Notas iniciais
Olá pessoal! Consegui postar no dia dos namorados, ei que legal! Tudo a ver com este capítulo, pessoal. Posso ter demorado um pouco (duas semanas), mas eu tinha que caprichar neste capítulo, queridos leitores. Ele é muito importante. Quero agradecer de verdade, de montão as minhas queridas leitoras Daddario Lerman, Liia Reis, Teka e Andreza Pereira de Martino pelas sensacionais recomendações. Capítulo para vocês, queridas, e sintam-se honradas porque é um dos que eu mais gostei de escrever. Boa leitura!

POV Percy

Certo, as coisas pareciam definitivamente confusas.

Hoje, nesta sexta feira maldita, meu pai e Atena iriam chegar. Junto com isto, a festa de Rachel Elizabeth Dare era a mais falada do colégio, em toda a semana.

Mas não era nada disto que deixava a minha semana estupidamente confusa. Dois dias atrás, aconteceu algo que eu chamo de “confusa libertação de Annabeth Chase”. O que deveria, urgentemente, ter uma mudança de nome já que de libertação não havia quase nada.

Depois de ficar praticamente a noite toda trocando beijos com Annabeth, nós simplesmente caímos no sono, e quando eu acordei, ontem. Annabeth Chase não estava mais lá, e tudo pareceu um grande sonho já que desde então eu não a vi mais.

Estava tentado a ligar para Atena e falar: “Olha, eu perdi a sua filha depois de ficar por volta de três horas e meia a beijando”. Acredito eu que Atena não iria gostar nada daquilo.

Agora, lá estava eu, no meio de um grupo de pessoas que gostavam muito de festas e estavam muito ligados na festa de Rachel.

E eu ainda nem sabia o que pensar sobre Rachel.

Uau, eu e ela havíamos trocado um beijo. Depois de tantos anos, meio que uma sensação esquisita fez com que meu coração batesse mais rápido do que eu queria. Minha primeira paixão séria, a garota que fez com que a minha perda de virgindade não fosse uma tremenda bosta.

Rachel estava no TOP 5 das garotas mais especiais da minha vida. Aquelas que abriram o mar vermelho para mim. Além disto tudo, dali a duas semanas começaria o campeonato e a chamada da faculdade dali e dois meses.

Apenas dois meses.

–Ei, oi — Luke estava estralando os dedos na frente do meu rosto. Eu o olhei, piscando uma ou duas vezes — Cara, o que você está pensando?

Thalia sorriu ao lado de Luke.

–Provavelmente que será o cara que vai ser comido pelos olhos da anfitriã na festa hoje — a punk pegou uma das minhas batatas fritas — Eu odiava a Calipso, por motivos óbvios. Mas a Rachel… Cara, eu posso aguentar. Sério. Na verdade, acho vocês um casal bem maneiro.

Todos achavam. Nós sempre fomos um casal bem maneiro. Suspirei enquanto olhava para o lado, em pé, Rachel conversava com muitas pessoas. Gesticulando provavelmente sobre a festa.

Sorri de lado ao vê-la com uma das suas calças toda cheia de tinta e caneta esferográfica. Se ela não estivesse mais alta e com o corpo cheio de curvas, basicamente seria a garota por quem me apaixonei.

Vi que ela olhou para mim e acabou sorrindo, suas bochechas ficando vermelhas como maças. Eu voltei a olhar para o meu prato e Luke arqueou uma sobrancelha. Poxa, ele já sabia do nosso histórico.

–Eu ainda não entendi o que você está fazendo não agarrando a Rachel. Sério, eu sempre pensei que se ela voltasse, em qualquer hora ou qualquer momento, não teria jeito. Vocês ficariam juntos na mesma hora.

Ri também. Então franzi o cenho.

–Caramba, cadê o Nico e a Megan? — cruzei os braços enquanto olhava ao redor.

–Namoro pós briga — Luke e Thalia falaram em uníssono. Bufei, batendo as mãos na própria coxa.

–Mas isto já tem um mês! — era revoltante. Os dois basicamente haviam sumido e eu não os havia em lugar algum. Thalia concordou.

–Acho que eles meio que estão descobrindo que o ano está acabando então começaram a passar 24 horas por dia juntos. Eu acho até que ela ficou na casa dele esta semana, sabia?

Era impressionante. Eu não os via em lugar algum.

–Megan vai ficar aqui mesmo, em Yale?

–É o que ela quer — Thalia deu de ombros — O curso dela é difícil, sabe… Medicina não é para qualquer um. Ela tem que estudar muito para conseguir uma vaga. Mais do que parece que está estudando até agora.

–E o Nico está doido para ir para Los Angeles, do outro lado do país. Fala sério, não tem como vocês arranjarem uns cursos mais perto não? — Thalia cruzou os braços. Luke acabou rindo.

–Administração é bom em qualquer lugar. Pelo que parece é o curso do momento — respondeu ele — E você, Percy, o que está pensando?

Eu não iria falar que queria justamente a Duke. Justamente o lugar que eles haviam escolhido para fazermos a inscrição coletiva. Então, obviamente, falei minha segunda opção.

–Estou pensando em fazer na Califórnia também. Bolsa de basquete, né cara? — eu e Luke acabamos dando um soco camarada. Ele também estava indo para o Oeste, seu curso de física robótica o esperando lá junto com sua bolsa em basquete.

As meninas estavam devastas por irmos para o mesmo local e elas continuarem em Nova York. Eu ainda não meti coragem em falar para os caras que eu não estou pensando em Los Angeles como minha primeira opção. Nós fazemos este plano de ir para a Califórnia desde sempre.

Sorri de lado ao ver Thalia e Luke entrelaçarem os dedos escondido pela bandeja. Era uma grande pena eles se separarem deste jeito.

–Sério, eu vou dar um grande sermão para Nico e Megan — continuei comendo — Eles só sabem se comer.

O pessoal acabou rindo e eu fiquei feliz por ter aliviado aquela tensão presente no ar. Praticamente toda hora eu olhava para os lados atrás de Annabeth.Se ela não voltasse antes dos velhos voltarem eu estava muito ferrado.

Hoje tinha o primeiro treino oficial do basquete para o campeonato. Ficamos no colégio até mais tarde, o que fez eu chegar em casa à noite. Eu estava nervoso, tentando procurar alguma desculpa para falar porque Annabeth havia virado fumaça.

Quando abri a porta de casa, vi uma cena que realmente me chocou. Atena e Poseidon estavam sorrindo, sentados no sofá, e Annabeth os serviu uma bandeja de cookies.

A loira olhou para mim e foi embora. Atena bateu palmas animadas e se levantou até mim.

–Eu não sei o que você fez, mas ela está tão boazinha com nós — eu dei de ombros, ainda confuso — Ela não me perguntou da viagem, nem me deu bom dia. Mas ela falou para eu me sentar no sofá e me serviu empadinhas e agora cookies que ela mesmo fez.

Atena parecia muito animada, meu pai riu e voltou a olhar para o jornal, atrás das notícias de Nova York, provavelmente.

–Vocês foram na disneylândia? — perguntei já rindo, imaginando meu pai com as orelhas do mickey. Tirei meus óculos sentando no sofá com eles. Atena riu pondo a mão no peitoral do meu pai.

–Em todos os brinquedos.

Eu ri junto com eles. Annabeth chegou com uma jarra de suco e forçou um sorriso simpático. Semicerrei os olhos tentando entender o que ela estava planejando.

–Obrigada, querida — Atena disse agora desconfiando também, meu pai já parecia desconfiado há um bom tempo.

–Então, mãe — disse Annabeth, chamando-a de mãe. O que era uma grande novidade — Hoje o Percy vai numa festa que não fui convidada.

Eu arregalei os olhos, ela estava querendo me manchar?

–E eu meio que fui convidada para outra festa também, então eu estava pensando se você por algum acaso não pudesse cancelar aquele seu cancelamento do meu carro — ela forçou outro sorriso, quase me convencendo que era verdadeiro. Atena parecia pensar, então voltou-se para mim.

–Ela se comportou bem esta semana, Percy? — Annabeth sussurrou um “puta que o pariu” e afundou a cabeça no sofá, revoltada. Acabei sorrindo.

–Sim, Atena, ela foi muito responsável — peguei um cookie, meu olhar se encontrou com o de Annabeth e assim ficou por algum tempo. Eu queria saber que festa é esta que ela foi convidada, porque do colégio não era. Já que ninguém ia ter a coragem de marcar uma festa no mesmo dia que Rachel.

Ela conhecia universitários?

Atena deu de ombros.

–Não vejo o porquê de não devolver seu carro, eu vou mandar minha secretária pegá-lo para você — Annabeth sorriu verdadeiramente agora. Sua expressão exalava felicidade.

Eu ainda não sabia o que pensar sobre eu e Annabeth. Na realidade, eu acho que não pensava nada. Ela havia me prometido que iria explicar o máximo que podia, ela disse que sentia algo por mim.

Ela falou que eu não havia a deixado sozinha na Califórnia, e eu ainda tentava entender estas palavras dela.

As próximas horas poderiam ser descritas em três palavras: hora pré-festa.

Basicamente é quando as pessoas se trancam no quarto por horas e ligam uma música interessante para entrarem em clima de festa .

Eu pus uma blusa preta com uma jaqueta de couro por cima, verificando se meu peitoral não ficava a mostra ou algo do tipo. Como sempre, eu tentei arrumar meu cabelo (grande demais, porque eu não o cortaria nunca mais) e infelizmente pus meus óculos para dirigir, mesmo que eu os jogaria no lixo assim que fosse para a faculdade.

Pus meu telefone no bolso e saí de dois em dois passos na escadaria. No fim, Annabeth já estava pronta para sua própria festa no primeiro andar, a chave do seu carro rodando em sua mão com muita sagacidade.

Ela usava um jeans rasgado que eu nunca havia visto em seu armário, e uma blusa que mostrava sua barriga. As meninas tinham um nome especial para camisas mal cortadas, cross.. cropp… cropped. Eu juro que não ligava.

O seu cropps ou cropped era branco e bonito. E o seu sapato era vermelho num estilo doido e skatista que me fez ter pensamentos nada legais.

Eu e ela saímos na mesma hora sem querer. Esbarramos o braço um no outro na porta da casa. Eu vi o carro dela estacionado logo em frente. Uma mercedes 68 conversível, uma das coisas mais estilosas que eu já vi na vida. (Claro que não ganhava do meu Maserati em nada, mas…)

Eu olhei para ela e ela olhou para mim, foi a primeira vez em dois dias que eu a via novamente. Eu queria bater nela de raiva por ela ter sumido daquele jeito, mas eu apenas a ignorei. Indo em direção ao meu carro.

Nestes dias que ela resolveu sumir, eu resolvi que ia mudar. Totalmente. Eu parecia um cachorro correndo atrás dela nestes últimos tempos, sempre tentando ser certinho para tentar fazê-la conversar comigo e se abrir comigo.

Estas coisas de gay que eu não estava mais disposto a fazer.

Eu nunca, nunca correria atrás de uma garota. Nunca mais.

Bati a porta do meu carro e vi que ela bateu a dela, ela acelerou sua mercedes primeiro, jogando um cigarro para fora do carro e acelerando.

Decidi não dar a mínima, já que ela parecia fazer o mesmo comigo.

Então, quando cheguei na festa de Rachel, estava totalmente pronto para me divertir pra caralho. Quer dizer, não é sempre que eu sou o convidado de honra da anfitriã e eu fiz o máximo para dar motivos de conversa na semana inteira.

Vi que a ruiva conversava com alguma garotas líderes de torcida e eu fui até lá, a empurrei daquele grupo e a peguei num beijo desprevenido, apertando sua cintura e pernas, colocando-a contra a parede.

Ouvi algumas pessoas gritarem na nossa volta mas eu não reparei, não queria fazer com que aquele momento acabasse tão rápido.

Abri meus olhos depois de recuperarmos o fôlego, Rachel estava linda e sexy. Como sempre.

–E aquela coisa de irmos com calma? — perguntou ela ajeitando sua saia de couro. Eu sorri de lado e a puxei para dançar, pegando uma cerveja no freezer ali perto.

–É o senior year, querida. Nós nunca vamos com calma.

(...)

Cheguei em casa de manhã cedo, achando meu carro silencioso barulhento demais. Abri a porta em dois tempos, a empurrando o mais devagar que pude. Tirei meus tênis e os coloquei embaixo do braço, continuei andando devagar e subi um degrau da escada. Estava pronto para me safar quando meu celular tocou.

–Percy Jackson! Venha aqui agora! — gritou meu pai da cozinha. Revirei os olhos e respirei fundo, dando meia volta e indo até lá. Annabeth e Atena estavam tomando café, a loira mais nova parecia com algumas olheiras de cansaço mas nada tão estraçalhado quanto eu — Você deveria avisar quando chegar às oito da manhã.

Atena olhou cética para meu pai. Como se perguntasse: “Só isto?”

–Eu fiquei muito preocupada, Percy — ela disse enquanto parecia olhar na minha alma, igual a minha mãe também faz. É assustador.

–Hm… Bem, me desculpa. Acho que acabei dormindo por causa da bebida. Melhor do que dirigir embriagado vocês não acham?

Poseidon e Atena se entreolharam, como se não acreditassem numa só palavra do que eu dizia. (O que não era algo muito difícil, na realidade).

–Rachel Dare? Novamente? — perguntou meu pai sério. Ele nunca gostou muito de Rachel, mas ainda sim achava melhor do que eu ficar sozinho ou correndo atrás de alguém igual um cachorro.

Olhei para Annabeth com raiva, porque diabos ela tinha que ficar comentando estas coisas com meus pais? Era até anti-Annabeth, na realidade.

–Ei, não foi ela — meu pai avisou, pegando seu celular no bolso do moletom cinza — Está nas redes sociais.

Quando meu pai dizia “está nas redes sociais” ele meio que queria dizer “Twitter” mas como ele já beira seus 42 anos, vamos dizer que estava na porra do twitter com uns 200 retweetes a foto do que parecia eu comer a cabeça de Rachel com a minha língua, por mais que fosse uma foto bem sexy, aliás.

Já que eu estava já sem minha jaqueta e ela tinha uma garrafa de heineken nas mãos, não me lembro desta parte mais.

–Hm, bem… Meio que ficamos ontem. Mas é só isto — decidi não ficar com receio do que Annabeth iria pensar. Meu pai concordou, sorrindo de lado.

–Você passou a noite com ela?

–Isto é meio pessoal demais, Poseidon — comentou Atena. Mas como eu e meu pai não tínhamos muita vergonha na cara eu acabei respondendo a verdade:

–Sim, passei.

Fui embora, sorrindo de lado ao ver que Annabeth nem ao menos tinha falado nada. Nem havia olhado na minha cara. Seu senso de tentar ser o centro das atenções com a sua mãe parecia passar. Ou então ela estava com uma bela de uma ressaca.

Fui para o meu quarto e deitei na cama, dormi tudo que eu não havia dormido esta madrugada.

Acordei com um esquisito barulho na minha varanda, abri meus olhos lentamente e vi que já estava de noite. Meu quarto (como sempre) estava muito muito escuro, para que ninguém me visse caso decidissem dar uma passada no meu quarto sem a minha aprovação.

Olhei para a varanda e vi que era Annabeth, liguei a luz de lá e fiquei no escuro, tentando entender o que diabos ela estava fazendo ali.

–Eu briguei com a minha mãe, estou de castigo — ela disse mais alto do que precisava. Revirei os olhos (por mais que achasse que ela meio que não conseguia enxergar este meu gesto).

–Eu não vou te ajudar a fugir.

–Acho que eu devo desculpas — ela comentou, agora parecia realmente séria — Eu devia te mandar uma mensagem antes de decidir ir embora medrosamente. Não faz parte da minha estirpe.

Eu nunca havia visto Annabeth falar tanto desde que ela havia voltado, então eu meio que dei atenção, indo um pouco mais para a luz.

–Continue…

–Eu não sei se devo, já que agora você está vivendo um romance cyberespecial com Rachel — eu revirei os olhos mais uma vez, agora ela havia visto — Tudo bem, olha… Apenas me desculpe, valeu? Eu nem queria estar aqui, agora.

–E porque você está, então?

–Eu acho que você merece mais que isto — fui chegando mais perto da varanda para ouvi-la melhor — Meu comportamento às vezes é exagerado, e você é a última pessoa que merece aguenta-lo.

Isto era algum tipo de declaração amorosa? Semicerrei os olhos, tentando entender também o que estava acontecendo.

–Onde você quer chegar?

–Eu quero chegar naquilo que eu não cheguei antes. Você disse que estava apaixonado por mim, e eu também estou apaixonada por você, por mais que tenha falado tarde demais e você já tenha ido para a Rachel.

Ela deu meia volta, pronta para pular a varanda do meu quarto e ir para a dela. Corri para a varanda (o que foi definitivamente o meu maior erro de todos os tempos) e peguei na sua mão.

Annabeth estava com os olhos arregalados, tão petrificados que pareciam ter virado múmia.

–Não fuja de novo — disse, fechando os olhos. Como num desabafo. Olhei para ela novamente, que continuava tão petrificada quanto antes. Estava começando a me assustar, foi quando olhei para onde ela olhou.

Então meu coração parecia rasgar meu peito, e minha barriga turbulhou de emoções. Annabeth fez algo que foi a coisa mais surpreendente que eu já vi ela fazer em toda a minha vida: Ela chorou. Igual uma criança.

–Você ainda tem ela — parecia tão feliz e emocionada que começou a me assustar. Ela olhou através dos meus olhos, mas não era igual Atena ou minha mãe, ela não parecia querer ler alguma coisa na minha mente. Ela parecia já saber de tudo que tinha lá — Percy… — ela tentou tirar as lágrimas dos olhos igual uma louca. Agora eu era quem estava petrificado, sem saber direito o que fazer — Eu não acredito que você ainda tem a tatuagem.

Notas finais
Sem comentários. Tipo, leitor para caralho estava curioso para saber disto. E é tipo um divisor de águas na história, por isto deixei este assunto no mistério. MAS VOLTOU À TONA. Comentem. Enfim, deixem seus maravilhosos reviews que eu adoro demais. Beijos de dia dos namorados (principalmente para aqueles que passaram ainda encalhados, como eu) e até o próximo!