O Preço da liberdade livro 2
27 A Explosão do Sangue Lâfrer
O plano de Lucca era arriscado, mas o silêncio de Diana estava sendo mais letal do que qualquer confronto. Ele precisava quebrar a crosta de gelo dela, nem que fosse com o fogo do ciúme e da indignação. Quando a Duquesa de Valença aproximou-se dele novamente, com olhares famintos e convites sussurrados, ele não recuou. Pelo contrário, sorriu o bastante para que Diana, do outro lado do salão, visse cada dente.
Lucca atravessou o salão com a Duquesa pendurada em seu braço. Ele passou por Diana, sentindo o ar esfriar dez graus, e subiu as escadas em direção aos seus aposentos sem olhar para trás. Diana, segurando sua taça com tanta força que o cristal rangia, observou a cena até que a porta do corredor superior se fechasse.
O Confronto na Madrugada
Passava das duas da manhã quando Diana, movida por uma mistura de álcool e uma possessividade que ela se recusava a admitir, chutou a porta de Lucca. Ela não entrou como uma princesa; entrou como uma tempestade.
O que viu foi o suficiente para fazê-la perder a razão: Lucca estava sem camisa, e a Duquesa, em roupas íntimas, inclinava-se sobre ele na cama.
— FORA DAQUI! — o grito de Diana fez a Duquesa saltar. — Saia deste palácio agora, sua cadela oportunista, antes que eu mande os guardas a arrastarem pelos cabelos até a praça pública!
A viúva, aterrorizada pela fúria nos olhos da herdeira Kane, nem tentou argumentar. Juntou seus vestidos e correu pelo corredor, descalça e humilhada.
Diana virou-se para Lucca, que se levantara lentamente, com um olhar de quem esperava exatamente por aquele momento.
— Você é um porco! — ela avançou, desferindo um tapa que estalou no rosto dele. — Usar o meu teto, o meu palácio, para se deitar com essa mulher? Você não tem vergonha?
— O que te incomoda, Diana? — Lucca a segurou pelos ombros enquanto ela tentava bater nele novamente. — A quebra do protocolo ou o fato de que, por um segundo, você percebeu que eu não sou seu objeto de tortura particular?
— Eu te odeio! Eu te odeio com cada fibra do meu ser! — ela gritava, golpeando o peito dele, mas a raiva estava se transformando em algo mais denso.
Lucca a prendeu contra a parede, as respirações se misturando.
— Então prove. Use esse ódio para me destruir, ou admita que você entrou aqui porque não suporta a ideia de outra pessoa sentir o que só você conhece.
O beijo que se seguiu não teve ternura; foi um campo de batalha. Diana o mordeu, o arranhou, mas se entregou com uma fome que dez anos de vazio não conseguiram apagar. Eles caíram na cama em meio a roupas rasgadas e confissões abafadas por gemidos. Naquela noite, não havia títulos ou nomes falsos; apenas dois corpos que se reconheciam na escuridão, provando que, embora a mente dela o rejeitasse, o sangue dela ainda clamava pelo dele.
O Amanhecer de Gelo
A luz cinzenta da manhã de inverno começou a invadir o quarto. Lucca dormia profundamente, um braço estendido para o lado onde Diana estivera. Mas o lugar estava frio.
Diana levantara-se antes do sol. Ela se vestiu em silêncio, observando o homem que amava e odiava com a mesma intensidade. Por um breve momento, sua expressão suavizou, mas logo a máscara de ferro retornou. Ela saiu dos aposentos dele sem fazer ruído, como se a noite anterior tivesse sido apenas um delírio febril.
Durante o dia, o palácio estava em polvorosa com a partida repentina da Duquesa, mas Diana agia como se nada tivesse acontecido. No corredor principal, ela cruzou com Lucca. Ele parou, esperando um olhar, um sinal de que o muro havia caído.
— Bom dia, Diana — ele disse, a voz baixa e carregada de significado.
Diana nem sequer diminuiu o passo. Ela parou apenas o suficiente para olhar para ele com uma indiferença que doía mais que o chute da noite anterior.
— Conde Lâfrer — ela disse, o tom formal e gélido. — Peça aos criados para trocarem os lençóis do seu quarto. O cheiro de desespero e de perfumes baratos está impregnando o corredor. Tenha um bom dia de trabalho.
Ela seguiu adiante, o queixo erguido, deixando Lucca estático no corredor. Ele tocou o lábio, ainda inchado pelo beijo dela, entendendo que a noite de paixão não fora o fim da guerra, mas apenas uma trégua que tornaria o próximo embate ainda mais cruel. Diana estava disposta a morrer de frio antes de admitir que Lucca Lâfrer ainda era o dono de seu calor.
Fale com o autor