O Oculto Sobre Os Deuses: Alpha 01
2 Capítulo 1
Tayo
Um breve período de silêncio dominou a sala, nós estávamos um pouco confusos, preocupados e nervosos, nunca havíamos feito nada parecido, principalmente eu estava confuso – já que fui o primeiro – mas, ainda assim eu tinha minha história para contar.
Não sei contar exatamente de onde vim, porque simplesmente não me lembro de nada antes de eu estar em uma montanha, você deve estar se perguntando "mas que montanha?", bom, é a minha memória mais antiga, a primeira, eu não sei como, nem porquê, nem exatamente quando, mas, eu estava no chão, deitado sobre uma rocha lisa, não sabia se era um sonho ou se eu estava acordando, me sentia apenas desnorteado, e não me tinha ideia de como ou porque estava ali. Eu estava vestido com umas roupas simples e um sapato velho, sentia muito frio, eu não tinha ideia de há quanto tempo estivera ali, o chão estava gelado ainda, e úmido, aparentemente houvera acabado de chover, mas eu estava seco, e o chão embaixo de mim, molhado.
Me levantei, e me assustei com a vista que tive, estava próximo ao pico de uma montanha, poucos metros à frente de onde eu estava, uma queda livre, um abismo, eu não queria nem um pouco ir pra lá, atrás de mim, uma longa descida, mal dava pra ver o chão, seria provavelmente muito cansativo, não conseguia ver nenhum animal também, talvez fosse um caminho tranquilo, mas não sei se encontraria comida durante o caminho, e por algum motivo eu me senti apressado, bastante, como se estivesse sem tempo, então olhei para trás, um abismo se encontrava a alguns metros de distância, uma queda livre de talvez quilômetros, e eu não pensei duas vezes.
Simplesmente corri, e me joguei. Eu não entendia o porquê de ter feito isso, mas... Sentia que podia faze-lo, sabe. Quando percebi, estava caindo, caindo muito rápido, mas não entrei em pânico, e minhas mãos começaram a pegar fogo, mas não as sentia ardendo, sentia apenas a pressão do vento nelas, e vi que as chamas não se apagavam, não estranhei aquilo, na verdade até me senti confortável quando vi, era como se soubesse que estava acontecendo por minha vontade, o chão estava cada vez mais próximo, então fechei meus olhos e coloquei minhas mãos para frente, não queria morrer ali, assim que senti a velocidade estava diminuindo abri meus olhos, o fogo nas minhas mãos estava sendo direcionado para baixo, e eu conseguia controlar a intensidade e a direção – eu estava tão cheio de dúvidas, e cada vez vinham mais –, mas consegui chegar vivo ao solo.
Quando me dei conta, eu estava olhando para cima há um tempo, a observar as nuvens e me perguntar o porquê de eu estar ali, e o que havia acontecido antes, mesmo sabendo que não deveria esperar respostas. Me lavei em um riacho que corria ali perto, mas não lavei minhas roupas, elas estavam limpas e secas, não tinha porque molhá-las, mas aproveitei que podia criar fogo, peguei uns peixes que passavam por ali no momento, assei-os e comi alguns, outros eu guardei em uma espécie de saco de papel que estava em um de meus bolsos assim que me vesti novamente.
Comecei a andar sem rumo, em direção ao horizonte, não sabia onde iria chegar, nem quando, mas não queria ficar ali parado. Após vagar por algum tempo, seguindo por uma estrada de terra, entrei em uma floresta de árvores finas e longas, eu andei por um certo tempo dentro dela, mas não sentia que estava saindo do lugar, como se estivesse andando parado, a paisagem não mudava, percebi que uma névoa havia surgido e estava ficando cada vez mais densa, enquanto isso eu ficava um pouco tonto com o tempo, mas segui em frente, olhando baixo, apenas observando meus pés e o chão se movendo, continuei assim por algum tempo, até que já não via mais o chão, somente os meus pés se movendo, levantei a cabeça e olhei para frente, também não enxergava nada além de um cinza denso, havia se tornado muito difícil para respirar, o ar estava muito pesado, então comecei a sentir algo leve, mas diferente envolvendo meus pés, era algo negro, denso e profundo aparentemente cobrindo totalmente o solo ao meu redor, então ouvi passos, rapidamente se tornando mais altos, mas eu não sabia de onde vinham, o som vinha de todos os lados ao mesmo tempo, até que subitamente parou e ouvi o barulho de algo sendo perfurado e de ossos quebrando subitamente, então a névoa rapidamente se dissipou.
Eu estava congelado de medo, não sabia o que tinha acontecido, não sentia nada, nem o vento, apenas vi a névoa se dissipando rapidamente, eu imaginava se tinha morrido, vi que minhas mãos e meus braços estavam ensanguentados, "esse é o meu sangue?" perguntei-me, mas olhei para meu corpo, e vi minhas roupas ainda limpas, além de não haver nenhum sinal de ferimento, então me virei rapidamente e vi quatro corpos empalados por lanças negras que saíam de sombras no chão, essas sombras que estavam saindo da névoa negra aos meus pés, estava indiferente quanto aos homens mortos, eram provavelmente traficante de escravos, não tinham o que roubar de mim mesmo, mas eu tinha o que tirar deles, então pilhei os corpos, peguei algum dinheiro que eles carregavam, uma faca, um relógio – sou péssimo em "medir" o tempo então foi de grande utilidade —, e uma mochila que um deles -carregava, ela estava intacta e continha algumas roupas novas, um pouco de comida, alguns celulares roubados e uma braçadeira estranha.
Após trocar minhas roupas, eu segui em frente e encontrei um cruzamento, onde o caminho de terra acabava e se iniciavam duas estradas de paralelepípedo, uma que seguia à minha esquerda e outra que seguia em frente, infelizmente não havia placas por ali, e mesmo se houvesse, eu não teria a mínima ideia de onde estava, ou mesmo para onde eu deveria seguir, e não poderia escolher um caminho que desse em lugar nenhum, eu só me cansaria em vão. Era mais ou menos meio-dia, o sol estava no centro do céu, eu não poderia ficar ali por muito tempo, tinha que andar logo, só restavam mais 6 horas de luz, ou talvez menos, era provavelmente outono, todas as plantas estavam em uma cor mais amareladas, a paisagem que eu tinha beirava um tom pastel, eu poderia ficar ali simplesmente observando e admirando até o chegar do pôr-do-sol, que deveria ser lindo, mas por algum motivo eu sabia que tinha que me mover, eu tinha que chegar em algum lugar, eu só me sentiria seguro quando tivesse um lugar para dormir.
Decidi seguir pela estrada em direção à minha esquerda e percebi que estava seguindo em direção ao oeste conforme o tempo passava, já que o sol cada vez que eu olhava, se tornava mais próximo ao horizonte à minha frente.
Continuei andando por muito tempo, já eram umas sete horas, a lua, as estrelas e o profundo azul dominavam o céu noturno, mas ainda não havia chegado a lugar nenhum, e já estava exausto, minhas pernas doíam um pouco e eu estava com muita fome, já tinha feito algumas paradas, para comer um pouco da comida que estava na mochila, não tinha muita comida dentro dela, naquele momento só havia um pacote de bolachas pela metade, e um pacote de biscoitos quase vazio, eu peguei o pacote de biscoitos, e comi os três que estavam lá dentro; aquilo não me sustentaria por muito mais tempo.
Já não haviam muitas esperanças enquanto subia um pequeno morro, mesmo ainda estando na metade do caminho até finalmente chegar à descida, eu precisava que tivesse uma cidade ali, eu não tive uma refeição descente até aquele momento, apenas algumas poucas coisas, não morreria de fome, mas não sabia se teria energia o suficiente para seguir em frente por mais tempo.
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