O Recomeço
3 Despedidas
Notas iniciais
O dia seguinte foi um dos mais difíceis da história da família Weasley. Era o dia do funeral de Fred. O enterro aconteceria de manhã, em uma área afastada nos terrenos da propriedade. Desde que acordou, Ron não pensava em outra coisa. Era complicado dizer adeus. Nem Hermione conseguia animá-lo. Com o resto da família era parecido, havia uma sensação de simplesmente acabar logo com aquilo e seguir em frente, por mais difícil que fosse. Jorge, obviamente, estava pior ainda. Ele e o irmão eram inseparáveis e ele não imaginava uma vida sem ele. Como poderia viver normalmente? O que iria fazer com a loja? Sem Fred nada mais fazia sentido. Desde o momento em que viu o corpo do seu irmão, sentia que havia morrido também, nem mesmo o fim da guerra foi o suficiente para arrancar um sorriso de Jorge. E agora ele se preparava para finalmente dizer adeus, mesmo que não soubesse como.
Aos poucos foram chegando amigos, familiares e até funcionários da escola. Angelina, Lino Jordan, Katie, Hagrid, Minerva, Luna e seu pai, Neville e tantos outros compareceram. A família Weasley tentava mostrar força para receber os convidados, mas era difícil, ninguém estava bem. A Sra. Weasley chorava sem parar ao lado do caixão do filho, enquanto seu marido simplesmente a abraçava, desolado. Gui e Fleur também estavam abraçados, mas tentavam ao menos conversar com quem chegava. Percy, Carlinhos, Ron e Gina estavam quietos, perdidos em seus pensamentos. Harry e Hermione observavam tudo aquilo destruídos, não apenas pela morte de um amigo, que era considerado família, mas também pela tristeza de todos aqueles que amavam tanto. Jorge estava sentado na primeira fileira das cadeiras dispostas no gramado encarando a paisagem quando uma garota veio ao seu encontro.
— Oi, Jorge. Sei que talvez você não queira conversar muito agora. Só queria dizer que o Fred era muito importante pra mim também e sei lá, até agora isso não parece real. Sinto muito por tudo o que aconteceu mesmo, então por favor só não esquece que eu estou sempre aqui pra o que você precisar — disse Angelina, com lágrimas nos olhos, sentando ao lado de Jorge, o abraçando fortemente e saindo em seguida.
Jorge não demonstrou reação, mas por dentro aquilo foi muito importante. Ela tinha sido a primeira a ter coragem de falar com ele e aquilo não era surpreendente, era o jeito dela. Saiba que ainda teria a família e os amigos ao seu lado, mas ouvir aquilo fazia diferença. Nos momentos seguintes mais pessoas criaram coragem de falar com ele e, por mais que o gêmeo nunca respondesse, ele ouvia tudo atentamente. Assim, as conversas entre sua família e os convidados aumentaram de volume e Jorge ficou apenas ouvindo histórias sobre Fred serem contatadas, rindo, por dentro, de cada boa lembrança.
Harry olhava Gina de longe. Viu lágrimas, tão raras quando se trata de Gina, escorrerem dos seus olhos. Queria ir até lá falar com ela ou simplesmente só segurar sua mão, mas não encontrava coragem, afinal era o culpado pela morte do irmão dela. Ele era, na cabeça de Harry, a última pessoa que ela gostaria de ver ali. Não havia falado com ela desde que acordou no castelo. Será que ela estava brava com ele? Ou era apenas o luto por tantas mortes? Harry não sabia dizer. Já Hermione decidiu se juntar ao seu namorado. Sentou do seu lado, simplesmente encostou a cabeça em seu ombro e assim os dois ficaram abraçados. Depois que todos sentaram, começou a cerimônia. Ela foi rápida, poucas pessoas decidiram falar. Arthur, Gui e até Lino falaram sobre Fred. Os outros membros da família, incluindo Jorge, não encontraram forças pra dizer nada, mas todos entenderam o porquê. No fim, Fred Weasley foi enterrado com os dizeres em sua lápide sendo: “Fred, um amado filho, irmão e amigo. Que descanse em paz na sua partida precoce. Mal feito, feito.”
Durante a tarde, aconteceram os funerais de Lupin e Tonks. Eles foram enterrados juntos em um cemitério perto da casa de Andromeda, a mãe de Tonks. Muitas pessoas que Harry nem conhecia apareceram para se despedir, além de membros da Ordem e da Armada de Dumbledore. Esse foi um dos mais tristes de todos, não só pela perda de dois grandes bruxos, mas também pelo seu filho Ted Lupin, que havia se tornado um órfão. Essa foi a primeira vez que Harry viu seu afilhado, uma criança linda. Era visível que ele havia herdado os poderes de sua mãe, pois não parava de mudar sua cor de cabelo, arrancando sorrisos de todos, mesmo naquele ambiente mórbido. Apesar disso, Harry não conseguiu segurá-lo. Mal aguentou olhá-lo por muito tempo, pois as lembranças eram muito fortes. Disse a Andromeda, que tentava se manter forte pelo neto, embora estivesse extremamente abalada, que visitaria outro dia.
Assim se seguiram os dias seguintes. Outros funerais ocorreram e todos na Toca tentavam se recuperar. Carlinhos voltou para a Romênia, Gui e Fleur para o Chalé das Conchas e Percy para o seu apartamento. Aos poucos, a casa foi se tornando mais vazia, com o Sr. Weasley já saindo pra trabalhar, pois havia muito a ser feito na reestruturação do Ministério. Molly tentava se distrair na cozinha e Jorge ficava trancando no quarto, só saindo para as refeições. Ron e Hermione passavam muito tempo juntos e Harry ainda não conseguia falar com Gina, então adotou o costume de dar longas caminhadas pelos terrenos da região. Ele gostava, era bom para pensar. Porém, as coisas só ficavam piores com o passar dos dias na Toca para Harry, que se sentia sufocado, com um sentimento de culpa cada vez maior. O clima de alegria não havia voltado e o menino que sobreviveu não conseguia mais encarar a família. Era horrível. Nada de quadribol ou conversas divertidas na sala, era cada um no seu canto, tentando lidar com o luto da melhor maneira que podiam. Harry percebeu que vendo tudo aquilo não iria melhor nunca. Precisava ficar sozinho, não era à toa que seus momentos favoritos eram suas caminhadas. Tinha que ir embora. Por um tempo pelo menos, era o melhor para ele. A culpa, não só da morte de Fred, mas de todos, era muito grande e aquele ambiente só o estava deixando pior. Sabia que a Sra. Weasley nunca iria permitir e Ron e Hermione nunca deixariam que ele saísse sozinho, visto que ele já havia tentando na busca das Horcruxes, mas esperava que eles entendessem depois. Esperava que Gina entendesse. Então, no meio da noite, enquanto todos dormiam, Harry desceu as escadas silenciosamente e deixou uma carta se explicando na mesa da cozinha. Saiu da casa, garantiu que ninguém o seguia e aparatou para onde ele sabia que estaria seguro e isolado.
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