O Orgulho Queima em Silencio

8 Capítulo 8 — A Escolha Que Quebrou Correntes



Seireitei — Grande Salão da Primeira Divisão

O sol da manhã atravessava os vitrais coloridos do grande salão.

Os capitães estavam reunidos em seus assentos oficiais, com haoris alvos ondulando ao vento sutil.

O ambiente era pesado, solene.

As decisões finais seriam tomadas.

Na entrada, os candidatos aguardavam — tensos, ansiosos, conscientes de que seus destinos seriam selados ali.

Rukia estava entre eles.

De pé, com as mãos fechadas junto ao corpo, sentia o coração disparado.

Podia sentir os olhares de todos: Kyoraku, Hitsugaya, Soi Fon, Mayuri…

E, acima de todos, Byakuya.

Impassível.

Inquebrável.

Mas seus olhos de aço repousavam sobre ela.

Ela sabia.

Algo dentro dela ardia.

E não era medo.

Era a necessidade de fazer a escolha certa — por ela mesma.

E por ele.

O Comandante Kyoraku ergueu a voz, em tom descontraído, mas solene:

— Vamos começar.

Um a um, os candidatos foram chamados.

Alguns aceitaram vagas oferecidas, outros recusaram educadamente.

As divisões iam preenchendo seus postos de tenente.

E, lentamente, a tensão aumentava.

Até que…

— Kuchiki Rukia.

O nome ecoou no salão.

Rukia respirou fundo.

Caminhou até o centro da sala, onde todos os olhos recaíam sobre ela.

Sentia-se como se caminhasse sobre gelo fino.

O Capitão Ukitake inclinou a cabeça em saudação amigável.

Renji, sentado entre os capitães recém-promovidos, sorriu largo, confiante.

O Comandante continuou:

— Três divisões manifestaram interesse formal por seus serviços: 6ª, 13ª e 9ª Divisão.

Um leve burburinho percorreu a sala.

Era raro tantos capitães se manifestarem por um único candidato.

Kyoraku continuou:

— Aceitamos suas propostas. Agora, Kuchiki Rukia, é sua vez de escolher seu destino.

Rukia Kuchiki


O coração de Rukia batia tão forte que mal podia ouvir.

A voz de Renji ecoava em sua mente, suave, cheia de promessas:

“Quero proteger você. Fique comigo.”

As palavras de Ukitake, gentis:

“Você sempre terá um lar na 13ª Divisão.”

E então..

A lembrança fria, devastadora, da voz de Byakuya, alguns dias atrás:

“Você pertence ao Clã Kuchiki.”

Mas era mais do que obrigação.

Ela sabia disso agora.

Sabia o que via nos olhos dele, por trás da máscara inquebrável.

E também sabia o que sentia no próprio peito.

Olhou para os três.

Ukitake sorria, encorajando.

Renji..

Seu olhar brilhava de esperança.

E Byakuya…

Imóvel.

Frio como gelo.

Mas seus olhos.

Seus olhos a imploravam em silêncio.

Rukia fechou os olhos por um breve instante.

E escolheu.

O Mundo Parou

Rukia ergueu a cabeça.

A voz firme, límpida:

— Aceito o convite da 6ª Divisão.

O salão ficou mudo.

O silêncio foi tão denso que parecia ter sugado o ar do ambiente.

Renji congelou.

Ukitake piscou, surpreso, antes de disfarçar com um sorriso triste.

Byakuya… não moveu um músculo.

Mas, dentro dele, algo cedeu — um nó apertado que ele nem sabia que segurava.

Rukia curvou-se formalmente.

— É uma honra servir sob a liderança do Capitão Kuchiki.

Por um segundo, tudo permaneceu imóvel.

Até que Renji se levantou abruptamente, derrubando a cadeira com um estalo seco.

— Rukia! — a voz dele cortou o silêncio. — Você… você foi pressionada!

Ele atravessou a sala em poucos passos, a expressão desesperada.

Rukia recuou instintivamente quando Renji agarrou seu braço com força.

— Isso não é justo! — ele dizia, os olhos selvagens. — Você não tem que aceitar isso só porque… só porque ele mandou!

O salão explodiu em murmúrios chocados.

Byakuya se levantou.

Pela primeira vez em anos, abandonou sua compostura. Sua reiatsu explodiu como uma onda cortante no ar.

O salão inteiro estremeceu.

Com passos frios e mortais, Byakuya aproximou-se.

Seus olhos eram pura fúria contida.

— A solte… agora.

Sua voz era tão baixa que parecia um rosnado.

Renji hesitou, a mão ainda no braço de Rukia.

Foi o suficiente.

Em um movimento fluido e ameaçador, Byakuya materializou a ponta da Senbonzakura, pressionando-a contra o peito de Renji.

O salão inteiro prendeu a respiração.

— Se tocar nela novamente sem permissão… — Byakuya murmurou, cada palavra como gelo — eu o reduzirei a pó.

Rukia olhava, atônita.

Nunca — nunca — tinha visto seu irmão tão fora de controle.

E, ao fundo, Ukitake finalmente se moveu.

Com sua graça habitual, mas firmeza inquestionável, Ukitake deslizou entre eles.

Ergueu as mãos pacificadoras.

— Capitão Kuchiki, Capitão Abarai… basta.

Seus olhos suaves, mas carregados de autoridade, encontraram os de Byakuya.

— Não vamos manchar este dia com sangue.

Byakuya hesitou.

Seus olhos cinzentos queimavam.

Mas, lentamente, ele recuou a lâmina.

Renji soltou Rukia, os ombros tensos, o rosto contorcido em raiva e humilhação.

Ukitake colocou a mão no ombro de Rukia.

— Vá descansar, Rukia — disse, em voz baixa. — Você tomou sua decisão. Ela é sua. E ninguém pode tirá-la de você.

Rukia apenas assentiu, em choque.

Renji lançou um último olhar ferido para ela antes de se afastar, atravessando o salão como uma tempestade.

Byakuya não se moveu.

Permaneceu ali, encarando Rukia.

Seus olhos diziam tudo o que ele jamais pronunciaria em voz alta.

Ela havia escolhido ficar.

Com ele.

Por ela mesma.

Byakuya Kuchiki

Mais tarde, sozinho no jardim da 6ª Divisão, Byakuya contemplava o céu.

As pétalas de cerejeira flutuavam em torno dele.

Ele fechou os olhos.

Por tantos anos, havia protegido seu orgulho acima de tudo.

Agora, entendia: O que mais queria proteger era aquele brilho nos olhos dela.

A liberdade.

A escolha.

E, silenciosamente, prometeu a si mesmo:

“Jamais deixarei que a tirem de mim.”



Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Beijinhos ** Já sabem, deixem seus comentários.