O PESO DE UMA PROMESSA
22 CAPÍTULO 22- DIANTE DE TODOS
Leah levou exatamente quatro minutos para destruir qualquer ilusão de que um casamento resolveria magicamente a disputa pela guarda de Seth.
Elena gostou dela um pouco mais por isso.
Os três estavam sentados na sala de reuniões do escritório de Leah na manhã seguinte ao pedido no Central Park. Jacob ocupava a cadeira ao lado de Elena, impecável em um terno escuro, com a expressão tranquila de alguém que parecia acreditar que tinha absolutamente tudo sob controle.
Elena já sabia que aquilo era mentira.
Jacob Black só parecia ter tudo sob controle.
Por dentro, provavelmente existiam pelo menos sete incêndios acontecendo simultaneamente.
Ela sabia porque começava a conhecê-lo bem demais.
E esse era precisamente o problema.
— Antes de qualquer coisa — Leah começou, fechando a pasta que estava diante dela —, quero deixar uma coisa muito clara. Casamento não concede guarda.
Jacob cruzou os braços.
— Eu sei.
— Ótimo. Então vou explicar novamente.
Elena quase sorriu.
Jacob percebeu.
Olhou para ela.
Elena baixou os olhos imediatamente.
Leah continuou:
— Nenhum juiz minimamente responsável vai olhar para uma certidão de casamento e decidir que, de repente, Jacob se tornou mais apto a exercer a guarda de Seth. Estado civil não substitui vínculo afetivo, disponibilidade, rotina, segurança ou interesse da criança.
— Então por que estamos fazendo isso? — Elena perguntou.
Jacob virou o rosto para ela.
Leah respondeu antes dele.
— Porque o casamento pode retirar um argumento que vem sendo explorado pela outra parte. Não porque crie capacidade onde ela não existe.
Elena assentiu.
— Irina e Edward vêm construindo uma narrativa de estabilidade doméstica — Leah explicou. — Irina é tia biológica de Seth, vive em um casamento formal, apresenta uma residência estruturada e dois adultos supostamente disponíveis. Ao mesmo tempo, tentam caracterizar Jacob como um empresário solteiro, com uma rotina profissional intensa, que depende de funcionários e amigos para auxiliá-lo.
Jacob franziu a testa.
— O que continua sendo absurdo.
— Eu não disse que concordo. Disse que esse é o argumento.
Leah abriu novamente a pasta.
— E temos que separar duas coisas. A investigação envolvendo os acidentes é uma frente. A guarda é outra. Até que exista prova suficiente vinculando Edward ou qualquer outra pessoa à sabotagem, não podemos tratar suspeita como condenação.
Elena sentiu o estômago apertar.
Bella.
O carro.
Os freios.
Marcus.
Ainda era difícil pensar naquilo sem sentir o ar desaparecer.
Jacob percebeu a mudança nela.
Sua mão se moveu quase imperceptivelmente sobre a mesa.
Parou antes de alcançá-la.
Elena viu.
E fingiu que não.
— O que precisamos demonstrar — Leah prosseguiu — é a realidade da vida de Seth com Jacob. Rotina escolar. Consultas médicas. Atividades. Participação. Vínculo. A casa onde ele cresceu. As pessoas que são referência para ele.
Leah olhou para Elena.
— E você é uma dessas pessoas.
Elena permaneceu em silêncio.
— Isso existia antes do casamento — Leah acrescentou. — E continuará sendo importante independentemente dele.
— Certo.
— Também quero que entendam outra coisa. Não tentem fabricar uma família perfeita.
Jacob arqueou uma sobrancelha.
— Como assim?
— Família perfeita não existe. E tentativa demais de parecer perfeita geralmente parece exatamente isso: tentativa.
Elena quase riu.
— Então eu posso continuar discutindo com ele?
Leah olhou para Jacob.
— Recomendo.
— Excelente.
— Leah.
— Estou falando juridicamente.
Elena mordeu o lábio para não rir.
Leah voltou a ficar séria.
— Vocês precisam ser naturais. Não transformem cada aparição pública numa performance. Não comecem a aparecer abraçados em todos os eventos da empresa como se tivessem sido possuídos por uma comédia romântica.
Elena finalmente riu.
Jacob lançou um olhar para ela.
— Você está se divertindo muito com isso.
— Um pouco.
Leah continuou:
— E, principalmente, não envolvam Seth nas razões estratégicas do casamento.
O sorriso de Elena desapareceu.
— Isso me incomoda.
Jacob a encarou.
— Nós conversamos sobre isso.
— Eu sei.
— Seth tem cinco anos — Leah disse. — Ele não precisa carregar detalhes de um litígio de guarda. Mas isso não significa que vocês devam mentir para ele sobre sentimentos ou fazer promessas que não sabem se poderão cumprir.
Elena olhou para a aliança.
A palavra sentimentos tinha se tornado perigosamente complicada desde o Central Park.
— Quando pretendem contar para ele? — Leah perguntou.
— Hoje — Jacob respondeu.
Elena virou o rosto.
— Hoje?
— Quanto antes, melhor.
— Interessante.
Jacob percebeu o tom.
— O quê?
— Nada.
— Elena.
— Só estou descobrindo nosso cronograma junto com a advogada.
Leah olhou de um para o outro.
— Vou fingir que não existe outra discussão acontecendo aqui.
— Não existe — Jacob respondeu.
— Existe — Elena respondeu ao mesmo tempo.
Leah suspirou.
— Vocês vão ser excelentes nisso.
Elena deveria ter prestado mais atenção àquela conversa.
Principalmente à parte em que Leah dissera:
Não transformem cada aparição pública numa performance.
Porque, aparentemente, Jacob havia entendido exatamente o contrário.
A coletiva de imprensa estava marcada para aquela tarde.
Não tinha relação alguma com o casamento.
Elena sabia disso porque o próprio Jacob explicara durante o almoço que a Black Automotivos apresentaria resultados recentes, novos investimentos e a expansão de uma das divisões da empresa.
Nada sobre Elena.
Nada sobre casamento.
Nada sobre Central Park.
Nada sobre aliança.
Ela só estava ali porque Jacob pedira que o acompanhasse.
Na verdade, não pedira.
Dissera:
— Preciso que venha comigo.
Elena deveria ter reconhecido o perigo naquela frase.
Novamente.
Estava nos bastidores da sala onde a coletiva aconteceria quando percebeu a quantidade de jornalistas.
— Por que eu estou aqui?
Jacob ajustava o punho da camisa.
— Porque estamos noivos.
— Isso não respondeu.
— É um evento importante.
— Da sua empresa.
— Sim.
— Eu não trabalho na sua empresa.
— Eu sei.
— Então?
Jacob olhou para ela.
— Fica tranquila.
Elena estreitou os olhos.
— Toda vez que você diz isso, alguma coisa terrível acontece.
— Dramática.
— Experiente.
Sue passou por eles.
Olhou para Elena.
Depois para Jacob.
Depois novamente para Elena.
— Boa sorte.
Elena franziu a testa.
— Para quem?
Sue continuou andando.
Elena virou-se lentamente para Jacob.
— Por que ela me desejou boa sorte?
— Porque você parece nervosa.
— Eu não estava nervosa até ela dizer isso.
— Elena.
— Jacob.
Um assessor apareceu.
— Sr. Black, podemos começar.
Jacob assentiu.
Então olhou para Elena.
— Fica aqui.
— Pretendia.
Ele entrou.
A coletiva começou normalmente.
Resultados.
Investimentos.
Expansão.
Novas unidades.
Projetos.
Elena começou a relaxar.
Talvez realmente não houvesse nada.
Talvez estivesse paranoica.
Talvez Jacob fosse capaz de participar de uma coletiva sem transformar sua vida num acontecimento público.
Vinte e sete minutos depois, um jornalista fez a última pergunta.
Jacob respondeu.
A assessora agradeceu.
Elena pegou a bolsa.
Acabara.
Então Jacob falou:
— Antes de encerrarmos, gostaria de acrescentar uma coisa.
Elena parou.
Não.
Jacob olhou na direção dela.
Não.
Definitivamente não.
— Nos últimos meses, minha vida pessoal passou por mudanças importantes.
Elena ficou imóvel.
Jacob Black, eu vou matar você.
Os jornalistas imediatamente ficaram atentos.
— E acredito que seja melhor que essa informação venha diretamente de mim antes que comece a circular por outros meios.
Não faça isso.
Jacob continuava olhando para ela.
Elena sorriu.
Porque havia câmeras.
Por dentro, planejava o homicídio.
Lento.
Detalhado.
Com criatividade.
— Ontem — Jacob disse — pedi Elena Swan em casamento.
O silêncio durou menos de um segundo.
Depois vieram as vozes.
Perguntas.
Câmeras.
Movimento.
Elena queria estrangulá-lo.
Com as próprias mãos.
Talvez com a gravata dele.
Provavelmente com a gravata.
— E ela aceitou.
Jacob estendeu a mão.
Para ela.
Elena olhou.
Não.
Ele continuou com a mão estendida.
Os fotógrafos já tinham percebido.
Eu odeio você.
Elena caminhou até ele.
Sorrindo.
Sempre sorrindo.
Quando chegou perto, Jacob segurou sua mão.
Os flashes começaram imediatamente.
— Sorria — ele murmurou sem mover os lábios.
Elena sorriu ainda mais.
— Estou imaginando seu funeral.
Jacob quase riu.
— Depois.
— Vai ser lindo.
Mais flashes.
Um jornalista perguntou:
— Sr. Black, há quanto tempo estão juntos?
Jacob olhou para Elena.
Ela devolveu o olhar.
Quero ouvir essa.
— Há tempo suficiente para eu saber que quero me casar com ela.
Elena sentiu o coração dar uma batida idiota.
Odiou.
Outro jornalista perguntou:
— Elena, o pedido foi uma surpresa?
Ela olhou para Jacob.
Dessa vez, seu sorriso foi genuíno.
Perigoso.
— Enorme.
Jacob percebeu.
— Muito romântico? — alguém perguntou.
Elena continuou olhando para ele.
— Inesquecível.
Jacob apertou discretamente seus dedos.
— Onde aconteceu?
— Central Park — respondeu.
— Como foi?
Elena pensou nos bilhetes.
Nas xícaras.
Nas passas.
Na música.
Nele ajoelhado.
Eu amo você.
Depois:
Agora temos a nossa história.
— Essa parte — disse suavemente — fica entre nós.
Jacob olhou para ela.
Por um instante, esqueceu as câmeras.
Então um jornalista perguntou:
— Já têm data?
— Estamos definindo — Jacob respondeu.
Elena virou o rosto lentamente.
Estamos?
Outro item para a lista de assuntos sobre os quais estrangularia o noivo.
Irina assistiu ao anúncio em silêncio.
Edward não.
— Que merda é essa?
A coletiva ainda aparecia na televisão da sala de Irina.
Na tela, Jacob segurava a mão de Elena.
O anel estava claramente visível.
Irina permaneceu imóvel.
— Desliga isso.
Edward pegou o controle e desligou.
A tela ficou preta.
— Quando isso aconteceu?
— Eu não sei.
— Você falou com ele ontem.
— Falei.
— E não percebeu?
Irina virou-se.
— Percebi o quê, Edward? Que Jacob pretendia se casar vinte e quatro horas depois?
Edward começou a andar pela sala.
Irritado.
— Isso muda as coisas.
— Um casamento não muda a guarda automaticamente.
— Não estou falando só da guarda.
Irina estreitou os olhos.
— Então está falando de quê?
Edward parou.
— Da imagem.
Ela ficou em silêncio.
— Jacob solteiro era uma coisa. Jacob casado com uma mulher que Seth adora é outra.
— Elena não é família dele.
Edward riu sem humor.
— Tenta explicar isso para Seth.
Irina apertou os lábios.
— Esse casamento é falso.
Edward virou-se.
— Não.
— É óbvio.
— O quê é óbvio?
— Eles estão fazendo isso por causa da guarda.
Edward ficou olhando para ela.
— Pode até ter começado assim.
Irina sentiu alguma coisa gelar dentro do peito.
— O que quer dizer?
— Você viu os dois?
— Vi uma coletiva.
— Eu vi Jacob.
Irina endureceu.
Edward continuou:
— Aquele homem está apaixonado por ela.
— Não seja ridículo.
— Eu trabalhei com ele. Conheço Jacob.
— Você acha que conhece.
— E conheço homem apaixonado.
Irina riu.
— Pelo amor de Deus.
— Olha para ele quando ela está perto.
Ela não respondeu.
— Ele esquece quem está na sala.
— Isso não significa nada.
— Significa bastante.
Irina virou o rosto.
— Elena está fazendo isso porque quer Seth.
— Talvez.
Edward aproximou-se da mesa.
— Mas ele não.
— Você não sabe.
— E ela também ama ele.
Irina sentiu o estômago contrair.
— Pare.
Edward a encarou.
— Por quê?
— Porque você está falando besteira.
— Estou falando o que qualquer pessoa com olhos vai perceber.
Irina apertou as mãos.
Edward continuou:
— Eles podem dizer que foi rápido. Podem inventar qualquer história. Mas os dois se amam.
— Chega.
Edward ficou em silêncio.
Irina virou-se para a janela.
Não queria que ele visse seu rosto.
Porque a raiva que sentia já não tinha absolutamente nada a ver com Seth.
Nem com a guarda.
Nem com as ações.
Era mais antiga.
Mais humilhante.
Jacob a amara um dia.
Ela sabia.
Tinha sido sua noiva.
Tinha imaginado uma vida inteira ao lado dele.
E, mesmo depois de tudo, uma parte vergonhosa dela continuara acreditando que Elena era apenas uma interrupção.
Uma cozinheira.
Uma mulher que aparecera no momento errado.
Alguém que passaria.
Mas Irina tinha visto.
Na televisão.
A maneira como Jacob procurara Elena antes de anunciar.
A mão estendida.
O sorriso quase imperceptível quando ela se aproximara.
A forma como olhara para ela quando Elena respondera que o pedido fora inesquecível.
Irina conhecia aquele homem.
Talvez Edward estivesse certo.
E odiou Elena por isso.
— Precisamos descobrir o que eles estão fazendo — Edward disse.
Irina voltou-se.
— O que você pretende fazer?
— Proteger nossos interesses.
— Seth não é um interesse.
Edward a encarou.
— As ações dele são.
O silêncio caiu.
Irina sentiu um desconforto.
— Cuidado, Edward.
— Com o quê?
— Com a maneira como fala do meu sobrinho.
Ele sustentou o olhar dela.
Depois sorriu.
Frio.
— Então é melhor garantir que Jacob não consiga tirá-lo daqui.
A porta da sala de reuniões da Black Automotivos mal havia fechado quando Elena se virou.
— Você perdeu completamente a cabeça?
Jacob afrouxou a gravata.
— Sabia que isso viria.
— Sabia?
— Pelo seu sorriso.
— Meu sorriso?
— Você estava planejando minha morte.
— Ainda estou.
— Imaginei.
— Você anunciou nosso casamento numa coletiva de imprensa.
— Sim.
— Sem me avisar.
— Sim.
— Diante de dezenas de jornalistas.
— Sim.
— Você tem alguma outra palavra disponível?
— Tenho.
— Ótimo. Use.
Jacob colocou as mãos nos bolsos.
— Funcionou.
Elena ficou alguns segundos olhando para ele.
— Eu vou matar você.
— Já mencionou.
— Não, acho que você não compreendeu a seriedade.
— Elena...
— Você me levou para uma coletiva sobre a empresa.
— Era sobre a empresa.
— Até você anunciar meu casamento!
— Nosso.
— Não melhora!
Jacob quase sorriu.
Erro.
— Não ri.
— Não estou rindo.
— Está quase.
— Você fica bonita quando está brava.
Elena parou.
Jacob também.
A frase escapara.
Os dois ficaram em silêncio.
Elena foi a primeira a recuperar a voz.
— Não tenta me distrair.
— Não estava tentando.
— Pior ainda.
Ela começou a andar pela sala.
— Leah literalmente disse para não transformarmos tudo numa performance pública.
— Não foi uma performance.
Elena virou-se.
— Você anunciou nosso casamento numa coletiva.
— Eu anunciei uma informação.
— Você me chamou para o palco.
— Você já estava lá.
— Atrás do palco!
— Tecnicamente...
— Não use “tecnicamente”.
Jacob fechou a boca.
Elena apontou para ele.
— Você poderia ter me avisado.
A irritação de Jacob diminuiu.
— Poderia.
— Então por que não avisou?
Ele demorou a responder.
— Porque achei que ficaria nervosa.
Elena arregalou os olhos.
— E sua solução foi me pegar de surpresa diante de câmeras?
Dito daquela forma, realmente parecia ruim.
— Certo.
— Certo o quê?
— Talvez não tenha sido minha melhor decisão.
Elena cruzou os braços.
— Quero ouvir direito.
— Não.
— Jacob.
— Não exagera.
— Quero ouvir você admitir.
Ele suspirou.
— Eu deveria ter avisado.
— Obrigada.
— Mas funcionou.
— Você é inacreditável.
Ela se virou para sair.
Jacob segurou seu braço suavemente.
Elena parou.
Olhou para a mão.
Ele soltou imediatamente.
— Desculpa.
Elena olhou para ele.
— Pelo braço?
— Também.
Pausa.
— E por não ter avisado.
A raiva dela diminuiu um pouco.
— Eu aceitei entrar nisso, Jacob. Não significa que você pode decidir tudo sozinho.
— Eu sei.
— Então lembra.
— Vou lembrar.
Elena apontou para ele.
— E se anunciar a data do casamento sem falar comigo...
— Não vou.
— Se escolher minha roupa...
— Eu não faria isso.
— Se marcar entrevista...
— Elena.
— Se inventar qualquer coisa...
Jacob ergueu as mãos.
— Entendi.
Ela respirou.
— Ótimo.
— Agora precisamos contar para Seth.
Toda a raiva de Elena mudou de lugar.
— Agora?
— Agora.
Ela ficou em silêncio.
— Juntos?
Jacob assentiu.
— Juntos.
Seth chegou à casa de Jacob no início da noite acompanhado por Emmett.
A autorização para aquela visita havia exigido mais telefonemas entre advogados do que Jacob considerava razoável para que um menino pudesse passar algumas horas na própria casa.
Seth entrou correndo.
— Elena!
Ela mal teve tempo de se abaixar antes que ele se jogasse em seus braços.
— Oi, meu amor.
— Você está aqui!
— Estou.
Seth se afastou.
Então viu a mão dela.
Parou.
Olhou para o anel.
Depois para Elena.
Depois para Jacob.
Seus olhos se arregalaram.
— O que é isso?
Elena olhou para Jacob.
Jacob olhou para ela.
Emmett entrou carregando a mochila de Seth.
— Ah, essa eu quero ver.
Jacob lançou um olhar.
— Emmett.
— Estou completamente calado.
— Ainda está falando.
— Agora parei.
Seth apontou para a mão de Elena.
— É aliança?
Elena sorriu.
— É.
— De casamento?
— Mais ou menos.
Jacob franziu a testa.
— Elena.
— De noivado — corrigiu.
— O que é noivado?
Emmett abriu a boca.
Jacob apontou para ele.
— Nem pense.
Emmett fechou.
Elena segurou as mãos de Seth.
— Significa que duas pessoas decidiram que vão se casar.
Seth olhou novamente para Jacob.
Depois para Elena.
Então seus olhos se arregalaram ainda mais.
— VOCÊS VÃO CASAR?
Elena começou a rir.
— Vamos.
Seth soltou um grito.
E se jogou nos dois.
Jacob mal teve tempo de se abaixar.
Seth abraçou Elena com um braço e Jacob com o outro.
— Eu sabia!
Jacob e Elena se entreolharam por cima da cabeça dele.
— Sabia? — Jacob perguntou.
— Sabia.
Seth se afastou.
Parecia ofendido pela falta de fé deles em sua capacidade de observação.
— Como? — Elena perguntou.
— Porque sim.
— Excelente explicação — Jacob comentou.
Seth pensou.
Então apontou para Jacob.
— Você olha para Elena igual o papai olhava para a mamãe.
Silêncio.
Absoluto.
Jacob parou.
Elena também.
Emmett levou a mão à boca.
Inútil.
O riso escapou.
Jacob virou lentamente o rosto.
— Não.
Emmett começou a rir.
— Eu não disse nada.
— Nem precisa.
Seth olhou para Elena.
— É verdade.
O rosto dela estava vermelho.
— Seth...
— O papai olhava para mamãe assim.
Jacob sentiu o peito apertar.
Por Rebecca.
Por Salomon.
Pelo menino que ainda lembrava como os pais se olhavam.
E pela comparação que nenhuma estratégia de Leah, nenhum processo e nenhuma coletiva poderia ter fabricado.
Seth virou para Elena.
— E você também olha para ele.
Elena ficou ainda mais vermelha.
Emmett encostou na parede.
— Essa criança é maravilhosa.
— Emmett — Jacob advertiu.
— Estou só observando.
— Observa em silêncio.
Seth franziu a testa.
— Por que vocês estão com vergonha?
— Não estamos — Jacob respondeu imediatamente.
Elena olhou para ele.
— Estamos.
Emmett quase caiu na gargalhada.
— Obrigado, Elena.
Jacob passou a mão pelo rosto.
Seth voltou a sorrir.
— Então você vai morar aqui?
A pergunta atingiu Elena.
Ela olhou para Jacob antes de responder.
— Depois do casamento, sim.
O rosto de Seth se iluminou.
— Pra sempre?
Silêncio.
A palavra caiu entre os adultos.
Elena perdeu o sorriso por uma fração de segundo.
Jacob viu.
O acordo tinha prazo.
A guarda seria resolvida.
Depois...
Nenhum dos dois tinha realmente falado sobre depois.
Elena se abaixou até ficar na altura de Seth.
— Por enquanto, o que você precisa saber é que nós vamos estar aqui com você.
Seth pareceu considerar.
— Os dois?
Elena olhou para Jacob.
— Os dois.
Seth sorriu.
— Então tá.
Como se aquilo bastasse.
Talvez para uma criança de cinco anos bastasse.
Seth abraçou Elena novamente.
Depois Jacob.
Então fez uma coisa que nenhum dos dois esperava.
Pegou a mão de Elena.
Pegou a de Jacob.
E juntou as duas.
— Agora vocês são quase casados.
Emmett fez um ruído estranho.
Jacob olhou.
— O quê?
— Nada.
— Fala.
— Só estava pensando que Leah gastou anos estudando Direito e o Seth resolveu tudo em vinte segundos.
Elena riu.
Jacob tentou não rir.
Falhou.
Seth ainda segurava as mãos dos dois juntas.
— Quando vai ser?
— Ainda vamos decidir — Elena respondeu rapidamente.
E olhou para Jacob.
O aviso estava muito claro.
Ainda vamos decidir.
Jacob levantou as mãos em rendição.
— Juntos.
— Ótimo.
Emmett sorriu.
— Já começou bem o casamento.
— Você ainda está aqui por quê? — Jacob perguntou.
— Porque eu trouxe seu sobrinho.
— Já trouxe.
— E porque isso está muito melhor do que qualquer coisa que eu tinha planejado para hoje.
Elena riu.
Seth também.
Jacob olhou para os três.
Sua casa.
Elena.
Seth.
Risos.
Por alguns segundos, voltou à cozinha daquela manhã.
À sensação que tentara explicar durante o pedido.
Uma vida.
Uma família.
Então Seth puxou sua mão.
— Tio Jake?
— Hum?
— Você está feliz?
A pergunta era simples.
Jacob olhou para Elena.
Ela já o observava.
Ainda havia coisas demais entre eles.
Mágoa.
Culpa.
O acordo.
Aquela declaração no Central Park.
O silêncio depois.
O fato de Elena ainda não saber que cada palavra tinha sido verdadeira.
Jacob olhou novamente para Seth.
— Estou.
Seth sorriu.
— Eu também.
Depois virou-se para Elena.
— Você está feliz?
Elena demorou um pouco mais.
Jacob percebeu.
Ela olhou para o anel.
Depois para Seth.
Por fim, para ele.
— Estou tentando.
Seth pareceu satisfeito.
— Então pronto.
Emmett riu.
— Filosofia Black-Grey. Resolvido.
Seth correu para buscar alguma coisa na mochila.
Emmett foi atrás dele, ainda fazendo comentários sobre ser padrinho.
Jacob e Elena ficaram sozinhos por alguns segundos.
As mãos ainda estavam próximas.
Quase se tocando.
Elena olhou para ele.
— Não pense que eu esqueci da coletiva.
Jacob quase sorriu.
— Não pensei.
— Ainda quero estrangular você.
— Eu sei.
— E não vai anunciar a data sozinho.
— Não vou.
— Nem decidir o lugar.
— Certo.
— Nem convidados.
— Elena...
— Estou estabelecendo regras.
Jacob arqueou uma sobrancelha.
— Você? Regras?
Ela estreitou os olhos.
— Algum problema?
— Nenhum.
Um pequeno silêncio surgiu.
Elena baixou os olhos.
— Ele ficou muito feliz.
— Ficou.
— Isso torna tudo mais difícil.
Jacob sabia exatamente o que ela queria dizer.
Quanto mais Seth acreditasse, maior seria o peso quando aquilo terminasse.
Quando.
Jacob percebeu que odiava aquela palavra.
— Nós vamos cuidar dele — disse.
Elena levantou os olhos.
— Eu sei.
Do corredor, a voz de Seth surgiu:
— ELENA!
— O quê?
— O TIO JAKE PODE DORMIR NO SEU QUARTO QUANDO VOCÊ CASAR?
Elena congelou.
Jacob fechou os olhos.
Emmett começou a gargalhar em algum lugar da casa.
— EMMETT! — Jacob gritou.
— NÃO FUI EU!
Seth apareceu no corredor.
— Então pode?
Elena ficou vermelha.
— Seth, casamento não...
Jacob começou:
— Quando duas pessoas...
Os dois pararam.
Olharam um para o outro.
Nenhum parecia disposto a continuar aquela explicação.
Emmett apareceu atrás de Seth.
— Querem que eu explique?
— NÃO! — Jacob e Elena responderam juntos.
Seth começou a rir.
Emmett também.
Elena cobriu o rosto.
Jacob passou a mão pela nuca.
E, apesar de tudo, começou a rir.
Riu de verdade.
Elena tirou as mãos do rosto e olhou para ele.
Por alguns segundos, riu também.
Seth estava entre eles.
Emmett fazia alguma piada que Jacob já nem ouvia.
E, naquele instante, ninguém estava fingindo.
Não havia jornalistas.
Não havia câmeras.
Não havia Irina.
Não havia Edward.
Não havia estratégia.
Apenas os quatro dentro daquela casa, rindo de uma pergunta constrangedora feita por uma criança de cinco anos.
Jacob encontrou os olhos de Elena.
Ela ainda sorria.
E as palavras de Seth voltaram.
Você olha para Elena igual o papai olhava para a mamãe.
Jacob não sabia como Salomon olhava para Rebecca.
Mas sabia como ele próprio olhava para Elena.
Talvez fosse esse o problema.
A coletiva tinha sido planejada.
O anúncio tinha sido estratégico.
O casamento tinha começado como uma solução.
Mas Seth não sabia nada disso.
Tinha apenas olhado para o tio.
E enxergado amor.
Jacob desviou os olhos primeiro.
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