O Querido Amigo Gay
5 A embriaguez dela
Notas iniciais
O barulho do copo sendo colocado com força no balcão era nada comparado à música que fazia o seu tímpano zunir. Sorrindo para o barman, pediu outra bebida que já havia esquecido o nome e, para sua felicidade, o rapazinho sabia de qual se tratava, enchendo o seu copo novamente.
— A senhorita não bebeu demais? — perguntou-a e, pelo tom de voz, ele deveria estar preocupado.
Algo que uma Hinata bêbada nem notou.
— Q-que naaada! — riu da expressão séria do moço e bebeu mais um pouco de sua bebida. — Não se preocupe... Sou g-grandinha para beber!
— Não é o que parece... — o barman suspirou e foi atender outro cliente, visto que aquela ali não tinha jeito.
Olhou ao redor e achou uma boa ideia dançar na pista de dança, seguindo cambaleante até esta. A música era eletrônica, ou seja, muito fácil de entrar no clima. Logo, Hinata mexia-se com a música e, como qualquer mulher, atraia olhares masculinos nada inocentes sobre si, ou melhor, sobre seu corpo.
— Posso dançar com você, linda? — indagou um homem de cabelos louros e olhos verdes e, por alguma razão, aquele homem a fazia lembrar Naruto, uma pessoa que estava trazendo uma vontade de chorar ou de bater em alguém.
— Lie... — virou-se de costas para ele e foi virada novamente.
— Por que não?
— N-Não quero! — tentou afastá-lo e sentiu o corpo ser espremido contra o dele. — Lie...
— E se for só um beijo? — insistiu o estranho e viu-a negar; ele notou que ela estava bêbada e, por isso, achou que a mesma iria ceder se tomasse uma atitude mais... Drástica.
A morena sentiu seus lábios serem tomados e tentou afastá-lo de novo, sem sucesso. Relutante, sentiu-se forçada a abrir os lábios e sentiu como se estivesse traindo alguém... Quando o rapaz pensou que havia “domado” a fera, eis que esta mordeu-lhe a língua com extrema força.
— AI, SUA MALUCA! — berrou e colocou a mão na boca. — Minha língua!
— Se fudeu... — ela começou a gargalhar e, antes que conseguir conter-se, viu duas imensas montanhas – quer dizer, seguranças – surgirem atrás do louro que ainda reclamava.
— Algum problema, Tanaka-san? — perguntou o segurança vestido de terno, óculos e fone de ouvido preto, com apenas os cabelos ruivos claros e cacheados para saber que ele era um homem, não parte do cenário.
— Esta mulher está incomodando-o, Tanaka-san? — quis saber o outro, vestido igualmente e careca.
— Hai, esta vadia me mordeu! — o tal Tanaka falou e Hinata sentiu-se erguida pela montanha careca, dando um gritinho por isso. Seu rosto foi aproximado do rapaz e ela viu um sorriso prepotente nos lábios do desconhecido ao murmurar: — Mas perdoarei você se pedir desculpas e ir para a cama comigo.
Ela sorriu sedutora e deixou o outro com esperanças de uma noite inesquecível. Pobrezinho... Do nada, ela cuspiu na cara dele e só não riu porque a montanha apertou-a e puxou-a para longe. Debatendo-se e gritando, foi carregada para fora da boate e, segundos depois, viu-se na calçada com as mãos machucadas pelo impacto. Olhou para trás e viu o segurança limpar as mãos, como se colocasse o lixo para fora.
— SEU BRUTO! — gritou e foi ignorada. Repentinamente, estava sozinha na calçada nos fundos da boate. — Me fudi...
Sem ter aonde ir ou o que fazer, a Hyuuga cruzou as pernas e ficou sentada no chão como uma mendiga. Na verdade, poderia voltar para casa, no entanto, tinha receio de encontrar quem tanto estava evitando. Também tinha a casa de amigos da faculdade, todavia, não queria ter que explicar nada para ninguém. Nesse caso, era melhor matar o tempo.
Levantou-se toda torta e riu várias vezes de si mesma. Quem diria que chegaria nessa situação? Bebendo por causa de um amor impossível... A bebida não tirava a dor, apenas fazia que esta não fosse o foco de sua mente, o que estava dando bem certo, visto que a moça pensava por que o elefante não era rosa – cinza era uma cor tão sem sal!
Assim como ela! Deveria ser por isso que não tinha o coração de Naruto, porque era sem graça. Afinal, quem gostaria de ser tão branca quanto ela se poderia ser morena? Quem gostaria de ter tanto peito a ponto de parecer uma vaca leiteira? Quem gostaria de ter os olhos mais incomuns do mundo? Ela não e, se fosse isto que precisava mudar para tê-lo, ela mudaria.
Contudo, Shion já havia feito. Pegara de volta o que há anos tinha sido dela e Hinata, que deveria ser a namorada do louro, não fizera nada, além de sentar e assistir de camarote. Agora, ele iria partir pela segunda-feira, junto com os pais, amigos e namorada enquanto ela ficaria lá, em um apartamento que há tempos não sabia o que era solidão.
Voltando ao seu estado depressivo e bêbado, a morena caminhava sem rumo e sem ânimo. Nem percebera quando dois rapazes viraram a esquina a sua frente e viram-na à deriva; viu muito menos quando estes trocaram olhares maliciosos e foram puxar papo com ela.
— O que uma bela moça faz, andando pelas ruas desertas de Kyoto? — indagou uma voz grossa e ela levantou o olhar, encontrando dois olhos castanhos. — Não anda acompanhada?
— Hoooje não — suspirou e eles notaram que ela estava embriagada pela voz arrastada e o cheiro, arrancando sorriso deles. — Hoje é um bom dia p-para andar só.
— Hai, um dia ótimo — concordou o outro, o dono dos olhos caramelos. — Mas não se importaria de andar conosco? É bom ter uma companhia de vez em quando...
— Hmmm... Não sei. Vocês vão me levar a algum lugar? — perguntava inocente.
— Lie! Só vamos aonde você quiser...
Hinata sorriu. Pela primeira vez no dia, dois homens estavam sendo educados com ela e, iludida, assentiu. Logo, os três começaram a andar pelas ruas desertas de Kyoto.
# — #
Deixar Ino numa situação como aquela era de partir seu coração, mas ela pedira após ter deitado ao seu lado. Os olhos dela brilhavam de tristeza e tinham alguns cortes em suas bochechas branquinha causados pelas unhas da víbora, ainda assim, sussurrara que queria que ele a achasse para que ela conseguisse dormir.
E lá estava ele, Sabaku no Gaara, para salvar o mundo. Ou sua namorada, porém, para ele, era a mesma coisa.
Entrou no carro e pegou o celular, ligando para Naruto.
— Ei Gaara — a voz do louro mostrava sua agitação.
— Onde posso encontrá-los? — sim, ele pouco falava e, sempre que o fazia, era bem direto.
— Nós já passamos em todos os lugares que a Hinata gosta de ir e nada — falou e ouviu uma buzina do outro lado, imaginando seu amigo tão desesperado a ponto de ultrapassar sinais fechados. — Nossa opção, agora, é procurar pela cidade toda, então, nos encontrar quando todos estiverem cansados.
— Okay... E Naruto? — ouviu um resmungo digno de Sasuke e prendeu um suspiro. — Não culpe Ino por isso, ela está muito abalada com tudo e muito arrependida por ter acobertado a Shion.
Por um minuto inteiro, o Uzumaki ficou em silêncio e, por fim, suspirou.
— Só quero achá-la, Gaara. De todos nós, ela é a única que não tem culpa de nada aqui...
Afastando-se do aparelho, o Sabaku sabia que aquilo também fora para ele. Quando eram mais novos, Naruto e Ino namoraram por dois meses e a mesma deixou-o para ficar com ele. Não, o Uzumaki não tinha culpa por ter sido deixado e tinha, sim, motivo para não confiar nele nem Sasuke novamente. O louro, dos três, era o único que lutou para encontrar um amor e todos os seus amores haviam sido roubados por seus mais próximos amigos...
Entretanto, ele ainda conseguia olhar na cara deles. Se fosse Gaara na situação do amigo, certamente, nunca mais olharia na cara de nenhum dos dois.
Ao sair do estacionamento, o ruivo dirigiu por um tempo. Seguiu pela aquela rua, entrou nesta direita, virou pela próxima esquerda. Simplesmente, ia por onde tinha vontade, observando tudo ao redor e pensando que, daqui a pouco, quem estaria perdido era ele.
Foi numa esquerda dessas que ele viu um movimento estranho. Três pessoas, dois homens e uma mulher, andando sem rumo e, disfarçadamente, os homens guiaram a mulher para um beco. Mesmo não entendo o que se passava e tendo que ir procurar pela namorada do amigo, ele preferiu parar o carro e ir verificar.
Imagina o quanto ele ficou surpreso ao ouvir a voz conhecida da mulher ao comentar:
— Ué, cadê... A saída?
— Hinata? — perguntou-se o ruivo e entrou no beco.
— Calma, linda, nós não fizemos nada — um dos homens começou a se aproximar e viu a morena afastar-se, chegando a colar as costas na parede.
— Nada... Ainda — respondeu o outro e este riu. — Está com medo?
— V-vocês falaram que não me levariam a lugar neenhum — era impressão dele ou Hinata estava falando com a voz arrastada? Teria bebido? —, levariam-me aonde eu queria.
— Gomen, mas nós estamos com pressa — o primeiro estava tão próximo que, se desse um passo, pressionaria-a contra a parede.
Aquilo era o suficiente para ele.
— Acho que estão incomodando a moça — falou e os dois olharam-no com espanto e raiva.
— Quem é você, nanico? — indagou o mais perto dela e riu. — Veio bancar o herói?
— Que tal você arranjar alguém de seu tamanho? — caçoou o segundo e ambos gargalharam.
Gaara não estava com paciência. O mais próximo dele estava tão distraído com a sua zoação que nem o notou se aproximar e, quando deu por ele, já era tarde: o ruivo dera-lhe uma rasteira e pegou sua cabeça por trás, batendo o rosto do bandido tantas vezes no chão que este acabou desmaiando.
O outro estava boquiaberto com a sua rapidez, sacudiu a cabeça e tirou do bolso do casaco um canivete. Ele teve um pouquinho mais de trabalho com esse, porém o rapaz parecia um inexperiente com facas e não demorou muito para abrir uma brecha que o fez perder o objeto rapidamente. Sem esperar, Gaara deu-lhe uma potente cotovelada na barriga e, ao vê-lo cair de joelhos com dor, deu um chute em seu pescoço, desmaiando-o também.
Não deu nem tempo de suar...
— BRAVO! — gritou a morena do nada e batia palmas, sozinha e toda feliz. — ARREBENTOU ELES, GAARA!
— Está bêbada? — perguntou e aproximou-se dela, sentindo o cheiro de álcool a poucos passos. — Está.
— Só um pouquinho assim... — ela juntou o polegar com o indicador e mostrou a “quantidade” que achava ter bebido.
— Mereço. — resmungou e estendeu sua mão para ela que pegou, mas, ao desencostar da parede, desabou. — Nani?
— Gomen nasai, os estrupadores me deixaram nervosa!
— Hai... — suspirou o ruivo e abaixou-se, pegando-a no colo e ouvindo seu gritinho surpreso. — E, só para constar, é “estupradores”.
— Estrupadores? — tentou a Hyuuga e recebeu uma negativa. — Estrupradores?
— Esquece, Hinata...
O rapaz levou-a para o carro e sentou-a no banco do carona. Deu a volta e, antes de ligar para Naruto, ligou para os policiais, falando que havia dois estupradores – não, espera, estrupadores... Ah, Hinata! – num beco e deu o endereço. Afinal, não queria que nenhuma outra mulher inocente ou bêbada caísse na lábia daqueles filhos da puta.
Entrou no carro e pegou o celular para ligar para o outro, porém o aparelho foi tirado de sua mão com velocidade. Quando olhou para a moça, viu os olhos, até então bobos da morena, estavam sérios e pensou se ela estava realmente bêbada. Com a voz baixa, ela disse:
— Não quero voltar para casa, Gaara-san. Não quero vê-lo.
Sabia que ela se referia ao louro... Ficou pasmo com a mudança de face dela e teve sucesso ao não demonstrar nenhuma emoção. Sua namorada havia comentado que Shion vinha atormentando Hinata desde o começo das saídas e só após essas três semanas que a loura passara de seu limite, embora ela não soubesse o que a outra havia comentado. Suspirou e encostou-se ao banco.
— Hinata-san, não sei o que Shion falou para você, mas não é verdade...
— Não quero saber — a morena o interrompeu e negou com a cabeça. — Se ele quer voltar para Tóquio, não é problema meu... Só não estou preparada para a conversa e quero um tempo para pensar. Quando eu estiver pronta... — ele viu os olhos dela encherem de água e ela ficou olhando-o, sem terminar a frase.
Naruto ia voltar para Tóquio? Essa era nova. O ruivo queria falar que tudo era invenção de Shion, que era mentira e não o fez diante do olhar vulnerável dela. Hinata parecia quebrada, sem rumo e sem ninguém que pudesse confiar e algo em seus olhos mostravam que ele não entenderia o que passava em sua cabeça. Em um momento, Gaara pode ver sua Ino dentro daqueles olhos e conteve-se para não abraçá-la.
— Tudo bem, não levo você para casa — concordou e desviou o olhar, ajeitando-se no banco e recebendo seu celular de volta. —, mas não compro nenhuma bebida alcoólica para você.
— Nani? Por quê? Estou sóbriaaa... — de repente, ela gritou, tirou os sapatos e jogou pela janela, sorrindo satisfeita. — Meus pés respiram novamente...
Muito sóbria...
Educado, o Sabaku saiu do carro e foi para o outro lado buscar os sapatos. Estava prestes a entrar no carro quando teve a ideia de mandar a mensagem para o loiro e, verificando que a Hyuuga estava ocupada demais com seus pés para notá-lo, escreveu uma mensagem e mandou. Entrou no carro logo em seguida e colocou os sapatos no banco de trás, girando a chave ao terminar.
— Aonde vamos? — perguntou para a moça que brincava com o pé.
— Qualquer lugar, desde que passemos em um bar primeiro — ela olhou-o com um sorriso de menina má.
Ele, realmente, não merecia isso.
# — #
Naruto já deveria ter passado por todos os lugares que Hinata teria ido. No telhado da universidade que ficava estudando, no café que gostava de ir, na praça que ia para ficar sozinha, no bar que freqüentava com os amigos da faculdade, na boate que iam juntos.
Ele já não sabia aonde ir e aquele pensamento deixava-o desesperado. E se ela tivesse fugido da cidade? Voltado para a casa dos pais, onde ele não sabia aonde era?
— Vou achá-la, preciso achá-la — sussurrava para si, tentando não ser levado pelos seus pensamentos negativos. Tirou o celular do bolso e foi para o acostamento. Estava prestes a ligar para Tenten de novo quando recebeu uma mensagem de texto...
Achei Hinata. (...)
O alívio foi instantâneo, fazendo-o respirar fundo e jogar a cabeça contra o banco. Sentiu toda a aflição, o medo, a angustia, tudo ir embora quando leu essas duas palavras. Naquele segundo, só queria vê-la, abraçá-la e falar “nunca mais faça isso!”. Uns minutos mais tarde, ele conseguiu focar no celular e terminar de ler a mensagem:
(...) Está bêbada e não quer olhar na sua cara. Quando estiver “melhor”, levarei-a para casa.
Gaara
Hã? Como assim, não queria olhar na cara dele? Que história era aquela? Ele havia explicado que Shion havia inventado seja lá o que ela tenha a falado? Releu a mensagem e prestou atenção na parte “Está bêbada”, bufando e sacudindo a cabeça. Hinata, quando bêbada, fazia loucuras e imaginou que, se Gaara tentasse falar algo que ela não quisesse ouvir, a morena poderia fugir de novo.
Tentando não pensar no relacionamento dele e da melhor amiga, o Uzumaki ligou para o resto do pessoal para avisar que a moça havia sido encontrada. A Mitsashi começou a soluçar quando recebeu a notícia e ele reprimiu a vontade de caçoá-la, porque era a primeira vez que a ouvia chorando; pedira para falar com a amiga e Naruto explicou a situação, avisando que pediria para ligar na manhã seguinte. Relutante, ela aceitou e ameaçou-o:
— Se você se aproveitar de minha amiga, considere-se sem pinto!
Mesmo chorosa, ela sabia ser ameaçadora. E, sim, Tenten sabia que ele não era gay.
Foi para casa e ficou no salão do prédio, esperando algum sinal de vida dos dois. Estava morrendo de vontade de ligar e não o fazia, pois tinha medo da reação de sua menina.
Uma hora mais tarde, Gaara mandou mais uma mensagem:
Tô aqui na entrada do seu prédio
Não preciso nem dizer que o louro saiu correndo para fora. Lá fora, ele encontrou o carro que seus pais haviam alugado e viu o Sabaku sair do carro. Aproximou-se em passos rápidos e largos.
— Cadê ela? — perguntou e olhou para o banco da frente, encontrando-o vazio.
Gaara abriu a porta de trás do carro e a cena que viu deixou o coração de Naruto pesado. A Hyuuga estava dormindo toda espremida com a cabeça para o lado de lá, mas ele conseguia ver seu cabelo todo bagunçado, sua maquiagem extremamente borrada, sua boca levemente aberta; sob os olhos, tinham pequenos “caminhos” secos que afirmavam que ela havia chorado. Estranhamente, ela estava descalça e agarrada a um de seus sapatos.
— Ela... — teve que engolir a seco para tirar o nó que ser formara em sua garganta. — Ela deu muito trabalho?
O ruivo negou com a cabeça. Ainda sentindo-se culpado por tudo que a sua melhor amiga havia passado, o rapaz foi até a porta e engatinhou até chegar perto da cabeça dela. Acariciou os cabelos e beijou sua testa com carinho e cuidado. Sem saber como, conseguiu passar um braço pelas costas dela e por trás dos joelhos, puxando-a para seu colo. Saiu devagar do carro, com medo de machucá-la.
— Arigatou, Gaara — agradeceu ao vê-lo pegar o outro sapato e colocar em uma de suas mãos. — Arigatou por achá-la.
— Por nada, Naruto — falou pela primeira vez desde que chegou. — Ela chorou bastante e ficou falando que tudo era sua culpa.
Suspirou e acariciou o rosto dela com a ponta do nariz. O sofrimento dela era, sem dúvida, culpa dele.
— Gomen por ter tirado você de Ino para isso e diga a ela que não culpa nossa confiar nas pessoas erradas — ajeitou Hinata no colo e virou-se para partir. — Arigatou outra vez...
— Naruto — chamou o outro quando já estavam distante. — Você não vai voltar para Tóquio, vai?
Piscou-se e virou-se para o outro, confuso. Certo que ele já havia mostrado para todos que Shion era a causa de ter “fugido”, contudo, não significava que ele iria voltar para casa. Ele nunca iria abandonar Hinata... Estava tão ligado a ela que deixá-la era fora de cogitação!
— Lie. — respondeu e fitou-o. — Quem te falou isso?
— Hinata... Ficou falando que não era problema dela se fosse, mas ficaria com saudade. — Gaara levantou a cabeça e fitou-o nos olhos, como sempre fazia para tentar lê-lo. — E que história é essa de casamento?
Arregalou os olhos e prendeu a respiração. Hã? Que história era aquela de casamento?
— Casamento? Como assim?
— Durante o choro, ela ficou falando que tudo era culpa sua e que não queria se casar, não queria ser infeliz. Pensei que, depois do que Shion fizera, você não iria querer dessa história de casamento tão cedo. — o rapaz deu de ombros.
E Naruto não queria. Primeiro, não havia encontrado a pessoa certa e, segundo, não estavam nem namorando de verdade, imagina planejando casamento. Olhou para a morena e concluiu que, esse tempo que tinha evitado-a, algo tinha acontecido. Algo que com ela naquele estado, obviamente, não o contaria. Ah, se ela não estivesse bêbada...
— Não sei do que se trata, Gaara, mas vou descobri...
Após isso, ambos seguiram seu rumo. O Uzumaki carregou-a a todo o momento e, durante o percurso do elevador, ficou perguntando-se sobre essa história de casamento. Às vezes comentavam sobre esse assunto e a amiga vivia afirmando que nunca se casaria, que ninguém a amaria por ser feia e chata. Pois é, as crises dela davam-lhe uma raiva extrema, porque não era verdade nenhuma das duas características.
Um dos motivos de ser “gay” apenas com ela era o fato dela ter aquele corpo lindo. Tudo bem que não dava para ser “gay” gostando de mulher, só que morar com Hinata era torturante... No começo, tinha que tomar banho frio todas as noites para não ir ao quarto em frente ao seu e atacá-la e, com o passar do tempo, adaptou-se a situação. Não completamente, pois o corpo dela ainda era dava-lhe tesão, mas o sentimento de fraternidade que tinha por ela era maior que seu “desejo carnal”.
Já dentro de casa, cheirou o cabelo dela e fez uma careta, pensando que ela precisava de um banho. Ele já tinha, sim, dado banho nela bêbada e mais de uma vez, por isso, caminhou até o banheiro de seu quarto. Tentou acordá-la por todo o caminho até o banheiro e viu os olhos perolados se abrirem, lentamente e perdidos.
— Hina, me ajuda a te dar banho, minha princesa — sussurrou no ouvido dela e sorriu maliciosamente ao ver o corpo dela ficar arrepiado... Ele adorava ver as reações que causava nela, porém ela vivia escondendo dele.
Sentou-a sobre a bancada de seu banheiro e sorriu ao vê-la, toda sonolenta, manter-se sentada para ajudá-lo. Viu-a levantar os braços quando ele puxou a blusa dela para cima e desabotoou o botão da calça jeans, tirando-a também. Claro que ele não tirava a roupa toda, tinha consciência que ficaria sem pinto se fizesse isto Tirou a própria blusa e voltou a pegá-la no colo, carregando-a para o Box e ligando o chuveiro na água morna.
— Princesa, vou te colocar no chão, está bem? — avisou e colocou-a de pé, apoiando-a contra seu peitoral. Empurrou-a lentamente até que ficasse totalmente debaixo da água e mudou para o frio. Imediatamente, Hinata abriu os olhos e soltou um gritinho, agarrando-se a Naruto para tentar fugir do frio. — Calma...
— Tá fria, tá fria! Me tira daqui, okaa-san — sua voz era medrosa, manhosa e infantil e ele apenas abraçou-a com mais força para que não fugisse, entrando junto com ela. — Lie! Lie! Tá frio, me tira daqui, okaa-san! Onegai, onegai, onegai!
Minutos mais tarde, os gritos tornaram-se sussurros e sumiram de vez. O louro começou a passar o shampoo, condicionador e finalizou com o sabonete líquido. Faltava apenas enxaguá-la quando ela voltou a reclamar, pedindo para esquentar a água e chamando de okaa-san.
— É o Naruto, Hinata — respondeu e viu-a olhá-lo espantada, arrancando-lhe um sorriso brincalhão.
— Naruto-kun? — perguntou baixinho.
— Hai, sou eu, Hina...
Ela não deixou terminá-lo, já havia encostado os lábios nos dele. Naruto arregalou os olhos e tentou afastar-se, entretanto, sentiu os braços dela envolvendo seu pescoço. Via as bochechas dela vermelhas e seus olhos sendo fechados com força, como se estivesse com morrendo de vergonha e medo pelo que fazia. Aquelas reações dela deixaram-no embriagado com aquele jeito que só ela tinha e, abraçando-a pela cintura, pediu passagem com a língua.
“É errado beijar minha melhor amiga bêbada?”, perguntou-se e mal teve tempo de raciocinar direito, pois ela havia cedido passagem. Quando sua língua tocou na dela, sentiu o coração pulsar muito rápido ao sentir uma corrente elétrica ir da ponta de seu cabelo até os dedos dos pés.
Começaram com um beijo lento e envolvente, onde ambos apenas se conheciam. O rapaz empurrou-a até a parede e pegou-a pela nuca, guiando-a. Ficou todo arrepiado ao senti-la passar as unhas em seu couro cabeludo e não se conteve: puxou-a para cima e prendeu aquelas pernas grossas envolta de sua cintura, aumentando a intensidade do beijo.
Foi só quando acabou o ar que percebeu que estava fazendo merda... E que também estava excitado com isto.
— Kami-sama, o que eu fiz? — sussurrou corado e, ao fitar a amiga, sentiu-se mais excitado, pois a mesma mordia o lábio inchado pelo beijo e mantinha os olhos fechados. — Hina...
— Estou no céu com esse beijo... — sussurrou ela e abriu os olhos, fazendo-o prender o ar ao notá-los mais escuros. Ouviu o coração no ouvido ao vê-la lamber os lábios. — Quer me dá outro não, Naruto-kun?
Kami, de onde saiu àquela voz sensual? “Segure-se, ela está bêbada. B-Ê-B-A-D-A!”, sua consciência era firme e tentava fazê-lo ver o caminho certo, só que Hinata não ajudava em nada: quando ia soltar sua cintura, ela foi até a parte lateral de seu rosto e, sem ter tempo para impedi-la, sentiu seu corpo ficar todo arrepiado ao sentir a ponta da língua dela tocar sua orelha. Acabou soltando um rosnado, especialmente depois de sentir as unhas dela descerem até suas costas de forma lenta e prazerosa.
— Hinata, não faz isso comigo — sussurrou de olhos cerrados. — Você está bêbada e não quero abusar...
— E se eu quiser, como você agirá? — o ar quente da boca dela continuava a dar arrepios e respirou fundo ao ser mordido com carinho no lóbulo. — Hm?
Por que aquilo só acontecia com ele?
O louro, com esforço, afastou-a de si e manteve-se de olhos fechados.
— Hina, preciso que me ajude, não que me atrapalhe — abriu os olhos e encontrou-a encarando-o. — Onegai, sempre te respeitei e não quero ir além do meu limite...
— Eu quero você, Naruto-kun — o pedido da morena era carregado de segundas intenções e forçou-se a olhar para o chão, recusando-se a cair naqueles olhos que tanto o deixavam perdido. — Quero você dentro de mim, me fazendo sua e apenas sua. Possuindo-me com força e com velocidade da maneira que só você faz...
As palavras dela, extraordinariamente eróticas, fizeram que a voz de sua consciência se calasse de vez. Sem raciocinar, prendeu-a outra vez a parede e beijou-a fogosamente, ouvindo-a gemer baixinho entre seus lábios agitados. Ele sabia que precisava parar e tudo o que conseguia era apertá-la contra si, deixando-se levar por aqueles lábios maravilhosos.
Quem diria que era a mesma pessoa que pensou que “o sentimento fraternal era maior que seu ‘desejo carnal’.”?
Afastou-se ofegante e repreendendo-se. Ele só fazia merda! Tirou os braços dela e pôs a no chão, chamando-a carinhosamente, todavia, com a voz mais rouca pelo desejo:
— Minha princesa...
Repentinamente, a moça começou a escorregar pela parede e ele pegou-a. Ao fitar seu rosto, via os olhos fechados e a boca levemente aberta. De uma mulher sexy para uma mulher cansada a ponto de dormir em pé... Naruto nunca compreenderia como a bebida poderia fazer aquilo.
Aliviado e arrependido, desligou o chuveiro e secou-a por inteiro, carregando-a para o quarto logo após o termino. Depositou-a na cama e afastou-se. Apenas de peças intimas e com os cabelos esparramados no travesseiro, Hinata parecia um anjo dormindo e ninguém diria que havia feito aquilo no banheiro, minutos atrás.
Aquela havia sido a primeira vez que, quando bêbada, ela o ataca. A morena sempre evitada andar de roupas curtas e vivia se escondendo quando estava de roupa de dormir... E, logo quando pensava em contar-lhe que não era gay, ela fazia isso com ele.
Naquele momento, olhou para seu corpo e notou um volume sob o jeans molhado, coçando a nuca. Agora, quem precisava de um banho, depois daquela Hyuuga sedutora no banheiro, era ele.
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