O Preço da Traição.
5 Os caminhos de uma paixão.
Notas iniciais
Você, em algum momento da sua vida, já se questionou sobre a paixão? Afinal, o que diabos é isso? Ela vem sendo estudada durante anos e anos, por escritos, pensadores, filósofos e poetas. Willian Shakespeare dizia que: “A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe.”, preciso dizer que concordo com ele. Nós, como ser humanos que somos, sempre caminhamos em direção àquilo que para nós parece mais difícil, com esse sentimento, não seria diferente. Quanto mais barreiras, quanto mais dificuldades, mais a paixão aflora. Como fogo queimando a palha seca.
Já Rochefoucauld, dizia que: “A duração das nossas paixões depende tão pouco de nós como a duração da nossa vida.”. Embora sejam pensadores diferentes, suas frases se completam. Acredite. Nós nascemos carregando a certeza de que um dia vamos morrer, o que acontece entre esses dois pontos, é mutável, e ― na maioria das vezes ― somos capazes de escolher o rumo que vamos dar, mas não importa quantas escolhas façamos durante o processo, a morte, ainda que diferente para cada ser, acontece para todos. Assim ocorre com nossas paixões. Nós não escolhemos por quem nos apaixonamos, ou quanto tempo isso vai durar. Por muitas vezes lutamos contra essa sensação, mas não há o que fazer. Talvez disso tenha surgido o mito do tal cupido, que lhe acerta sem deixar opções, sem lhe deixar saídas ou espaço para contestação.
Por muitas vezes, a paixão é confundida com o amor, mas acredite, a diferença entre os dois se compara a uma ravina. O amor, normalmente, está relacionado a um sentimento bonito, estável e sereno, ele é menos temido e mais desejado, enquanto a paixão nos invade, domina nossos pensamentos, é tida como arrebatadora, turbulenta e, muitas vezes, sofrida. E a partir desse sofrimento é tida a diferença, já que na prevalência ele não é bem administrado. No entanto, ambos os sentimentos tem suas particularidades. A paixão, na era medieval, já foi considerada uma doença e acredite, eu preciso admitir que estou sofrendo desse mal.
Sempre achei que uma das mais belas manifestações do amor, ou até mesmo da paixão humana, esta no aproveitamento da imagem, já que vivemos em um mundo que valoriza de forma demasiada o material. É um deleite enorme poder divagar em meio à contemplação da beleza, quando esta está disposta de forma tão angelical a minha frente.
Os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro, a mão que abraçava-me a cintura de forma possessiva ― e ainda assim completamente delicada ―, a respiração compassada que denotava o sono leve mantido pela mesma. Olhando-a assim era difícil acreditar nas maldades que assombravam a humanidade, que existiam crueldades ou qualquer outro pensamento que me desvirtuasse da mais pura calma. Como não me apaixonar?
Olhei para a janela e notei que o céu já escurecia. Quanto tempo eu havia ficado ali? Não me dei ao trabalho de contar e no final, não importava. Daniel estava viajando, deixou-me para trás com uma série de problemas e questões mal resolvidas. Henry dormiria na casa de um de seus amigos e Lily… bom, eu não sabia ao certo, mas minha abordagem em relação a ela seria diferente. Estava decidido. Ainda assim, não seria prudente passar a noite aqui, mesmo que minha vontade seja ficar, a consciência me leva a certeza de que ainda é cedo e que as coisas precisam ser construídas da forma certa. Ter invadido o espaço de Emma, ter dado o primeiro passo e necessitado de um contato carnal desse nível foi algo além do que eu jamais havia imagino. No entanto, eu sabia que não poderia mais viver sem isso.
Retirei com cuidado seu braço de minha cintura, sentido o vazio que a ausência do contato com sua pele havia deixado. Levantei-me da cama e vesti minhas roupas, indo até o espelho mais próximo para retocar o batom vermelho, que constantemente cobria-me os lábios. Admirei Emma, que ainda dormia, agora abraçada ao travesseiro onde eu estava deitada. Depositei um beijo em seu rosto, marcando a pele clara. Procurei por um papel em minha bolsa e escrevi-lhe um bilhete.
Não pense, nem por um segundo, que minha saída é uma forma de rejeição, pois mesmo contra a minha vontade, você, agora, está em cada pedaço de mim e ainda que longe, já se torna impossível separar-me de ti.
R. Mills.
Coloquei o papel sobre o criado-mudo ao lado da cama, deixo-o bem visível e sai.
***
Quando pisei em casa pude notar que havia abandonado o Olimpo para rumar ao Tártaro. A música, que mais se resumia a uma gritaria sem coerência, soava por todos os cômodos da casa. Caminhei em direção ao quarto de Lily, local onde o som se originava, eu sabia que iríamos nos confrontar, só não pensei que seria tão cedo. Não dei-me ao trabalho de bater na porta.
― Eu posso saber o que está acontecendo aqui? ― ela pareceu se assustar com minha entrada, mas logo recuperou a expressão debochada que dominava seu rosto nos últimos tempos e desligou o som ― onde você pensa que está?
― Não seja tão sem graça, mamãe ― sorriu ― vamos nos alegrar um pouco.
― Lily, eu estou cansada dessa sua postura. Nunca lhe dei motivos para me tratar dessa forma, pelo contrário, sempre fui justa com você, sempre lhe dei carinho, sempre cuidei de ti com todo o meu amor. O que diabos te fez ficar assim? ― bati contra a parede, ressaltando minha raiva, embora meu tom estivesse baixo.
― Você… você me fez ficar assim ― ela abaixou a cabeça e quando a levantou, seu olhar estava perdido ― você matou minha mãe ― vacilei diante daquela denuncia ― pois é, Regina Mills, eu sei o que aconteceu ― ela levantou e caminhou em minha direção ― março de 1992, você estava bêbada dirigindo com a minha mãe como carona. Você perdeu a direção, o carro passou direto em uma curva. Você saiu ilesa, mas ela… a minha mãe, minha mãe nunca saiu do hospital viva ― as imagens do acidente se repetiam em minha mente.
― Lily, você está tirando conclusões precipitadas, nós já conversamos sobre isso ― respirei fundo ― sua mãe estava com um câncer cerebral em estágio avançado, depois do acidente ela chegou a sair do hospital, mas por causa da doença precisou voltar. Não demorou para que ela falecesse ― limpei uma lágrima que escorria em meu rosto, pois lembrar de minha amiga causava-me uma dor enorme ― Eu não sei como você descobriu sobre o acidente, mas eu estava bêbada naquela noite, pois ela me pediu para sair, para que aproveitássemos o tempo juntas. Ela sabia que não viveria por muito…
― Você está mentindo! Você nunca me contou sobre o acidente, pois você a matou! ― esbravejou, interrompendo-me ― ela poderia ter vivido por mais tempo! Eu poderia tê-la conhecido se não fosse você! E depois, você me adotou? Por culpa? Para se livrar do peso de tê-la matado!?
― Basta, Lily! Eu estou cansada dessa sua conduta! ― segurei sua mão que pendia no ar, apontando um dedo em minha direção ― quer me culpar pela morte de sua mãe? Culpe-me! Acha que te adotei para livrar-me de um peso? Pois acredite nisso, então! No entanto, saiba que se seguir por esse raciocínio, o peso que adquiri foi infinitamente maior, já que em nada me agrada viver com suas acusações infundadas. Se não lhe agrada me ter como mãe e viver comigo, sinta-se a vontade para se retirar dessa casa.
Sai de seu quarto batendo a porta, deixando-a para trás. Em nenhum momento da minha vida eu me arrependi de ter criado Lily. Quando Kristin morreu ela era apenas um bebê. Eu a amava, pois independente de qualquer coisa, Lily era minha filha, mas até mesmo laços maternos podem ser cortados e se era isso o que ela queria, bom, era o iria ter.
***
O dia parecia passar de forma arrastada. Quando amanheceu, não encontrei nenhum vestígio de Lily pela casa e não me dei ao trabalho de procura-la. Aquilo magoava-me em demasia, mas cada um paga um preço por suas escolhas e ela pagaria pelas dela, ainda que tardasse a acontecer. Fui tirada de meus devaneios quando minha secretária avisou que a paciente já me aguardava na sala ao lado.
― Dra. Mills, eu estou tendo um sério problema ― a mulher deitada na maca a minha frente olhava-me, beirando o pranto.
― Bom, Rose diga-me o que é e lhe garanto que farei o possível para resolver se a solução estiver ao meu alcance ― sorri, tentando tranquiliza-la.
― Eu não consigo chegar ao orgasmo ― suspirou ― acho que eu não sei transar, não é possível! Eu nunca chego ao orgasmo, nunca! ― levou uma das mãos à cabeça, que tombou para trás.
― Um orgasmo é só uma série de contrações musculares, ele vem com a manipulação do clitóris. Não tem nada de misterioso, nem de magico nisso ― virei-me para pegar as luvas e comecei a rir ao me lembrar dos acontecimentos do dia anterior e o quanto minha resposta fora infundada e automática.
― Do que está rindo, doutora? Esta zombando de mim? ― virei-me ao notar o descontentamento na voz da mulher.
― Não, não, querida. Desculpe-me ― levei à mão a cabeça ― na verdade ― suspirei ― estou zombando de mim ― ela olhou-me sem entender ― a resposta que acabei de te dar a respeito do orgasmo é algo que venho dizendo há anos, para várias e várias pacientes e só ontem fui descobrir o quão infundada é. Talvez você não esteja tento um orgasmo porque nunca tentou com a pessoa certa, ou precisa conhecer melhor o seu corpo. O preconceito em relação à masturbação feminina é demasiadamente grande, mas acredite, a prática dela irá fazer com que você conheça seus desejos, seus limites, seus pontos de prazer ― sentei-me ao seu lado e encarei seus olhos, que miravam-me com atenção ― a escolha de seu parceiro é algo mais pessoal, algo que só você pode decidir. Se você não estiver à vontade com o outro, uma conversa pode resolver, caso não resolva, cogite a possibilidade de encontrar outro alguém. Você é muito nova para se taxar como alguém que “não sabe transar” e se acha que não sabe, então aprenda. Se essa for sua vontade ― sorri abertamente para ela, que prontamente retribuiu.
― Obrigada, Dra. Mills!
Acabei o atendimento e sai da sala, encontrando uma figura loira na recepção. Ela estava de costas e olhava a janela. Jaqueta vermelha, calça jeans e as tão costumeiras botas. Eu nunca ia admitir, mas aquelas roupas em muito me agradavam. Traziam consigo uma simplicidade que me retirava da rotina. Olhei para os lados, certificando-me de que Tinker ― minha secretária ― já havia saído para almoçar.
― Um doce pelos seus pensamentos ― sussurrei no ouvido de Swan, que teve um sobressalto, mas logo sorriu ao perceber que era eu.
― Prefiro um beijo ― mirou-me os lábios de forma despudorada, descompassando-me a respiração.
― Venha ― peguei sua mão e a puxei para dentro de minha sala.
Era incrível como estar com Emma mexia comigo. Dividir o mesmo cômodo que ela já era o bastante para afetar-me, mas sua voz, seu toque, seu cheiro, causavam-me sensações que nem eu mesma entendia. Eu só entregava-me a elas e me permitia sentir ao máximo. Encostei Emma contra minha mesa. Meus olhos buscaram os seus e assim ficamos por alguns segundos, em um completo silêncio, que não precisava ser preenchido por palavras, pois tudo era dito de forma silenciosa. Eu podia ver desejo em toda aquela imensidão esverdeada, mas eu via mais, via algo além. Os lábios de Emma reivindicaram os meus. Seu toque, ao tempo em que era selvagem, era delicado, um misto de extremos que me enlouquecia, levando-me a lugares nunca habitados por mim. Suas mãos exploravam-me o corpo e eu ansiava por mais, por mais de seus toques, por mais de tudo que a envolvia. Levei minha mão até sua nuca e puxei seus cabelos, aprofundando o beijo. Apertei-lhe o seio, ao tempo em que mordi seu lábio inferior, arrancando-lhe um gemido. Desprendendo-me de qualquer pudor.
― Regina…
Emma segurou minha cintura e me puxou em direção ao seu corpo, invertendo nossas posições. Swan apertou minha bunda e eu gemi. Pude ver um sorriso malicioso tomar-lhe os lábios e aquilo excitou-me, despertando em mim o desejo de causar o mesmo nela. Desci a mão, que antes prendia seus cabelos, por seu corpo, chegando ao jeans de sua calça, explorando a parte interna de suas coxas. A língua de Emma explorava minha boca em um beijo voraz, que era retribuído por mim, mas quando minha mão pressionou sua vagina ela arfou.
― Mas que ousadia, Srta. Mills ― o tom ofegante de sua voz fez com que minha excitação aumentasse.
― Você ainda não viu nada, querida ― sorri maliciosamente e avancei para beijar-lhe novamente, mas ela se afastou.
― Então me mostre. Jante comigo em minha casa… hoje, às 20 horas ― pensei durante algum tempo, mas ela já havia ganhado aquilo antes mesmo de me pedir qualquer coisa.
― Claro. É só me dizer o local ― ela sorriu e beijou-me os lábios.
― Eu te mando uma mensagem ― sua mão desceu pelo meu pescoço até o decote do meu vestido ― agora… acho que preciso fazer algo por aqui…
― Mãe! ― pulamos de sobressalto nos afastando e no instante seguinte Henry estava na porta ― Olá mãe! Espero não estar atrapalhando.
Olhei para Emma, que limpava discretamente sua boca, a fim de tirar qualquer marca de batom.
― Não, querido, está tudo bem. Estou resolvendo algumas coisas com a Srta. Swan ― sorri para ele que retribuiu ― o que te traz até aqui?
― Vim perguntar se você aceita ir almoçar comigo. Há tempos não almoçamos juntos ― ele entrou e colocou sua mochila em cima da mesa ― olá, eu sou Henry Mills ― dirigiu-se a Emma, estendendo a mão.
― Emma Swan, mas nada de Srta. Swan, pode me chamar de Emma ― ela deu seu melhor sorriso ao meu filho, que parecia ter gostado da mulher ― sua mãe insiste em manter essas formalidades ― revirou os olhos enquanto falava e eu limpei a garganta.
― Ótimo. Continue falando assim de mim para o meu filho que irei expulsá-la daqui em breve ― mantive a expressão série, escondendo o riso que insistia em querer tomar-me os lábios.
― Não liga, minha mãe é assim mesmo, mas no fundo ela não é tão séria ― Henry dirigiu-se a Emma e eu o olhei, incrédula.
― Ah é mesmo? ― Emma cruzou os braços e me olhou sorrindo ― muito bom saber ― voltou-se para Henry ― e essa blusa do Guns? Quer dizer que você curte música boa?
― Você gosta de Guns? Eu não acredito que minha mãe tem uma amiga que gosta de Guns n Roses e nunca me disse isso!
Eu encarava os dois, acompanhando a conversa, sem acreditar em como tinham se dado tão bem em pouco tempo. Henry era um garoto muito bem educado, afinal, eu havia o criado como um cavalheiro, diga-se de passagem, mas ele não costumava fazer amizades com tal facilidade e aquilo estava me surpreendendo em demasia.
― Chega de acusações contra mim, querido! Em minha defesa, eu não sabia dos gostos da Srta. Swan ― Emma lançou-me um olhar malicioso, mas ignorei ― vamos, antes que o senhor se atrase para a terapia.
― Emma pode ir almoçar conosco… se ela quiser ― Henry lançou-me um olhar pidão, um olhar para o quão eu não sabia dizer não, que desmontava-me por completo desde sua infância. Olhei para Emma, tentando mostrar o quanto aquilo exigia de mim.
― Sinto muito, garoto. Quem sabe outro dia? ― sorri em retribuição ― bom, eu preciso ir. Nós falamos depois, Regina.
Swan saiu do consultório, deixando-me sozinha com Henry.
― Gostei da sua amiga ― ele me encarava, sorrindo.
― Ela não é minha amiga ― tentei soar séria, mas acabei sendo vencida por um sorriso.
― Continuo gostando da sua amiga ― olhei séria para ele, que gargalhou.
Peguei meu celular e sai ao lado de Henry, não demorou muito para que o aparelho vibrasse com uma mensagem de Swan.
Mount Pleasant West — Balliol n° 128
Guardei o celular e voltei minha atenção para Henry, que tagarelava sem parar ao meu lado.
***
Cheguei em casa e olhei para o relógio que marcava 18 horas em ponto. Embora eu ainda tivesse tempo, não queria me atrasar, pois pontualidade era algo que eu prezava. Segui para o banheiro e entrei em um banho quente, com a clara intenção de aliviar-me de toda a tensão que estava tomando-me o corpo.
Eu carregava uma série de questionamentos. Sabia o quanto era errado o que estava fazendo. Mergulhar em toda essa loucura com Emma me igualava a Daniel, tornava-me tão asquerosa quanto ele. No entanto, era tão inevitável esse sentimento que tomava-me. Estar com ela me parecia o certo, parecia-me o correto a se fazer, independente das circunstâncias, enquanto estar com Daniel é que me parecia uma traição. Com Emma eu me sentia livre, diferente. Era como se a cada toque dela, eu me redescobrisse. Swan me levava a extremos. Era inevitável e irresistível. Era tarde demais para fugir de tudo isso e eu não quero fugir. Quero correr em direção a ela. Quero me redescobrir ao seu lado, me reinventar se for necessário.
Sai do banheiro e caminhei em direção ao quarto, a fim de encontrar uma roupa que se adequasse a ocasião. Entrei em meu closet, analisando o âmbito com atenção. Optei por um vestido preto, básico, mas ainda assim, perfeito. Ele era apertado nos pontos certos e possuía um decote generoso. Calcei os saltos louboutin clássicos. Finalizei com uma maquiagem leve nos olhos e o tão característico batom vermelho nos lábios, deixando os cabelos soltos.
Dirigi até o endereço que me foi enviado. O prédio era surpreendente, diga-se de passagem. Não sou uma pessoa preconceituosa, tento ao máximo me desprender dessas ideologias sociais, mas realmente não esperava que Emma morasse em um lugar assim, dado a sua profissão. Caminhei até a recepção e o porteiro sorriu para mim, avisando que a Srta. Swan já me aguardava. Subi para o apartamento 128, bati na porta e aguardei.
Quando Emma abriu e eu a encarei, todos os meus questionamentos feitos durante a manhã foram respondidos, como um clique. Ela vestia um vestido vermelho, assim como a cor que cobria seus lábios. Os cabelos estavam presos em uma trança lateral e os olhos, ficavam ainda mais perfeitos quando maquiados. Olhos esses que agora eu encarava.
― Olá Regina ― tentei responder, mas faltavam-me palavras, pois minha mente trabalhava.
A paixão, ela não pede licença, ou te avisa quando vai chegar, ela simplesmente te acerta e espera que você esteja pronto. Ela é vista como a doença dos loucos, pois começamos a ver o outro como queremos e não como ele realmente é. Essas paixonites sempre acabam chegando ao final em algum momento. No entanto, também há aquelas paixões avassaladoras que se unem ao amor, quando isso acontece, ocorre uma quebra da fantasia criada, lentamente nós vemos os defeitos e as virtudes, e o amamos mesmo sabendo que ele não é perfeito ou completo. No final, a paixão te dá dois caminhos: ela te acerta e te leva à loucura ou ela te acerta e te leva ao amor. E eu tinha a clara certeza de que eu seguia pelo segundo. Com todas as discussões feitas por filósofos ou escritores, uma regra é clara e nunca deixará de ser: o destino baralha as cartas, e nós jogamos.
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