O Preço da liberdade livro 2

25 O Espinho na Noite de Natal


O salão de festas de Aethelgard estava transformado em um palácio de cristal. Guirlandas de pinheiro real, laços de veludo vermelho e milhares de velas criavam uma atmosfera de sonho que Diana, em outros tempos, teria adorado. Agora, ela apenas usava o baile como um campo de batalha.

​Vestindo um traje de seda negra que contrastava com a neve que caía lá fora, ela segurava sua taça com força, os olhos fixos em uma única figura no centro do salão: Lucca Lâfrer.


​Lucca era o centro das atenções. Sem a sombra da masmorra, ele exalava uma autoridade magnética. Nobres de reinos vizinhos o cercavam, ansiosos para discutir as rotas comerciais, mas eram as damas da corte que realmente o sitiavam.

​A Duquesa de Valença, uma viúva jovem e astuta, mantinha a mão levemente pousada no braço de Lucca enquanto ria de algo que ele dissera. Outras jovens debutantes abanavam-se freneticamente, lançando olhares sugestivos para o homem que agora era o solteiro mais rico e enigmático de Aethelgard.

​— Olhem para ele — sibilou Diana para Sarah e Saullo, que tentavam manter a compostura ao lado dela. — Um rato de esgoto perfumado e as cadelas da corte estão prontas para lamber suas botas. É patético.

​— Diana, por favor — sussurrou Sarah, olhando ao redor com preocupação. — As pessoas estão ouvindo. Ele está apenas sendo educado, é um anfitrião do conselho agora.

​— Educado? — Diana soltou uma risada ríspida, o som cortando a música da orquestra. — Ele é um predador, Sarah. Ele está usando o mesmo sorriso que usou para me destruir, e aquelas idiotas acham que ganharam um prêmio. Ele cheira a traição a quilômetros de distância.

​O Cerco do Ódio

​Nesse momento, a Duquesa de Valença aproximou-se ainda mais de Lucca, ajeitando a gola do traje dele com uma intimidade desnecessária. O sangue de Diana ferveu.

​— Vá lá, Diana — incentivou Saullo, com um tom provocativo. — Ele ainda é tecnicamente seu marido perante a igreja, mesmo com a anulação real. Reivindique seu território se isso te incomoda tanto. Ou admita que está com ciúmes.

​Diana virou-se para Saullo com os olhos brilhando de fúria.

— Ciúmes? Eu não tenho ciúmes de lixo! Se ele quiser se deitar com toda a corte, que o faça. Só espero que o veneno dele seja contagioso. O que me irrita é ver essa farsa sendo encenada na minha frente.

​Lucca, como se sentisse o peso do olhar dela, virou o rosto. Seus olhos azuis encontraram os de Diana através do salão. Ele não desviou. Pelo contrário, levantou levemente a taça em um brinde silencioso, mantendo o sorriso calmo que Diana tanto odiava.

​A Fuga no Gelo

​— Ele está te chamando com o olhar — comentou uma das damas da companhia de Mellyssa, tentando empurrar Diana levemente na direção do centro. — Vá falar com ele, princesa. O clima de Natal amolece até os corações mais duros.

​— O meu coração não é duro, ele é inexistente! — Diana retrucou, afastando-se com violência. — E eu prefiro caminhar descalça sobre brasas do que trocar uma única palavra de cortesia com aquele homem sob o visco de Natal.

​Ela deu as costas para o círculo de nobres, o vestido de seda chicoteando o ar. Enquanto se afastava em direção à varanda gelada, a risada das mulheres ao redor de Lucca parecia persegui-la como um insulto.

​Lá fora, sob os flocos de neve, Diana apertou o parapeito de pedra. Ela odiava Lucca por ter voltado, odiava o pai por tê-lo soltado, mas, acima de tudo, odiava a si mesma por saber exatamente qual era o perfume que Lucca estava usando naquela noite — e por lembrar, contra sua vontade, de como aquele cheiro ficava impregnado em sua pele dez anos atrás.

​No salão, Lucca continuava a sorrir, mas Alexander, observando de longe, viu que o olhar do cunhado permanecia fixo na porta da varanda por onde Diana desaparecera. A festa estava apenas começando, e o Natal em Aethelgard prometia ser tudo, menos pacífico.