O Querido Amigo Gay
6 Tarde demais
Notas iniciais
“Ai”, esse é o primeiro pensamento de uma pessoa que acorda com uma ressaca daquelas. A pessoa em questão era Hinata que sentia uma dor de cabeça infernal, a garganta seca e o estômago revirar como se tivesse em uma montanha-russa grande e cheia de voltas. Esperou a montanha-russa estomacal parar para não vomitar e sentou-se na cama lentamente, temendo que, se fizesse algum movimento brusco, seu crânio pudesse explodir.
Como pudera beber de forma tão descontrolada quando aquela? Nunca teve um porre daqueles!
Estava tão concentrada em não colocar os “bofes” para fora que nem notou que não estava na sua cama, muito menos no seu quarto. Apenas quando apoiou sua mão esquerda atrás do corpo para sentar-se melhor foi que sentiu algo quente e musculoso ao seu lado, o que a fez pensar “Oh-oh, fiz merda”.
Receosa, virou o rosto lentamente e soltou a respiração aliviada ao ver que se tratava do braço de Naruto... Não, espera, Naruto? Será que ela havia transado com ele? Examinando-o, percebeu que o mesmo tinha um coberto sobre as nádegas e, fitando-se, corou ao constatar que estava apenas de calcinha e sutiã.
— Kami-sama, me diz que não é o que estou pensando que é — sussurrou para o teto e voltou a olhar o melhor amigo que babava sobre o travesseiro, os braços jogados e a face tranquila virada em sua direção. Levou as mãos até a coberta e elevou-a, voltando a respirar ao vê-lo de short. — Ufa...
Inocentemente, aproveitou para apreciar o bumbum maravilhoso e suspirou, contendo sua vontade de apertá-lo. “Sua pervertida!”, repreendeu-se e não conseguiu soltar o cobertor, vendo como aquela bunda conseguia fazer aquelas voltas tão redondinhas e perfeitas.
— Sua pervertida... — ouviu uma voz e, desta vez, tinha certeza que não era sua consciência, fazendo-a prender a respiração, corar e soltar o objeto no mesmo instante. — Pensei que fosse me assediar sexualmente.
A voz rouca de Naruto era maliciosa e deixava-a mais desconsertada e envergonhada que nunca. Queria encará-lo, só que não tinha coragem para tal ato, olhando para suas pernas cruzadas e suas unhas mal feitas. Era oficial, ela necessitava de uma manicure!
— E-e-e-e-e-e-eu... — parou para respirar antes de continuar. — Eu s-só queria ver se estava ve-vestido.
— Por que, ora? Sabe que durmo vestido quando você está aqui.
Foi, enquanto pensava em uma desculpa, que as lembranças acertaram em cheio sua mente como uma flecha no círculo vermelho. Poucas eram nítidas, porém as que eram encheram-na de melancolia, dor e, surpreendente, raiva. Talvez não estivesse tão surpresa por sentir rancor, afinal.
— Não sei... Talvez porque você já tenha dormido com uma mulher essa semana e, por acaso, estava querendo dormir com outra — ironizou e, finalmente, virou-se para ele, reparando os olhos azuis arregalados.
— Que história é essa, Hina? — o louro estranhou e aquilo irritou-a ainda mais.
— Ah, sim! Você não transou com uma mulher e sim com uma cobra de espécie nova, a Shion.
Assim que viu um brilho de entendimento passar pelos olhos dele, sentiu vontade de chorar e de batê-lo, contudo, conteve-se a bufar e levantar da cama levemente tonta com fumaça saindo por seus ouvidos e nariz. Caminhou em passos duros para seu quarto e Naruto puxou seu braço no corredor, forçando-a parar.
— Você não me explicou! — exclamou ele e quis pular no pescoço do infeliz, só quis mesmo.
— Me solta! Não quero olhar na tua cara! — tentava livrar-se do aperto e sair de perto dele para chorar em paz. — Seu gay falso do caralho!
— Não até você me explicar... Espera, você xingou? — o espanto dele fez que ela visse o que tinha falado e corasse.
Ao pensar em responder, sentiu a dor de cabeça aumentar e o estomago revirar-se com força total, o bile subindo rapidamente. Correu para o banheiro do corredor e conseguiu chegar no vaso a tempo da primeira “sessão de ressaca” como ela e seu ex-amigo, Naruto, costumavam chamar. Colocou tudo e mais um pouco para fora e sentiu o cabelo ser elevado, quando começou a segunda sessão. Terminou de vomitar minutos depois e estava tonta, com um péssimo gosto na boca e lacrimejava.
— Vou pegar o remédio para dor de c...
— Não quero sua ajuda — interrompeu-o de olhos fechados para que o mundo parasse de girar. — Você é um filho da mãe e não quero que cuide de mim.
— Não foi um pedido, foi um aviso — respondeu com o mesmo tom indelicado e ouviu os passos deles se afastarem, suspirando.
Havia uma possibilidade de o que fora dito por Shion pudesse ser mentira. A loura não era de confiança e, obviamente, faria tudo para ter o Uzumaki de volta. Apesar de não estarem tão próximos como algumas semanas atrás, Hinata tinha certeza que ele conversaria com ela antecedentemente de tomar qualquer decisão que mudasse sua vida de cabeça para baixo.
No entanto, a Hyuuga só conhecia esse rapaz que convivia, os seus gostos, os seus costumes, suas atitudes e não sabia quem fora Naruto no passado. Será que tinha irmãos? Será que tinha mais amigos? Será que tinha tido outras namoradas além de Shion? Esta pergunta em especial deixava-a incomodada, mas era coisas simples que tinha vontade de saber. Ela não imaginava o quão intenso fora o relacionamento dele com a loura, muito menos a razão de seu passado ser um assunto tão limitado.
Por um lado, confiava nele. Por outro, tinha medo do misterioso passado dele.
Sua luta interna era tão grande que nem atentou-se a entrada do homem em questão no recinto.
— Tome — escutou a ordem e abriu os olhos, focando-os no minúsculo comprimido na mão imensa do rapaz. —, vai tirar a tontura e a dor de cabeça.
Queria protestar com a ajuda não solicitada, entretanto, sentiu a cabeça rodar outra vez, pegando o remédio e o copo d’água que estava na outra mão dele. Colocou na boca e mandou goela baixo com a ajuda do líquido.
— Arigatou — agradeceu e tentou levantar-se, sem sucesso. A mão de Naruto surgiu na sua frente e, relutante, pegou-a, sendo puxada para ficar de pé. — Arigatou de novo.
— Disponha — o tom frio e polido dele eram de partir o coração e, ainda assim, ela não podia voltar atrás. Tentou soltar sua mão e olhou para a mesma ao ver que não conseguia, fitando os dedos do louro entrelaçados nos seus. — Você ainda não respondeu minha pergunta.
Revirou os olhos e bufou, olhando-o como se fosse um babaca. Ele não percebia que ela não queria falar com ele?
— Como se você não soubesse... — resmungou e tentou desvencilhar-se. — Como se você não tivesse transado com ela na terça.
— Eu não trepei com ninguém na terça! — ele tinha o olhar desentendido e franziu o cenho ao perguntar: — Foi isso que ela falou para você, não foi? Foi isso que fez você sair correndo do cinema?
Por um segundo, ela ficou espantada. Como ele sabia que Shion vinha falando coisas nada agradáveis para sua pessoa? Ela, certamente, não havia contado. Então, desviou o olhar e mexeu a mão com força para sair do aperto dele.
— Me solta, Naruto.
— Não até você dizer.
— Se você já sabe, por que tenho que repetir? — sentia seus olhos marejarem e sua boca fazer um bico de revolta, engolindo seco para não chorar. Estava tão cansada de lutar, de sofrer, de chorar.
— Hina... — o tom de voz do louro era ameno novamente, aquele que ele usava quando sabia que ela estava magoada e mordeu o lábio inferior, abaixando a cabeça. — Hina-chan...
— M-me deixa, seu t-traidor!
Em vez disso, o rapaz abraçou-a com carinho e aquilo foi o auge para que as lágrimas descessem. Escondeu o rosto no pescoço dele e chorou, mesmo não querendo. Ela odiava esse poder que o Uzumaki tinha sobre si, sempre sabendo quando ela estava triste ou quando estava escondendo algo. A única vez que ele não desconfiou de nada foi dessas últimas semanas para cá, desde a chegada de sua família, já que ele tinha que dividir o tempo com ela e eles.
— É c-culpa sua, seu baka! — sussurrava entre soluços e lágrimas enquanto batia com o punho em seu peitoral ainda desnudo. — Tudo culpa sua. S-se você tivesse me f-falado que sente atração por homens e m-mulheres, eu não ficaria cha-teada atoa.
Com o tempo, ela foi parando de batê-lo e o choro reduziu-se a apenas fungadas. Durante seu momento revoltada chorosa, Naruto ficou em silêncio e acariciava as pontas de seus cabelos, fazendo-a sentir apoio por todos os dias que não ficaram tão juntos. O cheiro dele também ajudou para que a calmaria viesse.
Droga! Assim, ela não conseguiria ficar com raiva dele por muito tempo.
— Hinata — chamou-a e, pela entonação da voz, estava sério. Ergueu a cabeça para que pudesse encará-lo e sentiu as bochechas ficarem vermelhas por estarem tão perto. —, quero te falar duas coisas.
— Nani? — perguntou e ficou tentada a olhar para os lábios dele. Se ela erguesse o corpo, poderia tocá-los com os seus... Mordeu o lábio inferior para conter sua vontade.
— A primeira é que eu não transei com Shion — afirmou e era impressão dela ou ele fitava os seus lábios com a respiração agitada? Mordeu-se mais forte. —, a segunda é que... Que...
— Que?
— Que eu não sinto atração por... Homens. Apenas por mulheres.
Tardou um pouco para que entendesse o que ele havia dito e, quando o fez, arregalou tanto os olhos que eles quase pularam para fora. Ele não gostava de homem? Como assim? Ele vivia falando para ela que gostava e, de um dia para o outro, não gostava mais.
Friamente, afastou-se do abraço e saiu do banheiro, rumando ao seu quarto. Abrindo a porta, ouviu seu celular tocar na sala e bufou, indo buscá-lo. Assim que pegou o aparelho, o barulho cessou. No visor deste, avisava das ligações do dia anterior e, caramba, eram muitas! Virou-se para voltar por onde veio e bateu contra Naruto, que encarava-a com os olhos brilhando em desespero ao ver o rosto dela inexpressivo.
O que ele queria? Que ela quisesse falar com ele depois de revelar que a única coisa que sabia dele era mentira?
Desviou-se dele e voltou para o quarto, entrando, trancando a porta e colocando o celular no criado-mudo. Precisava colocar uma roupa e, como não conseguia sem tomar um banho, foi fazê-lo. Durante o banho, não soube como agir ou como reagir uma notícia como aquela. Por três anos, o rapaz afirmara que sentia algo por homens, que perdera a vontade de apaixonar-se por mulheres; até mesmo jeito de gay ele tinha!
Então, desde a chegada de seus pais, amigos e ex-namorada, tudo mudou. Seu Naruto, o amoroso, o confidente, o consolador, o seu melhor amigo gay... Sumiu. Afastou-se dela como se algo estivesse errado ou por vergonha, quando ele deveria se aproximar, visto que, supostamente, eles eram namorados que se amavam tanto a ponto de morarem juntos.
De repente, uma única lágrima rolou por sua bochecha e notou que, com três anos de amizade, Naruto era um desconhecido. Não tinha passado, não contou-lhe a verdade sobre uma das poucas coisas que confiava a ela. Será que havia mentido mais vezes para ela durante esses anos?
Hinata, simplesmente, não sabia.
Seus pensamentos foram suspendidos quando ouviu o celular tocar lá fora e apressou-se com o banho. Terminou-o e, secando-se de maneira rápida, correu para fora do banheiro. Colocou a primeira lingerie e o primeiro vestido que encontro no armário e foi até o aparelho. Viu o nome de Tenten e respirou fundo, atendendo.
— Moshi-mo...
— HINATA, SUA VADIA! — berrou em seu ouvido e, por um segundo, pensou ter ficado surda. — Como você pode ter feito um negócio desses comigo? Por que você fez isso? Por onde você andou? Por que não veio aqui para casa em vez de dar uma de louca e sumir do mapa? Quer apanhar, minha filha, porque não vejo problema em dar uns tapas nessa tua bunda, tá me ouvindo? Porra, você conseguiu me deixar de cabelos brancos antes dos quarenta! Ei, ei, ei, dá pra parar de rir! Tô falando muito sério!
Todavia, a Hyuuga não conseguia conter a risada com o desespero da amiga. Logo de Tenten, que era uma pessoa centrada emocionalmente. Ouvi-la falar tão rapidamente era algo que pensou nunca ouvir na vida e não pode deixar de rir da situação.
— Calma, Tenten-chan — pediu e segurou o riso. —, eu estou respirando e sem nenhum arranhão.
— Ainda bem! Caraca, Hina, você acabou comigo. Nunca perdi tanto fio de cabelo quanto ontem.
— Gomenasai, Tenten. Não era minha intenção deixá-la assim. Eu só queria um tempo para pensar e não ter que falar com ninguém.
— Você e essa mania horrível de guardar tudo o que está sentindo. Naruto te falou que quase foi estuprada?
Ficou surpresa com aquela descoberta. Ela tinha se metido em tanta confusão assim?
— Lie — respondeu e fechou os olhos. —, ele não falou. Aliás, eu não estou falando com ele!
— Nani? Por que? — indagou a chocolate que tinha uma voz curiosa. Era difícil que ela e o Uzumaki brigassem e, quando acontecia, era por algo sério.
— Ele mentiu para mim — sussurrou e fitou o dedo da outra mão que desenhava qualquer coisa no carpete. —, ele não é gay, Tenten.
— Ah, isso... — a curiosidade deu lugar ao entendimento.
Mas espera um pouquinho...
— Como assim “Ah, isso”? Você já sabia? — perguntou indignada. — Não acredito que não me contou!
— Sinceramente, todos sabiam a verdade — confessou a outra arrependida e aquilo deixou a morena mais revoltada. — Hina, ele tem um bom motivo para não ter contado para você, só deixe-o se explicar.
— Você é minha melhor amiga, como pode não me contar algo como isso? Você sabe... — parou e, tendo certeza que ele estava atrás da porta, sussurrou quase inaudível. — Você sabe o que sinto por ele e, mesmo assim, não me falou nada?
— Hinata...
— Olha, Tenten, já estou magoada o suficiente e não quero ficar mais triste, então, ja né — desligou o celular e colocou-o ao seu lado.
Dava para acreditar? As duas pessoas que mais confiava mentiam na sua cara!
A amiga até tentou liga-la umas três vezes e, meramente, ignorou-a, sentido sua mão coçar. Não era de seu feitio deixar o celular no silencioso, muito menos não atendê-lo nos primeiros toques. “Parece que está virando um costume, ignorar as pessoas”, comentou sua mente e concordou no seu interior. Quando pensou que Tenten desistira, foi o momento que recebeu uma mensagem. Revirando os olhos, pegou o aparelho e surpreendeu-se da mensagem não ser da chocolate e sim de seu pai.
Hinata, o voo será amanhã, às dez e quinze. Não queria que fosse um horário muito cedo para que você terminasse de arrumar-se.
Você tem certeza que quer fazer isso?
Hiashi
Hã? Do que ele estava falando? De repente, Hinata sentiu uma dor de cabeça acompanhada com uma lembrança do dia anterior.
Algumas horas atrás...
A morena pagou o motorista e sorriu, recebendo um olhar de compaixão do mesmo. Afinal, ela sorria, mas também sentia as lágrimas descerem por seu rosto. Ao ver o táxi se afastar, limpou-as e olhou ao redor, ficando surpresa quando percebeu que nunca havia estado naquele lugar. Ela estava tão acostumada com sua rotina que, às vezes, esquecia que Kyoto só parecia pequeno.
Caminhando pelo novo lugar, acabou voltando a pensar na situação que vivia: seu melhor amigo iria abandoná-la.
Após tanto tempo de amizade e era assim que ele retribuía? Que gay ingrato ele era, isso sim! Sabia que, talvez, ele não tivesse realmente dormido com Shion de terça para quarta e também sabia que a loura poderia estar enganando-a, todavia, não tinha ninguém ao seu lado para ajudá-la a diferenciar o certo do errado. Culpa dela mesma! Quem mandou não querer falar com Tenten?
Por falar nela, a amiga deveria estar desesperada a sua procura e aquilo a preocupava. Não queria ter sido rude com ela, só que não estava a fim de papo que a fizessem lembrar que sua vida era uma merda. Ficaria mil vezes melhor se andasse por aí...
— Gomen, Tenten-chan — pediu e suspirou.
Foi pensando na outra que se lembrou de que não havia contando sobre o casamento. Nem para ela e nem para ninguém.
Hiashi era seu pai e, como um ótimo pai que era, pediu para que ela escolhesse se realmente queria aquilo, algo desnecessário, já que o casamento era a forma mais rápida de conseguir dinheiro para Hanabi. Ele falou que, até seis meses, conseguiria pagar o tratamento e, se Hinata tivesse alguma ideia menos drástica, ele estaria de ouvidos abertos.
Só que ela não tinha nada em mente. A única coisa que pode fazer era pedir para que sua mãe não mandasse mais sua “mesada” e manter-se com o seu dinheiro. O mais próximo que conseguiu de um plano foi um empréstimo, só que tinha medo de não conseguir pagar de volta, especialmente com os juros.
De uma forma ou de outra, ela aceitaria... Apenas não tinha ideia de quando isso aconteceria.
“Então, por que não agora?”, perguntou-se e parou de andar. “Na verdade, por que não aceitei antes?”. Ela sabia o porquê: ainda tinha esperanças que, um dia desses, Naruto a olharia ou alguém apareceria para ser o seu “príncipe”. Riu de sua inocência e balançou a cabeça para seu pensamento. Era impossível que o Uzumaki se apaixonasse por ela, assim, do nada. E seria mais impossível ainda que alguém aparecesse em sua vida, já que os olhos delas pertencessem a uma pessoa.
Pegou o celular e ligou-o, vendo que Tenten já havia ligado umas sete vezes. Discou o número tão conhecido de sua casa e foi atendida no segundo toque por quem queria falar.
— Otoo-san — sussurrou e tentou sorrir. —, eu aceito.
— Tem certeza? — perguntou o homem, hesitante. — Não quer mais tem...
— Não tenho nada a perder, eu sou nada comparada a vida de minha irmã.
Depois de uma conversa rápida sobre os detalhes, Hinata desligou e sentiu-se pior do que antes. Talvez não tivesse sido sua melhor escolha, mas era a que precisava ser feita. Abraçou-se e andou por algum tempo, tentando ignorar seu pensamento. Duas quadras mais tarde, ela olhou para cima e viu o lugar que precisava ir para esquecer os problemas.
Uma boate.
Atualmente...
Soltou o celular e colocou as mãos no rosto, totalmente sem chão.
O que havia feito? Ela não estava pensando direito, ela não estava pensando direito! Que merda! E, agora, o que deveria fazer? Ligar para o pai e cancelar tudo? Dizer que estava passando por uma situação complicada e que acabou fazendo o que não queria? “Mas deveria, afinal, estamos falando da vida de Hanabi”, maldita consciência! Hanabi, sua irmãzinha... Ela dependia da decisão de Hinata e, quanto mais rápido a fizesse, melhor.
Sentia o lábio inferior tremer. Logo quando poderia ter uma chance com Naruto... “Que chance?”, ironizou mentalmente. “Ele demorou três anos para te contar que gosta, na verdade, de mulheres e você ainda acha isso uma chance? Ele não te quer e por isso escondeu tudo de você, sua idiota!”
Não teve muita escolha a não se concordar.
Engolindo outra rodada de choro, pegou o aparelho e respondeu a mensagem de seu pai:
Ótimo horário, tudo estará pronto até lá. Não se preocupe! Como já disse, não tenho nada a perder...
Bjs, Hinata
Que irônico... Ela achava que seria abandonada e, agora, estava abandonando...
Na verdade, ainda não sabia se seria abandonada, porém nem queria saber. Não queria voltar atrás por causa do louro.
— Que tal você ir para o seu quarto, Naruto? — perguntou alto e ouviu-o prender o ar. — Sei que estava ouvindo minha conversa com Tenten e é muito feio de sua parte.
— Você deveria perdoá-la, ela não tem culpa de nada. — “Claro, apenas acorbertou você, nada demais”, pensou em responder, contudo, o silêncio era sua melhor arma. — Não vai falar comigo? — minutos mais tarde, ele percebeu que não e suspirou. — Tudo bem, ao menos, sei que vai me ouvir.
Portanto, o Uzumaki começou a contar uma história, a história de sua vida. Hinata tentou ignorá-lo como havia feito com a melhor amiga e, infelizmente, não conseguiu deixar de ouvi-lo, mesmo com as mãos nos ouvidos.
Naruto contou que, quando criança e adolescente, sentiu mais que amizade por Sakura e Ino, respectivamente. A rosada foi seu primeiro amor e seu primeiro fora, deixando-o mais arrasado ao vê-la se declarando para Sasuke, seu melhor amigo da época. Com a loura foi diferente: eles ficaram por um mês e namoraram por dois, porém teve um final parecido: terminou o namoro e, na semana seguinte, ela já estava namorando Gaara.
Assim que começou a contar sua história com Shion, Hinata sentiu uma pontada forte no coração e quase pensou em pedi-lo que parasse, mas conteve-se. Como ela suspeitava, o que eles viveram foi lindo e intenso, quase um conto de fadas. O rapaz comentou que era apaixonado demais e comprou até uma aliança para pedi-la em casamento. E, então, a desgraça: Naruto pegou-a na cama com o irmão mais velho.
— Quando nos conhecemos, eu... Hã... Digamos que fiquei encantado por sua beleza exótica. — sentiu-se corada e feliz por aquela revelação e conseguiu continuar quieta. — Fiquei com medo de me apaixonar por você, pois tudo que vivi com Shion havia sido intenso e estava sendo doloroso demais... Me veio uma ideia, daquelas que vem do nada, e não pensei duas vezes: falei que era gay.
Ficaram em silêncio. Se dissesse que não entendia o motivo dele, estaria mentindo. Hinata sabia que, quando o assunto era coração, tudo dava errado. E como dava.
— Eu só queria saber por que escondeu de mim, após me conhecer melhor? Não confia em mim? — perguntou devagar e mostrando toda sua tristeza.
— Eu tinha medo da sua reação... Agora, nós somos amigos e nem sei se você vai me perdoar, imagina alguns anos atrás. Tenho certeza que nem olharia na minha cara!
Ele tinha um ponto.
Pensando no sufoco que deveria ter sido para ele ao contar o que passara, a morena sentia-se quase obrigada a contar a sua história também. Não queria, não sentia-se preparada e tinha medo do que Naruto faria. No entanto, ela não queria que tivesse mais segredos entre eles, não antes de sua partida.
Suspirando, sussurrou:
— Acho que é a minha vez de contar a minha história...
Alguns anos atrás...
O verão na Suíça era agradável. Não era aquele calorão de matar e vivia passando um ventinho frescos entre as árvores frutíferas ou não. Hinata queria continuar com seu bico de revolta e só não conseguiu por estar encantada com o local, tão diferente de Fukuoka, no Japão.
“Acorda, você está irritada por estar aqui!”, lembrou-se e cruzou os braços. Ela não queria ter ido para um internato. Ela até entenderia se seu pai a mandasse quando tinha doze anos, mas com quinze era sacanagem! E sua escola? E seus amigos? E sua vida? Teria que se adaptar a um país novo com pessoas desconhecidas? Aquele plano de seu pai lhe dava uns nervos.
O internato que iria estudar era conhecido como “Escola dos Reis” por ser o colégio mais caro do mundo e, ainda assim, preferia ser uma garota que estudava em uma escola particular simples na Cidade dos Gatos.
— Senhorita, chegamos — avisou o motorista e virou-se para a janela, assustando-se com o fato de seu colégio ser divino.
Tinha três andares, dois pintados de amarelo claro e o último era marrom como o telhado. Havia uma escultura de forma estranha bem em frente ao lugar onde a limusine estava estacionada. Quando tratava-se de arte, ela só se entendia com os livros mesmos.
No interior, era... Uou! As paredes em tons de pasteis combinavam perfeitamente com o chão de madeira tão bem polido que conseguia ver seu reflexo. O lustre no centro do teto era gigante e ela tinha certeza que era de cristal verdadeiro. Ficou tão encantada que não percebeu quando um homem com o uniforme do colégio aproximou-se com uma pose elegante.
— Senhorita — chamou-a e virou-se para encará-lo. — Posso ajuda-la?
— Ah, sim — ah, como odiava falar inglês! —, chamo-me de Hinata Hyuuga. Creio que meu pai avisou sobre minha chegada.
— Sim, sim — pegou suas malas e deu um aceno, sorrindo. — Queira me acompanhar até a secretária para confirmar sua matrícula.
Após sua passada no local, foi guiada para o que seria seu quarto pelos próximos três anos e bufou por saber disso. O “quarto”, na verdade, era um cômodo de um único andar com cozinha, banheiro e quarto. Quando ficou ali sozinha, pensou “Será que pode fazer uma reforma para ficar mais a minha cara?” e jogou-se na cama de solteiro que era tão grande que parecia uma de casal.
Quando ia começar a arrumar suas coisas, ouviu o que pareceu ser uma campainha soar pelo corredor e seguiu até sua porta, apoiando a cabeça e escutando uma agitação do lado de fora. Abrindo-a, deparou-se com algumas alunas seguindo até o final do corredor, conversando animadamente e sumindo em seguida. Por algum motivo, soube que deveria segui-las e foi o que fez.
Descobriu que seguiu-as até um auditório que, no momento, encontrava-se cheio, todavia, com algumas cadeiras vazias pelo fundo. Sentou-se na última fileira. No palco, viu um homem de cabelos escuros, muito sorridente e apresentou-se como Philippe Gudin, diretor da escola. Fez um breve discurso sobre as regras principais do internato: sem atrasos para as aulas; se for pego fora do quarto após o horário de dormir, levaria uma advertência; nada de meninos no quarto de meninas e vice-e-versa; entre outras.
No final, teve um “Bem-vindos a mais um ano no Instituto Le Rosey!”, seguido por fogos vistos pela imensas janelas do lugar.
Hinata saiu com a multidão e sentiu-se ser bastante observada por não estar com o uniforme e por ser “carne nova” no pedaço. Iria voltar para secretária por causa do uniforme que esqueceu de comprar quando foi parada por uma garota de cabelos pretos medianos, olhos cinzas desproporcionais a seu rosto fino, nariz arrebitado e um sorriso de dar inveja. Atrás dela, estava um grupo de cinco garotas, todas tão bonitas ou até mais que a que deveria ser a líder.
— Olá, aluna nova! — cumprimentou amigável a dona dos cabelos pretos. — Ninguém me avisou de sua chegada, por isso, queira me desculpar. Sou Rebecca Edwards, filha de Brandon Edwards, um dos maiores e melhores investidores na bolsa de Nova York, além de ser umas das mais populares representantes do clube de boas-vindas e presidenta do grêmio do antigo nono ano. Esse ano pretendo me candidatar outra vez e, mesmo que não me candidatasse, eu ganharia. — começou a rir forçadamente e foi seguida por suas “amigas”. Quando parou, elas fizeram o mesmo tão rápido que deu medo. — E você, quem é?
— Hã... Sou Hinata Hyuuga e é um prazer conhecê-la — não queria respondê-las mais que isso, o jeito da tal Rebecca não lhe agradava.
— Rinata Riuga? — tentou falar seu nome sem qualquer sucesso, fazendo-a ter vontade de rir. — Nossa, que nome estranho! Você é chinesa? — não deu tempo de corrigir, a garota já estava falando. — Não importa! Vim aqui chamar você para o meu grupo de amigas. Sabe, você é bonita, tem classe e, obviamente, tem dinheiro, ou então, não estaria aqui. — riram as seis e pararam do nada outra vez. — Comigo como amiga, certamente, você estará sempre na moda, terá popularidade e os garotos que quiser na mão. Menos, é claro, os que eu estiver de olho.
O que? Ela estava ouvindo direito? Queria que ela fosse como os paus-mandados que chamava de amigas?
— Escuta... Rebecca — tardou a lembrar-se do nome dela, porque ela falava tanta coisa que seu cérebro achava muita informação. —, eu tenho coisas importantes para fazer. Não comprei o uniforme e nem arrumei minhas tralhas. Se me der licença...
— Espera aí! — sentiu-se braço ser puxado quando estava desviando dela. — Você não quer a amizade da garota mais popular desse colégio?
— Acho que estou evitando fazer amigos agora — sorriu forçada e saiu do aperto daquela garota, seguindo para o que pareceu ser o caminho da secretária.
Depois daquilo, sua vida tornou-se um inferno.
(...)
Duas semanas se passaram. Após dizer indiretamente que não queria ser uma das seguidores da Edwards, Hinata começou a sofrer diversas situações desagradáveis como xingamentos, empurros “sem querer”, derrubada de materiais e assim por diante. Não conseguia fazer nenhum amigo ou amiga por causa de Rebecca, que além de pintar e bordar com ela, falava que faria pior com que se aproximasse dela.
Ainda não estava totalmente adaptada ao horário da Suíça e, mais uma vez, acordou atrasada. Arrumou-se com velocidade e, sabendo que não chegaria a tempo do café-da-manhã, pegou uma maçã na cozinha, saindo. Andava apressada pelos corredores. Não conhecia todas, só que já sabia ir para o refeitório, para a sala e voltar para o quarto; se fosse por outro caminho, ficaria perdida na certa.
Foi até seu armário e pegou o livro de química, uma ótima matéria para começar a semana. Apressou-se a comer e andar e estava quase na sala quando tropeçou em algo, caindo no chão com a fruta e o material para a aula. Caiu feio: ficou deitada no chão de barriga para baixo e com os dois braços esticados à sua frente; a maçã e o livro ficaram jogados pelo chão.
— Ops, acho que deveria ter mais cuidado, Hyuuga! — a voz enjoada de Rebecca fez-se presente e foi seguida por risadas.
“Respira, Hinata, você é melhor que isso”, incentivou-se e respirou fundo, sentando-se com sua dignidade. Quando estava preste a levantar, viu uma mão ser estendida e, ao olhar de quem se tratava, prendeu o ar. Era o garoto gato que fazia três aulas com ela, história, literatura e matemática. Ele tinha os cabelos castanho-claros quase louros, os olhos eram verde-oliva, seu rosto era bonito e seu sorriso, brilhante. Era um dos mais populares por ser o melhor num dos esportes admiráveis da Instituição, o tênis.
O que ele estava fazendo, ajudando-a?
— Pode pegar, não vou te machucar — murmurou com um sotaque fofo e sorriu. Como não era mal-educada, aceitou a ajuda.
— O que pensa que está fazendo, Andrew? — indagou a Edwards com uma voz estridente de ira. Então, lembrou-se que ela e aquele garoto andavam muito pertos ultimamente e aquilo era um mal sinal.
— N-não precisa me ajudar — sorriu para ele e soltou sua mão. — Não quero arranjar mais problemas.
— Que nada, estou de saco cheio de ver Rebecca te tratar tão mal — o quase louro fitou a outra e estreitou os olhos. — Deixe-a, está me entendendo?
— Mas... Mas...
— Sem “mas”, Rebecca. Ou você terá problemas comigo — desafiou e Hinata quase ficou com vontade de chorar. Pela primeira vez desde sua entrada no internato, alguém estava sendo legal de verdade com ela.
A garota soltou um “Hm!” alto e jogou seus cabelos, virando-se e seguindo para sua sala. E, evidentemente, foi seguida pelas outras cinco.
— Tudo bem? — perguntou para si e acenou positivamente enquanto limpava-se. — Sou Andrew Fontana.
— H-H-Hinata Hyuuga — respondeu e reprendeu-se por gaguejar, não fizera anos de teatro para perder os ensinamentos com um garoto.
— É japonesa?
Uau! Era a primeira vez que não a perguntavam se era chinesa!
— Hai... Quer dizer, sim.
— Não liga, às vezes, escapam algumas palavras em italiano ou francês — ele deu de ombros e sorriu acolhedor. — Tem aula de que agora?
— Química.
— Que merde (Que merda) ... Vem, te levarei até lá — ela nem tinha percebido quando ele pegou seu livro, só quando o mesmo a tinha entregado. — Qual é sua sala?
(...)
Após aquele incidente, Andrew aproximou-se muito de Hinata. Sentavam juntos nas aulas que tinham em comum e, às vezes, ele ia almoçar no jardim com ela. Afinal, antes de conhecê-la, ele tinha amigos de longa data. Conversavam de vários assuntos e riam bastante um do outro.
No começo, a morena ficou com um pé atrás, pois tinha medo que ele não estivesse sendo legal por acaso, todavia, ele fez que ela mudasse de ideia com o tempo. O Fontana até comprou um presente no seu aniversário, um perfume francês delicioso que era da marca de sua mãe.
Apesar de ficar quase sempre junto com o garoto, Rebecca ainda importunava. Os xingamentos estavam cada vez piores, assim como alguns machucados por causa dos empurrões e tudo mais. Nem lembrava-se quantas vezes tinha que usar casaco ou calça para esconder algum machucado do amigo.
Assim, passou-se um ano.
Nos últimos dias de aula, Andrew andava um pouco afastado, graças a alguns campeonatos que competia pela escola. Claro que frequentavam as aulas juntos e ele começou a almoçar todos os dias com ela para que não se sentisse só. Ainda assim, era inevitável o fato de ser presa fácil para Rebecca.
Dito e feito. Num dia desses, enquanto ia para a aula, ela puxou Hinata para o banheiro e, junto com suas amigas, humilhou-a a ponto de sentir-se um lixo. Foi uma sessão torturante e, se tentasse fazer algo ou alertar alguém, levava um chute ou um tapa. Algumas meninas que entravam no banheiro olhavam a cena e apenas ignoravam. Era o melhor para elas, não é?
Quando conseguiu livrar-se daquele sufoco, saiu correndo para qualquer lugar e tentava conter as lágrimas que caiam violentamente. Entrou na biblioteca e agradeceu mentalmente ao horário de almoço da bibliotecária, uma senhora que sempre esquecia a porta aberta.
Enfiou-se entre as estantes mais distantes e apoiou-se nesta, fechando os olhos e tentando chorar baixo. Mordia os lábios, colocava a mão na boca, porém o lugar era silencioso e qualquer um que entrasse a encontraria...
— Hinata? — assustou-se com a voz ao seu lado e virou-se com a mão no coração. Quase gemeu de alívio ao ver que era Andrew. — Hinata, o que houve? Por que está chorando desse jeito?
— N-n-não é nada — sussurrou e secou as lágrimas, forçando um sorriso ao encará-lo. — Nada demais...
— Por que mente se está escrito em seus olhos? — o Fontana franziu o cenho e pegou seu rosto com carinho, porém gemeu por causa dos tapas que havia levado no mesmo. — Perdonami (Perdoe-me) ... Está doendo muito?
Ela apenas assentiu, não querendo fitá-lo novamente e temendo sua reação.
— Ah! — exclamou ele, seguindo por xingamentos nada bonitos em italiano e francês. Só depois que voltou a falar em inglês. — Não consigo acreditar por que ela não te deixa em paz! Foi o ano todo assim, o ano todo! Mesmo eu ameaçando-a e fazendo-a perder o posto de presidente do grêmio, ela continua com esse vício! Estou com uma vontade muito grande de bater em uma mulher! Nunca fiz isso na vida e não tenho vontade de fazer, mas Rebecca me tira do sério! Figlia di puttana! (Filha da puta!)
Andrew parecia tão concentrado em xingar a outra que nem notou o som de conversas e risadas vindo da entrada da biblioteca, o que fez Hinata gelar.
— Andrew, Andrew! — chamou e ele parecia não escutar. Ouvia a porta sendo aberta e prendeu o ar ao ver que as mulheres que riam ficaram em silêncio para ouvir se tinha alguém.
Com medo das consequências e sem ter o que fazer, Hinata aproximou-se e, faltando milímetros para encostar seus lábios ao do garoto, sussurrou um “Desculpa”, beijando-o em seguida. Fechou os olhos com medo da reação dele e pode senti-lo paralisado pela surpresa. Ainda que não correspondesse o que deveria ser o seu primeiro beijo, ela ficaria satisfeita ao saber que tinha calado ele.
Foi só ter esse pensamento que sentiu-o envolvê-la com um braço pela cintura cuidadosamente e mantinha a outra no seu rosto, acariciando ali. Quando pediu passagem, ela cedeu nervosamente e ficou perdida, não sabendo o que fazer. Ele tocou sua língua com delicadeza e começou a movê-la devagar, explorando sua boca ao mesmo tempo que ensinava o que deveria fazer.
Aquele foi, sem dúvida, o melhor primeiro beijo que podia querer.
(...)
Finalmente, chegou as férias. Que rufem os tambores em comemoração!
Seu pai pediu que fosse passar as férias em casa e não recusou, afinal, sentia falta dos pais, da irmã e do primo. Sua ida seria no dia seguinte e separou algumas coisas para levar para casa.
Quando dava uma volta pelo campus, sentiu a brisa deliciosa do verão bater em seus cabelos e deixou-se levar pelos pensamentos. Desde o beijo que teve com Andrew, não conseguia tirá-lo da cabeça e não era do jeito amigo que estava falando. Sabia que, infelizmente, estava apaixonada pelo melhor amigo, porém sabia que ele não via-a de forma diferente. Para ele, aquele beijo havia sido apenas mais um.
Estava quase voltando para o dormitório quando viu o que aterroraria suas próximas noites de sono e, principalmente, seu coração. Em uma árvore próxima, Andrew estava pressionado contra o tronco enquanto era beijado por uma garota. “Vá embora, agora!”, berrou para si e, em vez disso, ficou parada, observando e sentindo-se quebrar em pedaços.
E ficou ainda pior, eles pararam de se beijar e a garota virou-se para o lado, dando para ver perfeitamente bem de quem se tratava. Rebecca Edwards.
Não tendo coragem de confrontar, saiu correndo de volta para o quarto. Escutou chamarem por ela várias vezes e apenas ignorou. Entrou no seu porto seguro e fechou a porta... Ou tentou fechá-la.
— Hinata, Hinata! Deixe-me explicar! — Andrew empurrava a porta com força enquanto impedia-o de entrar com o peso do corpo. — S´il te plaît! (Por favor!)
— Apenas deixe-me!
— Deixe-me explicar... Por favor, s´il te plaît, per favore, onegai...
Sabendo que não deveria, a Hyuuga afastou-se da porta e ficou a alguns passos, ainda de costas. Ouviu-o entrar e fechar a porta, no entanto, não aproximou-se.
— O que você viu foi coisa da Rebecca! Nós estávamos brigando sobre você e...
— Por que estavam brigando sobre mim? Não tinham nada melhor para fazer?
— Eu queria que ela parasse de implicar com você e ela ficou falando que eu era idiota, que deveria parar de te iludir! Hinata...
— Me iludir? — perguntou e virou-se, fitando-o com frieza. — O que você quer dizer com me iludir?
— Eu... Eu... Hina...
— Andrew... Fale agora ou nunca mais olhe na minha cara — decretou.
— Era... Era uma aposta.
O resto do coração dela desintegrou-se. Seu rosto inexpressivo passou a ter várias emoções: horror, desgosto, medo, vergonha, incredibilidade e dor... Muita dor.
— Rebecca e eu estávamos ficando quando ela me desafiou a tornar-se seu amigo e, depois, humilhá-la publicamente. Topei, porque queria ficar mais próximo dela. Eu não sabia quem era você e, quando te conheci, seus olhos lua-cheia fizeram-me hesitar. O ano foi passando e, quanto mais próximos ficávamos, menos tinha vontade de concluir a aposta. E depois do nosso beijo... Eu percebi que havia me apaixonado por você...
— Como você pode fazer isso comigo? — as lágrimas dela eram óbvias. Ela ouviu tudo e não conseguia acreditar. — Você apostou que me usaria e me jogaria fora? Você sabe o quanto sofri na mão dessas garotas, você sabe o quanto chorei!
— Eu sei! Era isso que fui falar com Rebecca, que não queria terminar a aposta e que queria ficar com você.
— Para! Para de mentir! — colocou a mão no ouvido e olhou-o com ódio. — Quero que você suma da minha frente, quero que saia da minha vida...
— Hinata! — implorou com os olho oliva que tanto amava brilhantes pelas lágrimas. Lágrimas? — Por favor, me escuta!
— Não quero ver você, suma! Vá embora, vá para Rebecca e apodreça com ela!
Andrew tentou várias vezes falar com ela e tudo o que fez foi empurrá-lo para fora do quarto. Sozinha novamente, escorregou até o chão e gritou para que ele ouvisse do corredor:
— Ti ódio! (Odeio você!)
(...)
O clima para as férias acabaram antes que essa começasse. Em Fukuoka, todos perceberam seu desanimo e ficaram questionando se o colégio era bom. Sua vontade era responder que o colégio era ótimo, porém as pessoas eram podres.
Os dois meses passaram voando. Hinata não queria voltar para o Instituto e não queria que as férias acabassem. Andrew e Rebecca, provavelmente, andariam de mãos dadas na sua frente só para provocá-la...
Estava arrumando a mala para voltar quando seu celular tocou. O número era desconhecido e, por isso, atendeu.
— Moshi moshi...
— Sua voz é tão linda falando japonês... — a voz do outro lado era baixa, rouca e lenta, quase como se fosse difícil da pessoa falar. Quando reconheceu de quem era, sentiu um frio na espinha.
— Andrew? — sussurrou e engoliu seco. Ela queria ser dura com ele, queria ser fria, mas a voz dele, normalmente, tão alegre, era de cortar seu coração. — O que está havendo?
— Como você sempre sabe que algo está errado comigo? — perguntou com a voz levemente brincalhona e tentou rir, mas acabou saindo uma tosse seca.
— Andrew, o que houve?
— Hina, eu... Sofri um acidente de moto — contou e ela prendeu o ar nos pulmões. Naquele momento, ela nem conseguiu pensar algo como falar: “Você só pode estar mentindo” e deligar o celular. Não, ela não conseguia! — Eles tentaram de tudo... Eu não sei o que houve, mas sei que vou morrer a qualquer momento...
— Não, não! Por favor, não me deixa! — pediu e apertou o aparelho contra a orelha com força.
— Hinata, o que está havendo? — sua mãe entrou no quarto e viu-a agarrada ao telefone.
— Hina, só escuta... Queria que você me dissesse que me ama — os olhos delas já faziam rios. — Sei que me odeia, mas queria que fosse a última coisa que eu ouvisse...
— Não, não, eu não te odeio. Nunca te odiei, nunca te odiarei! Era mentira, era mentira... — dizia entre soluços e sentiu sua mãe abraçá-la, perguntando o que estava errado.
— Que ótimo... Mi sono innamorato di te, mi amore. (Estou apaixonado por você, meu amor) — ouviu um sorriso na voz dele.
— Mi s-sono innamorata d-d-di te (Estou apaixonada por você) ... — chorou mais que falou e fechou os olhos com força. — Ti amo così tanto (Eu te amo tanto).
Escutou um riso baixo e de um silêncio, seguido por um banque alto. Sem conseguir desgrudasse do celular, Hinata ouviu o que fez que seu mundo desabasse de vez: o som continuo do aparelho cardíaco. O interminável “pi”.
Depois, não ouvi mais nada além dos gritos desesperados de sua mãe.
— Hinata! Hinata, filha, acorda!
Atualmente...
# — #
O barulho que a porta fez ao ser arrombada não incomodou-o em nada, muito menos a dor no braço que sentia após bater tantas vezes com o membro na madeira. Tudo que importava era sua princesa que chorava como nunca tinha chorado em toda sua vida.
Naruto procurou-a e a cena dela encolhida, abraçando o travesseiro com força enquanto chorava copiosamente era de acabar com qualquer um. Aproximou-se ligeiramente e deitou-se na cama dela, tirando os dedos dela, que agarravam o objeto como se sua vida dependesse daquilo, aos poucos. Após isso, tirou o da outra mão e colocou o travesseiro molhado em suas costas.
— Hinata... — sua voz estava tão baixa e calma que nem a reconheceu.
Viu-a levantar o olhar e era tanto sofrimento em seus olhos avermelhados que quase preferia arrancar seu coração para não ver aquilo... Era como se ela estivesse lá, na sua casa, quando recebeu a notícia da morte de Andrew, o primeiro amor da vida dela.
Puxou-a para cima de seu corpo e abraçou-a, sentindo-a retribuir e continuar seu choro que causava-lhe tanta dor, molhando sua recém-vestida camisa. Não fora isso que queria receber quando deixou Hinata contar sobre seu passado. Sentia, antes mesmo de saber a verdade, que ela sofrera bastante e que nunca tocava no assunto em questão.
— La colpa è mia (A culpa é minha), la colpa è mia, la colpa è mia, la colpa è mia — sussurrava entre soluções.
Um tempo depois, Naruto resolveu tentar fazer algo. Aliás, ele deveria fazer algo, pois era culpa dele. Foi ele que não impediu-a de falar no momento que a história ficava mais tensa.
— No, la colpa mai è tua, la colpa è mia. (Não, a culpa nunca é sua, a culpa é minha) — sussurrou de volta e sentiu-a estremecer, ficando calada. — Scusami, mi principessa. (Desculpe-me, minha princesa.)
A morena olhou-o e ele ficou aliviado ao ver que o sofrimento diminuiu consideravelmente. Ela deitou-se em seu peito e os dois ficaram em silêncio, apreciando o calor e carinho um do outro.
— Não sabia que falava italiano — comentou a moça com a voz baixa.
— Você nunca perguntou — rebateu e riu ao levar um tapa fraco no peito. — O que fiz?
— Seu grosso.
— Gomen... Às vezes, esqueço que você é sensível a palavras — desculpou-se e abaixou-se para beijar a testa dela.
Ficaram mais alguns minutos em silêncio e raciocinavam o que havia acabado de acontecer. Agora, sabiam do que tanto escondiam, conheciam os seus sofridos passados e confiavam um no outro como jamais haviam confiado em ninguém. A necessidade que sentia de ficar perto de Hinata era quase inacreditável, especialmente, por causa de todas as decepções que passou com as mulheres.
— Hanabi sofreu um acidente recentemente — o murmúrio da mesma deixou-o surpreso e alarmado.
— Como ela está?
— Nada bem... Segundo meu otoo-san, foi grave e ela está precisando de uns tratamentos caros para continuar viva — ela não encarava-o enquanto falava, estava fitando o seu dedo que fazia desenhos em sua camisa ainda molhada. — Vou ter que me casar, Naruto.
Um arrepio desconfortavelmente gelado passou por todo o seu corpo. Ele não entendeu a razão daquela revelação o deixar tão desconfortável e menos ainda a explosão que teve:
— Nem pensar! Que loucura é essa? Casamento forçado em pleno século XXI? E seu direito de escolha? Toda a independência que você conquistou vai para onde? Para a lixeira?
— Naruto-kun, acalme-se — a Hyuuga pediu com uma voz tranquila e aquilo deixou-o mais enraivecido.
— ACALME-SE? Hinata, você será forçada a se casar com um homem que não ama e QUER QUE EU ME ACALME?
— Era por isso que eu não queria contar para você! — ela sentou-se na sua barriga e bufou. — Caramba, Naruto, você acha que estou feliz?
— Com essa calma toda, parece! — apoiou-se com os cotovelos para vê-la melhor e fitava-a de olhos semicerrados.
— Lie, não estou nem um pouco feliz com tudo isso. Mas a empresa do meu otoo-san está falindo e o dinheiro que precisamos para o tratamento da Hanabi vai acabar. Não quero perder mais ninguém, Naruto... Não vou suportar se isso acontecer.
Por um momento, imaginou como seria a vida de Hinata se ela perdesse a irmã e sentiu medo. Sabia que, apesar de não ser a causadora do acidente, ela se culpava pela morte de Andrew e, se a Hyuuga mais nova não sobrevivesse... Ele não queria nem pensar.
— Mas não ter outro jeito? — tentou opinar e olhava para os lados, como se algo no quarto da morena fosse dar-lhe inspiração. — Que tal um empréstimo? Ou um contrato com uma empresa boa?
— Já pensei nisso... — ouviu-a suspirar e sentiu seu rosto ser parado pelas mãos delicadas dela, forçando-o a fitá-la. — Eu pegaria o empréstimo e como iria pagar depois? Não tenho dinheiro para manter-nos direito e pedir para os meus pais está fora de cogitação. Um contrato seria outra saída, mas meu otoo-san não pediria que eu me casasse se não tivesse tentado. Acredite, não tenho outra escolha.
— Tem que ter... Tem que ter!
Sua voz saia como de uma criança mimada que não queria que seu brinquedo favorito fosse para o lixo, ainda que este estivesse inútil. Ele não queria que Hinata deixasse-o para ficar com outro...
Espera, que diabos de pensamento era esse?
Foram interrompidos pela sua barriga que começou a roncar alto, deixando-o corado. Hinata, por estar sentada sobre a mesma, sentiu e soltou uma risada que acalmou seu coração e deixou-o mais vermelho.
— Parece que tem alguém com fome — o sorriso no rosto dela era brincalhão. — Que tal tomarmos nosso café da manhã?
— Ou nosso almoço? Não faço ideia que horas tem... — viu-a olhar para a posição que estavam e corar violentamente, fazendo-o rir. — Eita, mente maliciosa.
— N-não é isso, só que agora que você não é mais gay, é estranho agir como se você fosse, entende? — explicou-se e saiu de cima de si rapidamente.
— Hina, não sou mais “gay”, mas não significa que não possamos agir como agíamos antes — levantou-se e beijou a testa dela. — Você ainda é minha princesa.
“Uma princesa que você deu uns pega no chuveiro”, ironizou sua mente e suspirou. Claro que tinha esse pequeno – mentira, grande pra cacete – detalhe.
Foram para a cozinha e cozinharam a coisa mais demorada e difícil de se fazer: lámen. Descobriram que era quatro e meia da tarde e ficaram surpresos com isso. Satisfeitos com a comida e com o relato dos acontecimentos do dia passado, os dois foram para a sala e sentaram-se no sofá como sempre faziam; as pernas emboladas umas nas outras e apoiados no braço do sofá, para poderem ver seus olhos.
Naruto notou que a morena ficou mais quieta enquanto comiam e estava pensativa. Talvez refletisse sobre o garoto ou sobre o casamento e, quando estava prestes a chamar sua atenção, os olhos perolados dela encaram-no de repente. E o que mais deixou com medo foi ver que tinha algo ali, só não sabia o que era.
— Naruto, eu sou bonita? — ouviu a pergunta e franziu o cenho, vendo-a corar e assentindo em seguida. — Muito bonita ou pouco bonita?
— Muito bonita, mas por que...?
— Você me acha sexy? — arregalou os olhos e começou a estranhar. — Hein, Naruto-kun?
— Hã... Hai... — nunca escondeu dela. Vivia falando do traseiro dela e, para ele, não era prova maior que a achava sensual. — E por que está me questionando isso?
— Você me beijaria?
O QUE? Repentinamente, ele começou a tossir e bater no próprio peito ao ter ficado tão espantado a ponto de engasgar-se com a saliva. Mostrando-se preocupada, a morena estendeu as mãos para o alto e ele entendeu, seguindo o conselho. Funcionou melhor que suas batidas.
— Que diabos... — pausa para tosse. — De pergunta... — de novo. — É essa?
— É que... E-e-e-eu... — ela suspirou, extremamente vermelha, e mordeu o lábio inferior, desembaralhando as pernas das dele.
Por um segundo, achou que ela iria para o quarto, algo que fazia quando ficava muito envergonhada. Em vez disso, a Hyuuga sentou em seu colo e fez o que nunca esperaria que fizesse – não duas vezes em menos de um dia.
Hinata aproximou-se e colou os lábios nos dele.
Novamente, ele ficou sem ação e era como se a cena no banheiro se repetisse em sua cabeça. A diferença era que, algumas horas atrás, ela estava seminua e bêbada enquanto, naquele instante, vestia um vestido amarelinho e estava bem sóbria. Tinha medo de retribuir e acabar passando dos limites e tinha medo de não retribuir e ferir os sentimentos dela.
“Ah, foda-se!”
Passando os braços pela cintura fina dela, puxou-a com carinho e fechou os olhos. Ousadamente, pediu passagem com a língua e foi concedida sem hesitação. Enquanto explorava mais uma vez aquela boca, não conseguia não comparar: era muito melhor sem o gosto da bebida.
Foi apenas quando ela começou a “apimentar” as coisas. Ela passou os braços em volta de seu pescoço e puxou os cabelos de sua nuca, tornando o beijo mais ardente. Soltou um quase inaudível gemido ao constatar que Hinata mexia os quadris em movimentos circulares em seu colo e apertou-a mais contra seu corpo. Caramba, ele já estava duro! Ouviu-a gemer quando sentiu o mesmo e aquilo quase enlouqueceu-o.
Finalmente, separaram os lábios em busca de ar e, sem moderar-se, começou descer os beijos para o pescoço dela. Deixou suas mãos descerem e agarrou o bumbum deliciosamente durinho com certa violência, ouvindo mais gemidos. Trouxe-a mais perto possível e, com o auxílio das mãos, começou a esfregar os sexos deles devagar, sentindo aquele gostinho de “quero mais”. A essa hora, seus beijos já eram chupões e mordidas leves, deixando sua marca na pele branca.
— A-ah... Naruto...
Por incrível que pareça, assim que ouviu-a gemer seu nome, voltou para a Terra e viu o que fazia. Arregalou os olhos e afastou-se rápido e atrapalhado, deixando-a sentada no sofá e ficando em pé. Sua respiração estava forte e seu membro estava tão “aceso” que tinha certeza que dava para ver o volume entre suas pernas.
Juntou coragem para olhar para a morena e prendeu o ar nos pulmões. Ela estava levemente descabelada, os lábios inchados, o pescoço com alguns roxos, a alça do vestido caída para o lado, mostrando o sutiã branco e rendado que usava. Instantaneamente, lembrou-se que fora o seu presente no dia especial deles e achou-a extremamente sensual... O que, na verdade, o fez perder o ar foram os olhos dela: brilhantes, cheios de paixão e desejo, sem qualquer medo ou vergonha.
Desesperado, Naruto começou a andar de um lado para o outro na sala, esbarrando às vezes na mesa de centro. Ela não deveria estar ali, não naquele momento.
— Er... Gomenasai, Hinata — caralho, sua voz estava mais rouca que o normal, um péssimo sinal. — E-eu não sei o que deu em mim. Acho que, agora que contei a verdade, esses anos reprimindo minha vontade de “atacá-la” vieram à tona com esse beijo...
— Então, não quero que se reprima — sentiu seu braço ser pego e paralisou, fechando os olhos. — Quero que me faça sua.
CARALHO! QUE PORRA ESTAVA ACONTECENDO?
Sem ter tempo de pensar, o Uzumaki engoliu seco ao reparar que ela havia ficado à sua frente e o calor da morena chegava ao seu corpo, deixando-o mais nervoso. Apesar de não se tocarem, queria afastá-la e sair dali, porém parecia que sua mente não estava conectada com suas ações, porque não sentia um músculo mover-se. “Ai, Kami-sama, me ajuda!”
— Hinata-chan, você não falou que só faria isso com alguém especial? Com alguém que confia-se e ama-se... — arriscou.
— Você não se encaixa nesse quadro, não? Você é alguém especial para mim, nunca confiei tanto em alguém como confio em você e, não sei se lembra, mas você é meu melhor amigo — acabando com a distância deles, sussurrou em seu ouvido: — como posso não amar você?
Podia negar, entretanto, merda, o que ela disse fazia sentido!
Ainda de olhos fechados, sentiu um beijo tímido em seu queixo e este foi seguido por outro mais abaixo, e mais um, dois, três. Apertava suas mãos com força para que não agarrasse-a naquele segundo e sentiu os lábios dela no seu pomo de Adão, contendo sua vontade de engolir a seco novamente.
— H-H-Hina-chan, onegai — implorou ao senti-la lamber uma região de seu pescoço e morder de leve em seguida. —, sempre te respeitei e não quero passar de meu limite...
A frase era familiar, assim como a resposta que recebeu – só que menos ousada, é claro:
— Eu só quero você, Naruto-kun... Quero que seja meu e quero ser sua, uma única vez.
A reação dele?
Abrindo os olhos e abaixando-os, viu o olhar suplicante e desejoso de Hinata. Suas bochechas continuavam avermelhadas e ficou perguntando se era de vergonha... Gemeu e passou as mãos nos cabelos já rebeldes; ao chegar na nuca, levou-as para a cintura dela e, pensando “Espero não acabar com nossa amizade por isso”, tomou os lábios rosados com os seus.
O sorriso, os toques tímidos, o cheiro e o gosto... Porra, parecia que tudo nela era feito para amarrar qualquer homem em seu poder.
Ao sentir os braços dela abraçarem seu pescoço, deixou o beijo ainda mais luxurioso e ela retribuía com fervor, deixando-o afoito. Desceu as mãos pela cintura, quadril, bumbum – onde deu um leve aperto, recebendo uma passada de unhas nos cabelos da nuca – e parou nas coxas generosas da moça, trazendo-as para sua cintura. Separando-se no mesmo segundo, a morena soltou um gritinho e olhou-o assustada, arrancando uma risada dele. Viu-a corar, fazer uma careta e abraçou-o com as pernas, beijando-o novamente.
Em passos medidos e ainda beijando-a, levou-a até o quarto mais próximo que era o dele e deitou-a na sua cama, ficando de joelhos entre as pernas dela. Suas mãos passaram para frente das coxas e, após ficarem por um tempinho, foram descendo até chegarem na base do vestido. Sem conseguir pensar direito, ele adentrou-as pela peça e foi subindo-a, vendo o belo corpo sendo descoberto aos poucos. Hinata sentou e ajudou-o a tirá-lo, dando a visão dos deuses.
A Hyuuga tinha um corpo esbelto. Subindo os olhos, viu o par de coxas grossas, o quadril largo, a cintura fina, a barriga lisa, os seios fartos e, chegando ao rosto, viu o sorriso tímido, as bochechas vermelhinhas e, por fim, os brilhantes olhos cor de pérola. Tinha a bunda que já causava orgasmos em Naruto e o cabelo bagunçado, para completar...
Simplesmente, maravilhosa demais para estar na cama dele!
Beijou-a e soltou tudo o que sentia por ela ali, todo o desejo que reprimiu por todos esses anos. Não queria exigir muito da moça, porém ela correspondia à altura, como se sentisse o mesmo. Será?
Assim que o ar acabou, em vez de respirar desceu os beijos para pescoço que, agora, tinham algumas marcas feitas recentemente por ele mesmo que deixaram-no com um sorriso malicioso. Se ele tinha feito aquilo no começo, imagina quando terminasse... Era melhor nem pensar.
Enquanto fazia novas marquinhas “inocentes” no local, suas mãos subiam para os seios cobertos que tanto tinha vontade de explorar e, ao chegar no objetivo, começou a apertá-los, esfregando no lugar onde eram os mamilos e deixando-os sensíveis. Ergueu o olhar e estreitou os olhos ao atentar que a morena mordia o lábio inferior, mordendo mais forte quando esfregou com mais força nos seios. Então, ela não queria que ele ouvisse seus gemidos?
Há, coitada dela.
Ficou com o rosto diante o dela, sentindo sua respiração apressada misturar-se com da moça, e adentrou as mãos pelo sutiã, apertando-os e conseguindo o tão esperado gemido. Sorriu e apertou mais uma vez, ouvindo outro e deixando claro o que queria.
Assim era melhor.
Tornou a baixar os beijos e torturou-a mais um pouco até que não aguentou mais, começou uma briga particular com o fecho do sutiã e, quando finalmente conseguiu, Hinata impediu-o de tirar a peça, segurando-a com as mãos. Fitou-a confuso que encarava-o com um sorriu.
— Só deixo tirar se você tirar a sua camiseta — ela propôs brincalhona e o Uzumaki olhou-se, totalmente vestido.
Bufou e sentou-se, tirando a camisa rapidamente e escutando uma risadinha por sua afobação. Jogou-a longe e, assim que virou-se para cobrar a morena, sentiu algo em seu rosto, pegando-o e sorrindo ao notar que era o sutiã. Deu o mesmo destino que sua blusa a peça e percebeu que Hinata estava sentada a sua frente, tampando os seios com os braços.
Devagar, observou os olhos prateados e pegou-lhe as mãos, beijando-as com gentileza e passando-as para seus cabelos. No momento seguinte, abaixou o olhar e conseguiu sentir-se mais duro com a visão majestosa dos seios fartos e firmes, os bicos rosados rígidos e apontando para ele... Lambendo a boca, abaixou-se e começou a beijar aquela área. Prolongou o momento e, quando encostou os lábios no mamilo esquerdo, ouviu-a gemer.
Beijava, lambia e raspava levemente os dentes, obtendo mais e mais gemidos, cada vez mais altos. Enquanto ocupava o outro seio com a mão, esfregando, apertando e torcendo levemente a parte sensível. Hinata deitou-se e seus dedos agarravam o cabelo louro com força e direcionavam-no para mais perto, deixando-o satisfeito.
Após fazer a mesma coisa com o outro, desceu os beijos pelo umbigo e passou a língua ali, escutando um gritinho. Continuou a descida até chegar à calcinha branca, tão delicada quanto ela. “Era por isso que eu disse que enlouqueceria o homem que ela fosse transar”, pensou e beijou a peça, capturando o olhar de prazer da morena.
— O-o que vo-cê vai... Fazer? — ouviu-a sussurrar com a voz embargada de entusiasmo, curiosidade e aflição enquanto retirava lentamente o pedaço de pano, tacando-o a algum lugar.
— Você nem desconfia? — riu rouco e subiu até o rosto dela, beijando todo percurso.
A Hyuuga nem teve tempo para negar: ele já tocava a intimidade dela. Tocou devagar e ficou fitando as expressões de puro deleite dela. Seus dedos exploraram-na e, quando tocou no clitóris, sorriu malicioso ao vê-la fechar os olhos e gemer alto. Tomou sua apetitosa boca e aproveitou da distração dela para colocar o primeiro dedo, sentindo-a reclamar, gemer e apertar suas unhas nas suas costas entre o beijo. Estocou lentamente e foi aumentando o ritmo, sentindo-a ficar menos tensa. Depois de um tempo, enfiou o segundo e Hinata nem reclamou, apenas gemeu mais alto.
— N-Naruto-kun — ouviu o gemido e acompanhou, beijando-a com luxúria novamente. Um tempo mais tarde, ela afastou-se e soltou outro gemido, gozando em sua mão.
“Caralho, como ela pode ser tão perfeita?”, exclamou em pensamento e correu em tirar a calça e a cueca. Suspirou ao sentir seu sexo livre e tentou pensar em algo bonito de dizer, porém só vinha sacanagem em sua cabeça. Era melhor ficar quieto...
A morena ainda se recuperava quando ele ficou entre as pernas dela. Não queria prolongar muito, queria saber a sensação de estar dentro dela, fazendo-a gemer mais do que já havia feito... Cacete, ele não conseguia pensar direito! Não com aquela perfeição de mulher nua na sua cama e totalmente entregue para ele, como já sonhara em seus sonhos mais pervertidos. Ela mexia demais com ele!
— Está pronta? — perguntou e acariciou o rosto dela, vendo-a assentir. — Sei que vai doer, mas se doer demais, avise-me que eu paro, entendeu?
— Você a-acha que vou parar nessa altura do campeonato? — foi a resposta dela seguida por um sorriso.
Naruto riu e beijou-a. Como não queria que doesse...
Apoiando os braços a cada lado da cabeça dela, brincou um pouco com seu membro na entrada dela e via-a contorcer-se com a respiração acelerada. Passava-o em locais “estratégicos” e arrancava gemidos da moça. Quando ela menos esperava, começou a penetrá-la vagarosamente e, em um ponto, teve que forçar para romper o hímen.
Nesse momento, ambos olharam-se e suspiraram. Ela, por ter certeza que não doía, apenas incomodava e, de certa forma, era um alivio para si. Ele, por achá-la apertada demais e não poder se mexer. Tinha que controlar o instinto de tentar ganhar espaço por alguns minutos, para que ela não sofresse muito.
Encarando seus olhos, Naruto saiu um pouco e voltou a entrar, fazendo uma pergunta muda. Hinata sorriu e, antes que começasse, puxou-o para um beijo.
Iniciou o vai e vem com gentileza, aproveitando o sabor maravilhoso que ela tinha. Ela descia as mãos para a metade de suas costas e subia, arranhando de forma prazerosa e fazendo-o gemer baixo. Assim que aumentou a velocidade e a força, sentiu-a rodear as pernas em sua cintura e estocou mais fundo.
Minutos mais tarde, eles gemiam e sentiam um prazer inestimável. Em todas as vezes que havia transado com alguém, o rapaz sentia isso, porém algo fazia ficar diferente. Talvez o fato de estar fazendo amor com a mulher com o corpo mais lindo que já viu ou, talvez, por que essa mulher era sua melhor amiga. Pensava que nunca entenderia o que fazia aquele momento tão especial, tão único.
A morena começou a arranhá-lo com mais violência e quase gritar. Abraçou-o com veemência e passou a gemer seu nome em seu ouvido, deixando-o mais louco e fazendo-o ir mais rápido e mais fundo. Sentia que também estava bem próximo do ápice e queria ficar mais um tempo ali, sentindo a pele macia e deliciosa da moça.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!No entanto, ela não parecia querer.
— V-vem comigo, N-Naruto-kun... — sussurrou e mordeu o seu lóbulo.
Um segundo mais tarde, os dois chegaram ao limite juntos.
Movimentou-se por alguns segundos e saiu de dentro dela, escutando um gemido por isso. Caiu ao lado dela e ficaram em silêncio, apenas tentando normalizar o ritmo das batidas cardíacas e da respiração. Ao conseguir, o Uzumaki abriu os olhos e fitou duas pérolas encarando-o com vários sentimentos conhecidos e até mesmo desconhecidos.
— Arigatou — ela agradeceu e ele arqueou uma sobrancelha, ajeitando-se para ficar deitado de lado bem próximo da “amiga”.
— Por...?
— Por ter sido carinhoso e ter ido com calma — virando-se também, ficaram frente a frente e a mão delicada dela tocou seu rosto um pouco molhado pelo suor. — Só esperava que você falasse mais...
— Vontade não me faltou, mas preferi ficar quieto... Vai que você tem uma de suas crises de timidez quando eu falasse a primeira sacanagem.
Viu as bochechas tornarem a ficar vermelha e riu quando ela lhe bateu no peito.
— Baka — ela deu língua e ficou desenhando com a ponta da unha no seu braço que era o apoio de sua cabeça. — E o que você achou?
— Hm... Deu para o gasto — levou outro tapa e riu novamente, beijando-lhe os lábios de surpresa. — Não queria exigir muito de você, sei que era a sua primeira vez e não queria machucar. Mas foi bom sim, na verdade, foi maravilhoso. Você foi simplesmente perfeita... Satisfeita?
— Com certeza — Hinata abraçou-o e bocejou. — Nossa, não esperava que cansasse tanto.
— Sério? Não rola nem um segundo round? — sussurrou malicioso e beijou o lóbulo exposto dela, deixando-a arrepiada.
— Naruto-kun!
— Está bem, eu paro — levantou-se e percebeu que ela corou ao vê-lo nu. — Que tal tomarmos banho?
— Acho melhor n... Naruto! — a moça exclamou assim que ele puxou seu pé e pegou-a no colo, deixando-a mais vermelha.
— É só um banho — sorriu e beijou o pescoço dela, sentindo-a agarrar-se mais a si. — O que tem demais nisso?
(...)
Na manhã seguinte, o cheiro da Hyuuga impregnava o quarto e foi isso que o fez acreditar que aquilo não foi um sonho. Quem diria? Ele, Uzumaki Naruto, tiraria a virgindade de sua melhor amiga e a garota que tinha um “afeto fraternal”. Isso significava que ele cometera um incesto?
Quando foram deitar – depois uma aventura deliciosa no banho –, ela deitou-se em seu peito e dormiu rapidamente. Ao acordar, não encontrou o cabelo azulado em seu corpo e, esticando o braço esquerdo, reparou que colchão não estava quente.
— Hina? — chamou-a com a voz rouca de sono e ergueu-se com os braços. — Hinata?
Não ouviu nada do seu banheiro e, então, foi procurar no resto da casa. Cozinha, sala, varanda, banheiro de visitas, até no quarto dela. Nada. Franziu o cenho e estranhou. Talvez tivesse ido fazer compras, mas algo deixava seu coração inquieto.
Voltando para o quarto para dormir, jogou-se em sua cama e piscou os olhos, capturando algo com olhar. Sentou-se ligeiro e pegou o que parecia ser uma carta. Sem perder tempo, abriu-a e tirou de lá um papel escrito frente e versa e um bolo de dinheiro. O que aquilo significava?
Pegou o papel e começou a ler:
Naruto-kun,
Primeiramente, queria agradecer pela noite magnifica que tivemos ontem. Sei que parece inadequado agradecer por fazer amor, mas eu precisava fazer isso mais uma vez. Quando estávamos deitados ontem após o banho, pedi desculpas por não ser uma melhor amiga exemplar e você me perguntou o porquê... Bem, digamos que eu não estava dormindo quando perguntou. Porque... Ah, Naruto, porque eu estava me despedindo. Se estiver lendo isso, significa que estou em um avião indo para casa.
Entendo que é contra o meu casamento forçado. Eu também sou contra e não lutei minha vida toda por independência à toa. Na verdade, tenho até muito medo de tudo dar errado. Porém Hanabi é importante demais para mim. Ela é minha maninha, a garota que esteve ao meu lado nos momentos que pensei não ter ninguém. Tenho minha mãe, meu pai e meu primo também, mas não tenho como contar quais garotos gosto para papai e Neji, e mamãe tem uma mania péssima de espalhar para os outros o que considero os meus segredos. Hanabi é diferente. Ela sabe tudo e de todos, sabe de tanto que, sei lá, dá medo. Não suportarei perdê-la, não depois de Andrew...
Nem consegui contar a história toda. Andrew havia sofrido um acidente de moto antes de sua morte. Quando voltei para lá, foi apenas para ir ao seu enterro. O ano seguinte passei indo à psicólogos e mais psicólogos, tentando superar algo que, segundo todos, não era minha culpa. Sei que era. Rebecca, a causadora de minha desgraça, não teve um final feliz: seu pai, um investidor, acabou perdendo quase todo o dinheiro com a queda na bolsa e, após o enterro de Andrew, nunca mais a vi. Graças a Kami.
Enfim, o que eu queria dizer nessa carta eu não estou dizendo!
Naruto, nós somos amigos há apenas três anos e parece que vivemos tantas coisas... No começo, quando éramos dois estranhos – um gay e um “mimada”, segundo você mesmo –, achei que nós nunca seriamos amigos. De coração. Você era tão relaxado, tão positivo, tão fora do mundo. Totalmente fora do padrão dos garotos que cresci: comportados, sérios e estudiosos. Sua constante felicidade, às vezes, me parecia falsa, porque ninguém é feliz o tempo todo...
Nossa aproximação foi inevitável! Moramos juntos, estudamos na mesma faculdade e tínhamos matérias em comum. Eram dias, semanas, meses juntos. Como seria possível que não virássemos amigos? Só que acabamos, de maneira estranha, nos aproximando demais. Eu achei impossível quando notei que sentia algo por você. Depois que perdi Andrew, pensei que meu destino era ficar sozinha para não fazer ninguém nunca mais sofrer... Mas apareceu certo louro com certo jeito diferente que foi entrando no meu coração.
Assim com nossa aproximação, foi inevitável que eu me apaixonasse por você.
Tentei não me iludir e foi quando comecei a namorar o Raiden, o japonês falsificado como você chamava. Sinceramente, nunca achei-o “falsificado”. Era um bom ouvinte, um bom amigo e um bom namorado. Não era ciumento e não me forçou a nada. Terminei o namoro depois que notei que só feriria os sentimentos dele. Meses mais tarde, veio o Yuzo e a única diferença é que terminei com ele tanto porque não queria machucá-lo quanto por causa do ciúme demasiado que tinha por você. Não sei nem porque tentei namorar se o que eu sentia era apenas por você.
Com o convívio, tive que me acostumar e, sabendo o que sentia, escondi isso de você. Não queria perder sua amizade e, na época, para mim, você era gay. Mais um motivo para guardar isso comigo.
Dois anos se passaram e foi quando chegou seus pais, amigos e ex-namorada. Você sabe por que desmaiei naquela noite? Foi muita pressão para o meu coração apaixonado e, internamente, aquilo me deu uma esperança de algo que tinha certeza que era impossível. Naquela noite também, Shion deixou claro que você era dela e acusou-me de estar com você apenas para roubar o dinheiro de seus pais. Você reparou que, no dia seguinte, eu com uma facha em um dos dedos da mão? Ela invadiu o meu espaço e, quando fui para trás, acabei encostando o dedo na panela de lámen. Nada demais.
Nessas semanas, Shion era ninguém comparado ao gelo que você me dava. Perguntei-me se tinha feito algo de errado e nada vinha minha mente. Pensei em falar com você, mas sabe que é meio complicado para mim. Então, meu pai ligou e jogou a bomba: iria me casar. Falou que tinha alguns meses para que tivesse alguma ideia ou para aceitar e, naquela hora, mais que tudo, queria que você estivesse lá.
Quando Shion falou que você iria para Tóquio com ela, como não deveria acreditar? Estávamos distantes, você não conversava comigo e não conseguia parar de pensar em minha irmã. Eu... Eu acabei ligando para o meu pai na sexta e ele conseguiu um voo às dez e quinze. Então, fui para uma boate e, depois, não lembro de nada.
A questão é que... Aishiteru, Naruto. Demais. Queria que pudéssemos ficar juntos, principalmente depois de descobrir que você não é gay. Isso me deu muita vontade de ligar para meu pai e cancelar tudo, mas não posso fazer isso. Ontem, quando eu “parti para cima” de você, meu objetivo era dar a você uma coisa especial minha, já que não poderei dar meu amor. Também quis receber algo de ti e, bem, recebi mais do que esperava.
Eu... Eu... Ah, tô chorando! Culpa sua!
Só quero que saiba que, se a situação não estivesse séria, eu teria ficado e tentado. Sei que não me ama e sei que deve ter sido desconfortável fazer o que fez comigo depois de tantos anos de amizade. Mas eu precisava disso, só disso e, agora, posso ir embora em paz.
Mesmo me casando com outro, você sempre será o dono do meu coração.
Ah, só para avisar: o dinheiro é para ajudar a pagar o apartamento no próximo mês, se desejar ficar.
Beijos da sua boba apaixonada,
Hinata
Naruto só notou que chorava quando, na sua segunda leitura, viu uma lágrima sua borrar a letra de Hinata. Como ela pode ter feito aquilo? Como pode ter feito aquilo com ele? Sentia-se sem rumo, sem chão e completamente quebrado. Ele prometeu que nunca a abandonaria e ela que faz isso com ele? Aquela... Aquela... Hipócrita!
Sentindo-se tão destruído, tão arruinado, foi quando finalmente viu:
Que era tão apaixonado por ela que chegava a doer.
No entanto, notou tarde demais.
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