O Passado nunca Morre
12 Cap. 12 Os maus momentos revelam os bons amigos
Notas iniciais
Sem delongas...
Boa leitura^^
Anteriormente...
– Definitivamente. Não vou deixar você fugir de mim, Kaplan!
– STRIGOOOOOI!!!!
– Ela é minha filha, Ibrahim! Você não podia ter mentido pra mim sobre ela! Você não tem ideia de como estou me sentindo agora!
– Eu sou uma guardiã em tempo integral.
– Shiiiiii. Está tudo bem, Jane. – disse ele sobre meus soluço abafado – Eu juro que ela irá voltar sã e salva! Eu juro a você que vou encontrar o verdadeiro assassino! Confie em mim!
Janine Hathaway (Corte — dias atuais)
Depois de chorar nos braços de Abe, eu me sentia... péssima! Essa não era a hora para fraquejar! Eu precisava agir e pensar o mais rápido possível para inocentar Rose, e não ficar me jogando nos braços do homem que um dia eu abandonei.
Quando saí de seu quarto, Abe perguntou se eu estava bem e se não queria ficar. Eu congelei com sua oferta. Não sabia exatamente o que ele estava oferecendo. Para ser sincera, eu não sei se suas intenções ficaram subentendidas ou se era alguma alucinação ridícula da minha cabeça. Preferi por não arriscar, mas logo depois me xinguei por inteiro. Abe está preocupado com Rose sua tola! Não é hora para pensar em outra coisa!
Caminhei rumo ao prédio dos morois, na ala norte onde se encontravam os membros das famílias reais de visita, ou pelo menos aquelas que não possuíam alguma residência na Corte, o que era raro. Existia outra pessoa com quem eu precisava conversar... na verdade, agradecer. Sem ele eu não poderia estar na Corte agora sem levantar suspeitas.
Subi as escadas calmamente, cumprimentando vários guardiões pelo caminho. Alguns, mais novos, não recordava de conhecer, mas pareciam surpresos em me ver e logo imaginei que conheciam minha “façanha”, não que eu tivesse orgulho de metade delas. Principalmente por envolverem tirar vidas. Mesmo Srigois...
Ouvi os gritos antes de alcançar a porta no fim do corredor. Quando bati de leve, os gritos diminuíram um pouco e imaginei que os dois pestinhas que conheço deviam ter corrido para o quarto para brigar lá. Logo a porta foi aberta e um moroi de cabelos loiros grisalhos e olhos verdes me recebeu. Sua expressão altiva e irritada se desfez ao me ver e foi substituída por um sorriso amigável.
– Ora, Janine, já está de volta. – disse ele me dando passagem – Terminou sua reunião?
– Sim, Lord Szelsky, muito obrigada.
– Eu devo perguntar como foi, ou é preferível que eu me mantenha na ignorância? – perguntou ele com um pequeno sorriso.
– A ignorância é uma benção. – eu disse calmamente mantendo o rosto rígido com minha máscara de guardiã, o que causou uma gargalhada divertida dele.
– Se você diz, eu apenas obedeço, Guardiã Hathaway.
Ele fechou a porta se dirigindo aos quartos e eu aproveitei o vazio da sala para falar o que eu pretendia antes de ser interrompida por algum intrometido como Pavel.
– Obrigado por ter aceitado meu pedido de vir imediatamente para a Corte, Lord Szelsky. Eu sei que não estava nos seus planos e a vinda turbulenta parece ter deixado as crianças agitadas. Peço desculpas por esse inconveniente.
– É a sua filha Janine. – respondeu ele depois de uma pausa com um olhar sério – E ambos sabemos o que você já teve que fazer por ela. – então ele abriu um pequeno e esperto sorriso – Além disso, não quero perder a diversão que está prestes a começar. É uma pena a morte de Tatiana, mas as coisas vão esquentar por aqui e eu não estou me referindo a explosões de estátuas.
Ele me olhou de soslaio como quem procurava alguma reação minha, mas eu não seria tola de deixar transparecer qualquer coisa. Eu confiava em meu protegido, é claro, mas quanto menos pessoas envolvidas melhor.
– As eleições. – eu disse com a voz neutra.
– Sim. – ele disse e estreitou os olhos pensativo – Algo me diz que teremos muitas surpresas nessas eleições.
Janine Hathaway (Turquia — 19 anos antes)
Caos.
Essa era a palavra correta para descrever o que aconteceu naquele jantar. Um completo e absoluto caos! Como eu havia previsto, os números estavam desproporcionais e com a quantidade de morois, mesmo cinco strigois era um número ridiculamente alto, e o meu grito de alerta só pareceu piorar a situação.
Empurrei Ibrahim escada abaixo na direção de Pavel e me preparei para receber o strigoi que descia as escadas. Lancei meu corpo sob ele em um movimento com o quadril e agarrei seu braço me permitindo lançá-lo sobre meu torço e derrubá-lo no chão num barulhento impacto. Quase tão barulhento como o som das janelas se quebrando no salão. Me posicionei sobre ele pronta para empalá-lo, mas ele se recuperou agarrando meus pulsos e nos fazendo rolar escada a baixo.
A dor dos degraus nas minhas costelas me fez vacilar por um segundo e logo senti um soco firme no rosto. Quando eu estava para levar o segundo, levantei o cotovelo diretamente para o rosto do strigoi pegando-o desprevenido e tirando-o de cima de mim. Segundos depois ele não se mexia mais. Pavel o havia estacado.
– Você está bem, Jane? – perguntou ele se abaixando para me ajudar a levantar.
– O que está fazendo?! – gritei de volta recusando sua mão e me levantando em direção ao salão. – Pare de se preocupar comigo, Pavel! Eles vem primeiro!!
Com o canto de olho, vi o olhar abismado de Ibrahim, mas ignorei já tirando meus saltos enquanto corria. Ele estava a salvo, os outros não.
O salão principal era uma área de batalha. Alguns humanos gritavam sem entender o que estava acontecendo e tentavam fugir pelas portas principais atrapalhando os guardiões que entravam. Duas guardiãs em vestidos apertados tentavam manter um strigoi longe de um casal encurralado e eu vi um guardião que eu percebera que havia bebido desacordado no chão.
Caos.
Minha observação durou menos de um segundo e eu segui para o ponto onde a falta de guardiões era gritante, onde, por sinal, estava minha prometida! Joguei meus braços ao redor de um strigoi ruivo pouco antes dele cravar as presas no pescoço de Vanessa fazendo com que ela pudesse rolar para fora do alcance das presas, mas as garras do strigoi agarraram meu braço nu rasgando tudo pelo caminho.
Mesmo com a dor aguda, mantive o aperto firme em seu pescoço e posicionei a estaca em suas costas empurrando meu corpo para forçá-la até o coração. Com um último impulso senti que ela trespassou seu corpo e ele parou de se mexer.
Virei-me imediatamente para o strigoi mais próximo puxando o braço de Vanessa e um outro moroi para que se juntasse a outros três morois que se encolhiam no canto do salão. Vi Pavel seguir meus movimentos e, em instantes, estávamos cercando sete morois e outro strigoi se aproximou. Com Pavel protegendo os morois, joguei-me em um combate violento com o strigoi e, aproveitando sua altura, ataquei-lhe os flancos e finalmente o empalei.
De repente tudo ficou silencioso. Quatro strigois jaziam no chão, assim como dois guardiões e um moroi. Meu peito se apertou ao reconhecer o moroi morto. Era um daqueles que sentara a mesa com Vanessa mais cedo. Deus. Se eu estivesse em minha posição, eu talvez...
– Obrigado, guardiã.
Meus pensamentos foram interrompidos por um moroi que devia ter uns dez anos a mais do que eu. Ele era loiro e estava entre aqueles que eu e Pavel cercamos para proteger, mais precisamente o que eu puxei pelo braço. Ele me olhava com uma expressão agradecida e estendeu a mão.
– Eu me chamo Yurev Szelsky. Espero um dia poder pagar minha dívida, guardiã...
– Hathaway. – respondi automaticamente e apertei sua mão – Mas eu só fiz o meu trabalho, senhor.
Ele deu um pequeno sorriso e eu me virei para os demais guardiões. O perigo podia ter ido embora, mas nosso trabalho nem de longe estava acabado. Vendo que o choque ainda era geral, resolvi tomar a frente. Senti o olhar de Ibrahim em mim quando comecei a dar ordens já com celular em mãos para ligar para os Alquimistas. Eles iam ficar furiosos com essa situação, oh se iam. Mas bem, meu trabalho era proteger, não encobrir. Eles que resolvessem isso.
Para um lugar como a Turquia, com seu sol escaldante do Mediterrâneo, até que a quantidade de alquimistas que atenderam meu chamado foi razoável. Acredito que pelo envolvimento humano, pois em menos de quinze minutos depois, quatro alquimistas estavam limpando a cena. Isso inclui convencer humanos que não havia vampiros ali e eu não queria nem saber como eles iam fazer isso.
– Como vocês deixaram isso acontecer?!
Virei-me rapidamente para uma alquimista que parecia ser um pouco mais velha do que eu. Ela me encarava com uma expressão quase tão dura como a de um guardião e seu cabelo firmemente amarrado na nuca combinado com suas roupas sérias me faziam compará-la a uma secretária mal humorada.
– Vocês tem noção como vai ser ridiculamente difícil convencer um restaurante cheio de humanos que nada sobrenatural aconteceu?! – continuou ela sem esperar um resposta minha. – Você devia ter planejado esse jantar em um local mais discreto!
– Eu? – perguntei sendo pega de surpresa.
– Sim, você é a chefe por aqui, não? – retrucou ela com a voz mais incerta.
– Eu não acho que seja justo você sair acusando as pessoas desse jeito, querida. – a voz de Ibrahim ecoou atrás de mim e eu vi os olhos da alquimista se estreitarem. – A Guardiã Hathaway só veio acompanhar sua protegida, você devia tentar o Lord Lazar covarde ali.
O silêncio ecoou um segundo a mais e eu vi a alquimista endurecer e cruzar os braços em defensiva.
– Você. Porque tudo de ruim que acontece em Istambul tem que ter algo a ver com você, Abe Mazur?
– Também é bom ver você, Donna Stanton.
Continua...
Notas finais
Esse capítulo é mais frio, mas achei necessário. Eu sempre quis saber que tipo de relação a Jane tinha com o protegido dela... então.
Ah, tive que reler a série para continuar escrevendo, porque a partir de agora é que as coisas vão tomar um rumo certo para a história desses dois.
PS: Atraso - Sinto muito a TODAS, principalmente às que me mandam reviews e MPs para postar. Eu realmente to sem tempo por causa dos concursos e da especialização. E como eu fui reler tudo, pra não fazer nenhuma besteira, meu tempo encurtou ainda mais. Mas como eu disse, eu não abandono o que começo, então... Esperança é a última que morre... e a lista dos meus provérbios é a última que acaba!! hahahahaahahahah
BEIJÃO e MUITO OBRIGADA!!
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