O Preço da Traição.

6 Liberta-te a Ti Mesmo.


Notas iniciais
Olá Cupcakes! Eu sei, demorei muito! Desculpa, gente. To tentando ao máximo aproveitar as férias para atualizar as fics, mas meu problema com esse capítulo foi algo bem simples: não sei lidar com sentimentalismo. Já adianto que esse capítulo aborda um pouco disso e como minha especialidade é sexo, morte e drama, fiquei bem insegura. Então, MAIS DO QUE NUNCA, eu peço que vocês comentem. Por favor! Eu realmente preciso saber o que acharam desse, porque será decisivo no caminhar da estória. Leiam, reflitam, chegue lá no final e preencha a caixinha dos comentários com a sua opinião sobre o que leu. Irá me ajudar muito mesmo. A música desse capítulo é The Way You Look Tonight, do Rod Stewart. Tem uma cena aqui que será muito legal se vocês lerem ouvindo. Acho que fará toda a diferença. Um super beijo para a Maluzinha, que ganhou meu coração com aqueles áudios KKKKK da até gosto de escrever só pra te ver surtando. Um beijão para a Sasha, que me ajudou muito e me cobrou incansavelmente. Obrigada! Sem mais delongas, boa leitura!

Durante anos e anos eu li e reli uma frase de Nietzsche: “Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo.”. Confesso que pensei muito sobre ela e, admito também, ter tentado ao máximo entendê-la. No entanto, seria mentira dizer que consegui compreendê-la por completo. Ao menos não até agora. O ponto principal para minha falta de compreensão para com essa frase é simples e até mesmo óbvio: até recentemente eu não havia me dado conta de que estava sendo privada. Esse é um erro que cometemos constantemente. Sobrevivemos pensando que estamos vivendo. Gostamos pensando que amamos. Desfrutamos de sentimentos vazios achando que sentimos, ou que sentem por nós, algo verdadeiro. E por vezes isso parece o bastante, até o momento em que você prova da realidade. A realidade sobre o que é viver, sobre o que é amar e sobre o que é sentir. Quando isso acontece, um choque se instala. O medo aparece, pois até então, você vivia com uma ideia do real, mas essa ideia não lhe parece tão agradável quanto à recém-experimentada. E é nesse ponto que você descobre o quanto foi privado, o quanto privou a si mesmo, e entende, por fim, que aquilo não é o bastante. O próximo passo consiste na libertação. Uma liberdade verdadeira, que só você pode se dar. Então, temos o deleite de cada novo momento, visto agora como pequenos diamantes, pois ainda que não sejam pedras valiosas, são tão preciosos quanto.

― Regina! ― olhei para Emma que estava à minha frente e chamava-me a atenção.

― Oi! ― ela parecia se divertir e lançou-me um sorriso que me aqueceu por dentro.

― No que você tanto pensa? ― ela apoiou o queixo em uma das mãos e buscou a minha com a outra, seu toque fez com que eu estremecesse ― você é tão misteriosa… às vezes parece que é como um livro, que eu só preciso abrir e ler com atenção cada linha, mas, quando eu abro, descubro que esse livro é escrito em um idioma completamente desconhecido por mim.

― O que quer dizer com isso? ― olhei em seus olhos, aquelas esmeraldas, tão profundas.

― Quer dizer, senhorita Mills, que não importa quanto tempo vou levar, eu irei ler esse livro por completo. Nem que eu tenha que traduzir palavra por palavra até entendê-lo.

Como alguém poderia ter o poder de mexer comigo daquela forma? Era tudo tão novo e tão maravilhoso. Tão sedutor e incrível. Era impossível não se entregar.

― Você também é uma incógnita, senhorita Swan.

― Bom, para começar, você já pode parar de me chamar de senhorita ― encheu minha taça com vinho ― acho que já passamos por coisas demais para isso.

― Certo, Swan ― levei o vinho até a boca, seus olhos acompanharam o movimento.

― Emma, Regina. Repita comigo: Emma. Não é tão difícil assim ― ela puxou-me pela mão, fazendo com que eu levantasse do sofá onde estávamos ― venha, você precisa provar minha comida. Afinal, eu lhe convidei para um jantar.

― Você cozinha!? ― caminhei atrás dela, observando tudo ao meu redor.

O apartamento de Emma era, de fato, incrível. O tom rústico causado pelos móveis em madeira antiga, as paredes eram todas claras, tudo era de muito bom gosto. Ela sempre me surpreendia. Quando chegamos à sala de jantar, uma mesa estava disposta para duas pessoas. Ela pegou uma rosa vermelha e me estendeu.

― Oh, muito obrigada!

― Sente-se aqui, volto em um minuto.

Ela saiu e não pude evitar olhar seu corpo. Emma me fascina de diferentes maneiras. Ela consegue ser extremamente sensual, mas possuí certa inocência, que caminha em igual intensidade. Sem contar que desperta em mim coisas que a muito estavam esquecidas, entre outras que eu nunca havia se quer cogitado. Esse desejo, essa vontade, ela consegue trazer tudo isso a tona. Faz-me sentir acolhida, ao tempo em que me mostra o quanto sou desejada. Ela faz com que eu perca o controle, ninguém nunca havia feito isso e ao tempo que me deixa louca, me deslumbra.

Fui tirada de meus devaneios com o som dos seus saltos batendo contra o piso de madeira.

― Hoje nosso jantar será todo à moda Italiana ― ela vinha em minha direção, com dois pratos ― Tortellini de Bolonha! ― ela pronunciou o nome do prato, puxando um sotaque Italiano ― eu espero que esteja de seu agrado, majestade.

― Bom… ― observei o prato a minha frente, que parecia extremamente delicioso ― está com uma cara ótima. No entanto, não sei se confio em seus dotes culinários.

― Como não!? ― fingiu certa ofensa ― o sangue Italiano corre em minhas veias, não tem como estar ruim. Tome ― ela pegou uma pequena porção em seu garfo e levou até minha boca ― reza a lenda que quando o chefe leva a comida até sua boca, ela fica incrivelmente deliciosa.

― Eu não tenho dúvidas de que tudo fique delicioso em suas mãos, querida ― os olhos dela se abriram um pouco em surpresa e eu provei do que me era oferecido.

Mastiguei com calma, fazendo certo suspense enquanto ela me olhava com expectativa estampada no rosto.

― Realmente, senhorita Swan ― suas sobrancelhas se ergueram ― Emma! Realmente, Emma, está delicioso.

― Espere só para ver a sobremesa ― o tom de malicia não passou despercebido por minha, mas sua expressão era tomada pela mais pura inocência.

Nós comemos em silêncio durante alguns minutos, não é algo incomodo, pelo contrário. É um silêncio agradável, que dispensa palavras e nos presenteia com uma troca de olhares e de gestos. Como se conversássemos por telepatia ou algo assim. Certa curiosidade está me tomando por completo, tento esquecê-la, deixá-la de lado e ignorá-la, mas estou falhando completamente. Emma é uma profissional do sexo, em outras palavras e demasiada pejorativa, ela é uma prostituta. No entanto a sua moradia, tal como seus conhecimentos e forma de vida não se encaixam com a profissão que exerce. Talvez seja preconceituoso de minha parte pensar dessa forma, mas essas informações estão em conflito.

― Pergunte ― Emma chamou minha atenção e só então notei que a estava olhando enquanto divagava.

― Perguntar o que, querida? ― tentei disfarçar, mas ela, surpreendentemente, parecia me conhecer bem.

― Você está, há exatos cinco minutos, me encarando, enquanto mexe de forma insistente em sua aliança ― ela bebeu um gole de seu vinho e se aproximou de mim ― pergunte o que quer saber.

― Eu não quero ser rude ― contraposto ao esperado, Emma tomou minha mão e a afagou.

― Deixa eu te ajudar ― limpou a garganta ― você está se perguntando como uma prostituta pode morar em um lugar como esse, andar bem vestida, ser educada e, por fim, não parecer ser uma prostituta. É isso? ― tudo era dito por ela com uma naturalidade assombrosa, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

― Eu só queria entender ― expliquei ― eu não estou lhe julgando, não mesmo. Eu não costumo gostar do que desconheço e eu desconheço tanta coisa sobre você, mas eu continuo aqui, porque eu quero descobrir mais e mais sobre a sua vida, sobre a sua história. Ainda que aceitar não saber, de início, faça com que eu…

― Perca o controle ― me interrompeu ― eu entendo. Venha até aqui ― ela se levantou, guiando pela mão que ainda segurava. Seu toque fazia com que todo meu corpo queimasse. Caminhamos até a varanda, onde era possível ver a lua, que brilhava ao alto ― quando eu tinha cinco anos, os meus pais faleceram em um acidente. Eu não possuía nenhum parente próximo, então, eu acabei indo para o sistema de adoção ― seus olhos miravam o céu acima de nós, ela estava perdida em lembranças ― passei treze anos, indo de orfanato para orfanato, até completar os dezoito e poder sair. Ainda que fosse horrível viver no sistema, não ter o sistema era ainda pior. Os meus pais me deixaram uma boa herança, mas eu confiei na pessoa errada e esse dinheiro foi roubado, pelo advogado que era responsável por ele. Eu tentei me estabelecer sozinha, trabalhei como garçonete em alguns lugares e, cerca de dois anos depois, eu estava em um bar, bebendo tudo o que meu último salário podia pagar. Uma mulher se sentou ao meu lado, ela era bonita, incrivelmente bela, seu rosto não possuía marcas e suas roupas pareciam ser tiradas de um catálogo de moda ― seu olhar se voltou para mim ― ela disse que eu era linda, que meu corpo era minha maior arma e que enquanto o tivesse, eu não precisaria passar por aquilo. Propôs-me um trabalho, eu sairia com homens importantes, seria a acompanhante para eventos, mas também seria a amante, caso fosse solicitado. Eu hesitei, mas no final, não tinha nada a perder. Em uma semana trabalhando com ela, minha conta bancária subiu de zero para trinta mil dólares ― pelo sorriso nos lábios de Emma, eu soube que a tentativa de tentar conter minha surpresa fora falha ― depois de alguns anos, eu declarei minha independência e agora, trabalho por conta própria ― fiquei alguns minutos em silêncio, enquanto assimilava tudo o que me foi dito.

― Mas você não se incomoda? É algo perigoso, não é? Não se sente mal em usar seu corpo dessa forma? ― tentei fazer as perguntas da forma mais sutil possível.

― Não, eu não me incomodo e sim, pode ser algo extremamente perigoso para quem não sabe lidar. Hoje eu tenho clientes fixos, eu escolho meus horários e o local. Existe um motivo para eu sempre estar naquele hotel, Regina. Lá, todos me conhecem, todos sabem o que eu faço e a quantia que pago a eles os impede de dar qualquer opinião. Quando estou com algum cliente, dois seguranças ficam no corredor do meu quarto, além do sistema de câmeras que fora instalado. Sobre o meu corpo, não, eu não me preocupo de usá-lo dessa maneira. É como dizem: meu corpo, minhas regras. Eu escolhi isso. Você se assusta com algo assim, porque a sua mente já fora dominado pelo estereótipo pregado. Uma puta precisa ser suja e vulgar, ela precisa vestir roupas curtas demais e ter um ponto na esquina, ela precisa se envergonhar do que faz perante a sociedade, ainda que nenhum deles tenha algo a ver com isso. Quando você se depara com uma branca, loira, de olhos verdes, educa e bem vestida, fazendo tal coisa, o seu cérebro rejeita isso, como se fosse errado, mas acredite, é mais comum do que você pensa. Eu ganho, em um dia, mais do que alguns médicos, advogados ou engenheiros ganham por semana, ou por mês e, para isso, eu não preciso de um consultório ou algo do tipo, eu só preciso do meu corpo ― ela se aproximou, encurtando a distância entre nós, o que fez com que a minha respiração falhasse ― você não tem culpa de pensar assim, por muito tempo eu também me julguei. Nós somos criadas para isso, para nos sentir baixas diante de algo assim, você só precisa se libertar dessas amarras.

Eu só preciso me libertar. Emma não sabia o quanto de simbologia sua frase carregava. Eu não precisava me libertar só das ideias sociais, eu precisava me libertar de mim mesma.

― Dança comigo? ― ela me estendeu sua outra mão e eu segurei.

Caminhamos até uma parte mais aberta da varanda, onde ainda era possível ver o céu, a lua havia se tornado nossa mais preciosa fonte de luz. Emma ligou o som e uma música, que era muito conhecida por mim e uma das minhas preferidas, soou pelos alto falantes. Suas mãos seguraram minha cintura, enquanto, perdendo os pudores que mantinha, abracei seu pescoço. A voz de Rod Stewart nos embalava. “The Way You Look Tonight” era, sem dúvidas, a música perfeita para o momento.

Someday, when I'm awfully low (Algum dia, quando eu estiver terrivelmente chateado)

When the world is cold (Quando o mundo estiver frio)

I will feel a glow just thinking of you (Eu me sentirei bem só de pensar em você)

And the way you look tonight (E como você está essa noite)

Os olhos de Emma estavam nos meus, ao tempo em que ela afagava-me a cintura, de uma forma delicada. Nossos rostos estavam próximos e eu podia sentir sua respiração quente contra a minha pele. Eu a queria, eu a desejava e eu me libertaria de todas as amarras que me prendiam para tê-la. Levei minha mão até seu rosto, tocando sua bochecha com a ponta dos meus dedos. Ela fechou os olhos ao meu toque, tão adorável, em diferentes formas. Aproximei meu rosto do seu, hesitei por alguns segundos antes de lhe tocar os lábios. Eu pude sentir a surpresa em seu corpo, mas não durou por muito. Logo seus braços rodearam-me a cintura, aproximando nossos corpos, enquanto continuávamos a dançar lentamente a melodia. O beijo não era selvagem, ele era leve e cuidadoso, dava-me o que eu queria e fazia-me ansiar por mais. Separei-me de seus lábios e a olhei, demorou alguns segundos para que os seus olhos se abrissem. Aquele verde que por vezes me fazia perder a cabeça e fora seguido de um sorriso, que me desarmou completamente. Sua mão subiu pela lateral do meu corpo, segurando minha mão esquerda que pendia em seu ombro. Ela me olhou com certo receio, que não fora entendido por mim de início. Um beijo foi depositado na palma da minha mão e, em seguida, minha aliança foi retirada.

― Hoje você será somente minha, pois eu não quero lhe dividir com mais ninguém ― sussurrou em meu ouvido, fazendo com que uma onda de arrepios passasse pelo meu corpo.

Nossos corpos pressionavam um contra o outro conforme dançávamos. Minha mão desceu por suas costas e eu deliciei-me com o toque de sua pele. Emma beijou-me o pescoço, enquanto seus dedos acariciavam-me os ombros. Fechei os olhos, entregando-me ao prazer de senti-la ali, tão próxima, tão entregue. Meu corpo foi girado em suas mãos e ela me abraçou por trás. Colocou meus cabelos para o lado e se dispôs a continuar beijando meu pescoço, descendo pelo ombro e refazendo todo o trajeto. Era uma tortura deliciosa.

With each word your tenderness grows (A cada palavra, sua ternura cresce)

Tearing my fears apart (Levando meus medos embora)

And that laugh that wrinkles your nose (E aquela risada que enruga seu nariz)

Touches my fletch heart (Toca meu coração bobo)

As mãos de Emma dançavam pelo meu corpo, mas não de uma forma bruta, era algo sútil, que acendia em mim um desejo há muito adormecido. O desejo de ser tocada, de ser amada, de pertencer a alguém. Os seus lábios tocaram-me o lóbulo, que, em seguida, foi levemente mordiscado. Emma sussurrou o trecho seguinte da música em meu ouvido.

Yes you're lovely, never ever change (Sim, você é adorável, nunca, jamais mude)

Keep that breathless charm (Mantenha esse charme que me tira fôlego)

Vire-me novamente em seus braços, puxando sua nuca, para que sua boca fosse de encontro a minha, pois eu ansiava por beijá-la, por senti-la cada vez mais perto e mais presente. Emma me pediu para ser só dela essa noite, mas há tempos eu já pertencia a ela. Antes mesmo de qualquer contato. Ela roubara minha atenção, meus desejos e, agora, por fim, ela estava roubando meu coração. Ainda que me assustasse um pouco compactuar com isso, por vezes eu desejava que ela roubasse mais, que me roubasse por completo e não devolvesse jamais. Os beijos que antes eram sutis se tornaram sedentos. O toque de sua língua fazia com que todo o meu corpo entrasse em alerta e a vontade deixasse de ser latente.

― Você é linda… tudo em você é lindo ― sussurrei contra seus lábios ― o seu jeito, seu sorriso, seus olhos, seu corpo. Tudo é maravilhoso.

― Pois saiba ― beijou-me ― que tudo é seu e somente seu, se quiser ― afastei-me de seus lábios para olhar em seus olhos.

― Não há nada que eu venha a querer mais do que isso.

Ela sorriu. Aquele sorriso que me desmontava por dentro e aquecia-me o coração. Lá estava ele. Seus olhos mudaram de tonalidade e eu vi o desejo que mantinha neles, era conhecido por mim e eu podia afirmar, com convicção, que se espelhavam nos meus olhos. A música já parara de tocar, mas nós ainda dançávamos. Emma me guiou para dentro, sem nunca separar seus lábios dos meus. Minhas mãos buscavam seu corpo, minha libido clamava por ela e eu não negaria.

Caminhamos até o quarto de Emma em meio a risos e beijos roubados. Por fim, ela se sentou na cama com as pernas cruzadas e me observou. Seus olhos desnudavam-me e eu sabia que era isso o que ela queria, de fato, fazer. Eu tinha noção do quanto meu corpo era belo e atrativo, mas por muito tempo não precisei usá-lo para atrair. O casamento nos torna cômodo. Todavia, ao ver a forma como os olhos de Emma faiscavam, banhados em luxúria, era demasiadamente agradável abusar dessa sedução.

Afastei-me dela, que pereceu confusa. Puxei com uma lentidão tortuosa o zíper lateram do meu vestido, ato que fora acompanhado por seus olhos, captando cada mínima ação feita. Soltei a peça, deixando que caísse ao chão. Eu estava a sua frente, trajando apenas a lingerie de renda preta. Ela mordeu o lábio e me chamou ao seu encontro. Caminhei até ela, como um leão anda até sua presa. Suas mãos tocaram-me as coxas, subiram por meu abdômen e apertaram-me os seios.

― Emma… ― um gemido sôfrego abandonou meus lábios.

Ela se levantou, ficando de costas para mim. Dedilhei seu vestido, encontrando o zíper e o abri. Sua pele era clara e sensível ao meu toque, pois eram notáveis os arrepios que o mesmo lhe causava. Desci seu vestido e beijei sua nuca, repetindo o ato por toda a extensão de suas costas. Emma se virou, pegando-me pela nuca e puxando-me para um beijo de tirar o fôlego. Caminhamos até a cama, de modo que fiquei por cima. Suas mãos passeavam pelo meu corpo, criando ondas de prazer que se concentravam no meio de minhas pernas. Lá estava ela, a excitação, pura e genuína.

Em dado momento, Emma tentou mover o corpo e inverter as posições, mas eu a prendi, interrompendo o ato. Eu não me privaria de mais nada, muito menos do desejo de tê-la. Ainda que fosse algo novo, eu descobriria cada detalhe sobre essa nova forma de prazer.

― Hoje não, Swan ― beijei-lhe o pescoço, descendo por seus seios, que já se encontravam livres do sutiã.

― Regina, você… ― mordi de leve seu abdômen e sua fala foi interrompida por um gemido ― você não tem que fazer se não estiver pronta.

― Eu quero você, Emma ― olhei em seus olhos ― de todas as maneiras conhecidas e as que ainda vou descobrir.

Ela assentiu e eu desci sobre seu corpo. Puxei-lhe a calcinha com cuidado, como se qualquer ato brusco pudesse quebrá-la e, diante de tal delicadeza, não duvido que fosse possível. Anos em uma faculdade, anos em um consultório atendendo a mulheres não te deixa melhor em algo, o conhecimento teórico é essencial, mas só quando é posto em prática e foi o que eu fiz. Beijei toda a extensão de sua vagina, fazendo com que Emma se revirasse, prendendo o lençol entre as mãos. Prendi seu clitóris entre os lábios e o chupei com sofreguidão. As mãos de Emma, que antes puxavam o lençol, prenderam-se em meu cabelo. Seu quadril se movia contra minha boca, buscando por mais contato.

Penetrei-a com dois dedos, ato que fora seguido por um gemido estridente. Meus dedos moviam-se, aumentando a velocidade de acordo com os gemidos emitidos por ela e o movimento de seu corpo, enquanto minha língua trabalhava incansavelmente em seu clitóris. Acrescentei mais um dedo, pressionando-os contra ela, atingindo seu ponto de prazer, ao tempo em que mordisquei seu clitóris e o chupei. O corpo de Emma tremeu, suas mãos se prenderam ao lençol e seu tronco se ergueu, caindo contra a cama logo em seguida. O líquido proveniente de seu orgasmo molhou-me os dedos. Retirei-os de forma lenta e a encarei. O suor em seu rosto fazia com que alguns fios de cabelo se colassem em sua testa. Ela se apoiou nos cotovelos e se pôs a me observar. Levei os dedos até a boca e os chupei, sem abandonar seus olhos.

― Meu Deus, você é surpreendente! ― ela soltou os cotovelos e caiu na cama, sua respiração ainda estava descompassada ― sabe há quanto tempo eu não tinha um orgasmo tão maravilhoso quanto esse? ― subi beijando seu abdômen e seus seios.

― Não ― chupei seu pescoço, aquilo deixaria uma marca ― mas podemos trabalhar nisso.

― Doutora Mills, a senhora é uma depravada ― gargalhou, enquanto puxava-me para um beijo.

― Se te serve de consolo, antes de você, há anos eu não tinha um orgasmo. Ao menos não daquela forma ― toquei seus lábios com o indicador, enquanto ela retirava alguns cabelos de meu rosto.

― É um crime que alguém a tenha na cama todas as noites e não lhe dê orgasmos ― virou seu corpo, invertendo as posições e ficando sobre mim ― mas também podemos trabalhar nisso.

Minha calcinha foi retirada, sem que nossos olhares se desconectassem.

― Eu quero que olhe para mim, o tempo todo… você pode fazer isso?

― Caso não tenha notado, Emma, é quase impossível para mim desviar os olhos de você.

Sua resposta veio em forma de um beijo, enquanto a ponta dos seus dedos tocava-me o clitóris. Minhas pernas se fecharam em volta de sua cintura, enquanto, vez ou outra, gemidos vindos de mim interrompiam o beijo. Emma desceu sua boca até meus seios, seus olhos estavam grudados aos meus, aquele verde tão profundo, no qual eu adorava me perder. Meus seios eram beijados, mordidos e chupados com um desejo ardente, uma atenção que nunca antes fora dada a eles. O meu corpo se dobrava em espasmos, uma clara resposta aos seus toques. Senti seus dedos me penetrarem e arfei.

― Oh Emma… ― segurei em seus cabelos, aprofundando o contato de sua boca contra minha pele.

Movi o quadril em sua direção, em busca de mais e ela me deu mais. Três de seus dedos me penetravam, sua mão se movia em uma velocidade incrível, causando-me espasmos por todo o corpo. Ela parou os movimentos e me encarou, para dar uma estocada final, pressionando seus dedos contra minha vagina. Eu desabei. Entreguei-me ao mais alucinante dos orgasmos. O meu corpo tremia em resposta, meus pelos se arrepiavam e eu gemia, sem pudor algum, pois não era necessário. Emma tomou-me em um beijo quente, repleto de luxúria, mas que carregava consigo algo a mais. Nossos olhos se conectaram e, mais uma vez, eu mergulhei naquela imensidão esverdeada, sem vontade alguma de emergir.

Até hoje, eu fui a maior culpada pela minha própria prisão. Eu me privei durante anos, sem saber que estava o fazendo. Nós criamos grades imaginárias em torno de nós mesmos. Um limite para isso, outro para aquilo. No fim, você se prende em uma cadeia invisível, você deixa de viver para obedecer a leis inventadas, você abre mão ao invés de desfrutar. Nietscheze estava mais do que certo e, só agora, eu era capaz de compreender. Eu me sentia livre. Eu encontrei minha voz e preenchi o assombroso silêncio. Eu desfrutei de cada mínimo detalhe e assim o faria em diante. Eu me libertei, me reencontrei e me descobri. Ao fazer isso, algo incrível acontece, você deixe de ser o que querem e torna-te aquilo que és.

Notas finais
Então pessoal, peço, novamente, que comentem para eu saber o que acharam, se a fic está agradando ou se preciso mudar algo. Sugestões também são bem vindas, até mesmo as conhecidas ameaças de morte. Convido vocês a conhecerem minha nova fic e viajarem comigo para a Romênia, mergulhando em uma lenda digna de ser retratada no estilo Swanqueen: https://fanfiction.com.br/historia/676367/The_Bloody_Countess/ Um beijão