O Preço da liberdade livro 2
24 Faíscas no Escuro
O decreto real caiu sobre o palácio como um machado. Adrian, cansado dos escândalos e determinado a forçar Diana a encarar a verdade, espalhou o aviso por todos os cantos: qualquer homem encontrado nos aposentos da princesa seria levado diretamente à forca por crime de traição à coroa.
Diana sentiu o cerco se fechar. Privada de suas distrações e consumida por uma raiva que não cabia em seu peito, ela atravessou os corredores do palácio como um furacão, indo direto para a nova ala de Lucca.
Ela não bateu. Chutou a porta dupla, que se abriu com um estrondo contra as paredes. Lucca estava perto da lareira, vestindo apenas uma calça de linho e uma camisa aberta, lendo alguns relatórios. Ele nem sequer se sobressaltou.
— Você é um desgraçado! — Diana gritou, avançando para o centro do quarto. — Você convenceu meu pai a fazer isso, não foi? Você quer me isolar! Quer me deixar sem saída para que eu tenha que olhar para a sua cara imunda!
Lucca largou os papéis e se levantou lentamente, a luz do fogo desenhando os músculos de seu corpo, agora bem cuidado.
— Eu não convenci ninguém, Diana. Seu pai tomou essa decisão porque não aguenta mais ver a filha se vender por migalhas de atenção para não ter que lidar com o homem que realmente a conhece.
— CONHECE? — Ela soltou uma gargalhada histérica, parando a centímetros dele. — Você não conhece nada! Você é um rato, Lucca Lâfrer. Um traidor que cheira a mofo de masmorra. Você acha que esse título te faz homem? Para mim, você continua sendo o lixo que eu joguei no fogo!
Ela levantou a mão para desferir um tapa violento no rosto dele, mas Lucca foi mais rápido. Ele segurou o pulso dela com firmeza e, num movimento coordenado, usou o impulso dela para girá-la e jogá-la contra a cama de dossel.
Diana caiu nos lençóis de seda, surpresa, mas antes que pudesse se levantar, o peso do corpo de Lucca estava sobre o dela, prendendo suas mãos acima da cabeça.
— Me solta! — ela sibilou, debatendo-se. — Eu vou mandar te matarem!
— Então mande — Lucca sussurrou, o rosto a milímetros do dela. — Mas antes, admita que esse ódio todo é só o que sobrou do fogo que a gente começou dez anos atrás.
Sem dar tempo para resposta, ele a beijou. Foi um beijo carregado de dez anos de repressão, fome e mágoa. De início, Diana ficou rígida, mas o corpo dela traiu sua mente. Seus lábios se abriram, e ela correspondeu com uma fúria selvagem, as mãos agora soltas agarrando os cabelos dele, puxando-o para mais perto, como se quisesse consumi-lo.
Por alguns segundos, o tempo voltou para antes da traição. O calor era o mesmo. A entrega parecia real.
Mas a memória da dor era um veneno mais forte que o desejo. No momento em que Lucca desceu os beijos para o pescoço dela, Diana recuperou a consciência do ódio. Ela aproveitou a guarda baixa dele, flexionou o joelho com toda a força e acertou em cheio o membro de Lucca.
— AHG! — Lucca rolou para o lado, arquejando e contorcendo-se de dor, o rosto ficando pálido instantaneamente.
Diana saltou da cama com uma agilidade triunfante. Ela limpou a boca com as costas da mão, como se estivesse removendo uma sujeira, e soltou uma risada sonora e debochada que ecoou pelo quarto.
— Achou que seria fácil assim, Lâfrer? — ela zombou, observando-o sofrer no chão. — Você pode ser o dono das rotas de café, mas entre as minhas pernas você não manda mais. Prefiro ficar casta pelo resto da vida a me entregar para um lixo como você de novo.
Ela caminhou até a porta, parando apenas para olhar para trás uma última vez.
— Durma bem com a sua dor, "meu amor". Amanhã eu vou contar ao meu pai que você tentou me forçar, só para ver se ele aumenta o tamanho da sua corrente.
Saindo feliz da vida, Diana desceu o corredor assobiando, sentindo-se vitoriosa. Ela finalmente encontrara um jeito de feri-lo fisicamente, e o sabor daquele chute era, para ela, muito melhor do que qualquer beijo. Lucca, por sua vez, ficou no escuro, lidando com a dor física e com a certeza de que a guerra estava longe, muito longe de terminar.
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