O Orgulho Queima em Silencio

7 Capítulo 7 — O Dia do Julgamento



Seireitei — Praça Central da 1ª Divisão

O céu estava límpido naquela manhã.

Bandeiras prateadas tremulavam em cada torre do Seireitei, anunciando oficialmente o evento de seleção dos novos tenentes.

Era um acontecimento raro, especial — e, por isso, visitantes especiais haviam recebido permissão para atravessar os portões sagrados.

Entre eles, dois humanos conhecidos por toda a Sociedade das Almas:

Ichigo Kurosaki e Orihime Inoue.

A praça da 1ª Divisão estava lotada.

Centenas de shinigamis e oficiais se amontoavam em arquibancadas de pedra, todos ansiosos para assistir às demonstrações de poder e habilidade dos candidatos.

No centro da arena, uma série de plataformas de combate, circuitos de kido e provas de estratégia haviam sido montados.

No alto, sentados em seus lugares de honra, estavam todos os capitães — trajados com suas haoris imponentes.

Entre eles, Byakuya Kuchiki permanecia imóvel.

Mas seus olhos cinzentos não se desviavam de uma única figura.

Rukia.

Rukia Kuchiki

Rukia respirava fundo, sentindo o peso do olhar de centenas de pessoas sobre si.

Ela trajava o uniforme de batalha tradicional, a zampakutou presa às costas, as mangas cortadas para liberdade de movimento.

Ao seu lado, outros candidatos se alinhavam.

Alguns eram rostos conhecidos — antigos membros da 11ª, 7ª e 10ª Divisão — outros, prodígios das Academias.

Mas Rukia mal os via.

Seu coração batia pesado, ecoando em seus ouvidos.

“Ichigo e Orihime… vieram até aqui…”

“Onii-sama… está me observando…”

“Renji…”

Fechou os olhos por um momento.

Lembrava-se das palavras de Byakuya.

“Você pertence ao Clã Kuchiki.”

Mas… será que ainda pertencia apenas a isso?

Ou pertencia também a si mesma?

Sacudiu os pensamentos.

Agora não era hora para dúvidas.

Era hora de mostrar a todos quem era Kuchiki Rukia.

Prova 1 — Combate Direto

A primeira prova foi um duelo.

Cada candidato enfrentaria outro selecionado aleatoriamente.

O nome de Rukia foi chamado junto com o de um jovem da 7ª Divisão — um shinigami alto e robusto, com reputação de força física brutal.

Assim que o sino soou, ele avançou em investida.

Rukia não recuou.

Com movimentos precisos, ela esquivou, congelou o chão sob os pés dele com uma simples manipulação de reiatsu, e num golpe rápido, golpeou o dorso da zampakutou do oponente, desarmando-o.

O público explodiu em aplausos.

Na tribuna, Renji sorriu, orgulhoso.

Ukitake bateu palmas discretamente.

Ichigo se levantou, vibrando:

— Isso aí, Rukia!!

Orihime juntou as mãos em alegria.

No entanto, Byakuya apenas observou, o rosto inexpressivo.

Por dentro, seu peito se expandia de orgulho silencioso.

“Magnífica.”

Prova 2 — Kido

Rukia caminhou até o círculo de kido, onde deveriam conjurar feitiços complexos sob pressão.

Com postura impecável, ela traçou os selos em alta velocidade e lançou um Bakudou 61 — Rikujōkōrō perfeito em um dos bonecos de treino, seguido imediatamente por um Hadou 63 — Raikōhō que explodiu o alvo em uma onda de energia dourada.

A precisão.

A elegância.

Tudo nela transbordava confiança.

O Capitão Kurotsuchi Mayuri, da 12ª Divisão, ajustou seu equipamento, murmurando:

— Hmm… técnica refinada. Eficiência acima do esperado.

Hitsugaya cruzou os braços, concordando em silêncio.

Byakuya observava cada gesto dela com olhos afiados.

“A leveza de sua alma… a precisão de sua lâmina…

Ele sabia:

Não havia ninguém mais adequada.

Prova 3 — Estratégia

Por fim, os candidatos foram testados em cenários simulados de guerra.

Cada um recebeu um mapa e um conjunto de situações-limite.

Rukia analisou o problema com calma.

Seus olhos percorreram as possibilidades — e, como se dançasse entre as linhas invisíveis do campo de batalha, traçou a estratégia perfeita.

Rápida.

Clara.

Letal.

Ao final, mesmo o severo Capitão Komamura acenou com respeito.

Ukitake sorriu abertamente.

Ichigo cruzou os braços, radiante.

— Essa é a Rukia que eu conheço!

Orihime assentiu, os olhos brilhando.

Mas para Byakuya, cada vitória dela era uma lâmina cortando seu autocontrole.

Ele via os olhares de todos sobre ela.

Via como o Seireitei a reconhecia agora.

E temia que ela se afastasse ainda mais dele.

Após as Provas

O Comandante Kyoraku se levantou, erguendo a mão.

— Candidatos, parabéns. Amanhã anunciaremos oficialmente os novos tenentes após deliberação dos capitães.

O público aplaudiu.

Os candidatos se curvaram.

Mas Rukia ficou ali, parada no centro da arena, olhando ao redor — os cabelos balançando suavemente na brisa.

Seus olhos encontraram os de Byakuya, mesmo à distância.

E por um momento, o mundo inteiro desapareceu.

Era só ele.

E ela.

Byakuya Kuchiki

O evento havia terminado. A noite caía sobre o Seireitei.

Byakuya caminhava sozinho pelo jardim da 6ª Divisão, as pétalas de cerejeira caindo ao redor.

Mas sua mente estava longe.

Ele via a imagem dela — forte, imponente, admirada por todos.

E sentia o peso da perda iminente.

“Ela é livre.”

“Eu a criei para ser livre.”

Mas ainda assim…

Ele a queria ao seu lado.

Precisava dela.

Não como clã.

Não como irmã.

Mas como… algo mais.

Algo que ele não ousava nomear.

E amanhã…

Tudo seria decidido.

Rukia Kuchiki

Rukia sentou-se à janela de seu quarto.

Orihime e Ichigo haviam partido depois de um breve reencontro cheio de risadas e memórias.

Agora, sozinha, ela olhava para a lua crescente.

Seus pensamentos vagavam para Renji — para o pedido que ainda ecoava em sua mente.

Mas era outra sombra que pairava mais forte sobre seu coração.

Byakuya.

Lembrava-se de como ele a encarava.

Do peso contido nos olhos dele.

E sentia seu próprio peito apertar.

“O que estou buscando…?”

Fechou os olhos, abraçando os joelhos contra o peito.

Sabia que a escolha que faria no dia seguinte mudaria não apenas seu futuro.

Mudaria o deles dois.

Para sempre.



Notas finais
Gostaram? Espero que sim, deixem seu comentários, beijinhos!