O Reencontro
7 Reencontros
Notas iniciais
# Bella #
Eu não conseguia assimilar o que estava acontecendo. Aqueles olhos verdes expressivos estavam sobre mim. Eu ainda tinha Lucca em meu colo com um sorriso feliz.
Edward Cullen me olhava com aquele sorriso torto, esperando uma resposta, mas eu me sentia travada. Ele tinha mudado tanto, mas ao mesmo tempo não havia mudado nada. Era o mesmo olhar, o mesmo sorriso, o mesmo poder de me deixar sem fala.
— Olá, Edward. – seu sorriso abriu ainda mais.
— Papai, você conhece a tia Bella? Ela agora é a minha namorada. – ele disse me dando um beijo babado no rosto. Senti meu coração se aquecer, mas não consegui ignorar o “papai”. Lucca não era filho de Alice como eu tinha imaginado, era filho dele. Não resisti e procurei em volta, esperando achar a mãe do garoto, mas não tinha ninguém ali.
— Sim, filho eu a conheço. Nós estudamos juntos. – ele respondeu. Sem tirar os olhos de mim. – Apesar de que você mudou muito, borboleta. Conseguiu ficar ainda mais linda.
Não cora Bella!— ordenei mentalmente.
— Mas vejo que cora do mesmo jeito com elogios. – Que merda! Nem minhas emoções eu conseguia controlar na frente dele.
— Errr... eu tenho que levar as compras para dentro. – já que eu não conseguia pensar direito, eu precisava sair dali urgente. Coloquei o Lucca no chão.
— Deixa que eu te ajudo. – o menino disse tentando levantar uma sacola quase do tamanho dele, mas não teve sucesso.
— Deixa que o papai cuida disso, pequeno. – Edward pegou a sacola que o filho tentava levantar e mais algumas. Eu apenas fiquei parada olhando para ele sem ação, muito atordoada por aqueles olhos verdes que sempre me deixaram deslumbrada. Ele mantinha um sorriso de comercial de creme dental no rosto. Tive que piscar algumas vezes para voltar a pensar com coerência. Por fim peguei as sacolas restantes e caminhei até a porta de casa, sendo seguida por eles.
Deixei as compras sobre o balcão da cozinha, Edward fez o mesmo. Assim que minhas mãos ficaram livres Lucca esticou as mãozinhas pedindo colo, e eu, mesmo sem conseguir pensar direito, não neguei pegando o menino nos braços.
— Tia Bella, você quer jogar bola com a gente? O papai não pode fazer muita força com a perna por causa do dodói, você pode fazer força com a perna? – ele perguntou. E eu pude ouvir a risada de Edward.
— A tia Bella não sabe jogar bola, pequeno. – Edward falou sorrindo, ele se aproximou bagunçando ainda mais os cabelos do menino.
— Não? – Lucca perguntou.
— Acredite em mim rapazinho, não queremos que ela se machuque. – ele riu, provavelmente se lembrando das inúmeras vezes que tentou me fazer jogar com ele no chalé, eu sempre acabava com a cara na grama.
— Acho que seu pai tem razão pequeno. – dizer aquilo foi tão estranho. Pai. Edward Cullen era um pai. O meu ex namorado, o cara que me usou, que me fez sofrer, o homem que me deixou com traumas, o homem que eu mais amei nesse mundo era pai desse anjinho no meu colo; esse mesmo homem, estava agora dentro da minha cozinha, na minha casa em Forks, conversando comigo como se fossemos velhos amigos, como se nunca tivesse acontecido nada. Eu tinha que acabar com isso logo. – Aliás, tenho que guardar essas coisas e preparar meu jantar.
— A gente bem que podia jantar aqui, não é papai? – Lucca disse animado, meu sangue gelou. Edward com certeza percebeu meu desconforto. Seu sorriso alegre foi trocado por um sorriso amarelo, tinha algo diferente em seu olhar também, ele parecia... triste?
— Lucca! O papai já ensinou que é feio se convidar para comer na casa dos outros, além do mais a vovó vai ficar triste se não comermos a comida que ela preparou especialmente para nós. – ele explicou para o filho, que fez um biquinho adorável, e me fez quase considerar a ideia maluca de preparar um jantar para Edward Cullen.
— Ela vai chorar papai? – ele perguntou.
— Sim, vai ficar tão triste que vai até chorar. Você não quer ver a vovó chorando, né? – eu não podia negar que eu estava encantada vendo a forma com que Edward interagia com o filho. E involuntariamente me peguei imaginando se eu fosse a... Não! Nem pense nisso Isabella!
— Não, eu vou ficar triste se a vovó chorar. – ele respondeu ao pai se virando pra mim. – Você não vai chorar se eu for papá com a vovó, não é tia Bella? – ele perguntou colocando as duas mãozinhas em meu rosto.
— Claro que não meu amor. – disse beijando suas bochechinhas rosadas. Ele jogou os braços em meu pescoço me abraçando. Meu olhar encontrou com o do pai dele, que tinha seu sorriso perfeito novamente.
— Vamos? – ele estendeu os braços para o filho, que largou o meu pescoço e pulou para o colo dele.
— Nos vemos amanhã, meu anjinho. – falei para Lucca.
— Você vai passar o dia todo comigo? – ele perguntou sorridente.
— Sim, eu disse que ficaria. – Edward me olhou curioso. – Se seu pai deixar, é claro. – completei.
— Você deixa, não é papai? – ele perguntou olhando para o pai.
— Claro, bebê. – Lucca fez uma careta.
— Não sou mais um bebê, papai. – resmungou. Eu ri.
— Você sempre vai ser meu bebê, não importa quantos anos tenha, mocinho. – Edward falou brincalhão. A imagem que eu via em minha frente agora não condizia com a imagem do Edward que eu tive em minha cabeça por todos esses anos, nem mesmo com a do Edward dos sábados no chalé. Ele parecia o mesmo, mas, ao mesmo tempo, parecia tão diferente, uma outra pessoa.
Edward caminhou com o filho até a porta. Eu os segui. Assim que ele pisou no quintal, se virou pra mim.
— Foi muito bom te ver de novo, borboleta. – ele disse me lançando aquele sorriso torto.
— Boa noite, Edward. – foi tudo que eu consegui dizer. Não poderia dizer a mesma coisa, na verdade estava agindo meio que sem pensar, pois sei que assim que fechasse a porta eu pensaria de verdade em tudo que acabou de acontecer agora, e provavelmente surtaria.
— Boa noite. – ele respondeu.
— Até amanhã, tia Bella. – Lucca disse sorrindo.
— Até amanhã, amorzinho. – resisti a vontade de me inclinar para beijá-lo, pois ele estava no colo do pai, e eu teria que chegar muito perto, o que não seria bom.
— Então... vamos indo. – Edward deu alguns passos para trás e depois se virou caminhando em direção a sua casa conversando baixinho com o filho.
Eu fechei a porta. Me encostei na mesma e escorreguei até o chão apoiando a cabeça na madeira. Meu cérebro ainda trabalhava para entender o que acabou de acontecer. Tentava organizar os fatos. Depois de oito anos, eu estive frente a frente com Edward Cullen, o cara por quem eu fui apaixonada, o cara que me iludiu até ter o que queria e depois me humilhou.
Eu imaginei tantas e tantas vezes esse encontro, mas não foi como o esperado. Eu não o xinguei, não o ignorei, não o humilhei da mesma forma como ele fez comigo. Nós apenas agimos como se nada tivesse acontecido, como se fossemos velhos conhecidos que ficaram muito tempo sem se ver, apenas isso.
Eu imaginava que isso aconteceu devido a presença do Lucca, talvez se esse reencontro ocorresse longe da presença do menino teria sido bem diferente, eu com certeza não ficaria sem reação, talvez falasse algumas coisas que ficaram guardadas aqui dentro por oito anos. E isso me levava a outra coisa: Edward tinha um filho. Um filho! Por culpa dele eu não tive uma vida sentimental, por culpa dele eu não conseguia confiar nas pessoas, por culpa dele eu magoei alguém que realmente gostava de mim, enquanto ele seguiu em frente.
Provavelmente tinha se casado com alguma modelo famosa, tinha um filho que era a coisa mais linda e apaixonante do mundo, tinha uma vida perfeita, enquanto eu, depois de quebrada por ele, nunca mais consegui colar os pedaços.
Eu não sabia o que iria acontecer daqui pra frente, eu estava louca de amores por aquele garotinho, ele era a coisa mais encantadora desse mundo, havia até me pedido em namoro. Com certeza estava aprendendo a arte da conquista com o pai. Mas eu não conseguiria me afastar dele, o que eu sentia por aquela criança era estranho. Sempre amei crianças, fazia trabalho voluntário em algumas creches em LA, mas o carinho que eu sentia pelo Lucca era algo quase maternal, isso não me assustou no inicio, mas agora, sabendo de quem ele é filho, é tudo muito estranho. Era como se houvesse uma conspiração do mundo contra mim, pois estar perto do Lucca, consequentemente, significaria estar perto do Edward, e isso seria muito perigoso para mim. Pois é quase impossível se manter muito perto do fogo e não se queimar.
# Alice #
Forks estava estranha. Nem parecia a mesma cidade em que eu cresci. Eu havia chegado ontem e até agora nada de chuva. O tempo estava incrivelmente agradável com direito a céu azul e tudo, se a gente colocasse muita roupa dava até pra sentir calor. O verão estava chegando, e eu só me lembro de um que teve um tempo assim, o verão de 2007, foi um dos melhores da minha época de adolescente, foi o último que eu passei aqui, o último verão antes de ir para a faculdade. Foi naquele verão que eu ganhei o melhor presente da minha vida, minha filha.
Ficar grávida aos dezoito anos foi muito difícil, ainda mais quando se está sozinha. Meus pais surtaram quando eu contei da gravidez, mas no fim me apoiaram, como sempre fizeram com tudo relacionado a mim, meu irmão e minha prima. Mas eu não precisei de muita ajuda até a Megan nascer, eu continuei com meu curso de moda na Califórnia até o último mês. Quando minha bebê nasceu, eu voltei a Forks por uns meses e fiquei na casa dos meus pais até começar o próximo semestre, eu reabri a faculdade e a partir daí fomos só nós duas, e com a ajuda de algumas babás eu pude concluir minha faculdade e conseguir meu precioso emprego em Milão, um ano depois de formada.
Megan adorava a Itália, e falava mais italiano que inglês, nossa família era assim mesmo meio misturada, já que eu, meu irmão e Rose éramos brasileiros assim como a mamãe, porém eu e Edward nos mudamos para os EUA praticamente recém-nascidos e, apesar do tempo que moramos no Brasil, nossa cultura é toda americana, já a Rose teve a maior parte da sua educação no Brasil e só veio morar aqui praticamente na adolescência; papai era inglês, mas morava aqui desde os quinze anos, sem falar no meu sobrinho que era espanhol. E minha princesinha era praticamente uma italiana, e eu ainda não estava levando em consideração o fato do pai dela ser mexicano.
Era impossível olhar para minha filha sem pensar em seu pai. Eu carreguei aquela menina durante nove meses em minha barriga e ela não tem nada meu além do nariz. Um nariz! Megan tinha a pele naturalmente bronzeada como a do pai, assim como os cabelos e olhos cor de mel. Olhar para ela era olhar para uma versão feminina de Jasper. E não existia um dia em minha vida em que eu não me perguntasse onde será que ele estava.
Minha história com Jasper Whitlook foi muito louca, eu realmente gostei dele, de verdade. Mas parece que a gente se desencontrou, a vida nos fez seguir caminhos diferentes, só que ficou um pedacinho dele em mim, que mudou totalmente a minha vida e me fez ser uma mulher feliz.
Minha vida em Milão estava corrida, nesse começo de junho as passarelas estavam a todo vapor com a moda verão, eu não poderia ter vindo pra cá nessa época, mas eu vim. Eu vi nesse convite da minha antiga escola a oportunidade de dar um pai para minha filha. Tinha esperanças de que Jasper estivesse por aqui, eu queria resolver tudo de uma vez, não aguentava mais a cara de decepção no rosto da minha boneca toda vez que ela perguntava pelo pai e eu dizia que ela era uma produção independente.
Hoje ele poderia ter uma família, outros filhos, uma esposa. Sei que ganhar uma filha assim do nada seria um baque muito grande, mas Megan tinha direito, ela era uma criança maravilhosa, merecia ter o carinho de um pai. E eu sabia que ele se apaixonaria por ela assim que a conhecesse, ele era maravilhoso, um cavalheiro completo, na época do colegial era tímido e arredio, mas quando ele me permitiu conhecê-lo não tive outra reação senão me apaixonar perdidamente.
# Flashback On #
Eu estava incomodada. Ele havia se mudado há pouco mais de quatro meses, mas não conhecia outra cor de roupa que não fosse preto. Todos os dias as mesmas camisas e calças petras, ás vezes o negro era quebrado por um coturno marrom escuro, mas, ainda assim, faltava cor ali. Ninguém havia dito a ele que os tons claros estavam em alta essa estação?
Jasper Whitlook havia se mudado com seu pai para uma das poucas casas do conjunto militar perto da reserva aproximadamente quatro meses atrás, mas ele não tinha amigos por aqui ainda. E eu não entendia porquê, ele era um cara lindo, sem dúvida alguma, sua pele levemente bronzeada de que morou muito tempo no sul, seus cabelos eram num tom de mel adorável, ele os mantinha compridos quase até os ombros lisos meio ondulados, os olhos eram profundos e cor de mel, eles tinha o poder de deixar corada, sim, eu Alice Cullen corada. Só Jasper era capaz de fazer isso.
Eu levei vários dias pensando em como me aproximar dele, queria conversar, ser amiga dele. Mamãe dizia que eu sempre fui assim, tinha essa necessidade louca de ser amiga de todo mundo, ou melhor quase todo mundo, havia pessoas que eu não fazia questão nenhuma de fazer amizade, como o Newton por exemplo, eu não gostava nenhum pouco desse garoto.
Era hora do almoço e Jasper estava sozinho em uma mesa no refeitório da FHS, eu vi a oportunidade perfeita.
— Oi. – disse me sentando na sua frente. – ele me olhou curioso e ajeitou o corpo que estava esparramado na cadeira enquanto comia um pedaço de pizza.
— Oi. – ele disse depois de beber um gole de sua coca-cola.
— Você sabia que tons claros estão em alta nessa estação? – perguntei querendo puxar assunto e fazê-lo enxergar que tudo preto não era legal, mataria dois coelhos numa cajadada só.
— Como? – ele perguntou confuso.
— Você sabe... Deveria usar outras cores também, que tal azul? Você gosta de azul? – ele me olhava como se eu tivesse com uma melancia na cabeça, mas depois riu.
— Sério que você veio aqui me dar dicas de moda? – essa foi a maior frase que eu tinha ouvido ele falar, ele tinha sotaque sulista. Isso era tão fofo.
— Também... – dei de ombros.
— Pelo visto sua fama não é a toa. – ele riu.
— E então, por que tanto preto? – ele não tinha pircings nem tatuagens como aqueles roqueiros, apesar de ter uma moto.
— Talvez seja preciso se acostumar com a escuridão? – ele arqueou as sobrancelhas.
— Não entendi.
— Não é pra entender mesmo. – ele respondeu, agora parecendo distante.
— Mas então, quer ir fazer compras comigo? Podemos comprar roupas de outras cores para você, quem sabe colorir mais sua vida... – sorri pra ele. Ele me olhou incrédulo no inicio, mas depois balançou a cabeça e sorriu de volta.
— Depois da aula? – perguntou. Eu sorri vitoriosa.
— Será perfeito! – eu levantei da mesa saltitante, me aproximando dele jogando os braços em seu pescoço quase o fazendo cair da cadeira por falta de equilíbrio.
# Flashback off #
No dia seguinte Jasper, para a surpresa de todos, Jasper apareceu na escola usando jeans e uma camisa azul, nossa tarde de compras havia sido muito produtiva, ele era incrivelmente divertido e me surpreendeu com seu jeito cavalheiro de ser.
Desse dia em diante nos tornamos amigos, quase que inseparáveis. Nos conhecíamos tão bem que poderíamos adivinhar as respostas um do outro antes de serem pronunciadas. Não levou muito tempo para que eu me apaixonasse, ele era perfeito.
Mas infelizmente ele não me correspondia, para ele era só amizade mesmo, ele vivia dizendo o tempo todo que não poderia se envolver com ninguém, e eu não entendia porque, sabia que ele me escondia alguma coisa. Com o passar do tempo eu vi que não tinha chance, e guardei aquele amor dentro de mim, não queria estragar a nossa amizade. Até que chegou o dia do baile.
Eu sabia que dali a dois meses eu iria embora para califórnia e Jasper ia viajar pelo mundo, mesmo depois de receber sua carta de admissão em Julliard. Sim, ele tocava incrivelmente bem, quase todo o tipo de instrumento, isso sem falar na voz, mas o que ele fazia no saxofone era mágica.
Eu havia tomado alguns copos do ponche batizado, pois estava muito puta com meu irmão, que mesmo depois da produção que fiz na Bella ainda estava fingindo que nem a conhecia junto com sua turminha. Minha cabeça já estava meio leve, e foi então que eu tive a ideia mais louca de todas. Ideia essa que resultou numa coisinha loira de sete anos que amava princesas da Disney e futebol. Sim, eu tive mesmo a sorte de engravidar em minha primeira vez, aquele dia foi tão mágico que o resultado só poderia ser aquele anjinho que me chamava de mamãe.
Jasper aceitou minha louca proposta, tivemos uma noite maravilhosa, que felizmente não parou por ali. Não chegamos a nos declarar nem nada disso, apenas vivemos aquele momento, e os seguintes por quase um mês, sempre que nos encontrávamos dávamos um jeito de escapar e fazíamos amor, assim sem falar nada, apenas sentindo.
Mas teve uma noite que eu não aguentei, faltava pouco para eu ir pra faculdade e ele sumir no mundo, e eu disse que o amava. Eu percebi que ele se assustou, mas não disse nada. Depois daquela noite eu nunca mais vi Jasper Whitlook. Ele simplesmente desapareceu, sumiu no mundo, sem deixar endereço, ou um telefone pra contato. Nada.
E eu o procurei, muito, quando no primeiro mês da faculdade eu descobri que estava grávida. Mas não adiantou, ele sumiu sem deixar rastro, nem o pai dele, o Tenente Peter Whitlook, que ainda morava em Forks sabia do paradeiro do filho.
Ninguém da minha família ou qualquer outro sabia da paternidade da minha filha, meus pais viviam me perguntando no começo, mas eu nunca falei nada, e quem mais sofria com isso era Meg.
— Vamos acordar preguicinha! – falei entrando em seu quarto onde ela estava esparramada na cama com quase toda a coberta caindo no chão.
— Ainda é cedo mamãe! – ela resmungou virando de lado.
— Nada disso, já são dez da manhã e está um lindo dia. – disse indo em direção as cortinas, as abrindo. – Meg tapou os olhos com as mãozinhas.
— Só mais quinze minutinhos...
— Nada disso! Ontem a senhorita ficou fazendo farra com o Lucca até de madrugada. Tem que ter disposição pra acordar cedo também. – falei indo até a cama e pegando ela no colo com dificuldade, a menina era bem comprida e meu tamanho não ajudava muito, meu coração doeu ao pensar que mais alguns poucos anos e minha filha estaria maior que eu. Coloquei-a de pé no banheiro, retirei seu pijama e ela correu pra box, liguei o chuveiro para ela que ainda não dava altura, e fui até a bancada colocando pasta na sua escova de dentes e entregando a ela. – Se lave direitinho, vou pegar sua roupa.
— Tudo bem, mamãe. – ela resmungou com a escova na boca.
Depois de arrumar a Meg desci as escadas e encontrei minha família reunida na mesa do café. Todo mundo, era tão bom ter isso de novo, me lembrava tanto da minha adolescência. Meu sobrinho já falava pelos cotovelos.
— Edward, como conseguiu tirar essa criaturinha da cama a essa hora e ainda com essa disposição? – perguntei bagunçando os cabelos do pequeno.
— Na verdade ele nem me deixou dormir direito. – meu irmão falou. – Estava muito ansioso.
— Ansioso por quê? – quis saber.
— Eu vou passar o dia na casa da minha namorada. – o pequeno disse sorrindo.
— Namorada? – eu perguntei confusa, o Edward riu.
— Você nem imagina de quem ele está falando. – meu irmão disse me deixando curiosa.
— Posso saber que namorada é essa?
— É a tia Bella, ela mora aqui do lado, ontem a tia Rose levou eu e a Meg na casa dela, e a noite o papai e eu ajudou ela com as compras. – ele explicou num folego só.
— Interessante... – disse olhando pro meu irmão. Que eu saiba ele nunca mais teve contato com a Bella depois do que aprontou. E aquilo foi pesado, fiquei dias sem falar com ele depois daquilo.
— É, foi muito interessante. – Edward disse sorrindo.
— Eu ainda estou surpresa por ela não ter expulsado fosse de lá a vassouradas. – a Rose comentou.
— Acredite, eu também. – comentei.
— Ela não faria isso na presença do Lucca. – Rose acrescentou.
— É verdade.
— Ei, podemos mudar de assunto? – Edward pediu, notando a cara de confusão das crianças e também de nossos pais.
— Eu não estou entendo nada. – mamãe falou. – Edward teve algum desentendimento com a Bella na época do colegial? – Edward bagunçou os cabelos, desconfortável. – Eles mal se falavam.
— Não, eles namoravam. – eu expliquei.
— Como eu nunca fiquei sabendo disso? – dessa vez foi o papai quem falou.
— Papai você já namorou a tia Bella? – Lucca perguntou confuso.
— Isso foi a muito tempo, pequeno. Agora, vocês podem mudar de assunto? – Edward estava mais que desconfortável, eu podia ver nitidamente a tristeza em seu olhar. É eu e meu irmão não tivemos mesmo muita sorte no amor.
— Bom dia, meu povo! – Emmett entrou na sala de jantar animado.
— Tio memet, eu tenho uma namorada! – vi Edward afundar em sua cadeira.
Depois do café da manhã agitado em família. Eu resolvi dar um passeio pela cidade, ver como andava a moda por aqui. Meg não quis vir comigo preferiu ficar na piscina com a Rose.
Eu andava distraída pela calçada, olhando pelas vitrines do mais novo centro de compras de Forks, bem, eu não sabia há quanto tempo aquelas lojas estavam ali, mas sabia que na época em que eu morava aqui, se quisesse comprar um chinelo que seja tinha que dirigir por uma hora até Portland.
E até que as lojinhas eram legais, nada comparado às lojas de Milão ou de Paris, mas em nível de Forks tava é bom demais. E foi pensando na evolução de Forks que eu esbarrei em alguém.
Eu quase caí para trás, mas braços fortes me seguraram.
— Você está bem? – assim que ouvi aquela voz, paralisei. Então eu reparei no homem que segurava em minha cintura, era ele. – Moça?
— Jasper? – Ele me soltou assim que eu falei seu nome, eu já tinha recuperado meu equilíbrio e consegui me manter em pé. Era mesmo ele, não tinha mudado muita coisa, só tinha ganhado corpo, não era mais aquele garoto magricelo. Mas tinha algo diferente em seu rosto.
— Alice? É você? – ele perguntou. Será que ele não estava me reconhecendo? Eu não tinha mudado nada praticamente, só o cabelo que estava um pouco mais comprido. Foi então que eu reparei na bengala que estava caída no chão ao meu lado, era uma bengala para cegos. Olhei novamente para seu rosto, que estava virado em minha direção, mas seu olhos, os olhos que sempre me encaravam profundamente estavam sem foco. Eu ofeguei.
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