Notas iniciais
Ei, pessoas... Olha eu aqui cumprindo prazos haha aproveitem que isso é raro. Bom, chegamos ao penúltimo capítulo de OR. Ele não ficou muito grande, por mais que eu esteja inspirada e conseguindo atualizar com frequência eu não estou tão reconectada com a história para capítulos grandes. Esse capítulo é bem esclarecedor, acabou o mistério, conheçam a história da mãe do Lucca.

Edward

Quando eu acordei naquela manhã eu já era um dos homens mais felizes da face da terra. A noite com Bella havia sido perfeita, nossa memória pós-baile refeita para um lembrança feliz. Eu sinceramente não sabia como seria dali pra frente, nós tínhamos nossas vidas, carreiras, compromissos, mas apesar de qualquer coisa eu tinha uma certeza: nós ficaríamos juntos, não importava onde ou como, mas eu não pretendia me afastar de Bella um segundo sequer.

Mas nunca, nem nos meus dias mais esperançosos eu podia imaginar que poderia ficar ainda mais feliz naquela manhã, mas aquela ligação mudou tudo. Quando eu vi a ligação de Carmen fiquei assustado, quando eu não estava por perto ela sempre me mantinha atualizado por mensagens, porém era raro uma ligação, a não ser que tivesse acontecido algo importante.

— Ela acordou, Edward! ‒ foi a primeira coisa que ouvi.

Primeiro veio o choque, pelo impacto da notícia; depois a dúvida, poderia ser apenas mais um sonho como muitos que já tive sobre; depois o choro, quando pude constatar que era mesmo real, tudo era real, eu estava ali com Bella e uma das pessoas que eu mais amava no mundo finalmente poderia conhecer o filho. Tudo o que eu podia pensar era em ir até ela, eu precisava vê-la, tocá-la, precisava ter certeza que não era mesmo um sonho. Ainda me lembrava de tudo como se fosse ontem, de como depois de anos longe de casa, com Bella me odiando, Dolores Ruiz me deu um motivo para sorrir verdadeiramente.

***

Eu ainda estava me adaptando a vida na Espanha, há poucos meses havia sido contratado pelo time em que eu sempre havia sonhado em jogar desde que era uma criança, eu deveria estar radiante com isso, até fiquei por um tempo durante o processo de transição, mas, passados os primeiros meses, o baque de estar sozinho num país estranho, longe da família e amigos se fez presente.

Eu ainda tinha meus avós paternos, tios e primos na Inglaterra, e por mais que eu morasse sozinho eu sempre tinha alguém por perto. Aqui a pessoa mais próxima a mim era Alice que tinha se mudado há um ano para a Itália, era mais perto que os EUA, mas ainda assim era outro pais. Sem falar que a Alice tinha a Megan, ela não estava sozinha como eu.

Minha mãe sempre dizia que eu deveria arrumar uma namorada. Como se isso fosse fácil para mim! Isso pode soar ridículo vindo de um jogador de futebol consideravelmente famoso e bonito o suficiente para estar em algumas campanhas publicitárias, mas arrumar uma namorada para mim era impossível, eu já havia desistido depois de inúmeras tentativas falhas.

A garota que eu realmente queria não estava aqui, e não queria me ver nem pintado de ouro. Eu era um grandessíssimo idiota e havia sido capaz de perder a única garota que eu amei na vida. Eu não tinha culpa diretamente na maneira desastrosa como tudo terminou, se não fosse a chantagem de Tanya eu ainda estaria com Bella, estava decidido a ir para Los Angeles, mesmo que o futebol lá não fosse um grande esporte no meu país. Mas não era isento de culpa também, eu comecei aquilo tudo sendo um babaca com Bella.

— Santo Deus! ‒ fui tirado dos meus pensamentos pela exclamação da moça que limpava meu apartamento e barulho de vidro quebrando.

— Você está bem? ‒ perguntei em espanhol a moça que parecia pálida.

— Sim. É só um mal estar. ‒ ela fechou os olhos se apoiando na vassoura que segurava.

— Você não está bem. Senta um pouco, deixa que eu limpo esse vidro. ‒ falei estendendo a mão para a vassoura.

— Por favor, eu faço isso. A agencia já relutou muito em me contratar, eu preciso desse emprego, senhor. ‒ ela pediu, segurando ainda mais forte a vassoura, como se fosse sua salvação.

— Ei, calma. Ninguém vai tirar seu emprego. Eu só não vou deixar você trabalhando nesse estado, não se preocupe, eu vou pagar sua diária. ‒ esclareci. A garota parecia verdadeiramente assustada.

— Eu não...

— Eu insisto. Como é mesmo o seu nome?

— Lola. ‒ ela sussurrou.

— Eu insisto, Lola. Se você não se sentar agora e largar essa vassoura farei uma reclamação a sua agencia.

— Tudo bem.

A garota pequena que parecia nova demais para uma diarista sentou-se em meu sofá parecendo desconfortável ali. Estendi a mão para a vassoura que ela segurava e juntei o vidro do copo que havia caído, depois de ir atrás de uma pá para retirar devidamente os cacos, fui atrás de um copo de água gelada para Lola, aproveitei e consegui um pacote de salgadinhos, porque ela claramente estava com a pressão baixa.

— Aqui.

— Não precisava, Senhor. Eu estou bem, juro. ‒ ela tentou negar.

— Ei, é só uma água, e coma um pouco disso, vai ajudar com a pressão. ‒ disse sentando ao seu lado no sofá.

Ela tomou a água e comeu um pouco do salgadinho que ofereci.

— Melhor?

— Sim, acho que já posso voltar para os meus afazeres. ‒ ela disse tentando se levantar, mas eu a impedi segurando em seu braço.

— Ei, calma aí. Não quero que você desmaie no meio da minha sala.

— Eu tô bem, o senhor não tem com que se preocupar.

— Primeiro, meu nome é Edward, você me chamando de senhor me faz parecer velho e eu só tenho vinte e dois. Segundo, eu não vou deixar você continuar com isso hoje quando claramente não está bem pra isso. ‒ insisti. Ela parecia tão frágil.

— Senhor, por favor, eu preciso desse emprego. ‒ eu podia ver claramente o desespero em seus olhos.

— Eu juro que vou te pagar pelo dia, não precisa se preocupar.

— Mas não seria justo...

— Injusto seria eu te deixar trabalhar passando mal. Você tem algum problema de saúde? ‒ perguntei por curiosidade.

— Gravidez. ‒ respondeu dando de ombros.

Eu fiquei surpreso, ela parecia tão nova, daria uns dezenove anos no máximo, não que idade fosse algo tão relevante, já que Alice tinha engravidado aos dezoito.

— Parabéns então.

— Obrigada, senhor.

— Por favor, pare de me chamar assim, é sério, é só Edward.

— Ok. Obrigada, Edward.

— Bem melhor.

— Obrigada por ser tão generoso comigo, geralmente as pessoas nem percebem quando eu me sinto mal entre uma limpeza e outra.

— Isso acontece com frequência? ‒ perguntei preocupado.

— Sim, eu estou com quase oito semanas, é comum ter tonturas e enjoos no primeiro trimestre. ‒ ela explicou.

— E você continua trabalhando mesmo assim?

— Eu preciso, não tenho ninguém. Meu sustento depende apenas de mim. ‒ ela explicou.

— E o pai do bebê? ‒ perguntei, sendo a pessoa mais curiosa do mundo, não poderia deixar passar.

— Ele está morto. ‒ ela disse, seus olhos imediatamente se enchendo de lágrimas.

— Eu sinto muito.

— Está tudo bem. ‒ ela resmungou secando o rosto.

— Me desculpa, tá. Eu estou sendo muito invasivo com minhas perguntas.

— Está mesmo tudo bem, Edward. É só que minha vida tem sido muito difícil nos últimos anos. ‒ ela não aguentou e caiu no choro depois disso.

— Ei, não chore. ‒ coloquei a mão em seu ombro, sem querer invadir seu espaço, mas querendo passar um pouco de conforto.

Eu deixei que Lola chorasse até se acalmar, peguei mais um pouco de água para ela que tinha ido ao banheiro lavar o rosto.

— Aqui, um copo de água vai te fazer bem.

— Obrigada. ‒ dessa vez ela aceitou sem relutar.

— Me desculpa mais uma vez. Eu deveria estar limpando e não chorando.

— Você não precisa se desculpar por chorar, eu é que preciso me desculpar por ter feito você chorar. ‒ disse me sentindo culpado.

— Não foi você, é a vida. ‒ ela deu de ombros.

— Se você quiser conversar, desabafar, qualquer coisa... ‒ ofereci.

— Você não precisa ouvir meus problemas, já estou dando trabalho demais.

— Bem, eu não vou te deixar voltar ao trabalho e você tem um horário livre, eu estou de folga hoje, então pode começar a falar, bem, se você se sentir confortável em compartilhar sua vida com um estranho. Quem sabe eu não posso fazer algo pra te ajudar, sei lá...

Eu nunca tinha visto aquela garota antes, nem sabia o porquê estava dando tanta atenção a uma estranha, mas eu sentia no fundo do meu coração que precisava fazer algo por ela.

— É uma longa e triste história...

— Nós temos tempo.

~~~

Eu passei o resto daquela tarde ouvindo a história de Lola. Me senti completamente idiota depois daquilo, eu reclamava à toa sobre minha vida. Tudo bem que a minha vida amorosa estava uma merda, eu tinha perdido Bella e tudo mais, mas eu tinha praticamente tudo além disso e não dava o devido valor. Mas aquela garota pequena sentada em meu sofá me fez abrir os olhos.

Dolores Ruiz não tinha conhecido seu pai, sua mãe a criou com dificuldades até os doze anos de idade quando faleceu vítima de um problema cardíaco. Lola, como ela gostava de ser chamada, foi morar com sua madrinha, que era cozinheira na casa de uma família rica em Madrid.

Desde então começou a ajudar a tia nos afazeres da casa, e aos quinze, mesmo sendo contra a lei, já era doméstica no local. Ela me contou de como aquelas pessoas eram ruins, em como a tratavam mal e se sentiam superiores por ter muito dinheiro, até que no ano passado o filho mais velho dos Moreno voltou formado de um internato em outro país e eles se apaixonaram. Ela só tinha dezessete anos, ele dezoito. Júlio Moreno enfrentou a família, disse que faria faculdade ali mesmo em Madrid e que se casaria com Lola, mas isso não aconteceu. Ela foi demitida e posta pra fora da casa, então Júlio saiu de casa também e foram morar num pequeno apartamento já que os pais dele se negavam a dar dinheiro para o filho, ela ainda nem tinha descoberto que estava grávida quando o acidente aconteceu. Pouco mais de um mês atrás, eu me lembrava de algo do noticiário, sobre um bêbado que causou um engavetamento na rodovia, quatro pessoas haviam morrido, entre eles Júlio que estava sozinho em seu carro.

Eu passei esses últimos anos sofrendo por não ter Bella ao meu lado, mas eu sabia, mesmo sem notícias, sentia que de alguma forma ela estava viva e bem, vivendo sua vida em algum lugar. Eu não a tinha realmente, mas não poderia imaginar a dor de perdê-la da forma como Lola perdeu Júlio.

Eu sentia que precisava fazer alguma coisa por aquela garota, eu só não sabia exatamente como, então comecei oferecendo um emprego fixo aqui em casa, além de moradia. Eu a teria convidado pura e simplesmente, mas sabia que ela não aceitaria que um estranho cuidadasse dela sem dar algo em troca. No inciso ela era como uma assistente para mim, porém com o passar dos meses eu me vi tão envolvido com aquela garota e sua gestação, que ela e o bebê eram parte importante da minha vida. Eu tinha algo a que me dedicar, algo além de uma carreira, nós éramos uma família.

— O que você acha de Luísa? – ela perguntou numa tarde.

— Eu tenho quase certeza que é um garoto. – eu não sabia como, mas sentia isso.

— Tem alguma sugestão de nome para menino? – ela perguntou folheando o livrinho de nomes.

— Algo que combine com Cullen.

— Edward! Eu não…

— Esse bebê também é meu, Lola. Quer dizer, sei que não tem o meu sangue, mas eu já o amo tanto. Eu gostaria de registra-lo como meu filho, se isso não for um problema. – disse meio receoso de sua reação.

— Não, não é um problema. Eu te amo tanto! – então ela me abraçou.

— Eu também te amo, Lola. Você me trouxe luz, pequena.

— E você me deu esperanças novamente, Edward. Eu nunca vou conseguir retribuir tudo o que esta fazendo por mim e pelo meu, quer dizer, nosso, nosso filho.

Eu sorri pra ela, ela sorriu pra mim. E aquela foi a primeira vez que a gente se beijou. A primeira e última.

— Definitivamente não. – ela disse após o rápido beijo.

— Não mesmo! Isso foi quase como beijar minha prima Rose. Eca! – eu ri.

— É, foi bem estranho. Você é lindo e tudo mais, mas nunca seremos um casal.

— Nunca mesmo. Somos bff's.

— O que?

— Melhores amigo para sempre, isso é coisa da minha irmã sabe? Ela vive influenciando minha vida negativamente. – brinquei.

— Ei não fale mal da Alice, ela é legal.

— Ela não é legal quando me influencia a falar como uma garota.

No dia seguinte, como eu desconfiava, descobrimos que teríamos um garoto. Lola escolheu o nome por causa de um personagem que ela gostava numa novela, eu concordei, Lucca era um nome muito bonito.

Nós últimos meses da gestação estávamos ansiosos para ver o rostinho do nosso menino, mas quando ela estava para completar nove meses tudo virou um caos.

Eu havia passado para buscá-la no shopping após um longo dia de treino, Lola me contava animada sobre as roupinhas e brinquedos que tinha comprado para Lucca quando nós fomos atingidos, o sinal estava aberto para mim, mas um carro avançou no cruzamento e acertou em cheio o lado do carona.

Eu realmente pensei que perderia os dois naquele hospital, ali, com apenas alguns arranhões naquela sala de espera, eu pensei que tudo desmonaria outra vez.

Eu mal consegui respirar até receber a notícia que os médicos haviam tirado a criança e ele estava bem, por alguns minutos eu também acreditei que Lola ficaria bem, mas então vieram as paradas cardíacas e o coma.

Lola nunca mais abriu os olhos depois daquele dia. No início eu me fechei pro mundo, só queria ficar ali com ela, queria que Bella estivesse do meu lado me apoiando quando eu tinha praticamente perdido minha melhor amiga. Mas eu tinha o Lucca, ele precisava de mim, eu precisava dele e isso me deu forças pra seguir em frente.

***

— O que isso significa? Eu não entendo, Edward. – Bella me encarou atordoada.

— É uma longa história, Borboleta. Mas precisamos ir.

— Precisamos?

— Sim, eu, o Lucca, você… Por favor venha comigo, prometo te explicar tudo no caminho. – disse já levantando da cama, eu precisava ser rápido, muito rápido.

— Eu não posso, eu não posso simplesmente largar tudo e ir pra Espanha, Edward. Principalmente quando você me deixa às cegas. – ela levantou procurando uma roupa.

— Ela estava em coma, nós sofremos um acidente e ela nunca mais acordou. – resumi ficando perto dela. — Ela nunca viu o Lucca, Borboleta. Ela não conhece o filho incrível que tem.

Eu podia ver a compreensão no rosto de Bella, mas ela também tinha um olhar torturado.

— Então vá, Edward! O que você ainda está fazendo aqui? – ela encorajou, tinha lágrimas nos olhos.

— Ei, eu preciso que você venha comigo, Borboleta. – disse secando uma lágrima solitária que escorreu pelo seu rosto.

— Não, Edward. Esse momento não pertence a mim.

— Mas eu te amo, Bella. Tudo o que diz respeito a mim também diz respeito a você.

— Eu sei, eu também te amo, Edward. Mas a gente não sabe muita coisa um do outro, nós conhecemos nossas versões adolescentes, mas tivemos uma vida longe um do outro por oito anos, muita coisa aconteceu desde então, precisamos colocar as coisas no lugar se quisermos que isso dê realmente certo.

— Isso já vai dar certo, Isabella! Já deu.

Eu tentava convencê-la, queria ficar ali e fazer isso, mas ao memo queria pegar meu filho e correr até o aeroporto mais próximo.

— Há uma mãe esperando para conhecer o filho, Cullen! Por que você ainda está perdendo tempo aqui comigo? – ela disse entregando minhas roupas.

Eu não sabia o que fazer ou dizer, era muita coisa acontecendo em tão pouco tempo. Um único final de semana que estava mudando completamente minha vida.

— Borboleta…

— Só vá, Edward! Dê um beijo no Lucca por mim, não vou ter coragem de me despedir. – ela disse se aproximando, então me beijou, profundamente, como um beijo de despedida. Uma ova que aquela seria uma despedida!

— Eu volto logo, prometo! – disse antes de beijá-la mais uma vez.

Então tive a sensação de déjà vu, eu estava novamente indo para longe no dia seguinte ao baile.



Notas finais
Então, o que acharam? Vcs não sabem como foi difícil segurar essa história toda por quatro anos, a minha vontade era de dar spoiler pra todo mundo, mas eu consegui. Agora eu preciso muito saber o que vocês acharam. O próximo será o último, normalmente eu estaria chorando por isso, mas estou tão aliviada por estar perto de terminar essa história depois de 4 anos... Eu vou fazer de tudo para postar o próximo ainda esse ano, mas minha agenda vai estar bem corrida nessa reta final de 2018, então me desejem sorte! Beijinhos e até logo! 09/12/18