O Preço da liberdade livro 2
21 O Renascer das Sombras
O ar na masmorra parecia menos denso quando Adrian desceu os degraus pela última vez. Ele não carregava a guarda consigo, apenas um envelope de couro com o selo real de cera vermelha. O Rei havia envelhecido, e a amargura de Diana o fizera refletir sobre o peso da culpa e a possibilidade de redenção.
Ele parou diante da cela. Lucca levantou-se, surpreso com a visita fora de hora.
Adrian sinalizou para que o guarda abrisse a cela. Pela primeira vez em dez anos, não havia ferro entre eles. O Rei entrou e colocou o envelope sobre a pequena mesa de madeira.
— Aqui estão os novos editais — começou Adrian, a voz cansada, mas firme. — Eu transferi todas as posses que estavam no nome de Marcos Delavga para Lucca Lâfrer. Suas terras no Norte, suas rotas de café e a mansão da família. Você não precisa mais de um nome roubado para ser dono do que é seu.
Lucca olhou para os papéis, sem entender. — Por que, Majestade?
— Porque dez anos em um buraco por um crime que sua mãe planejou é pagamento suficiente — respondeu Adrian, olhando-o nos olhos. — Eu vi você apodrecer aqui sem reclamar. Vi você aceitar o ódio de Diana como se fosse o seu oxigênio. Você já pagou sua dívida. Além disso... — o Rei fez uma pausa — ...ficar aqui só serve para manter a ferida dela aberta.
Adrian retirou um pergaminho menor do envelope.
— Este é o documento de anulação do seu casamento. Ela assinou esta manhã. Você está livre, Lucca. Recomece. Vá para suas terras e tente ser o homem que você disse a ela que queria ser.
Lucca pegou os documentos. Suas mãos, marcadas pelo trabalho pesado, tremiam levemente.
— Ela... ela sabe que o senhor está me soltando?
— Ela sabe. E ela não quer estar presente quando as portas se abrirem. — Adrian suspirou. — Vá agora, antes que eu mude de ideia.
A Partida
Horas depois, Lucca atravessava os portões de Aethelgard. O sol batia em seu rosto, e o vento fresco parecia quase agressivo após anos de umidade. Ele não olhou para trás. Ele sabia que Diana estava em algum lugar daquelas torres, provavelmente com uma taça na mão, observando-o partir com o mesmo desprezo de sempre.
Ele cavalgou por três dias até chegar às suas terras no Norte. A mansão dos Lâfrer era uma construção imponente de pedra cinza, cercada por montanhas e pés de café que floresciam sob a névoa. Era um lugar solitário, mas era dele.
Na Mansão do Norte
Lucca entrou no grande salão. A poeira dançava na luz que entrava pelas janelas altas. Ele caminhou até a lareira e olhou para o espaço vazio acima dela. Ele não tinha retratos da mãe, nem queria ter.
Ele se sentou na poltrona de couro e serviu-se de um café forte, o aroma trazendo lembranças de reuniões no palácio que pareciam ter acontecido em outra vida.
— Recomeçar... — ele sussurrou para o silêncio da casa.
Ele tinha o título, tinha as terras e tinha a liberdade. Mas, enquanto olhava para a vastidão de sua propriedade, Lucca percebeu que a liberdade era o castigo mais refinado de Adrian. Nas masmorras, ele estava perto de Diana. Aqui, sob o céu aberto e cercado de luxo, o silêncio dela era absoluto.
Ele era Lucca Lâfrer, o senhor das terras do Norte. Mas, em seu coração, ele sabia que continuaria sendo o prisioneiro de uma princesa que, em algum lugar de Aethelgard, ainda queimava tudo o que restava dele. A vingança de Giulia morrera, o castigo de Adrian terminara, mas o amor de Diana... esse permanecia como a única herança que ele nunca conseguiria administrar.
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