O Preço da Traição.
4 Cedendo aos desejos.
Notas iniciais
Eu sempre achei Shakespeare um dos homens mais sábios que já habitou a terra. Uma de suas frases que muito me faz divagar é: “Eu não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito”. Embora eu sempre tenha nutrido um amor imenso por essa citação, ela nunca fora, de fato, aplicada em minha vida. Não até agora. Em meio a todo o controle exercido por mim, todos os propósitos pré-estabelecidos, todas as regras e escolhas bem feitas, eu me encontrava perdida. Quando descobri a possibilidade de Daniel estar me traindo, eu não sabia ao certo como me sentia em relação à isso, mas eu tinha escolha e assim o fiz. Escolhi contratar Emma. O que eu não sabia era que essa opção me levaria à perdição de qualquer controle que eu pensara ter sobre meus sentimentos. Essa frase, de fato, carrega grande verdade em si, mas o que ela não mostra é que a opção que se faz, pode, e na maioria das vezes vai, influenciar de maneira grandiosa na forma como você se sente, acarretando em outras escolhas a se fazer. Isso desencadeia uma espécie de efeito dominó. Um sentimento, uma possibilidade, um sentimento, uma possibilidade. Todos são livres para seguirem por um caminho, mas todos são prisioneiros das consequências. E então, antes que perceba você está perdida.
É exatamente assim que eu me sinto agora: perdida. Para alguém que sempre prezou por conduzir sistematicamente sua vida, imagine o quão frustrante e conflituoso é não saber como proceder. O mais certo agora é entender como eu me sinto, ainda que eu não tenha escolhido me sentir assim. Se eu amo Daniel? Não sei. Em anos essa é a primeira vez que não sei responder a essa pergunta. Nutro um grande carinho por ele, de fato. O que é mais do que esperado, já que dividimos uma vida há anos, mas eu não sei mais dizer se isso é amor. Sinto-me tão distante dele, como se a cada dia nossos caminhos se tornassem mais e mais divergentes.
Daniel moveu-se ao meu lado, levantando e indo ao banheiro. Continuei deitada, fingindo estar dormindo. Pude ouvir o barulho do chuveiro sendo ligado e me permiti abrir os olhos. Enquanto divagava em meus pensamentos, acabei não percebendo quando ele saiu e me viu acordada.
― Olá, querida ― sorriu com ternura e beijou-me os lábios. Tentou aprofundar o toque, mas o afastei, frustrando-o ― bom… eu vou precisar viajar alguns dias, cerca de uma semana, com alguns pesquisadores da faculdade ― revirei os olhos e me permiti gargalhar.
― Você só pode estar brincando comigo ― meu tom era baixo, mas deixava visível o quanto eu estava irada com aquilo ― Daniel, você acabou de voltar de uma viagem que, aliás, te impediu de passar seu aniversário comigo ― ele saiu pela porta do quarto e fui atrás dele ― você vai mesmo viajar de novo?
― Eu não posso fazer nada, Regina! É o meu trabalho! Você precisa entender! ― ele aumentara o tom de voz enquanto descia as escadas.
― Daniel, eu não posso entender que meu marido nunca está em casa, que nunca pode estar comigo! Eu tento manter nossa família unida, mas está se tornando impossível ― estávamos na sala, quando notei a presença de Lily e Henry, que nos olhavam.
― O que está acontecendo aqui? ― Lily interferiu.
― Sua mãe, Lily! Ela esquece que não é a única que trabalha nessa casa. Precisarei fazer uma viagem e ela está arrumando problemas com isso, como se estivesse constantemente presente aqui e nunca precisasse se ausentar ― Daniel explicava, mantendo-se alterado.
― Você não pode fazer isso! ― Lily gritou, assustando-me com tal atitude ― não é dona dele. E quem é você para falar sobre estar ou não aqui? Você nunca está em casa, “mamãe” ― ironizou a palavra ― e mesmo quando está, fica tão perdida nos seus próprios pensamentos que é como se não estivesse.
― Lily, não se meta no que não é da sua conta! ― esbravejei.
― E por que não é da minha conta? Por que eu não sou da família? ― aquilo atingiu-me de forma intensa e no mesmo instante meus olhos encheram-se de lágrimas.
― Lily… eu não disse isso… ― não pude acabar de falar, pois ela saiu pela porta.
― Parabéns, Regina. Você está mesmo mantendo a família unida ― Daniel saiu em seguida, provavelmente atrás de nossa filha.
Aquela briga me afetara muito. Sentei-me em um dos sofás, segurando o rosto entre as mãos. Não demorou para eu sentir mãos acariciando os meus ombros e um beijo sendo depositado em minha têmpora. Em meio à toda aquela confusão, permiti-me sorrir.
― Está tudo bem, mãe ― Henry apertou seus braços em torno do meu corpo ― eu te entendo, de verdade. Sei que sente saudades do meu pai em casa, pois eu também sinto. Não ligue para o que a Lily disse. Aquela menina está cada dia mais estranha. Você sempre é presente aqui quando precisamos e sempre nos dá toda a atenção que pode… é uma pena que ela não veja isso ―suspirou ― eu sei que um dia ela vai ver. Só espero que não seja tarde demais ― olhei em seus olhos e pude ver o quão sincera eram suas palavras.
― Eu me sinto perdida, Henry ― uma lágrima escorreu pelo meu rosto e ele a secou ― eu tento fazer as coisas certas, mas acabo como a vilã da história.
― Você não é a vilã, você é minha mãe ― beijou minha bochecha e saiu, deixando-me com um sorriso terno nos lábios.
***
Dois dias haviam se passado e o clima em minha casa não estava dos melhores. Daniel, apesar de tudo, viajou, deixando-me para trás com uma pilha de problemas para resolver, dentre eles: Lily. Eu não sabia o que ela tinha contra mim, onde eu errei tão drasticamente para nos levar a esse ponto. Nossa relação, que sempre fora tão saudável, havia se degradado de tal forma que qualquer chance de recuperação já não estava mais sendo cogitada por mim. No entanto, mesmo que ela não aceite, eu ainda sou sua mãe e ela me deve o mínimo de respeito. Ao menos enquanto morar em baixo do meu teto e usufruir do meu dinheiro. Eu estava pronta para ter essa conversa com ela, jogar como queria. Já que qualquer sentimentalismo fora deixado de lado por parte dessa garota, eu também o faria e negociaríamos de forma clara e objetiva. Não obstante, meus planos foram frustrados, pois nesses dois dias, eu não a encontrei em casa.
Se dentro do meu lar a confusão estava instalada, dentro de minha cabeça a situação era igual, ou pior. Emma não entrou em contato comigo nesses últimos dias e eu deveria estar feliz, pois isso significava que ela e Daniel não haviam se encontrado e nada além do beijo havia acontecido. Contraposto ao esperado, não era assim que eu me sentia. Sentia-me frustrada e isso me deixava confusa, pois ainda que a traição de meu marido fosse tida como o motivo para minha animosidade, a falta de contato com Emma é que estava a causando. Nosso beijo se repetia em meus pensamentos, em câmera lenta, como se eu pudesse reviver aquele breve toque e deleitar-me cada vez mais. Eu sabia o quanto era errado deseja-la daquela forma, principalmente quando a havia contratado para denunciar o adultério de meu marido, mas era inevitável. Emma era uma incógnita. Sempre fora. Mesmo quando simplesmente a observava pela janela, ela chamava minha atenção em meio a tantas pessoas, a ponto de me fazer observá-la dia após dia. Decorar seus horários, suas roupas, seu jeito, sua rotina. Eu a desejava e já não tinha como negar. Eu não havia escolhido isso, foi algo que simplesmente aconteceu e que, ainda que fosse de meu intento ir contra, muito me agradava.
Fui acordada de meus devaneios pelo toque do meu celular, o que me causou um breve sobressalto. Olhei para o aparelho e meu descompasso cardíaco aumentou ao ler o nome que aparecia no visor. “Emma Swan”. Respirei fundo. Uma. Duas. Três vezes. Pensei em ignorar a chamada, mas não era de minha vontade o fazer. Optei por atender.
― Olá, Srta. Swan ― minha voz soou controlada, ainda que meu interior estivesse uma bagunça.
― Olá, Regina ― eu podia notar certa euforia em seu tom. Podia dizer que ela estava um pouco… ansiosa ― acho que precisamos conversar… ― hesitou.
― Seja direta, Swan. Não tenho tempo para rodeios ― as imagens de Daniel e Emma juntos atingiram-me a mente, causando-me um desconforto considerável.
― Bom, seu marido… ele me procurou e nós… ― eu podia reproduzir com exatidão a imagem de Emma com a mão na nuca, se embolando nas palavras, com os olhos fechados, tentando encontrar o jeito menos doloroso de me dizer que havia transado com meu marido. De certa forma, aquilo não me surpreendia. Na verdade, demorou a acontecer.
― Eu entendi ― ela suspirou do outro lado da linha, não compreendi se fora de alivio ou frustração ― onde podemos nos encontrar?
― Você poderia vir aqui no hotel? ― mesmo que ela tentasse parecer calma, era notável o quanto estava nervosa e eu não conseguia saber o motivo. No entanto, aquilo me tocava de uma maneira que nem eu mesma conseguiria explicar.
― Te encontro em meia hora ― não esperei uma resposta e desliguei o telefone.
A porta do quarto de Emma nunca me pareceu tão interessante. Eu estava em conflito. Queria entrar e ao mesmo tempo não queria. Até onde minhas escolhas podem me levar? Até onde eu estou disposta a ir? Encostei-me na parede, tentando ordenar o emaranhado em minha mente. O que diabos eu estava fazendo? Era isso o que eu queria, era por isso que eu estava ali. Limpei a garganta e arrumei minha postura. Bati de leve e aguardei. Não cheguei a contar, mas juro não ter demorado cerca de cinco segundos para que Emma abrisse. Nós nos encaramos por um tempo, ambas entregues em pensamentos desconexos. Ao menos os meus eram. No entanto, todos se concentravam em sua boca, seus lábios finos, levemente rosados, que agora estavam entreabertos. Ela mordeu o lábio inferior, lentamente e eu acompanhei com o olhar, só então me dando conta de que aquilo estava sendo uma provocação descarada. Decidi não deixar transparecer o quanto me afetara, mas fui atingida por um turbilhão de sensações quando nossos olhares se encontraram.
― Entre ― ela abriu a porta, dando-me passagem ― fique a vontade. Aceita algo para beber? ― pensei em aceitar, mas decidi me manter sóbria para a conversa que iríamos ter.
― Não, obrigada ― o nervosismo latente já transformava-se em curiosidade ― vamos ao que interessa, Swan.
― Claro ― nos conduziu até as poltronas que ficavam ali, onde há alguns dias atrás eu a treinava para o primeiro encontro com Daniel ― creio que será como dá primeira vez… ― ergui uma sobrancelha, mostrando meu desentendimento ― você vai querer saber como tudo aconteceu, cada detalhe, sem deixar nada passar ― assenti, agradando-me por ela ter se lembrado daquilo ― bom, ele me ligou e nós nos encontramos em um café. Ele me contou sobre algumas obras que gostava e falamos sobre os motivos de eu ter me interessado por literatura… ― ela andava de um lado para o outro, gesticulando enquanto falava e eu a seguia com o olhar ― eu disse que os livros me fascinavam, que a proposta de poder viajar por meio de palavras era algo incrível e esse foi o primeiro passo para eu me entregar a esse maravilhoso universo. Em dado momento, ele se aproximou de mim e… ― ela parou de andar e me olhou ― me beijou ― aquilo me atingiu de uma forma intensa, mesmo já tendo acontecido antes. Imaginar os lábios de Daniel tocando os de Emma desagradava-me em demasia, mas talvez, não pelos motivos esperados. Algo me dizia que aquilo era só o começo.
― Continue ― meu tom soou frio e pareceu assustá-la um pouco. Ela sentou-se ao meu lado, mas mantendo uma distância segura. Só então me dei conta de que ela vestia um roupão e esforcei-me para não perder o olhar por ali.
― Nós fomos para um hotel, ele me ofereceu algo para beber e eu aceitei… quando foi me entregar a taça de vinho, nós nos beijamos e ele tirou minha jaqueta ― levantei-me do sofá e me aproximei da janela, deixado a brisa bater em meu rosto. As imagens de Daniel tocando Emma preenchiam-me a mente e aquilo me desagradava em demasia ― eu tentei pará-lo e disse que deveríamos ir devagar, mas ele me disse que não queria esperar, que não tínhamos motivos para esperar, então me levou para o quarto, enquanto retirava o resto da minha roupa ― eu era invadida por uma onda clara de puro ciúme… mas por incrível que pareça, não era dirigido a Daniel. Dele eu tinha raiva. Raiva por ter feito aquilo comigo ― então ele…
― Basta! ― minha mão bateu contra a parede, onde me apoiei em seguida. Aquilo estava me desgastando. Era um turbilhão de sentimentos entrando em um conflito e eu não estava compreendendo absolutamente nada.
Minha respiração estava pesada. Braços tocaram-me a cintura e eu demorei um pouco para dar-me conta de quem era, apesar de estarmos em apenas duas no recinto. Emma. O que aquela mulher estava fazendo comigo? Pensar em meu marido a tocando me causava repulsa… dele, não dela. Por ela eu nutria algo que não entendia. Afastei-me e sai dali o mais rápido que pude, rumo ao meu consultório. Adentrei o âmbito sem me importar com o olhar desentendido que minha secretária me lançou e logo fui para a sala de reuniões. Se antes minha intenção era manter-me sóbria, agora eu precisava de qualquer coisa que me tirasse dessa realidade conflituosa.
Servi-me uma dose generosa de Whisky, que bebia enquanto andava pelo cômodo, pensando em tudo o que ocorrera. Daniel me traia, estava comprovado. Esse era meu objetivo desde o começo, certo? Comprovar a infidelidade de meu marido, que para mim já era clara há algum tempo. Então por que eu não estava satisfeita? Por que algo dentro de mim dizia que aquilo não havia acabado? Emma. Eu não sabia o que sentia por ela e aquilo me frustrava. Logo eu que sempre me orgulhei por controlar tudo, sentia-me perdida. Aquela mulher era como um erro que eu ansiava por cometer. Imaginar Daniel a tocando me incomodava, não por ele estar me traindo, pois tenho certeza de que Emma não foi a primeira, mas por ser ela. Ela que era tão delicada de diferentes formas... Mesmo tendo a profissão que tinha, eu podia ver o quanto de inocência seu olhar carregava, tal como seu toque. Em toda a minha vida eu já beijara um número considerável de pessoas, mas nenhuma boca foi como a dela. Ninguém nunca conseguiu me confundir tanto com um simples beijo e isso me fazia indagar o que ela faria comigo se algo, além disso, acontecesse.
E só então eu entendi o óbvio. O que estava ali o tempo todo. Eu estava com raiva por Daniel tocar Emma, porque eu tinha ciúmes. Eu tinha ciúmes dela, pois eu ansiava por tocá-la. Eu ansiava por me entregar a cada mínima parte daquela loucura que fazia-me perder as rédeas de meu controle. Eu tinha raiva, pois sabia o quanto o toque dele podia ser bruto e eu não queria que ela fosse tocada daquela forma, não quando podia ver toda a sutileza que dirigia a mim. Eu não podia mais me conter, não podia mais controlar o meu desejo e o mais importante de tudo: eu não queria controlá-lo.
O copo que estava em minha mão foi lançado contra a parede, onde estourou, espalhando-se em pequenos cacos pelo chão. Sai pela porta, com a mesma rapidez com a qual entrei. Optei pela escada, pois não teria paciência alguma para esperar o elevador. Eu já não podia esperar mais nada. Quando enfim cheguei à porta do quarto de Emma, diferente da primeira vez, eu não hesitei em bater. Ela abriu, sem entender o que estava acontecendo... E nem precisava.
Eu a beijei. Eu a beijei e saciei toda a ansiedade latente que possuía por aqueles lábios. Empurrei seu corpo para dentro do quarto, sem separar nossas bocas, encostando-a contra a porta. Minhas mãos buscavam por ela, agarravam-se à sua nuca, puxando-a para mim, como se aquele contato pudesse durar para sempre. Desfizemos o beijo abruptamente para recobrar a respiração, mas mantemos as testas coladas.
― Regina… o que…
― Por favor, não fala nada ― ela olhou em meus olhos e eu me entreguei, mergulhando em toda aquela imensidão esverdeada a qual eu queria pertencer ―me faça sua ― ela assentiu e um sorriso brotou no canto dos seus lábios.
O beijo que se iniciou foi calmo, diferente do primeiro dado por mim. Emma me tocava um uma delicadeza sem igual, algo que nunca fora experimentado por mim e que muito me agradava. Suas mãos estavam em minha cintura, enquanto as minhas ainda seguravam sua nuca, mas sem a selvageria primária. Ela me guiou, sem separar nossos lábios e não entendi para onde estávamos indo, até perceber que estávamos em um quarto.
Seus olhos me observavam com atenção e eu retribuía à isso. Cada segundo parecia ser precioso, cada toque, cada olhar. Busquei sua boca novamente, pois já se tornava demasiadamente difícil manter-me longe dela. A língua de Emma pediu passagem, que foi prontamente concedida. Aquele momento poderia durar para sempre, visto que eu jamais provara algo que me dispusesse tamanho deleite. O zíper de meu vestido foi aberto. Swan tateou-me os ombros, fazendo com que eu me arrepiasse, em seguida o tecido caiu ao chão, deixando-me apenas com a lingerie preta.
― Oh Deus, você é linda ― Emma devorava-me com tamanha fascínio que eu não duvidava que suas palavras eram sinceras ― tão maravilhosa ― seus lábios tocaram-me o pescoço, causado um arrepio por todo o meu corpo ― tão incrível.
Ela me guiou até a cama, deitando-se sobre mim. Seus beijos eram, de longe, mais saborosos que o mais bem feito hidromel dos deuses. Suas mãos tocavam cada centímetro de minha pele, causando uma onda de prazer arrebatadora, que se concentrava no meio de minhas pernas. Seus lábios desceram por meu colo e logo meu sutiã foi retirado. Os dedos de Emma rodearam-me os seios. Um gemido baixo saiu de meus lábios e pareceu ser um incentivo para ela. Sua boca foi de encontro ao bico de meu seio esquerdo, enquanto uma mão habilmente trabalhava no direito, alternando entre leves toques e apertos. A excitação era tamanha que eu já não podia controlar as minhas reações, movendo-me de encontro a ela, tendo consciência do liquido que molhava-me a calcinha cada vez mais. Senti seus dentes mordiscarem o bico de meu seio e arfei. Aquilo estava me levando à loucura.
Olhei para Swan, observando quão linda ela era. Seus cabelos loiros caiam como uma cortina ao lado de seu rosto. Sua pele clara era tão delicada, que ansiei por tocá-la mais. Puxei o laço de seu roupão, atraindo sua atenção, que parou o que estava fazendo para me encarar. Mordi o canto do lábio enquanto abria o laço. Ela sentou em minhas coxas, dando-me livre passagem para desnudar seu corpo. Quando retirei por completo o que a cobria, minha respiração, que já estava descompassada, perdeu-se completamente. Emma não vestia nada além de uma calcinha de renda vermelha, uma visão digna de ser contemplada. Subi minhas mãos em direção aos seus seios, mas hesitei, o que não passou despercebido por ela, que as tomou junto às suas e levou aos próprios seios, apertando-os. Continuei o movimento, mesmo quando suas mãos abandonaram as minhas. Emma soltava gemidos fracos no meu ouvido, o que me incentivava a continuar. Beijos que eram distribuídos pelo meu pescoço, logo estavam em meu abdômen, enquanto Emma descia minha calcinha.
Eu sabia o que viria a seguir e ansiava por aquilo. Impulsionei o quadril em direção à ela, que olhou para mim e sorriu. Eu estava nua, completamente nua na frente daquela mulher e nunca havia me sentido tão livre, tão completa como estava me sentido agora. Ela desceu dando pequenas lambidas pela minha virilha. Suspirei quando seus lábios tocaram-me a vagina. Não contive o gemido alto e logo mordi o lábio para impedir o som de se prolongar. Emma interrompeu suas investidas e me olhou, tocando-me o rosto.
― Não quero que reprima os seus gemidos, Regina… eu quero que deixe seu corpo reagir, eu quero saber que estou te agradando ― olhei para ela e a imagem de Daniel dizendo que odiava mulheres escandalosas me veio à mente, demonstrando o quanto eles eram diferentes ― pode fazer isso por mim?
― Posso… ― ela sorriu em resposta.
Tão rápido quanto parou, os lábios de Swan voltaram ao que estavam fazendo. Sua língua invadiu-me sem pudor algum e eu me entreguei àquela sensação. Meu corpo tremia com as ondas de prazer que passavam por ele. Segurei os cabelos dela, libertando-me de qualquer timidez que eu poderia vir a ter.
― Oh Emma… eu quero mais, por favor…
Senti seus dedos me invadirem e movi o quadril, buscando por mais contato. Ela chupava meu clitóris enquanto penetrava-me, aumentando gradativamente a velocidade. Eu já estava completamente perdida, nenhum pensamento coerente podia ser formado por mim e eu nem o menos me dava o trabalho de tentar. Emma aumentou a velocidade do “vai e vem”, estocando-me com toda a vontade que eu sabia que ela nutria. Seus lábios se encontraram com os meus e eu me deliciei com o orgasmo que tomou-me como nenhum outro. Meu corpo contraiu-se e eu gemi. A sensação era incrível. Não poderia ser comparada a nada que eu já tivesse sentido.
Swan se deitou ao meu lado. Seu olhar estava atento sobre mim, buscando alguma reação. Deitei-me sobre ela, beijando-a, aproveitando-me mais dos seus lábios, pois eu já me encontrava viciada neles. Ali, agora, eu entendia que, no final, não existia resposta certa, nem atitude certa… apenas escolhas e eu acabara de fazer a minha.
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