O Preço da liberdade livro 2
29 O Último Golpe
O dia amanheceu com um céu de chumbo, mas a Igreja de Santa Mellyssa estava decorada com as flores mais caras do reino. O burburinho na corte era um só: o herdeiro das rotas de café finalmente daria o seu nome a outra mulher.
Horas antes da cerimônia, Diana entrou no quarto onde a Condessa de Valença terminava de ajustar o véu. A princesa não levava armas, apenas o seu deboche habitual e um olhar que atravessava a alma.
— Um belo vestido, Condessa — disse Diana, circulando a noiva como um predador. — Mas olhe bem para o homem que estará no altar. Você terá o título dele, o ouro dele e o corpo dele em sua cama. Mas saiba de uma coisa: toda vez que ele fechar os olhos, é o meu rosto que ele verá. O coração dele é meu, e você será apenas a sombra que ele usa para tentar não sentir frio.
A Condessa empalideceu, as mãos tremendo sobre o buquê de rosas brancas. Diana saiu com um sorriso vitorioso, deixando o veneno agir.
O Altar Vazio
Na igreja, Lucca esperava. Os minutos se transformaram em uma hora. O silêncio da congregação era sufocante. De repente, um mensageiro entregou um bilhete a Lucca. Ele leu as poucas palavras: "Não posso viver à sombra de uma princesa que ainda possui sua alma. O casamento está cancelado."
Lucca não hesitou. Ele não chorou. Ele apenas amassou o papel e caminhou de volta ao palácio com passos que faziam o chão tremer.
O Confronto Público
Ele entrou no Salão de Cristal como um vendaval. Diana estava lá, encostada em uma coluna, segurando uma taça de vinho com um sorriso de triunfo nos lábios enquanto observava a confusão.
Lucca avançou e, antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele deu um tapa na mão dela, jogando a taça de cristal longe. O som do vidro estilhaçando contra o mármore silenciou o salão.
— VOCÊ ESTÁ SATISFEITA AGORA? — Lucca rugiu, a voz ecoando pelas abóbadas. — Você destruiu a última chance de paz que eu tinha!
— Eu salvei você de uma mediocridade, Lucca — Diana respondeu, tentando manter a pose, mas recuando diante da fúria dele.
— CALADA! — ele gritou, aproximando-se a ponto de seus rostos quase se tocarem. — Você fala de traição, mas olhe para você! Você se tornou uma devassa, Diana! Se entregando a qualquer um nos corredores, manchando o nome da sua família só para provar que não sente nada! Por mais que eu tenha mentido no passado, eu nunca te desrespeitei. Eu nunca levei outra para a cama enquanto dizia que te amava! Eu vivi dez anos no escuro por você, enquanto você vivia na luz tentando se tornar o que há de pior nesta corte!
— Você não tem o direito de me julgar! — Diana gritou de volta, as lágrimas de raiva começando a surgir.
— Eu tenho todo o direito! Eu te amei quando você não era nada além de uma menina em uma árvore, e te amei quando você era a carrasca da minha cela! Mas você é covarde! Você prefere ser a "devassa de Aethelgard" do que admitir que ainda é humana!
Eles se encararam, ofegantes, no centro do salão, cercados por nobres, pelo Rei e pela Rainha, que assistiam ao desmoronamento final. Diana estava trêmula, a máscara de deboche finalmente estilhaçada no chão junto com o vinho. A pressão de dez anos de ódio, desejo e negação explodiu em seu peito.
— É PORQUE EU TE AMO, SEU IDIOTA! — ela berrou, a voz quebrada, o grito saindo como um lamento que rasgou o salão. — EU TE AMO E EU TE ODEIO PORQUE EU NÃO CONSIGO PARAR DE TE AMAR MESMO DEPOIS DE TUDO!
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Diana cobriu o rosto com as mãos, soluçando violentamente, a confissão que ela jurara levar para o túmulo agora exposta diante de todo o reino.
Lucca ficou estático. Seus braços, que estavam tensos para o próximo grito, caíram ao lado do corpo. A fúria desapareceu de seus olhos, dando lugar a um choque paralisante. Ele olhou para a mulher à sua frente — não a princesa devassa, não a herdeira gélida, mas a sua Diana, quebrada e sangrando a verdade no meio das cinzas do casamento dele. O mundo parou para os dois, enquanto o eco daquela confissão ainda vibrava nas paredes do palácio.
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