O Reencontro
12 Chantagem
Notas iniciais
# BELLA #
Meu coração estava acelerado. Eu estava nua dentro do lago, e Edward estava bem ali, de pé na margem, olhando-me intensamente. Isso só podia ser uma ilusão da minha cabeça, talvez por esse lugar parecer tão incompleto sem ele.
Fechei os olhos na esperança de que, se fosse uma ilusão, ele desaparecesse. E assim permaneci por alguns segundos. Quando os abri não tinha mais ninguém ali. Por alguns instantes eu respirei aliviada, até que percebi algumas peças de roupa ao lado das minhas, no mesmo momento que eu ouvi o som e senti o movimento de algo pulando na água. Eu permaneci parada. Pude senti-lo se aproximar de onde eu estava, minha respiração estava pesada e fazia a água a minha volta tremer, assim como os movimentos que ele fazia atrás de mim.
— Eu não vou mais deixar você fugir de mim, Borboleta. – ele disse suavemente. Eu me virei lentamente, encarando seu lindo rosto, parcialmente cobertos pelos cabelos molhados. Nossos corpos estavam a menos de um metro de distância um do outro, a água batia em meus ombros escondendo minha falta de roupas.
— Por que veio atrás de mim? – perguntei. – Por que não pode simplesmente me deixar em paz?
— Eu errei tanto com você, Borboleta. – ele levantou a mão e afastou os cabelos molhados do meu rosto. – Mas eu realmente preciso que você entenda que eu te amo. Sempre amei, e em nenhum momento desses oito anos eu deixei de pensar em você.
— Como você quer que eu acredite nisso, Edward? Eu também não deixei de pensar em você por todo esse tempo. Em cada palavra que me disse naquela noite, em você agarrado com a Tanya menos de uma hora depois da gente ter... – eu não consegui terminar. Eu mantive aquela lembrança esquecida durante tanto tempo, mas estar aqui novamente me fazia lembrar de tudo e isso doía.
— Por favor, não chore! – ele disse passando a mão em meu rosto, que agora estava molhado também pelas lágrimas.
— Eu realmente te amava, Edward. Desde que me entendo por gente. – dei um sorriso amargo ao lembrar de todos os anos da minha infância e adolescência que eu esperava pelo dia que eu seria retribuída. – Eu nunca fiz nada pra você, por que você foi fazer aquilo comigo? Podia ter continuado a fingir que eu não existia.
— Eu nunca fingi que você não existia, Borboleta. Desde que voltei do Rio eu quis me aproximar de você, aquele encanto todo que tínhamos quando criança nunca acabou, mas eu era um adolescente idiota, ligava para coisas idiotas e pessoas idiotas como eu. Eu levei anos te admirando da janela do meu quarto, você ia ficando cada vez mais linda e inteligente, eu cada vez mais apaixonado, mas ainda assim não foi o suficiente para largar toda aquela futilidade infantil de lado, eu ficava com as garotas erradas, muitas delas, na esperança de que minha paixão platônica por você acabasse, mas nenhuma delas era como você, nenhuma era certa pra mim. Até que eu percebi que nosso tempo estava acabando e quando resolvi me aproximar eu fiz tudo errado. Eu estraguei tudo. – era surreal tudo aquilo que ele estava falando, ao mesmo tempo que parecia tudo verdadeiro, eu relutava para acreditar. Depois que você era enganada a primeira vez, perdia a capacidade de distinguir a verdade da mentira.
— Sim, você estragou tudo. Porque teve que me usar daquela forma só para transar comigo? – Minha voz estava alterada, havia um nó em minha garganta e ao mesmo tempo vontade de falar tudo, tudo que não consegui falar naquela noite. – Sinceramente, Edward? Você não precisava! Eu era tão louca por você, que era só você pedir, eu faria o que você quisesse, iria a qualquer lugar com você, me entregaria sem penar duas vezes, meu coração já era seu de qualquer forma. – o meu choro tinha sessado, como se meu estoque de lágrimas tivesse acabado. – Mas você preferiu me iludir durante quatro meses. Preferiu me humilhar publicamente, me trair. E agora acha que depois de oito anos vai aparecer, dizer que me ama e vai ficar tudo bem? Aquela menininha boba morreu, oito anos atrás. Você a matou, Edward. – agora quem chorava era ele. Meu coração fraco estava afetado por isso, mas, ainda assim, continuei. – Você a feriu de uma maneira irreversível, e a mulher que ela se tornou, quem eu sou hoje, não é capaz de amar ninguém. Por sua culpa eu não consigo confiar nas pessoas, por sua culpa eu não consegui seguir em frente, eu fiquei sozinha todos esses anos, porque o buraco que você abriu no meu coração ainda doí.
— Foi tudo uma chantagem! – ele soltou, fazendo-me encará-lo sem entender. – Cada palavra maldita que eu te disse naquela noite, naquele luau, foi mentira. Mas quando eu disse que te amava, quando estávamos aqui mesmo, naquele quarto, quando eu a tive em meus braços, quando eu estive dentro de você, isso foi verdadeiro. Mas então ela me chantageou, disse que eu tinha que fazer aquilo com você, eu não tive escolha, se não o fizesse seria muito pior. – ele fechou os olhos com força, como se lembrasse de algo extremamente doloroso. As lágrimas ainda caiam. – Eu confesso que eu fui um merda quando tive vergonha de assumir meu namoro com a nerd da turma, mesmo sabendo que você era muito melhor que todos eles, muito melhor que eu. E talvez isso tenha contribuído para o que aconteceu naquela noite, eu gosto de acreditar que as coisas seriam diferentes se eu não tivesse sido tão estúpido, mas eu não tenho como saber disso, poderia ter acontecido mesmo assim. Quando eu te disse todas aquelas palavras horríveis estava pensando somente em você, em que se você tivesse longe de mim nada de mau iria te atingir, não que eu tenha me perdoado por fazer você sofrer naquela noite, mas eu jamais me perdoaria se você tivesse sido exposta daquela forma.
Tudo o que ele falou não tinha sentido algum. Por mais que as palavras ditas por ele acendessem uma chama de esperança e algo dentro de mim brigasse com minha razão para acreditar em suas palavras, era difícil. Não havia lógica. Talvez Edward, tivesse mesmo arrependido, talvez com a vida ele tivesse aprendido algumas coisas e percebesse que realmente sentiu ou sente algo por mim, mas inventar uma justificativa de novela mexicana não mudaria as coisas. Era tarde demais pra gente. Talvez eu devesse me conformar em ser essa mulher quebrada, assombrada pelo passado. Talvez eu devesse aceitar que a realização plena não era para todo mundo, alguns tinham sorte e outros não, eu estava nesse segundo grupo.
Por mais que eu tentasse me achar, estava cada vez mais perdida. Minha racionalidade me dizia para pôr um ponto final ali. Que não tinha jeito, que acabou, que era impossível de confiar de novo. Mas meu coração era contrário a qualquer parte racional. Eu não podia negar que ainda o amava, e deveria me conformar e conviver com isso. Mas esse órgão pulsante que habitava meu peito, no qual diziam os poetas habitar o amor, me suplicava para que eu cedesse a tudo, para que eu me lançasse em seus braços e não saísse nunca mais, que tudo que ele disse era verdade e que seríamos um nós outra vez.
— Isso não faz sentido, Edward. Eu não acredito em você. – neguei, mas não consegui olhar eu seus olhos.
— É a verdade. Eu juro. – ele se aproximou. Eu tremi. Suas mãos seguraram meu rosto.
— Edward… – seu nome saiu de minha boca como uma súplica, mas eu não sabia o que queria.
— Você precisa acreditar em mim, Borboleta. – ele sussurrou seus lábios quase colados aos meus. Eu apenas neguei com um gesto, mas, nesse momento, nem eu acreditava nessa negativa. Então estávamos nos beijando.
Eu realmente não sabia quem tinha dado o primeiro passo. Minhas ações já não eram comandadas por mim. Eu sabia que me arrependeria depois e, talvez, o que estava prestes a fazer piorasse ainda mais minha vida, mas eu tinha a consciência que era impossível parar agora.
Estava revivendo a melhor e a pior noite da minha vida, por enquanto apenas a melhor parte dela, mas já esperava que a pior viesse depois, como algo que era indissociável.
Nós nos beijávamos de forma apaixonada, nossos corpos molhados, completamente livres de qualquer tecido, pareciam um só, dentro e fora d'água. Mas não levamos muito tempo ali. Edward nos conduziu para fora do lago, ele segurava minhas pernas em volta do seu quadril. Podia senti-lo duro e quente contra o meu centro que a essa altura já ansiava por seu toque.
Nenhuma palavra foi dita enquanto íamos em direção ao chalé. Nem me apeguei muito ao fato de que o local que esteve abandonado por tantos anos, parecia impecável novamente. Certamente que ele ou alguma outra pessoa esteve aqui.
Segundos depois estávamos lá dentro, o lugar parecia o mesmo, exceto por algumas mudanças como o tapete felpudo no chão da sala, no qual eu fui depositada delicadamente.
Edward parou por um momento, olhando-me, seu corpo nu pairando sobre o meu, uma de suas mãos acariciando meu rosto. Ele estava tão lindo, seu rosto de homem, a barba por fazer, e o que eram aquelas tatuagens? Isso devia ser proibido…
Passei a mão por seu peito trilhando o caminho dos desenhos ali, eu o conhecia tão bem que podia jurar que sabia o significado de cada uma delas. O coração com asas e uma adaga sobre no peito, a coruja no ombro, o nome do filho no braço, e cada pequeno desenho de fechava o braço esquerdo, observei atentamente cada uma delas, até parar encantada com a borboleta em seu antebraço. Ele me olhou quando percebeu que eu encarava o desenho chocada.
— Foi a primeira. – disse quebrando o silêncio, eu realmente não conseguia entender a lógica disso.
— Por quê?
— Você sempre foi importante, Borboleta.
— Eu não consigo acreditar em você, Edward. É tudo tão confuso… – fechei os olhos com força.
— Eu estou falando a verdade. – senti seus dedos tocarem meu rosto numa carícia lenta. – Aquelas palavras foram as mais difíceis que saíram da minha boca. Aquilo foi a única mentira que eu contei, Borboleta. – eu podia sentir seu hálito, podia sentir as vibrações de sua voz, sua boca estava muito próxima a minha, ainda inchada pelos beijos recentes. E de repente não tinha nenhum espaço entre elas.
Edward me beijou ainda mais intensamente que da primeira vez. Seu corpo quente completamente em cima do meu, de igual temperatura. As mãos entraram no jogo, primeiro as dele, mas as minhas não ficaram paradas. E então, eu liguei o “foda-se”, e me permiti ter aquele momento, sem pensar em nada, apenas me entreguei.
Eu sabia que não ia ser como com Demetri, dessa vez eu não fugiria, apesar de tudo, era o cara certo.
Seus beijos desceram para o meu pescoço, espalhando-se pelo local, ele parecia desesperado por tocar cada pedaço da minha pele disponível, que nesse momento eram todos.
Minhas mãos involuntariamente foram parar em suas costas, apertando e arranhando o local, puxando-o ainda mais pra mim, se é que possível.
— Eu não vou conseguir ser delicado. – ele sussurrou em meu ouvido. Eu não queria que ele fosse. Uma necessidade que eu ignorei por muito tempo se apossou de mim.
— Não seja. – praticamente implorei.
Ele me lançou seu melhor sorriso sacana. E desceu seus lábios para os meus seios. Beijando-os, chupando, mordendo, de uma forma quase aflita. Eu senti tanta falta desse toque. Minha memória falha nunca fez jus ao momento.
Senti sua boca descer ainda mais, beijando minha cintura e minha barriga no percurso. Quando chegou onde eu mais necessitava, Edward parou. O que me fez abrir imediatamente meus olhos que estavam fechados pelo prazer.
Ele me olhou, seu rosto na direção de minha intimidade, seu nariz roçando lentamente ali, de forma lenta, aspirando meu cheiro, o cheiro da minha excitação.
Uma de suas mãos, que estava em minha coxa, encontrou o caminho da minha necessidade, seus dedos longos brincando por entre os lábios, espalhando a lubrificação presente ali. Foi difícil não tremer com o contato. Ainda mais quando ele juntou sua língua a equação.
— Edward! – seu nome escapuliu de meus lábios sem a minha autorização, mas em forma de súplica para que ele me desse mais um pouco daquilo.
Eu não duraria muito, era diferente estar com um homem, com o homem, depois de tanto tempo tendo que me virar sozinha. Era infinitamente mais intenso e incontrolável.
Não durei trinta segundos depois que ele começou a chupar meu clitóris. Eu gozei forte. Como nunca havia feito, nem na primeira vez que eu estive com ele, nem nas minhas sessões de satisfação pessoal. Eu sentia muito mais agora.
Ele ainda levou um tempo do local, sugando tudo de mim, até o último espasmo.
Sua boca voltou a encontrar a minha em um beijo quente, um beijo com o gosto do meu prazer.
— Você conseguiu ficar ainda mais gostosa. – falou em minha boca ainda ofegante após o beijo. – Eu te quero, muito!
E dizendo isso, achou seu caminho para dentro, nos fazendo arfar. Ele encontrou certa dificuldade, não havia mais nenhuma barreira ali, mas o local com a elasticidade pouco explorada me tornava apertada demais para seu tamanho avantajado.
— Tão apertada. – gemeu entre dentes.
— Muito tempo… – murmurei sentindo entrar todo.
— Quanto? – ele me olhou curioso.
— Se desconsiderarmos meus dedos, você foi o primeiro, último e único aí. – soltei, o fazendo me olhar chocado.
— Borboleta…
— Ei, não vamos falar disso. – disse o interrompendo. Mas ele continuou.
— Eu também… – eu o interrompi novamente dessa vez tomando seus lábios num beijo quente. Conversar não era seguro. Não agora.
Mas toda preocupação em relação a isso, foi esquecida quando ele começou a mover-se dentro de mim, primeiro lentamente, depois com mais velocidade, até que o ritmo era frenético. Meus gemidos escapavam de meus lábios de forma bastante audível. Edward segurava firme em minha cintura enquanto se perdia em meu interior, me fazendo ficar igualmente perdida.
Ele não durou muito. Gozou primeiro, nos rolando no tapete, fazendo-me ficar por cima, para encontrar meu prazer. Eu subi e desci sobre ele mais umas poucas vezes até que tivesse meu orgasmo também, sua mão em meu nervo me ajudando a achar o caminho.
Caí exausta sobre seu peito. Ele me abraçou e acariciou meus cabelos me puxando para mais um beijo cheio de significados.
***
Acordei com a luz que vinha de alguma janela, no instante em que abri os olhos já sabia onde eu estava. Era impossível ignorar os braços quentes de Edward a minha volta. Tê-lo assim, me trazia uma sensação tão boa, tão acolhedora. Entretanto, a noite de contos de fadas havia acabado. Eu sabia que estaria arrependida agora, mas isso não foi o suficiente para me impedir de ceder ontem à noite.
Ele havia me magoado, e eu não era capaz de perdoá-lo. Sei que seria mil vezes mais difícil me afastar e esquecer de tudo agora, talvez até impossível, mas eu já havia cometido o erro, não tinha volta.
Na noite passada, meu coração bobo venceu. Mas hoje era outro dia, e a razão tinha que voltar ao controle. Daqui a dois dias eu iria pra casa, e esse seria apenas mais um capítulo de um passado que me atormentaria. Já estava conformada com o fato de que nunca iria esquecê-lo, e que essa ligação chamada amor era forte demais para ser desfeita. O que me restava era continuar vivendo, como sempre fiz, apenas fingir que algumas coisas não existiram, até que algo me fizesse lembrar que elas foram reais, ter um momento de tristeza e saudade, para depois guardar tudo numa caixinha no fundo da mente e seguir em frente.
Ainda era muito cedo quando deixei o chalé, depois de recuperar minhas roupas úmidas na beira do riacho, dando uma última olhada no local onde eu jamais voltaria. Pelo menos assim eu esperava.
Edward ainda dormia, um sono muito pesado de alguém que passou quase toda a noite acordado. E apesar de quase não ter dormido também, eu não cochilei mais que duas horas.
Eu sabia que deveria conversar francamente com ele. Colocar um ponto final com todas as letras, dizer que tudo o que aconteceu fora somente eu sendo fraca, e que as desculpas dele eram sem sentido e irreais. Porém abandoná-lo em seu sono não era mais uma de minhas fugas. Eu sabia que ele iria atrás de mim, do mesmo modo que ele foi ontem. E então conversaríamos, quando o torpor da noite passada tivesse abandonado de vez minha cabeça e meu corpo. Quando não fosse mais tão fácil cair em tentação.
Estacionei o carro em frente a garagem, ainda distraída por meus pensamentos. Não vi que tinha alguém em minha porta até já estar muito próxima a ela com a chave e os sapatos na mão. Ela voltou-se para mim assim que percebeu minha aproximação. Seu rosto escondido pelos cabelos castanhos e um óculos um pouco grande demais.
— O que está fazendo aqui? – perguntei curiosa.
— Eu precisava muito falar com você, antes de ir.
— Mudou de ideia sobre a denúncia?
— Não é isso. – Tanya respondeu.
— Então o que está fazendo em minha porta a essa hora da manhã? – quis saber. Isso certamente não era algo que eu esperava.
— Eu preciso te contar algo, é muito importante. – ela disse nervosa.
— O que você pode me dizer de importante, Tanya? – ele não me amedrontava mais como na época da escola, mas também não era uma presença que me agradasse.
— É sobre a noite do baile…
— Esse assunto não faz mais diferença em minha vida, se me der licença… – passei por ela abrindo a porta.
— Não finja que não se importa, Isabella! Eu vi vocês na festa ontem. Você precisa me ouvir. Eu já tenho arrependimentos demais na minha vida, não queira tê-los também. – seu tom era sério, com um quê de desespero. O que me fez parar.
— Entre. – disse passando pela porta, ela me seguiu.
— Então, Tanya. O que é tão importante assim? – perguntei me virando para ela cruzando os braços.
— Não foi culpa dele. – ela disse me estendendo um envelope de CD.
# Flashback on (Tanya) #
Eu não conseguia acreditar que ele estava com aquela sem sal, na frente de todo mundo. Será que ele não percebia o quanto isso era ridículo? O quanto eles não combinavam?
Mas se dependesse de mim o momento casal feliz não duraria por mais uma única hora.
Sorri girando o CD nas mão. A bile subia a minha garganta ao lembrar da ceninha que estava nele.
Edward era muito idiota se pensava que eu não percebia que ele e a Swan estavam juntos e iam se esconder no meio do mato todo fim de semana. Não foi muito difícil achar o lugar, e nem arranjar uma maneira de observar os dois.
A verdade é que Edward Cullen sempre teve um tombo pela Bella invisível, um apelido que eu lhe dei carinhosamente no quinto ano. Eu realmente não entendia isso, a garota era feia, e desengonçada, se vestia como uma pata choca virgem, era uma nerd idiota. E ele era simplesmente o cara mais gato, mais gostoso e mais popular da escola. O melhor que eu já tive em minha cama, ou no carro, ou de baixo das arquibancadas do campo de futebol. Mas ele nunca me levou pra conhecer sua casinha de contos de fadas na floresta. E isso me irritava muito.
Edward era o melhor homem em tudo daquela escola. E eu a melhor mulher. Nós tínhamos que ficar juntos, era o certo. O convencional. O capitão do time de futebol e a capitã das líderes de torcida. E até foi assim por um tempo. Não namoramos nem nada disso, ele nunca quis compromisso, eu até quis, estava bem apaixonada, mas ele não retribuía isso. Só andava comigo, e gostava de me comer. E isso estava bom pra mim, por um tempo, depois que eu desencantei desse lance de paixão, e percebi que estar presa a alguém também não era muito legal. Mas ele ainda estava comigo, me levando para lugares legais, elevando meu ego e me dando o melhor sexo. Até que aquele projeto de adolescente estragou tudo.
Nos últimos quatro meses Edward não me procurou mais, estávamos sempre perto, por conta da nossa “turma” em comum, mas nada de atenção, nada de beijos, nada de sexo. Então eu resolvi descobrir o que estava acontecendo, não queria ninguém no meu caminho, não estava mais apaixonada por ele, mas isso não queria dizer que eu não precisava tê-lo.
Comecei a perceber que ele se afastava do pessoal, ficava mais em casa no fim de semana, e andava com um sorrisinho bobo pelos cantos. Até o dia que eu os vi, escondidos aos beijos atrás da escola. Eu não acreditava que Edward havia me trocado por aquela sem sal estúpida. Ele só podia estar usando algum tipo de droga!
Depois descobri que iam para o tal chalé sempre que podiam, e eu esperei pacientemente que ele cansasse de brincar de casalzinho feliz com a mocoronga. Mas isso não aconteceu. O que me deixou com muita raiva. Ele não ia me trocar por ela, não ia mesmo!
Então, quando eu comecei a sair com um carinha mais novo do primeiro ano, que até que era gostosinho, tive a brilhante ideia. Ele era filho de um empresário da tecnologia de vigilância e entendia muito bem do assunto. Oliver, conseguia qualquer tipo de câmera com transmissão direto para um computador, e isso era o máximo.
Inicialmente o plano era apenas expor o casalzinho maravilha, já que eu percebia claramente que o Edward escondia o lance de todo mundo por vergonha de estar pegando a nerd. Mas o plano foi aprimorado, quando eu percebi que podia chantageá-lo com os vídeos, ou ele largava a baranga e voltava tudo como era antes, ou eu espalhava pra todo mundo o seu casinho.
Mas tudo deu errado quando ela foi eleita a rainha do baile de formatura. Isso eu não perdoaria. Esse posto era meu, e eu não abriria mão. Era o fechamento perfeito para minha vida no colegial, o meu sonho de infância, e aquela bruxa além de roubar o meu homem, destruiu isso. Eu estava possessa e agora sabia que não faria mais diferença expor os vídeos, a forma com que eles dançavam, que ele olhava pra ela, deixava claro que não iria esconder mais nada dali pra frente. Mas quando eles desapareceram muito antes do baile acabar naquela noite, eu tive a certeza de que ainda poderia me vingar, e de uma forma muito melhor! Era o baile de formatura afinal, o que mais um casal que fugiu dele faria? E eu sabia exatamente para onde eles iriam, e ainda tinha câmeras lá. A nerd idiota não sabia o que esperar.
Com o CD com o pornô sem sal em mãos, eu apenas esperava a oportunidade perfeita, que surgiu assim que eles se afastaram da fogueira indo em direção aos banheiros.
Sorri triunfante me aproximando de Edward que esperava sozinho do lado de fora.
— Vocês formam o pior casal que eu já vi, querido. – disse colocando a mão em seu ombro.
— Você não tem nada a ver com isso, Tanya! – ele disse bravo.
— Ah, eu tenho. Essa mosca morta roubou minha coroa e o meu homem, então… – lancei o meu melhor olhar malicioso.
— Primeiro, ela mereceu aquela coroa muito mais do que você, e segundo eu não sou seu, nem nunca fui, você sabe disso. – ele respondeu irritado. Edward nunca falava assim comigo.
— Ah, claro. “Edward Cullen não é de ninguém.” – citei o que ele sempre me falava. Ele riu debochado.
— Agora eu sou de Isabella. Conforme-se. – ele disse firme. Eu ri.
— Não mais, querido. – mostrei o CD a ele. Que me lançou um olhar confuso.
— O que é isso?
— Um filmezinho meloso demais pro meu gosto, você precisa de uma mulher melhor que essa, gostoso. – ele ainda não compreendia o que eu estava falando.
— Acho que você bebeu demais, Tanya. Não está sendo coerente.
— Então quer dizer que vocês não estavam na casinha de duendes na floresta, produzindo esse pornozinho barato, querido? – sua cara de espanto foi a melhor.
— O que você sabe sobre isso? – ele praticamente rosnou.
— Não sei de todos os detalhes, estava entediante demais para assistir até o final, mas quando o resto do pessoal assistir você pode perguntar a eles. – pela primeira vez na vida eu vi medo nos olhos de Edward Cullen.
— Isso é impossível, você não teria como. Está blefando. – era claro que ele não acreditava no que dizia.
— Eu tenho meus métodos, queridinho.“Eu não entendo isso que eu to sentindo, borboleta, mas eu acho que também te amo.” – citei de forma debochada. Ele arregalou os olhos. Finalmente compreendendo que não era um blefe.
— Me dá isso! – ele tentou tirar o CD da minha mão, mas eu me afastei.
— Não acha que eu só tenho esse, né?! – meu sorriso era o melhor.
— Fala logo o que você quer! Eu sei que você não gosta de mim, era só sexo pra você também. Por que está fazendo isso? – ele perguntou, sua voz beirando o desespero.
— A questão não é você, a questão é que perder não é algo que eu aceite muito bem, entende?
— Isso tudo só pra alimentar o seu ego? – seu olhar de desprezo quase me fez vacilar, eu disse quase.
— Entenda como quiser, Edward.
— Você tem noção de que se mostrar isso pra alguém destruirá a vida dela? – claro que ele ficaria mais preocupado com a lagartinha.
— Ninguém a mandou se meter no meu caminho.
— Fala logo o que você quer, Tanya!
— Simples, gatinho. – eu disse me aproximando. – Se eu não tenho, ela também não. – ele entendeu imediatamente o que eu quis dizer.
— E que garantias eu tenho de que nunca mostrará isso pra ninguém? – ele quis saber.
— Eu sou uma pessoa de palavra, Cullen. Você pode acreditar no que eu digo, ou pagar pra ver. E aí?
— Eu vou terminar com ela, satisfeita? – ele disse olhando para trás de si, na direção dos banheiros onde ela estava. Tinha uma expressão dura, mas estava visivelmente abalado.
— Você não entendeu gatinho, isso vai ser do meu jeito. – segurei em sua mão o puxando dali, ele me seguiu, calado.
# Flashback off #
Eu praticamente caí no sofá. Eu não sabia o que pensar. Então havia sido por isso? Edward me falou a verdade. Foi mesmo uma chantagem. Uma chantagem estúpida, que poderia ter me ferrado muito se ele não cedesse a ela. Eu não podia imaginar o que seria da minha vida se Tanya tivesse divulgado aquele vídeo, ou melhor, eu podia sim imaginar, já tinha cuidado de alguns casos assim, e um deles a menina, uma garota de dezenove anos não aguentou tamanha exposição, dando fim a própria vida durante o processo. Eu tremi só de pensar que eu poderia ter passado por isso, que eu poderia ter terminado como aquela garota. Se não fosse o Edward ter me humilhado naquela noite. Olhando pra trás agora, aquilo parecia tão pequeno em relação a catástrofe que poderia ter acontecido. Mesmo a velocidade de compartilhamento naquela época não sendo a mesma de hoje eme dia, o estrago seria grande.
Isso quer dizer que Edward nunca mentiu pra mim. Ele realmente me amava, ele não faria aquilo se tivesse outra escolha. E todos esses anos separados, eu vivi com essa mágoa, odiando a pessoa errada. A pessoa que apenas me protegeu. A pessoa que me amava.
— Ele me amava. – sussurrei. Isso ainda parecia tão irreal. Como uma novela mexicana.
Um soluço chamou minha atenção. Tanya havia tirado os óculos e enxugava as lágrimas que escorriam por seu rosto.
— Você tem noção do que você fez? – eu nunca havia sentido tanta raiva na minha vida. Era pra eu estar chorando, não ela.
— Naquela época eu não tinha. – ela abaixou a cabeça.
— O que você quer agora? Meu perdão?
— Eu não o mereço. Só precisava esclarecer as coisas. Não era nem pra estar nessa cidade, mas a Kate insistiu muito, então eu vi vocês. Eu precisava tentar consertar, ainda pode dar certo.
— Eu realmente não tenho a capacidade para entender porque você fez aquilo, nem porque está aqui agora. O que você ganha com isso? – minha cabeça estava girando tanto por ontem a noite, tanto por toda essa revelação.
— Olha bem pra mim, Isabella. Olha o que eu virei. – ela disse abrindo os braços. – A vida ensina, mas ela ensina batendo. Eu não posso reclamar, apenas colhi o que eu plantei. Quem eu era antes, a vadia que fui com vocês, determinou a mulher destruída que eu sou hoje. Eu precisava pelo menos tentar consertar alguma coisa que eu destruí, pelo menos isso.
— Você não quer mesmo denunciar? – eu queria xingá-la, bater, descontar minha raiva. Mas esse meu outro lado era mais forte. Ela deu um leve sorriso.
— Você sempre foi muito melhor do que eu, Isabella. E eu não soube lidar bem com isso. E agora, quando você deveria me bater mais, você me oferece ajuda. Eu realmente nunca pude competir com você.
— Nunca foi uma competição, Tanya.
— Pra aquela que eu fui um dia, era.
— Eu odiava aquela garota, mas não consigo odiar você. – eu disse. Era verdade. Ela parecia tão quebrada.
— Você é boa demais pra isso. Espero que dê tudo certo pra vocês. E não se preocupe que eu não tenho nada além disso aqui. – disse apontando pro CD jogado no sofá.
— Não vai mesmo denunciar? – perguntei por uma última vez. Era meu dever.
— Não. Eu vou seguir a minha vida longe dele. Adeus, Isabella. – ela disse já caminhando apressada pela porta.
Eu fiquei alguns segundos parada na sala tentando assimilar as informações. Era tudo irreal demais. Era tudo maravilhoso. Fantástico. Edward me amava, ele ainda me ama. Ele havia dito ontem, nunca deixou de me amar.
Fui desperta pelo som da campainha tocando insistentemente. Fui até a porta ainda extasiada com a descoberta. Para encontrar Edward ali. Como eu imaginava, ele veio atrás de mim. E eu estava imensuravelmente feliz por isso.
— Você me ama. – as palavras saíram antes de eu sequer processá-las. E não foi uma pergunta. Edward sorriu.
— Sim, eu amo, Borboleta.
Eu apenas me joguei em seus braços. Esperava que para nunca mais sair.
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