Pena que tudo foi falso… Pena que ele nunca me amou… Eu fui apenas uma brincadeira, um passatempo…

O que me fez prometer que nunca mais voltaria pra essa cidade, que nunca mais confiaria em ninguém. Promessas feitas em vão. Eu estou aqui agora, eu estou pensando nele, é impossível não pensar. Após esses oito longos anos olhar naqueles olhos verdes novamente não foi fácil, foi como se nunca tivesse ficado um dia sem olhar pra ele, todo sentimento que eu tentei deixar escondido no lugar mais remoto e esquecido do meu coração veio à tona, provando que eu falhei, que por mais que eu negasse meu coração sempre seria dele…

Balancei a cabeça tentando expulsar esses pensamentos, precisava me distrair… O lago a minha frente me parecia convidativo, essa noite estava idêntica há de oito anos atrás. A lua cheia tingia o pequeno lago de um prateado deslumbrante. Abaixei as alças do meu vestido o fazendo cair aos meus pés, me livrei de minha única peça intima me aproximando lentamente do lago, subi na pedra de onde ele costumava mergulhar, eu sempre fui medrosa demais pra isso, mas aquela garotinha não existia mais, hoje não existiam muitas coisas que me amedrontassem. Então eu mergulhei, me sentindo livre. Só eu, o lago e a lua… Senti que havia algo mais. Voltando a superfície me deparei com um par de esmeraldas me observando… E meu coração me traiu mais uma vez…

Notas finais
Teve muita coisa nesse capítulo! Então o que acharam? Querem me matar por parar nessa parte? * Conversa da Bella com o Demetri (aquele flashback assustou?) * O reencontro com a turma (Thayla ❤) *A conversa e o Beijo (O beijo ❤) * Conversa com a Tanya (será que mudou mesmo?) * O que o Edward fez com a Bella (peguei pesado?) * Os dois no chalé novamente É muita coisa para vocês comentarem. rsrsrs O que acham que acontecerá no próximo capítulo? Esses dois aí sozinhos no chalé...Teremos emoções fortes também... Alguém tá curiosa para entender porque o Edward fez isso? Faltam apenas cinco capítulos para o fim. :( Por favor, comentem muito, favoritem e recomendem (ainda vale bônus)!!! P.S. Amores, quero indicar uma fic a vocês, é de uma amiga, a ajudei a postar ontem. Tá só começando, mas da pra ver que o enredo é muito bom. https://fanfiction.com.br/historia/732285/Chamas_do_Passado/ Bejinhos! E até breve! 07/05/17