O Recomeço
4 Capítulo Três
O mês de agosto havia chegado a todo vapor, e julho encerrou sendo um mês de puro sucesso para a Potere. Os funcionários exibiam sorrisos pelos corredores, ou talvez pelo fato de que haveria um feriado prolongado pelos próximos dias, os prazeres de habitar em um país que preza os valores familiares. Isso não reduzia o ritmo de trabalho durante aquela semana, remetia que seria trabalho em dobro, eles precisariam deixar tudo pronto para não encontrarem dificuldades na próxima semana.
A família de Elizabeth, por sua vez, já estava combinando os últimos detalhes para os próximos dias, passariam juntos no sítio da família. Dias de muitas comidas, risadas e danças; como também de comentários irrelevantes, perguntas inescrupulosas e olhares do seu primo Andrew.
— Phillip, tenho um convite para você.
— Algo me diz para temer — ele disse, em tom de brincadeira. Largou a papelada sobre a mesa e cruzou os braços. — Prossiga, Dean!
— Muito engraçado você, John Phillip. Eu estava pensando... você é americano, então não deve se importar com essas datas comemorativas da Itália, não é? — ela disse, tentando ser convincente.
— Eu deveria me sentir insensível? — ele franziu a testa.
— Me ouça antes de tudo. Você poderia ir ao sítio e vinícola da minha família passar esse feriado conosco. Será divertido, Phill. Muita comida, dança, primas italianas — ela piscou para John.
Ele balançou a cabeça negativamente. — Não precisa fazer isso só porque te ajudei em um bar, Dean. Já vai fazer um mês, não tem uma dívida eterna comigo.
— Minha família quer agradecer, mas eu quero que você vá. Eu quero você se divertindo, ou quer dizer que vai fazer essa desfeita? Prefere passar quatro dias sozinho? — ela sorriu enquanto John parecia analisar as opções entre ficar sozinho ou ficar com uma típica e barulhenta família italiana.
— Me quer mesmo por lá?
Por um instante Elizabeth analisou se realmente queria a presença dele ou se estava usando a família como desculpa, ou pior, o bar como desculpa. Julho tinha ido, agosto havia chegado e junto trouxe uma conexão muito especial entre ela e John. As horas no trabalho não pareciam mais tão estressantes e insuportáveis nos piores dias, reuniões não eram tão dolorosas de suportar, as piadas de John tornavam tudo mais agradável. Como também ouvir as diversas aventuras ao redor do mundo que ele contava no horário do almoço para ela e Jennifer. Ela começou a se questionar, de fato, estava só interessada em levá-lo por aqueles motivos, ou se iria sentir falta de toda personalidade autêntica que seu amigo lhe proporcionava.
— Não me faça implorar, Phillip — ela disse, sorrindo docemente.
Aquele feriado prolongado seria muito diferente de todos os outros. Além de John, Elizabeth levaria Jennifer e Mike; Kimberly também iria, mas não sozinha, estava levando o seu mais novo namorado, o homem animal, Richard. Ozzy ficaria com a vizinha de Elizabeth, a pequena Geovanna; ela iria receber 100 euros cada dia para cuidar do bichano. A mãe da menina de apenas nove anos não podia acreditar quando Elizabeth lhe fez a proposta, mas claro que sua filha aceitou prontamente.
Depois de quatro horas fazendo, desfazendo e refazendo sua mala de roupas, Elizabeth finalmente conseguiu chegar à conclusão de que ela estava mudando seus gostos, estava ficando mais exigente com suas roupas, precisava fazer compras urgentemente; precisava mudar vestidos, blusas, calças, saltos. Exatamente tudo.
— São só quatro dias, Elizabeth. Por que uma mala tão pesada?
Mulheres são um caso sério ao viajar. Um, dez, vinte dias; malas sempre serão malas.
O sítio ficava situado em Vernazza, uma pequena cidade da Itália. Claro que todos foram no mesmo carro, um carro de sete lugares. Mike estava dirigindo, e Jennifer fora ao seu lado; pobre futura mamãe, ficou enjoada durante a longa viagem para o sítio, tiveram que parar a cada meia hora para ela descer do carro. Mike por sua vez sempre tentava usar a psicologia para reduzir todo aquele estresse.
— Calma, querida. Pense nos nossos bebês.
Kimberly e Richard ficaram se beijando o caminho inteiro, sorte de Elizabeth e John que foram na frente dos dois e o casal na parte de trás do carro. Os beijos eram ardentes demais para qualquer um ficar observando demasiadas vezes.
— Uma loucura viajar com eles, a boa parte é que já estamos chegando — Elizabeth disse, sorrindo para John.
— Sinceramente nunca me diverti tanto. Se você acha que isso é complicado, nunca viajou só com uma mochila para a China — ele disse, sendo convencido.
— Quem sabe um dia — ela riu. — Só quero chegar no sítio, tomar um banho e relaxar.
— Não mesmo, Elizabeth. Você me arrastou para cá, então vamos beber, rir e dançar — ele deu de ombros, com a careta que Elizabeth havia feito. — Eu não sou tão ruim assim, ou sou?
— Eu estou cansada. Jennifer vomitou a viagem toda, o casal apaixonado não consegue parar de beijar. Eu estou irritada, quer mesmo sair comigo?
— Está decidido — ele disse, cruzando os braços.
— Isso aí, John! — Jennifer disse, ao tentar controlar a risada, assim como tentava controlar a náusea que sentia.
— Calada, você é a minha melhor amiga.
— Não fale assim com a mãe dos meus filhos. Vai ser bom para você sair, Beth. Esse feriado será incrível.
— Até você, Mike? — Elizabeth disse, rolando os olhos. — Desde quando a minha vida virou um debate?
— Não virou, amiga — Kimberly comentou, tentando recuperar o fôlego ao parar de beijar Richard.
— Por causa disso você para de beijar? Por Deus, Kimberly.
— Por Deus você, Elizabeth — John disse, tentando parecer bravo, falhou miseravelmente ao rir. — Não seja insuportavelmente chata.
— Desagradável — Elizabeth murmurou, cruzando os braços.
— Eu tenho uma proposta para a Elizabeth — John disse, de modo muito sedutor.
— Adoro propostas — Kimberly riu, erguendo as sobrancelhas.
— Não seja indecente, Kimberly — Mike sabia que precisava barrar Kimberly algumas vezes.
— Transformarei o feriado dela em algo extraordinário, não aceitarei um não como resposta. Ela fará tudo o que eu mandar, vocês concordam comigo?
O sim naquele momento foi sonoro.
— Amigos traidores — Elizabeth resmungou. — Até mesmo você, Jennifer — ela franziu a testa.
Elizabeth estava enfurecida, arrependida e irritada. Havia xingado John mentalmente com todos os palavrões que poderia, até mesmo inventou alguns naquele momento; não entendia como Jennifer e Kimberly mudaram de time tão rapidamente. Queria sair correndo do carro, mas já estava longe de casa, e ao olhar para fora só via matos, preferia aguentar a companhia de John do que ser devorada por lobos famintos.
Meia hora depois, um CD inteiro do Dean Martin, a revolta de Elizabeth e as piadas intermináveis de John com o som das risadas irritantes de todos, finalmente chegaram ao sítio da família Cipriano. Elizabeth forçou um sorriso, como se tivesse acabado de ganhar bilhões de euros.
— Você é tão atriz, amiga — Kimberly disse enquanto ajeitava o vestido ao descer do veículo.
— Diga você com essa boca inchada.
Elizabeth sorriu ao ver sua família saindo da grande casa cor de pêssego. Suas tias, tios, primos, primas, padrinho, madrinha, até mesmo o seu avô, Giovanni. Um senhor muito simpático de cabelos brancos como a neve, muito baixo e gordo, tinha o sorriso muito convidativo. Seus olhos fechavam toda vez que estava sorrindo, era sua forma de demonstrar amor. Um sorriso que era muito parecido com o de Elizabeth.
— Nonno — Elizabeth disse, com os olhos marejados assim que correu para abraçá-lo. Apesar de ser tão idoso, Elizabeth ainda se perdia em seus braços, sentia-se tão aconchegada e protegida. — Eu te amo tanto — ela murmurou, ao sentir as lágrimas rolarem de seus olhos.
— Minha pequena bella — Giovanni disse, aconchegando a neta em seus braços. Aquele abraço tinha tanta saudade, podia ser sentida por todos ali presente. — Nonno ama você também — ele encostou os lábios finos no topo da cabeça da neta para deixar um suave beijo.
O restante da família já havia cumprimentado todos presentes. Jennifer apresentara John e Richard rapidamente para todos eles enquanto Elizabeth e seu avô se abraçavam. Todos agradeceram John por tê-la protegido aquele dia no bar ainda em julho, ele novamente disse que não havia motivos para isso, era obrigação de qualquer ser humano.
Depois do abraço caloroso entre avô e neta, agora era a hora das tias e do padrinho; ao todo eram duas tias, uma madrinha e um padrinho, tudo isso por parte da mãe, a família de seu pai era canadense. Luna tinha cinquenta anos, era a tia mais nova, mas Elizabeth tinha impressão de que havia parado no tempo quando tinha apenas vinte anos; seu corpo era repleto de tatuagens e piercings, seus fios não eram mais dourados — cor de nascença da família — agora eles eram vermelhos. Alessandra possuía uma personalidade espontânea, a típica tia mãe; queria cuidar de todos como seus filhos, era a filha do meio. Daniela e Carlo eram trigêmeos junto com a mãe de Elizabeth, Valentina; isso fez de Daniela e Carlo padrinhos de Elizabeth, significava que tinham uma relação como pais e filha, afinal, era somente os dois que ela tinha como figuras paterna e materna. O pai de Elizabeth faleceu quando ela tinha apenas três anos de idade, sua mãe faleceu quando tinha dezoito.
Muita comida, duas taças de vinho, e Elizabeth não aguentava mais Andrew olhando para ela do outro lado da mesa. Ela rolou os olhos para ver se ele ao menos percebia que estava sendo inconveniente, mas inteligência não era o ponto forte dele, talvez seu padrinho não tivesse ensinado bons modos para ele nesse ponto. Se arrependimento matasse, Elizabeth teria morrido aos quinze anos logo após ter dado o primeiro beijo de Andrew.
— Elizabeth, querida. Diga-me, como anda em Verona? — Daniela disse, referindo-se a respeito do trabalho e vida pessoal.
— A mesma coisa de sempre, madrinha. Sem muitas novidades, mas tivemos um aumento excelente esse ano com a revista. Estamos orgulhosos demais — Elizabeth disse, sorrindo e gabando-se.
— Nós mais ainda, bella — Giovanni disse, ele estava na ponta da mesa.
Andrew havia lançado uma piscadela para Elizabeth. John notou e não conteve sua risada, Elizabeth por sua vez sentiu vontade de sair correndo daquela mesa, mas pensou que não tinha mais quinze anos, não podia repetir os mesmos atos, deveria agir como uma mulher adulta, ou pelo menos fingir que aquilo não havia ocorrido apesar de ter sido muito excêntrico.
— Phill, por favor — Elizabeth murmurou, empurrando o braço de John. — Deus, me ajude.
— Qual o problema dele? — ele murmurou de volta.
John não conteve novamente a risada ao ver como Andrew tentava parecer sedutor ao comer o pedaço de lasanha. Andrew era conhecido por adorar causar problemas, ou por adorar causar dramas familiares. Elizabeth sabia que isso seria uma dose farta de drama, e tudo o que ela não queria naquele momento era justamente isso. Recriminou-se por não ter explicado a John como funcionava a cabeça tão pequena e imatura do Andrew, mas agora era tarde demais, o caminho mais viável era mudar o rumo da conversa.
— Nonno, a minha casinha da árvore ainda está intacta?
— Como você deixou para trás, bella. Criei a liberdade de mandar fazerem ajustes anualmente. Suas primas quando viajam para cá, vão lá de vez em quando, mas mantenho como uma memória para me lembrar de você — ele disse, sorrindo para Elizabeth assim que a neta lhe mandou um beijo.
— Papai, você continua puxando o saco da bella como sempre — Luna imitou a voz de seu pai.
— Luna! — Carlo disse, parecendo estar um pouco irritado.
— Está tudo bem, padrinho. A tia faz isso apenas para me irritar, vou levar John lá. Sei que Mike e Jennifer vão descansar agora, Richard e Kimberly foram fazer... — Elizabeth parou de falar quando ouviu John pigarrear. — Foram conversar lá fora... b-bem... — ela gaguejou naquele momento. — Vamos?
— Claro, meu bem — John disse, piscando os olhos para Andrew.
Já não estava tão de dia assim, o sol mais forte havia cessado e o pôr-do-sol estava para mostrar o quão lindo se tornava naquela altura na casa da árvore. A vista de lá era de fato muito linda, era possível observar a casa da família, a vinícola e além. Claro que John não deixou sua câmera guardada em sua bolsa, tirou algumas fotos sempre que tinha chances. Tudo aquilo era de fato muito tentador para qualquer fotógrafo.
— Mal de fotógrafo, não é? Não podem ver uma boa paisagem sem conseguir apenas apreciar com os olhos.
— Nós apreciamos com as lentes, Dean.
— Está bem, aprendi — ela riu. — Eu amo este lugar, Phill. Me traz tantas lembranças.
— Andrew? — ele perguntou, de modo sarcástico.
— Que horror, por Deus. Não! — ela rolou os olhos, suspirando. — Meus pais, em especial minha mãe. Ela amava este lugar, sabe? Sinto tanta falta dela.
— Eu não sei se deveria... — ele sussurrou. — O que aconteceu? Você nunca me contou.
Elizabeth ficou cabisbaixa por um segundo, depois virou-se de frente para John, assim conseguiram fazer contato visual. — Eu nunca te contei sobre absolutamente nada, Phill. Nada que envolvesse coisas pessoais demais, mas já que você está aqui, por que não? — ela deu de ombros. — Minha mãe faleceu quando eu tinha apenas dezoito anos, ela acabou descobrindo câncer de mama tarde demais, só teve tempo de fazer cuidados paliativos. Então ela dedicou seus últimos dias a mim, para me ensinar tudo sobre a Potere, tudo que eu deveria saber sobre aquele lugar. Você pode entender como a minha cabeça estava naquele momento? Eu era só uma garota de dezoito anos. Ela faleceu e foi quando conheci George. Ele já trabalhava na revista, sabia tudo sobre aquele lugar. Ele me ajudou, foi como um norte — ela sorriu suavemente. — Foi por isso que ficamos próximos. Com dezenove anos eu estava me casando, você acredita?
John assentiu enquanto ouvia tudo atentamente, mas no fundo havia achado aquilo um pouco louco demais.
— Claro que muitas pessoas falaram que era loucura, porque eu era nova demais, e ele na época tinha vinte e cinco anos, mas eu não me importava, eu me casei e faria tudo novamente. Foram anos incríveis! — ela deu ênfase. — Três anos depois quando nós dois estávamos fazendo uma pequena viagem para Roma em comemoração ao nosso casamento, um carro veio em direção ao nosso e acertou o lado do George, nosso carro capotou na mesma hora. George morreu no local do acidente e eu fiquei em coma por dois meses. Isso já tem quatro anos.
Lágrimas rolaram pelo rosto de Elizabeth, umedecendo sua pele.
Fez-se silêncio por um momento, John não sabia o que dizer. Elizabeth só tinha vinte e seis anos, mulheres dessa idade geralmente ainda estão na faculdade, saem aos finais de semana para beber com as amigas, ou ficam combinando os últimos ajustes para o casamento, festas. Eram muitas coisas para compreender. Ele agora conseguia distinguir o porquê de poucos sorrisos em Elizabeth.
— Eu sinto muito — ele murmurou. — Mas se quer saber, acho que você foi muito forte e independente.
— Independente por assumir uma empresa que já tinha ótimos lucros? — ela disse, de modo triste.
— Já vi empresas com ótimos lucros falirem miseravelmente, Dean. Você pode dizer que o George te ajudou, mas você conseguiu fazer tudo isso por quatro anos sozinha. E sinceramente, você tinha perdido a sua mãe com apenas dezoito anos e assumiu uma empresa sem experiência alguma — ele ergueu as sobrancelhas. — Não acha isso incrível? Eu acho. É um dom natural.
— Pode ser — ela fungou.
— Não acredito em acasos, acredito em esforços. Você conseguiu porque é esforçada o suficiente para isso. Sei que passou por coisas terríveis, mas acredite que sinto muito amor por parte da sua família por você.
Ela sorriu. — Minha mãe costumava dizer isso sempre, principalmente nos seus últimos dias.
John pegou sua câmera novamente e a virou para direção de Elizabeth. Ao que era notável ela não estava acostumada com aquela atenção, não parecia estar muito relaxada com aquilo. Suas bochechas coraram fortemente, ganhando uma cor avermelhada por conta da sua pele excepcionalmente cor de neve.
— Sabe o que dizem, Elizabeth Dean?
— Não faço ideia. O que dizem?
— Dizem que a melhor luz para fotografias é a natural. Veja como essa é a melhor luz natural que poderíamos ter. O que me diz? — ele balançou a câmera em direção a Elizabeth.
— Phillip, não. Não pense, por favor! — as bochechas de Elizabeth pareciam cada vez mais coradas.
— Eu disse que nós fotógrafos só conseguimos apreciar uma bela vista através das nossas lentes.
— O que eu devo fazer? — ela disse, sentindo-se confusa por nunca ter feito uma sessão de fotos.
— Seja apenas você, Elizabeth. Sairá linda de qualquer jeito.
Sol e churrasco italiano, tudo que a família Cipriano apreciava e eram mestres. John aproveitou para fazer ótimas fotos, entre muitas fotografias de toda a família, sua lente não conseguia parar de ficar focada em Elizabeth. Ela, por sua vez, parecia estar começando a ficar muito acostumada com toda aquela atenção, talvez quisesse aproveitar cada segundo que poderia. O vestido vermelho que estava usando combinava perfeitamente com o tom avermelhado natural dos seus lábios e das maçãs do rosto.
— Você só está tirando fotos, que tal ir comer? Eu faço isso aqui — Elizabeth pegou a câmera das mãos de John.
— Você sabe o quanto eu amo essa câmera, então, por favor...
— Por favor... — ela disse, imitando a voz de John. — Estou criando memórias suas com a minha família, Phillip. Você está aqui, não está? Se divirta no churrasco e beba muito vinho da nossa casa, não tanto a ponto de ficar bêbado.
John aproveitou as ordens para se divertir um pouco. Desde que o churrasco havia começado tudo que ele tinha saboreado havia sido um pequeno pedaço de carne, não tinha conseguido sentir o sabor de absolutamente mais nada. Elizabeth estava atrás como um cachorrinho, mas um cachorro que sabia tirar fotos com uma ótima câmera. Entre risadas e algumas mordidas em pedaços de carnes, John não conseguiu se conter ao tentar desviar da lente de sua própria câmera.
— Elizabeth? — ele perguntou, bebericando um pouco do vinho. — Não faça o feitiço virar contra o feiticeiro, isso vai contra as minhas regras.
— Então você não gosta de brincar, sr. Armstrong? — ela tirou uma sequência de diversas fotos, precisamente seis.
John aproximou-se de Elizabeth, o contato visual foi instantâneo, muito intenso inclusive. Ela ficou um pouco retraída por alguns segundos, mas seu corpo foi relaxando na medida em que o corpo de John fora aproximando do seu. Os dedos de ambos foram ganhando cada vez mais proximidade.
— Phill... — ela murmurou.
Aqueles olhos azuis pareciam ser tão devoráveis. Naquele momento John não quis proferir palavra alguma, ele optou por entender e nutrir as reações que Elizabeth teria, até onde ela iria. Cada segundo eles estavam mais próximos, ele já poderia ver o brilho daqueles olhos verdes se perdendo, e o calor daqueles lábios carnudos ficando tão próximos aos seus.
Kimberly e Jennifer ficaram observando de longe a cena entusiasmadas, era ainda mais nítido ao ver os sorrisos em seus lábios, Mike e Richard não pouparam risadas ao verem as amadas e já imaginando os planos que estavam passando naquelas cabeças para juntarem os dois.
— Vocês vão se beijar agora? — Alice disse, mastigando um pedaço de bolo.
— Como? — Elizabeth riu sem graça. — Alice, o que você está dizendo? Não tem ninguém beijando aqui, tem? John só estava pegando a câmera dele.
— É claro — John disse, irritado enquanto pegava a câmera da mão de Elizabeth.
O restante do feriado foi plácido. Elizabeth e John não trocaram muitas palavras depois do quase beijo. Kimberly e Richard continuaram na paixão ardente o feriado inteiro, com o passar dos dias só intensificou. Jennifer e Mike ficaram sonhando com os gêmeos, mas também discutiram a respeito dos nomes, quem seria o padrinho ou os padrinhos das crianças com Elizabeth e todas as questões finais, muitas respostas a serem solucionadas.
A volta foi silenciosa, não parecia o mesmo carro da ida. John havia pensado diversas vezes se aquele quase beijo teria sido uma decisão tão ruim assim para ambos. Porém, achou que não deveria insistir em absolutamente nada; ela era a sua chefe, eles trabalhavam juntos o tempo inteiro, então era hora de apenas desistir. Ele só queria um sinal para esquecer aqueles lindos olhos verdes, mesmo que parecesse besteira.
Seu celular vibrou naquele mesmo momento, o que lhe pareceu um pouco estranho. Naquela região da estrada o sinal era oscilante demais, e a predominância era de extremamente péssimo para quase nada. Um SMS, muito antiquado.
Estou ansiosa para te ver na segunda
Beijos, John
Bella
Ele olhou Elizabeth dormindo ao seu lado, parecia estar em sono profundo. Relembrou daquele cheiro que havia grudado em seu nariz durante quase o feriado inteiro; relembrou do primeiro dia, do bar, das pequenas coisas, os momentos mais bobos, até os mais sérios, relembrou até mesmo da sessão de fotos. John pegou sua câmera e começou ver as diversas fotos que havia registrado, tantas memórias que criou, mas se convenceu que as mais lindas foram as da casa da árvore.
— Eu quero você, bella — ele murmurou.
John estava parado analisando o sorriso de Elizabeth. Deu-se conta que não era a outra Bella que ele queria, mas sim a bella que havia quase beijado aquele final de semana. Aquela que estava dormindo profundamente ao seu lado.
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