O Quarto Bloco - Coleção Strike.
2 Capítulo 1 - O Engenheiro.
Notas iniciais
Sempre tive como Hobbies a computação e a engenharia, era o que me agradava, ficava dias, semanas, sem dormir criando e recriando coisas, hardwares e softwares. Meus cabelos eram ralos, decidi cortar para não ter trabalho com eles, rosto quadrado e pequenos olhos castanho-claro, era alto e magro. Meus interesses eram comuns para quem tinha a mesma vida que eu, autômatos, Nunca consegui moldar um, a energia sempre era insuficiente para a alimentação das baterias, então decidir criar o menor que podia, e estava trabalhando nele, engrenagens, alguns livros e cadernos com cálculos se espalhavam pela mesa, pedaços de ferro irregulares também, Finalmente terminei a asa.
– Vamos lá garotão, nascido em cinco de setembro, as Seis e trinta, um quilo e com saúde, espero eu.
Agitei minhas mãos, tirei as luvas e passei sob a mesa e no mesmo momento tudo se mexeu, flutuando por todo aquele pequeno espaço, entorno de uma pilha 1,6V, redonda e preta, cabos se conectaram a engrenagens e elas se encaixaram a pedaços de ferro, placas se conectaram a bateria, tudo aquilo tomou forma, um pequeno sabiá de ferro.
– Isso aí garoto!
O pássaro levemente pousou na mesa, ele mexia a cabeça e batia asas, pulava para todos os lados e fazia alguns sons naturais. Não consegui esconder um sorriso.
– Finalmente — Gritei. – Meu primeiro auto....
O pássaro começou a piar estranho, uma som grotesco, fumaça saiu das extremidades, ele começou a tremer.
– Não, Não. Por favor! O Pássaro explodiu em um brilho branco.
A fumaça tomou conta de todo o meu quarto, que mais parecia uma oficina mecânica. Me senti sufocado, corri para a janela mais próxima e a abri, a luz quase cegou meus olhos, mas o pior era a fumaça que não me deixava respirar normalmente, a empurrei com as mãos em uma tentativa, O som estrondoso da porta se abrindo e batendo aconteceu em seguida, meus olhos se reviraram de medo, olhei para trás, tentando ignorar a fumaça e no mesmo momento, pensei em não tê-lo feito, o que vi era pior do que encarar trinta explosões, uma atrás da outra e tudo dentro do meu estômago.
Os olhos pretos de um homem alto estavam preocupados, por alguns segundos, ele olhou em volta e percebeu que toda aquela fumaça saindo da mesa de estudos tinha sido mais uma vez, obra minha, Ele voltou seus olhos para mim e ficou furioso, o rosto quadrado estava firme e as mãos grandes apertavam a maçaneta com força.
– Ted. Eu juro, não foi culpa minha... e.... Esquece.
– “Argumentar não daria de nada naquele momento” pensei
– Hansel, não dá mais. Ele fez um gesto de acabado com as mãos. Você vai ter que parar com isso.
– Ted, por favor, eu...
– Não, você prometeu, sem mais explosões.
– Mas....
– Não, acabou! Quero Tudo que tenha bateria e engrenagem encaixotado, no porão. Ele saiu do quarto e bateu a porta fazendo com que o armário ao lado balançasse, em falso.
Hansel olhou em volta, pensou no trabalho que teria com a arrumação do quarto, a cama ao lado do armário estava com uma barricada de roupas, parecia que era só olhar e o cheiro chegava em seu nariz, ele balançou a cabeça e tomou coragem.
– Vamos lá. Disse, enquanto olhava para um pequeno pedaço de papel com anotações. Infelizmente, o desenho não saiu do papel como havia imaginado.
Pensando em Ted Philips, meu padrasto, com quarenta e cinco anos era atlético, campeão nacional de natação e aposentado. Aos quarenta, aparentemente Ted estava bêbado o suficiente para mergulhar em uma piscina sem água, quebrou o braço e o pescoço, quando estava no hospital conheceu a enfermeira, Hanna Hammer, minha mãe, ela cuidou de seus ferimentos, saíram para almoçar e três meses depois estavam casados e morando na mesma casa, infelizmente deu certo, cinco anos depois e eles estavam lá, juntos.
Depois de quase um dia inteiro de trabalho duro, todos os meus objetos estavam encaixotados, roupas separadas em um saco e eu com roupas novas uma calça jeans preta e uma camiseta azul, Ted bateu na porta novamente e entrou.
– Ok, eu fui muito duro, pode pôr tudo de volta!
– O que? Aquela sem dúvida fora a vez que mais tive vontade de jogar um sabiá de ferro na cara de Ted.
– Calma, estou brincando, cara de bola de sinuca, agora vamos tomar café, vamos matricula-lo na escola nova.
Poucas coisas me incomodavam, mas o que mais irritava era a voz de Ted com suas piadas idiotas e eu seu baixo nível de senso de humor.
– Que história e essa de escola nova? Disse como um chamado, ele já havia saído do quarto.
– Conversei com a sua mãe ontem pelo telefone e decidimos que você deve voltar, um garoto com um Nobel de inteligência também precisa estudar.
“Nobel de inteligência?”
– Eu não vou voltar para a escola. Meu padrasto apareceu na porta novamente, esticando seu pescoço para dentro do quarto.
– Não questione! Sua mãe mandou.
Respirei fundo e em seguida pensei em surtar. Minhas experiencias em escolas não foram boas, o fato de ser muito impulsivo nunca me ajudara. O motivo de expulsão da escola fora algo que eu nunca tinha feito antes, era como uma rede wi-fi, que se conectou as caixas de som da escola. Estava pensando em uma garota. "Carli Jones, a garota mais linda do mundo, é uma pena você não gostar de mim, e sim do babaca do Ryan boga, aquele idiota, sempre me bate por andar com os leigos alunos de informática e claro, aqui. Nessa maldita aula de Química onde o professor teve a coragem de escrever oxigenação com 's' ". Naquele momento, estapeei minha cabeça, pensei em parar de ofender todos. Mas aquilo não deu resultado. De alguma forma, meus poderes alcançaram a frequência das caixas de som. E tudo que eu pensei foi retransmitido.
Ted Philips respirou Fundo.
– Eu e sua mãe conversamos, e você vai voltar para a escola! Ele deu ênfase no “mãe”.
– Porque não esquecer tudo isso?
– Não discute, não dá mais, você não vai mais passar dias e dias preso nesse quarto até explodir toda a nossa casa, como o cortador de grama?
– Aquilo era um controle remoto!
– Não, aquilo era um cortador de grama, aquela coisa acabou com a nossa grama, tive que pagar uma nota para plantarem tudo de novo.
– Eu não tenho culpa se vocês decidiram plantar a grama la fora.
– Então a culpa é minha por não plantar a grama dentro de casa? Me desculpe Hanz! Ele foi foi o mais sarcástico possível.
Suspirei, minha tentativa de ser engraçado Falhou.
– Agora, Vamos garoto, estou com fome. Ele me apressou, preferi não dizer nada, ele me deixou no quarto e desceu.
Nossa casa era um modelo normal naquele bairro, sótão, porão, dois quartos e duas suítes no segundo andar em apenas um corredor, uma escada de madeira que dava a pequena sala de estar, a cozinha ao lado, com uma mesa e balcões, porta dos fundos.
Meus passos foram os mais lentos possíveis, agora usava fones de ouvido, escutava Imagine Dragons, "Radioactive", que me dava arrepios, contei dois segundos para cada degrau. Aquilo me fez lembrar de Justin Talk, o menino autista de outro lado da rua, ele fazia coisas como aquela e ficar trinta minutos no meio de um escorregador olhando para o nada.
Quando cheguei a cozinha pensei em gritar, talvez ligar para a policia, um homem moreno claro de camisa branca, jaqueta de couro e calças jeans da mesma cor estava encostado na parede. Cabelos pra cima, barba rala, rosto quadrado e atlético como Ted, ele segurava a nossa torradeira.
– Quem...
– Amigo, meu. Ted disse passando por mim e entrando na cozinha, ele vinha da sala.
– Itan Place, jovem. Ele estendeu sua mão para um cumprimento, deixou a torradeira de lado, em cima da pia da cozinha.
– Hansel Hammer! Apertei com educação.
– Hansel, vá para o seu quarto. Ted puxou a cadeira do balcão e sentou, estava inquieto.
– Deixe-o aqui — Disse o sr. Place, ele me olhou e piscou pra mim. — Acho que vamos precisar dele.
Ted suspirou passando a mão em seu rosto, como uma criança fica quando os pais são convocados à uma reunião escolar. Ele se levantou e encarou Itan.
– Sente! Disse ainda mais Firme, um tom de autoridade mais forte que a de um pai e filho, padrasto e enteado, aquilo me intrigou.
– Vou pro meu quarto.
– Não! — Ted mandou. — Sente-se — E assim, se sentou novamente.
O fato de me sentir uma marionete de 17 anos me envergonhava, mas queria saber que tipo de autoridade ele tinha sob Ted. Puxei uma cadeira, sentei, Itan Deu uma risadinha. Bufei de raiva, Ted me olhou com atenção, e logo depois me chutou, percebi que a cafeteira estava tremendo, o café estava borbulhando, e alguns apitos estranhos.
– Hanz!
A campainha tocou.
A caminho da porta, me acalmei o suficiente para a cafeteira não explodir, era uma recordação para minha mãe, à fiz quando estava no quinto ano, Ela adorava. Foi no momento que abri a porta, percebi que alguma coisa estava muito errada com o mundo, um homem tão parecido com o cara que Hansel cumprimentara na cozinha, interrompeu meu pensamento.
– Boa tarde Jovem, meu nome é Itan Place. Disse ele.
– Você... Não estava na... cozinha?
Ele olhou para dentro de casa surpreso e logo depois, decepcionado, mas mesmo eu ter sido meio confuso com a minha pergunta, não havia deixado ele assim. Ele respirou fundo.
– Aquele idiota, Ele já está aqui?
– O quê?
– Itan?
– Na cozinha.
A voz de Itan, Itan um, ecoou pela casa. — Deixe-o entrar Hanz.
Quando Itan, O dois, chegou a cozinha, olhou furioso para Itan um.
– Seu idiota, eu disse que iria bater primeiro.
– Fui mais rápido, agora volte aqui.
– Não, volte você.
"Voltar ?" Já havia chegado a conclusão que os dois eram gêmeos quando começaram a pedir isso um ao outro.
– Chega. Gritou Hansel, os dois me olharam enquanto encarava Ted.
– O que querem comigo? Olhei para Ted, ele estava cabisbaixo, pensativo.
Ted cruzou as mãos, em forma de "x" e ficou la por alguns segundos pensando, e então, numa fração de segundo, ele desapareceu, uma área de vácuo foi criado naquele lugar, e tudo que estava na cozinha foi sugado pra lá, mas o espaço foi completado a tempo, completo por ar, todos os objetos se deslocaram alguns centímetros, mas no segundo seguinte, os centímetros aumentaram, os objetos menores, talheres, copos de vidro e de plásticos caíram ou foram empurrados, senti aquilo e logo depois as mãos grossas e ásperas seguraram em meu ombro, Ted se tele transportara para trás de mim.
– Sente-se, precisamos conversar.
Itan dois caminhou para Itan um, e como uma célula eles se juntaram, uma cissiparidade ao contrário, se aquilo tinha nome, eu não sabia.
– Somos mutações, Hansel. Como você. Acrescentou Itan Place um e dois em uníssono, de modo que quando citaram o nome, apenas a junção dos dois disse.
Sempre desconfiei de que existiam mais pessoas com dons, já havia entendido que se comunicar com sistemas de computador não era normal, mas Ted? Ele sabia sobre mim, porque não me falou?
– Porque nunca me falou? Pensei alto, na verdade Gritei, mas não me arrependi em perguntar. Virei pra Ted, acompanhava-o com olhar enquanto voltava para seu lugar inicial.
– Não é hora pra isso Hansel.
Olhando para os dois, percebei que estavam tomando decisões importantes, senti que alguma coisa estava acontecendo, algo grande.
– Precisamos se você!
– Não, Agora vá embora!
Quando Ted disse aquilo os olhos do homem, que a princípio pareceria calmo se tornaram furiosos.
– Altruísta! Deveria ser, mas não entende não é? Caren, Bay, Laura, Jaime, Clean. Ele se aproximou de Ted e sorrindo sorrateiramente, pôs sua mão na mesa, se inclinou e disse:
– Você nos abandonou. E não Ficará assim para sempre!
Ted olhou para mim, seus olhos estavam tremendo, como se quisesse socar a cara daquele cara e ir embora dali, aqueles nomes, sem dúvida eram de perdas dos dois, seu olhar continuava procurando algo, mas havia algo diferente nele. E aquilo me parecia um pedido de socorro, ele acenou com a cabeça, enquanto Itan voltava para a parede, Aquilo me lembrou alguma coisa, só faltava saber o que era. Itan Esticou os braços, e disse:
– É uma pena que vai ser do modo difícil.
E no mesmo momento, minha cabeça explodiu, tudo que pensei fora em tirar aquele tipo de bactéria de minha casa, a cafeteira voltou a se mexer, o suporte de cima recolheu a vasilha de vidro, e o suporte de baixo se abriu, em 4 partes, transformando-se em uma aranha com um cano de ferro, pronta para disparar café preto que começava a voltar à borbulhar.
– O que diabos. Itan deu passos para trás. Nunca estive tão concentrado em alguma coisa assim, minha cabeça começava a doer, mas sentia que aquela coisa estava sob meu comando.
– Vai embora, Ele não quer te ajudar.
Ele estendeu as mãos como em um assalto, fez uma careta.
Eu realmente não sabia o tipo de relação que os dois tinham, mas quando disse aquilo, me senti muito superior a eles, eu estava com uma arma bem diferente a meu controle e que estava prestes a disparar liquido preto quente.
– Hansel, Pare com isso, Imediatamente. Ted gritou, me surpreendi, ele que a princípio estava pedindo ajuda agora estava do lado daquele sujeito.
A máquina de café se recolheu, mas não voltou a ser o que era, ela apenas de compactou. Uma aranha encolhida.
Eles se entreolharam por alguns segundos, Meu padrasto respirou fundo e por fim, disse:
– Hansel! Se arrume. Vamos roubar um Banco!
1.2 — O engenheiro
Ted sempre me pareceu um sujeito incapaz para a “imagem” da criminalidade, ele disse que iriamos roubar um banco, fiquei perturbado, a ideia de estar me convidando a fazer aquilo, não parecia certo, mas no fundo, eu queria, primeiramente pensei em usar o dinheiro para usar nos meu projetos e finalmente construir um autômato, Qatar em especial, um projeto que tenho desde muito novo, um robô que faria minhas vontades e ainda me daria todas as informações que precisasse, deixando minha cabeça com uma capacidade ainda maior para pensar em coisas desnecessárias, aquilo tudo se encaixou perfeitamente com o tal assalto.
Naquela tarde, Manhattan estava quieta, não passava das quatorze horas, Ted e eu estávamos de carro em uma rua no centro, uma das mais antigas, olhando em volta, as ruas e calçadas eram tomadas por pedras e algumas casas muito antigas, algo se destacava naquela rua, um prédio de trinta andares circulado de vidro onde, algumas pessoas arrumavam e estendiam um tapete vermelho em sua frente, a faixada tinha as palavras: “Companhia Janner”. Presumi que esperávamos Itan com armas e bombas, walki-talkies e muito mais, mas meus pensamentos foram destruídos quando ele apareceu correndo pelado pela rua, haviam três ou quatro policiais atrás dele, ele entrou no prédio.
Olhei para Ted ainda visivelmente abalado com a minha aceitação da ideia de roubar o banco.
– Me explica, exatamente por que temos que roubar esse banco e por que ele está correndo pelado na rua?
– Estou decepcionado com você Hansel! Sua expressão comprovara o que dizia. Como pode aceitar essa ideia tão facilmente?
– Não me importo! Agora me explica mais!
Ele suspirou.
– Não vamos roubar dinheiro se é o que está pensando.
– Como assim? vamos roubar um banco e não pegaremos o dinheiro. Minha cara começou a ferver, queria ter trazido minha máquina de café para jogar na cara de Ted.
– Não é “um Banco” e sim “O Banco” Ele não guarda dinheiro nem itens preciosos.
– Como assim, o que mais um banco pode guardar? Perguntei, confuso.
– Armas, Armas vivas!
– Como assim?
– Existem muito mais pessoas com dons do que podemos contas Hanz. Ele lembrou meu apelido.
Fiquei pensando naquilo, quantas pessoas com poderes sentaram na mesma sala que eu ? Ou orava na igreja, ou comprava frango empanado no supermercado. Será que algum dia alguém suspeitou de mim ? Eram muitas perguntas em pensamentos, decidi guarda-las. Afinal, quem as responderia ?
– Você e bom com tecnologia, vai usar seus poderes para entrarmos ali sem sermos vistos. Trouxe o que te pedi ?
– Na mochila.
O relógio de Ted começou a apitar um barulho agudo e estranho, Ted apertou em um botão e ouvi a voz de Itan, — Me pegaram. Quer dizer o outro eu, A você entendeu.
– Os guardas estão distraídos e mais, descontraídos, Estou enviando Fotos da escadaria.
Três pequenas imagens surgiram no celular de pulso de Ted.
– Pronto? Perguntou ele.
– Acho que sim!
Ele pegou em minha mão e por um segundo, senti que mil anos se passaram, meu corpo ficou dolorido fiquei cansado e por algum motivo meus olhos lagrimaram, tive arrepios simultâneos. Cai no chão, estava sentado no carro, e do mesmo jeito apareci ali, naquela sala quadrada e cinza, apenas me joguei para trás.
– Já vai passar. Ted sussurrou em meu ouvido.
Abri meus olhos e percebi, estava de frente para uma escada, olhei pra cima e vi, eram mais ou menos 1000 andares que meu sedentarismo permitiu ver.
– Por favor, não me diga que vamos ter de subir até o último andar.
– Vamos Hansel, Fale baixo, lugar fechado, Eco.
Ele falou em apenas tópicos e eu entendi.
Logo no segundo andar Ted parou, ele olhou para o teto onde estava outra escada e uma câmera de vigilância fazia seu turno.
– Pode começar Hanz.
– Como quiser. Peguei no bolso esquerdo da minha mochila, um pequeno imã que segurava outro suporte metálico com uma bateria para relógio encaixado em cabos verdes e vermelhos.
– Vamos lá. Me aproximei o máximo que podia e joguei, infelizmente sou péssimo de mira então ele foi para o outro lado, mas o imã fez seu trabalho. Ele grudou na câmera.
– Espera. Cinco segundos, a câmera vai retransmitir as mesmas imagens. Contei e continuamos a subir as escadas.
– Incrível!
– São, mini hackers de sinal, era assim que eu fugia da escola no ano passado.
Meu padrasto me olhou com os olhos esbugalhados.
Quinze andares haviam se passado, já estava cansado, mas Ted, estava ainda a cem por cento, A cada andar mais câmeras, por sorte meus imãs para interceptação de imagens não acabariam tão cedo.
Quando finalmente chegamos ao andar que parecia ser o tal “banco” Ted comentou.
– Agora é com você de novo!
Estava hiperventilando com minhas mãos, cansado, quase me arrastando e deixando o último degrau me vencer e me jogar de volta todos os 28 andares que subimos. Respirei, respirei e respirei.
– Eu... o que?
– Abra!
Olhei para ele e vi o que queria, a porta metálica tinha no lugar da maçaneta um bloco, Ted abriu e pude ver o que tinha lá dentro. Algum tipo de sistema pedindo um Cartão de identificação e dígitos. Com um painel de LED em cima.
– Eu não tenho o cartão disso.
Ted me olhou, sem paciência.
– Calma, só queria descontrair um pouco.
Encostei minha mão no teclado numérico. Tentei conseguir tudo de informação que continha ali, mas naquele momento, senti algo novo, como se minha mão estivessem emitindo cargas, para aquele sistema. Uma espécie de sinapse saiu de meu cérebro percorreu meu corpo e atingiu o sistema. Me arrepiei.
– O que foi?
– Eu posso abrir! Disse surpreso.
– Então abra logo.
Me concentrei em uma quantidade de carga elétrica certa para abrir a porta, eu entendia que o cérebro não criava cargas elétricas daquele tipo. A natureza me fez como um computador?, era difícil entender que sim. Meu dom também podia fazer eu me comunicar com tais sistemas que eu não havia construído, eu só podia imaginar o tanto de dinheiro que poderia remover de um caixa eletrônico. Aquilo era perfeito para tudo que eu fazia, assim eu me comuniquei com a cafeteira e com as caixas de som e assim eu poderia fazer muitas outras coisas.
A porta se abriu em um “tshhh” revelando um corredor. Longo e cinza, Ted desapareceu. Se ele não tivesse aparecido no segundo seguinte, teria infartado, pensei que havia me deixado ali.
– Calma garoto. Disse Itan Place com seu meio sorriso falso.
"Ele só foi pegar sua encomenda irritante". Pensei.
Ele tirou a mochila de suas costas e uma mão atrás dele a pegou, dali saiu outro Itan, depois outro a sua esquerda, depois outro a sua direita, todos brotando do próprio corpo do estranho amigo de Ted, quando percebi estávamos cercados de oito homens altos e fortes doidos para roubar um banco. Um deles abriu a mochila e dali tiraram várias máscaras, Jason, Freddie Grugger, Pânico, Frankenstein, Marge simpson, Homer e.... Nemo?
– Vamos lá. Ele jogou uma pra mim.
– Jason? Fiquei chateado.
– Não reclama, eu fiquei com Marge Simpson. Apesar dele ser um idiota Itan parecia ser um cara legal, Meu padrasto parecia gostar dele, mas quando ele começava a dar ordens ele distanciava.
– Enquanto a mim?
– Você fica, Não quero você lá dentro olhando pra tudo e podendo sumir a qualquer momento com Hanz.
– O que? Como assim? Eu jamais.
– Poupe-me Ted Philips.
Meus olhos pareciam bolinhas de ping pong, batendo de um lado para outro, até que um dos Itans me empurraram amigavelmente.
– Vamos lá garoto. Dois Itans ficaram com Ted.
O corredor era extenso,no fim dele encontramos outro, olhamos para a esquerda e para a direita, haviam três portas metalicas de cada lado e no fim de cada um, outro corredor. Itan pediu para fazer a minha 'mágica' e foi o que fiz. Cópias pegaram alguns imãs interceptadores de imagem e assim, foram verificar cada porta, Freddie Crugger em uma sala, Homer Simpson em outra e o Peixinho Nemo na última. Fiquei com o que presumi ser o verdadeiro, dei uma olhada para trás e vi Ted no fim da porta escoltado por duas xerox.
– Qual sua relação com Ted ? Exatamente.
Ele me olhou, pensou um pouco, olhou para trás e começou.
– Trabalhamos para uma espécie de agencia com pessoas dotadas de habilidades, como nós três. Ele respirou. — Nos recrutaram enquanto servíamos ao exército. Eu e Ted fomos melhores amigos desde que nascemos. Treinamos juntos, estudamos juntos, nos alistamos juntos.
– Nossa, que legal. E como faço para entrar nessa agencia?
Ele riu. – Você só ouviu isso?
– Só isso que me importa. Itan Place me olhou parecendo assustado.
– Estamos na "agência" garoto!
– Aqui não era um Banco ?
– Na verdade aqui é sua sede, o verdadeiro banco nunca foi encontrado.
– Estamos roubando a empresa que você trabalha?
– Não trabalho mais aqui Hansel, Essas pessoas fazem coisas horríveis, eu não queria mais fazê-las nem seu pai.
– Ele não é meu pai. Disse grosseiramente.
– Ok, calma. Continuando, quando completamos quinze anos na agência, eles nos mandaram fazer uma coisa Horrível, eu e Ted não conseguimos e então, Saímos.
– Assim, Fácil?
– É claro que não. Eles ainda estão atrás de nós, mas tomamos precaução, antes de sair da "agência" — Ele pôs aspas com os dedos — apagamos todo o servidor que continham nossos dados.
– Isso não os tornou procurados?
– Não! Eles não sabem quem foram, os dados foram apagados e muitos agentes também, sumiram do mapa, assim como nós dois.
– E as pessoas que você citou ?
– Mortas!
Parando para pensar, não acreditei que uma empresa com toda aquela estrutura não tivesse uma segurança adequada para os bancos de dados. Antes que pudesse fazer mais perguntas uma das copias de itan, O nemo, apareceu no fim do corredor. Ele assentiu com a cabeça.
– Vamos. Disse o Original.
– Como você sabe que é esse o caminho?
– Ele! Apontou para sua cópia mascarada.
– Vocês se comunicam telepaticamente?
– Isso aí garoto!
– Que maneiro.
Quando chegamos no fim do segundo corredor demos de cara com outro, no fim dele cruegger nos esperava em uma porta, olhei de novo para trás e vi Homer e Panico voltando com outros, em nossa direção.
Nos aproximamos e Itan Place disse:
– Abra.
Como na primeira porta eu o fiz, mandei meu cérebro emitir a carga exata para o sistema, e assim ele o fez, a carga ultrapassou todo o meu corpo, e assim que entrou no sistema, percorrendo circuitos e destruindo a segurança. Ela se abriu e revelou uma sala cheia de bugigangas estranhas.
Tinham um suporte quadrangular de vidro sobre outros suportes com a mesma forma, completamente pretos e enfileirados, em cada um havia uma coisa diferente, os mais variados tipos de objetos, dentre eles, motores, miniaturas de carros e uma... calça jeans desbotada.
– Está aqui! Ele entrou na sala, o verdadeiro Itan. Percebi que os outros estavam sumindo, o ultimo recolheu as máscaras e pôs a mochila em itan, enquanto ele andava no corredor.
–"Escravos, inconscientes, que maneiro!". Pensei.
Ele foi direto, no fim do corredor, ele gritou! “Finalmente”. O que ele queria exatamente era uma arma. Uma arma cinza e preta, com um suporte que se encaixava nos braços. Eu queria estar mais surpreendido com o mundo que haviam me apresentado, mas Não consegui, senti algo diferente, uma energia, um campo elétrico, como se eu fosse um celular no centro de um shopping, Milhões de redes wi-fi aparecendo em minha tela, mas a sensação era como se todas as redes fossem de 200MB por segundo e a senha seriam os número em sequência de um à nove.
Segui na direção em que a energia ficava mais forte.
– O que é isso?
– Uma arma, para um amigo, ele estava concentrado no objeto,
– Não Isso. Apontei para um objeto, preto e redondo. – Aquilo.
Itan se aproximou, e pela minha visão periférica percebi algo diferente nele.
– Vamos embora, peguei a arma. Disse tentando evitar o assunto.
– O que é isso ? Disse mais firme,me aproximei sem desviar os olhos do objeto.
Depois de alguns segundos ele respondeu.
– Chamam de Matéria Negra.
1.3 — O engenheiro.
Aquela palavra ficou ecoando na minha cabeça, “matéria Negra”, eu realmente não sabia se aquilo existia mas o que eu senti, foi uma imensidão de poder subindo a minha cabeça.
– Hansel, acorda, peguei a arma, vamos embora. Ele estalou os dedos no meu rosto.
– Vou levar!
– Hanz, não podemos pegar mais do que vamos precisar, isso é desnecessário. Ele estava ficando impaciente.
– Desnecessário para você! Isso foi feito para ser usado com as minhas habilidades Itan, eu Preciso.
– Vamos embora. Por favor, garoto.
Estendi minha mão, peguei a bola preta, aquilo era incrivelmente leve, eu só sentia que aquilo estava fazendo volume na minha mão.
– Hansel, Solte-a, imediatamente, Não podemos sair daqui com isso. Ele tentou me tomar a esfera, mas a segurei com mais força.
– Então, eu sinto muito.
Naquele momento me senti mais forte, senti todas as câmeras que se escondiam no escuro do quarto apontadas para nós dois, senti que podia as controlar, e foi o que fiz. Liguei as luzes da sala e transformei todas as câmeras em pequenas lupas convergentes, uma pequena luz vermelha dentro de cada uma, sobre espessuras diferentes do vidro que tinham nelas foi direcionada para Itan, Ele ficou paralisado de medo. Mudei a intensidade das luzes e consegui fazer lasers cortantes.
Toda as luzes que apontavam para certo local de repente tomaram rumo pela sala, elas saiam cortando o chão, fazendo fumaça e deixando bem claro o que elas podiam fazer.
– Hansel, pare com isso.
A cada segundo elas estavam mais perto, e então, elas pararam, formando um círculo em volta de Itan. Eu estava a seu lado, mas calculei tudo certo para que as luzes não me atingissem e andando caminhei para fora.
– HANSEL! gritava Itan Place.
Quando voltei ao primeiro corredor, Ted Philips estava sozinho, pelo menos pensei isso, Um Itan apareceu a seu lado e o fez de refém com uma faca.
– Deixe o objeto, Não podemos tirar ele desse local. Disse o outro Itan
Fiz um gesto com a minha mão, como se ela fosse uma arma, a câmera que estava à minha frente, equipada com o imã de interferência, se virou e se transformou em um laser óptico, agitei minha mão direita como se disparasse a arma e o laser cortou Itan ao meio. Ele desapareceu, mas de dentro da sala ouvi o Grito de Itan, o original.
O outro clone, que fazia Ted de refém não se mexia, ele parecia estar pensando em alguma coisa, talvez esperando ordens, Atirei de novo e a câmera fritou a cabeça do segundo Itan. Outro grito surgiu do corredor.
– PARE HANSEL, ESTA MACHUCANDO ELE. Gritou Ted.
– Vamos embora Ted, agora.
– O que está fazendo Hanz?
Passei direto por ele e comecei a descer as escadas. – Vamos embora.
– Hansel, não podemos deixar ele aqui, Por que está fazendo...
Ele parou de falar quando parei em um degrau e mostrei a ele o que tinha na mão.
– Não pode levar isso.
– Então observe. Voltei a descer as escadas.
– Hansel, não pode...
E então fui vítima de um sentimento de raiva.
– Não Ted, eu posso! Você é quem não Pode.
A câmera do andar de baixo se transformou e ficou o mais próximo que podia do corpo de Ted sem acerta-lo.
– Eu sou seu pai!
– Padrasto! Ele respirou, e quando eu não pude mais esperar, voltei a descer as escadas. Ted ficou lá, parado.
Havia descido três andares quando ouvi um grito, enfurecido.
– HAMMER!
Era Itan Place, Furioso. Ele segurava a arma, agora com as cores pretas e vermelhas, e pior? Ela disparava uma energia vermelha que quase me acertou.
– Pare! Imediatamente.
Ele disparava sem parar e não parecia que a arma tinha limites. Comecei a correr, me esquivando dos disparos. Quando finalmente cheguei ao primeiro andar, algo me sugou para cima, alguns centímetros, eu me desequilibrei e cai no chão. Logo depois algo me empurrou, dei de cara com a porta de ferro onde havíamos chegado, dei de frente com um salão gigante, onde secretarias e pessoas conversavam, comecei a correr por entre eles, e em alguns momentos as lâmpadas começaram a estourar e alguns celulares queimavam, vi um tablet explodir na mão de um dos funcionários, a vista não foi nada bonita. Tudo por causa da Matéria Negra.
Alguns seguranças sacaram suas armas e então uma ideia veio à mente.
Gritei, na frequência de alguns rádios, como se houvesse um microfone na minha boca, os policiais largaram as armas enquanto os dispositivos de comunicação em suas orelhas explodiam seus tímpanos.
Sai do prédio cambaleando, quase cai, mas em nenhum momento soltei o objeto, o botei do bolso da calça, fazendo um volume absurdo.
Logo Itan saiu também, segurando a arma, atirando sem se preocupar com o fim de munição, tive uma ideia sobre isso, mas não levei em conta naquele momento.
Quando olhei para trás novamente vi Itan, ele continuava andando e a sua frente cinco ou seis copias dele corriam em minha direção, entrei em um beco. Não devia ter feito aquilo, mas mesmo assim continuei, olhei no fim, e vi uma saída de incêndio, pulei na escada e comecei a subir, alguns segundos depois itan continuava a atirar com aquela arma, um dos disparos acertou minhas costas, apenas me empurrando para trás, rapidamente me equilibrei e continuei a subir. Cinco Itans subiam as escadas enquanto ele atirava lá de baixo.
Quando finalmente cheguei ao último andar, pulei o mais alto que podia, infelizmente a saída de incêndio não chegava a laje.
Pensei onde estaria Ted, não havia o visto desde que sai do prédio mas parei. Não havia lugar algum para correr, a porta da entrada do térreo no prédio estará trancada e só tinha um precipício de sete andares para pular, olhei em volta e vi o prédio que estávamos, mais alto ainda.
Itan em suas várias copias haviam acabado de chegar, e segundos depois, o próprio, segurando a arma vermelho sangue.
– Não vou devolver! Isso vai fazer meus projetos tomarem outro rumo, vou me tornar um engenheiro melhor.
– Eu sei que não irá devolver e eu sinto muito por isso. Ele apontou a arma.
Fechei meus olhos e aconteceu, novamente algo novo, quando abri, estava olhando para o rosto de uma mulher, ela estava tirando uma “selfie”, na frente do tal prédio, e atrás dela eu vi Ted, cambaleando, Ele desaparecera e a mulher fora sugada para trás, fechei os olhos novamente e quando abri, senti que ele estava chegando, não sei como, mas eu só me esquivei para a esquerda e Ted chegou, Itan disparou e felizmente, havia errado, as outras copias também fora afetada pela aparição do meu padrasto, todas cambalearam para trás, mas me equilibrei firmemente e me joguei do alto do prédio. Não deu resultado, não desci nem um metro se quer quando Ted me pegou.
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