O Reencontro
8 As coisas estão direntes
Notas iniciais
# Jasper #
— Você está inspirado hoje Jazz. – Maria disse assim que terminei de tocar mais uma música ao piano.
— Eu não sei porquê, mas acordei feliz hoje. – sorri. – Sei lá, o dia está mais bonito.
— O dia está mais bonito? – ela perguntou divertida.
— Sim, não é porque eu não posso ver, que eu não consiga sentir essa aura positiva. – respondi dando de ombros. E pude ouvir sua risada.
— Esse seu jeito diferente me encanta. – ela disse e se aproximou tocando meu ombro, e fazendo carinho ali.
— Diferente?
— Sim, você é tão alegre, de bem com a vida... Mesmo não enxergando consegue perceber mais coisas que eu. Sabe, a mulher que conquistar seu coração será uma sortuda! – Lá vem ela de novo...
— Não sei onde está a sorte e namorar com um cara limitado. – resmunguei.
— Você é tudo, menos limitado, Jasper! – tinha quase certeza que ela tinha uma careta no seu rosto agora. – Você sabe que se você me desse uma chance...
— Por favor, não comece, Maria.
— Você não pode ficar sozinho pra sempre...
— Eu não posso é ser um peso na vida de alguém.
— Jazz...
— Preciso tomar um ar. – peguei minha bengala e caminhei em direção a porta da loja.
Maria vinha demonstrando interesse por mim há algum tempo e eu sinceramente não entendia sua sisma comigo. Ela era uma mulher interessante, com certeza podia ter qualquer cara legal que quisesse. Mas colocou na cabeça que me queria, mas eu não estava disponível, nem agora e nem nunca, pois não queria ser um peso na vida de ninguém. Maria poderia estar satisfeita comigo agora, mais e depois? Com o tempo ela iria querer casar, ter filhos, como eu poderia ter filhos, se nem poderia ver o rosto deles?
Foi por isso que fugi de Forks há oito anos. Eu já tinha recebido a minha herança familiar. Ou seja, já havia sido diagnosticado com glaucoma, doença que descobri ser muito comum na minha família materna. O médico não me deu muitas esperanças de cura, em outras palavras eu estava perdendo a visão aos poucos e ficaria cego em breve. Lembro-me exatamente das palavras dele: “Você ainda é jovem Jasper, vá, viaje pelo mundo, veja tudo o que desejar ver agora, antes que tudo fique escuro.” E foi o que eu fiz, quando saí daqui. Conheci quantos lugares eu fui capaz, estive em diversos países, apreciei as mais belas paisagens, os verdadeiros milagres da natureza, que muita gente via todos os dias, mas não sabiam apreciar. Com a escuridão cada vez mais próxima, eu aprendi a ver beleza nas pequenas coisas. Gosto de pensar na minha mente hoje como um imenso álbum de fotografias. Faço questão de não esquecer nenhum detalhe, por isso lembro deles todos os dias.
Mas a escuridão chegou inevitavelmente, já faz mais de dois anos que a luz abandonou os meus olhos.
Eu não costumo reclamar muito da minha sorte, consegui me adaptar bem. Hoje consigo fazer quase tudo sozinho, quase não dou trabalho para o meu pai, com quem voltei a morar quando tudo apagou. Tenho minha loja de música, e ainda consigo tocar os meus instrumentos, fazer minha música, então, apesar da cegueira, eu posso dizer que sou um homem realizado. Não preciso de mais nada, e isso inclui uma namorada, mas ao que parece minha funcionária não entende isso. Maria era meu braço direito na loja, ela, literalmente, meus olhos naquele lugar, mas há alguns meses começou a tentar criar laços além dos profissionais comigo e eu não queria isso. Estava decidido a nunca mais me envolver romanticamente com alguém, é claro que eu não virei um celibatário, mas ela queria mais, aquele mais, e isso eu não podia oferecer. Eu já desejei muito poder ter esse 'mais' no passado, mas abri mão disso. Não há um único dia que eu não me lembre do rosto de Alice Cullen.
# Flashback On #
Ah, o baile de formatura! Aquela típica festa colegial, tradição americana, a data pela qual as meninas esperavam o ano todo, na a esperança de ganharem a cobiçada coroa de rainha do baile, e que os meninos aguardavam ansiosamente contando que teriam sexo no fim da festa. Sinceramente, eu não sabia o que eu estava fazendo aqui. A música era ruim, a iluminação estava incomodando minha visão e as pessoas presentes estavam dançando muito mal. Porque será que eu não tinha a capacidade de dizer não a Alice? Ela praticamente me arrastou até aqui, isso claro depois de me produzir como se eu fosse o Ken, só que humano. Mas eu sabia muito bem porque não conseguia dizer não pra minha baixinha, coisas de homem apaixonado. Sim, eu estava louco por ela e isso não era bom. Venho notando que ela também parece gostar de mim da mesma forma, o que só complica as coisas, já que não podemos ficar juntos.
Eu estava perdendo a visão, em alguns anos estaria cego, e não queria ser abandonado no futuro, eu não seria um cara normal, a minha deficiência não permitiria que eu fosse o homem completo que Alice merecia, então era melhor nem começar algo que eu sei que não poderia durar pra sempre.
Mas ela estava tão linda essa noite. Mais do que das outras vezes, parecia uma princesa, tão delicada... Ela estava em uma mesa conversando com algumas meninas, enquanto eu estava sentado num canto mais tranquilo do salão. E como se tivesse adivinhado que meus pensamentos estavam nela, levantou-se e veio em minha direção.
— Jazz, eu preciso muito de um favor seu! – ela disse meio afobada.
— Que tipo de favor? – perguntei curioso.
— Vamos conversar lá fora! – ela pegou minha mão e praticamente me arrastou, não dando tempo nem de eu responder. Ela parou assim que chegamos próximos a seu carro, que estava no estacionamento ao lado do salão.
— Por que me arrastou até aqui?É algo sério? – estava curioso.
— Digamos que um assunto delicado... – ela corou. Alice Cullen não corava, isso estava ficando estranho.
— Fale logo, Alice.
— Então... você conhece a tradição, não é?
— Que tradição?
— Do que acontece depois do baile de formatura...
— Do que você está falando, Alice. Seja mais clara. – esse papo estava muito estranho.
— Olha, o negócio é o seguinte, a maioria do pessoal que veio ao baile está em casal, o que significa que vão fazer sexo quando a festa acabar, ou talvez durante, mas eu não tenho um par, e sou virgem. Sabe, Jazz, sou muito apegada as tradições. Isso significa que eu preciso transar essa noite. – eu estava em choque. Como ela podia despejar isso em cima de mim? Ela me chamou aqui para ajudá-la a arrumar um cara para tirar sua virgindade ou eu estou ficando doido?
— Alice, isso é loucura. Você não deve ter sua primeira vez com qualquer um, tem que ser especial, e isso que você está querendo não faz sentido. – tinha que tirar essa ideia maluca de sua cabeça, se dependesse de mim, ninguém tocava nela essa noite, e nem em qualquer outra.
— Mas não vai ser com qualquer um! É aí que você entra! Literalmente... – e deu uma risadinha.
— Eu não estou entendendo Alice.
— Você é muito lento Jasper! Eu estou dizendo que quero que você tire minha virgindade, esta noite. – eu paralisei. Eu realmente estava ficando louco. Ela estava mesmo me propondo sexo?
— Alice, eu... err...
— Você não me quer? É isso? Não estou te pedindo em namoro, você é meu melhor amigo, pensei que seria a pessoa perfeita, mas se não quer eu posso... – ela parecia muito decepcionada.
— Ei, não é isso! – me aproximei segurando seu queixo levantando seu rosto. – Eu só fiquei surpreso. – e como...
— Então você quer?
— Você não imagina o quanto! – e nossos lábios logo se uniram.
# Flashback off #
Aquela foi uma das melhores noites da minha vida. Foi mágica, Alice era tão perfeita pra mim. Nós tivemos algumas outras noites juntos, mas a primeira foi realmente um momento inesquecível, daqueles que deixam marcas. Tudo ia muito bem, até o momento que ela disse que me amava. Aquilo foi a melhor coisa que eu ouvi em toda minha vida, mas também foi a pior. Eu não era bom o suficiente para ela, em breve não poderia mais enxergar, não seria mais o mesmo homem por quem ela se apaixonou, e as coisas mudariam bastante, não queria ser um estorvo, eu a amava demais pra isso. Foi então que arrumei minhas malas e sumi no mundo. Nunca mais tive notícias de Alice Cullen, até voltar para Forks há pouco mais de dois anos.
Esme Cullen era uma frequentadora assídua da minha loja, ela adorava música clássica e vinha sempre comprar aqui. Uma vez ela comentou sobres os filhos, e disse que a Alice era uma estilista conceituada em Milão, eu fiquei muito feliz em saber que ela tinha conseguido realizar seu grande sonho.
Eu estava distraído na calçada em frente a loja quando senti alguém esbarrar em mim, e por reflexo segurei a pessoa para que ela não caísse. Pude perceber que se tratava de uma mulher, bem pequena por sinal.
— Você está bem? – perguntei. A ouvi respirar fundo, mas ela não disse nada. Será que tinha se machucado? – Moça? – insisti.
— Jasper? – a soltei assim que ela falou meu nome. Não podia ser! Eu reconheceria essa voz em meio a uma multidão gritando.
— Alice? É você? – perguntei, ainda sem acreditar.
— Oh meu Deus! – ela disse um tempo depois. – É você mesmo! Mas você... você... – eu sorri amargamente, com certeza ela já tinha percebido.
— É uma grande surpresa encontrar você aqui.
— Ai, me desculpa, eu não vi você! Estava tão distraída, é que Forks tem lojas agora e...
— Tudo bem, não precisa se desculpar, não foi nada. – sorri pra ela. O fato de estar perto dela novamente era surreal.
— Tem certeza? – ela perguntou.
— Claro, eu sou o mesmo Jasper de sempre, apesar dessa pequena mudança. – apontei para os meus olhos. – Você pode me ajudar a achar a bengala, por favor?
— Oh, claro. – logo ela estava colocando o objeto em minha mão, me fazendo sentir uma descarga elétrica quando nossas peles se tocaram.
— Obrigado.
— Não precisa agradecer, fui eu que tombei.
— Foi só um acidente. Ou quem sabe destino...
— Destino? – ela perguntou. Ainda parecia abalada, isso já havia acontecido antes, quando eu retornei pra Forks, as pessoas ficavam meio espantadas quando perceberam que eu não enxergava mais.
— Estava pensando de você agora pouco.
— Sério?! Em que?
— Apenas algumas boas lembranças...
— Por que você sumiu? Desapareceu sem nem me dar tchau... – ela estava irritada agora, o tom da sua voz deixava isso bem claro.
— Acho que você deve imaginar porquê... – sorri amarelo.
— Você poderia ter me falado... – seu tom era magoado.
— Jazz, está tudo bem? – ouvi a voz de Maria quase ao mesmo tempo que senti seu braço segurar o meu.
— Sim, está tudo bem. Maria, essa é Alice Cullen, Alice, essa é Maria Ferraz.
— Cullen? Você é a filha dos doutores, não é? A estilista famosa? – Maria perguntou empolgada.
— Sim, sou eu. Muito prazer. – houve um instante de silencio. – Jasper, eu preciso ir agora, a gente se v... se encontra por aí... – e eu ouvi seu passos se distanciando rapidamente.
Eu pensei que estava tranquilo quanto a minha decisão de viver só, mas não esperava que esbarraria com Alice em uma calçada. Tudo aquilo que eu sentia por ela voltou, com força total, pena que agora as coisas não eram mais as mesmas, eu não era o mesmo.
# Rose #
Estava fazendo calor em Forks, isso era raro, então assim que acabamos o café, tia Esme deu a brilhante ideia de passarmos o dia na piscina. Quase todo mundo pulou fora, só restando eu, Megan e Emmett, o que me deixou um pouco desconfortável.
Emmett McCarty, era o melhor amigo de Edward e atualmente trabalhava como seu assessor. Chegamos a ser amigos no colegial, mas aí ele começou a querer mais que amizade, e eu me afastei. Assim, não que desse pra me afastar dele, já que ele praticamente morava na minha casa, mas nossas conversas diminuíram, e eu tentava ao máximo fugir dele.
Agora, observando ele brincar com Megan na piscina, pude perceber que ele não havia mudado muita coisa. Era um homem realmente muito bonito, coisa que já era na época da adolescência e, por mais que o jeito brincalhão permanecesse o mesmo, eu podia notar um quê de maturidade em sua expressão.
Emmett só queria saber de brincar e ficar com todas as meninas da escola durante o colegial, e foi isso que me fez fugir dele naquela época, não queria ser apenas mais uma conquista, mais um rostinho bonito que completaria seu álbum de figurinhas. Mas olhando o Emmett de hoje, penso que talvez devesse me arrepender de ter negado suas investidas, tudo seria diferente se eu ao menos tivesse ficado com ele, eu poderia ter alguma experiência e não me deixar ser iludida por aquele crápula do Royce. Eu tinha tanta raiva de mim mesmo por causa disso.
— Ei, algum problema, anjo? – Emmett sempre me chamou de anjo, o que sempre me fez corar.
— Só pensamentos desagradáveis. – respondi me virando para ele, que estava próximo a mim na parte mais rasa da piscina.
— Está um lindo dia, não dixe pensamentos ruins tomarem conta da sua cabecinha.
— Cadê a Meg? – percebi que ela não estava mais ali.
— Foi pegar um lanche, você sabe, criança tem fome toda hora.
— Sei bem como é.
— E então o que tem feito da vida? – ele quis puxar conversa.
— Bem, o Edward deve ter comentado com você que eu moro em L.A.
— Sim, ele falou. E só não pergunto se você é uma estrela de Hollywood, porque lembraria se tivesse te visto em algum filme. – eu ri sem graça.
— Não, sou apenas uma professora primária.
— Sério? Ensina o que? – ele pareceu interessado.
— História e Geografia.
— Isso é bem legal. Eu até pensei em cursar geografia, mas achei que era mais a minha cara conhecer o mundo pessoalmente do que através de um mapa, aí fiz RI.
— E você conheceu? Você viajou pelo mundo? – me interessei.
— Sim, por algum tempo, mas não dá pra conhecer tudo. Conheci alguns lugares bem legais, como China, Austrália, Índia, Brasil...
— Você foi ao Brasil? – o interrompi. Tinha muita vontade de voltar ao meu país algum dia, mas pelo que eu acompanho pelas notícias, lá não está sendo um lugar bom para se viver no momento.
— Sim, eu fui, foi ano passado, na copa do mundo, seu primo não pode jogar, mas fomos em muitos jogos.
— Você conheceu o Rio então?
— Sim, lá é realmente muito bonito, é muito incrível ter aquela paisagem natural toda numa grande metrópole.
— Sim, é lindo, eu tenho saudades de lá. – apesar de todas as perdas, eu tinha ótimas lembranças na minha infância no Rio.
— Então, da próxima vez que eu for, vou te chamar pra ir junto, nada melhor que uma carioca como guia. – ele estava mesmo me chamando para viajar com ele?
— É quem sabe. – disse sem graça.
— Sabe, Rose, é muito legal poder conversar com você sem você inventar uma desculpa e sair correndo. – ele disse divertido.
— Sair correndo?
— É, como na época do colegial. – ele riu.
— Nossa, eu pensava que era sutil. – sorri.
— Acredite, não era nem um pouco. Por que fazia aquilo? – por que ele tinha que me fazer esse tipo de pergunta?
— Você sabe bem o porquê, Emmett. – respondi um pouco corada.
— E eu ainda não entendo porque não me deu uma chance. – ele fez bico.
— Nós éramos tipo amigos, mas você confundiu as coisas só porque eu era uma adolescente bonitinha. – dei de ombros.
— Ei! Primeiro, não diga que você é bonitinha. Pelo amor de Deus! Você é a mulher mais linda dessa cidade, e provavelmente do país. Mas apesar disso não foi a sua beleza que me chamou atenção naquela época, aliás, não é só sua beleza que me chama atenção agora. – ele disse pegando um fio de cabelo caído em meu rosto e o colocando atrás de orelha.
Eu não sabia o que dizer. Suas palavras, seus gestos, sua proximidade repentina me deixavam confusa, como nunca antes.
— Tia Rose, tio Emm vocês querem sanduíche? – Meg chamou nossa atenção parando perto da piscina, fazendo Emmett se afastar e eu tomar um susto.
— Claro princesa. Estou com fome. – Emmett disse saindo da piscina e indo até a mesa que tinha ali perto onde estava o lanche.
Eu fiquei pra trás ainda tentando controlar minha respiração. Assim que saí na piscina Meg se aproximou.
— Tia Rose, vocês estavam namorando? – ela sussurrou, me assustando com o teor da pergunta.
— Não, claro que não! – tratei logo de negar.
— Hum, pensei que tivessem, estavam tão pertinho... mas quer saber de uma coisa? Vocês formam um lindo casal! – e saiu saltitante para onde o Emmett estava.
— Também acho, priminha! – Edward, que saiu não sei de onde, falou isso em meu ouvido, antes de mergulhar na piscina espalhando água em volta.
Eu e Emmett? Será?
# Edward #
— Posso ir agora papai? – Lucca perguntou ansioso.
— Ainda é cedo pequeno, a tia Bella deve ter coisas para fazer. – expliquei.
— Mas ela falou que eu podia ir papai! – ele falou manhoso, usando aquele tom de voz de quando queria alguma coisa.
— Tudo bem bebê, o papai vai levar você. – me dei por vencido. Na verdade, eu estava ansioso, queria muito ver minha borboleta de novo. Vê-la ontem foi maravilhoso, eu sentia como se tivesse completo novamente. Era algo inexplicável, depois de tantos anos sem vê-la, sem saber qualquer coisa de sua vida eu me sentia o mesmo em relação a ela. Completamente apaixonado. E ela estava tão linda... Não era mais a menina que eu perdi há oito anos, Bella era uma mulher, uma linda mulher.
— Oba! – ele comemorou, correndo porta a porta.
Minha família estava dispersa, cada um com seus afazeres. Alice havia saído, Rose e Meg estavam na piscina, o metido do Emmett também estava lá e mamãe e papai tinham ido trabalhar. Eu levaria o Lucca até a casa da Bella e depois não sabia o que faria, quem sabe uma volta, ou quem sabe a Bella não me deixava passar o dia com eles, isso era o meu sonho realizado.
Vê-la interagindo com o meu filho ontem a noite foi maravilhoso, tudo que eu sempre quis foi tê-la ao nosso lado, eu sempre nos imaginei como uma família, todas as vezes que eu tinha que me virar sozinho com o Lucca, a cada fase do crescimento dele, eu me imaginava tendo uma família completa. Eu imaginava que eu poderia ter me casado com Isabella, nós criaríamos o Lucca juntos, talvez pudéssemos ter mais filhos, seria perfeito, mas infelizmente nem tudo é como queremos, sempre fomos só eu e ele, desde o começo.
Caminhei pelo quintal entrando no quintal do vizinho segurando a mão do meu filho, até que cheguei em frente a sua porta. Respirei fundo.
— Papai, toca a campainha, eu não consigo.
Eu o fiz. Instantes depois Bella abriu a porta, ficando surpresa ao me encontrar ali.
— Bom dia, tia Bella! – Lucca cumprimentou animado chamando sua atenção. Ela imediatamente abaixou e o pegou no colo.
— Bom dia, borboleta. – cumprimentei, o que fez ela me encarar.
— Lucca, eu estava assistindo Bob esponja, você gosta? – ela perguntou ao meu filho.
— Gosto muitão. – meu garoto respondeu.
— Que bom, vai indo lá na sala que eu vou conversar um pouquinho com seu pai. – ela disse pondo-o no chão, e me dando um aceno rápido ele saiu correndo pra dentro da casa. Eu engoli em seco.
Eu deveria estar feliz que ela queria conversar comigo, mas a encarada que ela me deu não me deixou muito confiante.
— Primeiro, Cullen. Meu nome é Isabella, ou se preferir pode me chamar de promotora Swan, então sem apelidos, ok?
Eu apenas acenei com a cabeça.
— Ótimo. Agora, eu gostei muito do seu filho, mesmo o conhecendo ontem, e pelo jeito foi recíproco, mas isso não significa que vou te tratar como se fossemos velhos amigos, porque não somos. Infelizmente, não dá para esquecer que você me fez de idiota uma vez, mas precisa saber que não vai fazer de novo. Naquela época eu era uma garotinha boba de interior, mas eu não sou mais. Aquela Bella não existe mais. Estamos entendidos? – ele terminou seu discurso e aguardou minha resposta.
— Si.. sim. – gaguejei.
— Perfeito! – e bateu a porta na minha cara.
Eu continuei parado, sem reação em frente a porta fechada. Ela tinha razão. Não era a mesma, a minha borboleta jamais bateria a porta na cara de alguém, ou falaria daquele jeito comigo. Dois sentimentos me abateram: Desanimo, pois ela não queira conversa comigo e tudo que eu mais queria era passar o máximo de tempo possível perto dela e paixão, pois se eu amava a antiga Bella, todo tímida e menininha nerd, eu havia ficado louco pela promotora Swan, a mulher forte e decidida.
Então, ali mesmo, ainda encarando aquela porta fechada, eu tomei uma decisão. Eu não ia perdê-la de novo, faria tudo certo dessa vez, mais não deixaria essa chance passar.
# Bella #
Meu dia estava sendo incrível! Eu nunca pensei muito em ser mãe, mas a presença de uma criança em casa deixava tudo mais alegre. E o Lucca era uma criança especial.
Passamos a manhã assistindo desenhos, fiz um almoço pra gente, enquanto o ouvia me contar suas histórias, que eram divertidas e incluíam sempre ele e o pai, as vezes Emmett ou os avós, mas em momento algum ele mencionou uma mãe, coisa que eu achei bem estranha.
Depois da sobremesa ele desmaiou no meu sofá, era tão lindo dormindo, parecia um anjinho. Depois de observá-lo por um tempo, acabei cochilando no tapete.
— Tia Bella, acorda! – senti algo me sacudindo.
— Hummm – resmunguei virando de lado, me sentindo um pouco dolorida.
— Vamos, preguicinha! Se eu vou fazer cosquinha.— senti as mãos pequeninas em meu pescoço. Mas o que me fez abrir os olhos foi uma risada que eu conhecia muito bem.
Edward estava parado próximo ao sofá, e me olhava com uma expressão divertida.
— Ah meu Deus! – me levantei imediatamente usando o sofá como apoio.
— Desculpe ter entrado assim, é que eu chamei, mas ninguém atendeu e a porta estava destrancada...
— Tudo bem, acabamos pegando no sono. – tentei ajeitar os cabelos que eu sabia que não estavam nada legais.
— Eu achei que já estava na hora de conferir se você ainda estava viva, essa criaturinha aqui não é nada fácil. – ele alisou os cabelos do filho que estava parado a sua frente.
— Não, ele foi um amor. – era muito estranho conversar assim com Edward depois de todo esse tempo, ainda mais depois do que eu falei com ele essa manhã.
— Que bom! Fico realmente feliz sabendo que consegui fazer um bom trabalho como pai. – ele sorriu. Droga de sorriso perfeito!
— Ele é um anjinho! – sorri para aquela criaturinha fofa.
— Viu, papai? Eu sou um anjinho! – Lucca disse animado.
— Pena que não é assim comigo sempre, né moleque?! – ele fez uma carinha de sapeca com o comentário do pai.
— É tudo culpa do tio Memet!
— Tá vendo só? – ele disse divertido. – Vamos filho, está na hora de se despedir da tia Bella.
— Já? – Lucca perguntou fazendo bico.
— Você não pode ficar aqui o dia todo, filho.
— Por que não? Tia Alice disse que vocês eram namorados, você podem namorar de novo, aí a gente podia morar aqui, né papai? – eu gelei ao ouvir aquilo, não imaginava que o Lucca poderia saber dessa história do passado. E além do mais, senti uma coisa muito estranha com a sugestão do garoto.
— Desculpe por isso, Isabella. – Edward disse claramente sem graça. Hum, e ele estava me chamando de Isabella agora. Confesso que apesar de ter sido uma exigência minha, era estranho não ser chamada pelo apelido de sempre.
— Não tem problema. – dei de ombros.
— Nós já vamos. Filho dê tchau a tia Bella.
Lucca veio correndo e abraçou minhas pernas.
— Tchau, tia Bella. Mas tarde eu volto.
— Ei, calma aí rapazinho. A tia Bella também tem coisas pra fazer. – Edward explicou. Eu confesso que por mim eu ficaria vinte e quatro horas com aquele menino sem problemas. – Mas tenho certeza que ele pode arranjar um tempinho para atravessar o quintal e nos fazer uma visita a qualquer hora ele completou. – eu sorri amarelo.
— Claro. – confirmei, fazendo pai e filho sorrirem.
Depois que eles foram embora, deixei meus receios de lado e resolvi dar um passeio por Foks. Ao andar pelas costumeiras estradas com o possante carro alugado, em vez de com a antiga caminhonete do meu pai, que chegava no máximo a 80 km por hora, eu acabei me empolgando um pouquinho. Com uma amiga na faculdade aprendi a gostar de carros, estava morrendo de saudades do meu bebê que ficou em LA.
Porém eu havia me esquecido de um detalhe. Os limites de velocidade em Forks eram ridículos, então qual não foi a minha surpresa ao ser abordada por uma viatura da polícia local. Meu pai não ia ficar nada satisfeito.
Encostei o carro e desliguei o veículo abrindo a janela. Pelo retrovisor pude ver o policial descer da viatura, e ele me pareceu familiar.
E, quando ele parou em minha janela, eu fiquei muito surpresa.
— Jake? – ele me olhou confuso. Eu tirei os óculos. – Não está me reconhecendo?
— Bella! Nossa quanto tempo! – ele sorriu. Eu abri a porta e desci do carro.
— Sim, faz muito tempo, realmente. Estou surpresa por você ser um policial? – comentei.
— Minha fase rebelde não ia durar pra sempre. – ele riu. – Mas eu é que estou surpreso por você ultrapassar o limite de velocidade, Promotora Swan.
— Ah, me desculpe. É que eu me empolguei. Sabe, a última vez que eu dirigi aqui foi naquela caminhonete igual a uma tartaruga. Você pode me dar uma multa se quiser.
— Realmente era muito irritante dirigir aquela lata velha. Aliás, não vou te multar, fala sério, 60 km/h numa estrada deserta! Só te parei porque o carro era estranho por aqui, nunca se sabe, né?
— Sim, eu entendo.
— Então, veio para o reencontro da FHS? – ele perguntou.
— Sim, recebi o convite há alguns dias, e estou aqui. – dei de ombros. – Mas me diz como sabe que eu sou promotora? – fiquei curiosa.
— Sabe, Bella, apesar de não morarem mais perto um do outro, nossos pais continuam como duas velhas fofoqueiras. – eu ri. Charlie e Billy não mudavam.
— Imagino.
— Então, eu tenho que continuar a patrulha. Mas a gente se vê no evento amanhã, certo?
— Claro. – confirmei.
Continuei dirigindo a esmo por um tempo, pensando um pouco nos últimos acontecimentos desde que cheguei aqui. Primeiro o reencontro com Edward, o Lucca, agora Jacob, que me surpreendeu muito tendo tomado o rumo da lei. Isso me fez pensar em como será que estavam os meus ex-colegas de turma.
Depois de um tempo dirigindo eu resolvi parar no parque no centro de Forks, era um lugar bonito, mas como sempre chovia aqui, costumava ficar todo cheio de lama, porém com o tempo agradável de hoje estava com bastante gente passeando.
Caminhei um pouco observando o lugar e as pessoas, até que algo me chamou atenção. Uma mulher, chorando, sentada debaixo de uma árvore, eu a reconheci. E logo me preocupei, pelo que conheci dessa pessoa durante minha infância e adolescência ela quase nunca chorava. Me aproximei.
— Alice?
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