O Ninho

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Primeiro capitulo. Apresentação da história do pequeno mundo que foi preciso criar para desenvolver o enredo e os personagens. AVISO: Esse é o único capitulo que vai abordar Estupro, mas não se preocupe a classificação da história é +13, logo nada que seja tão espantoso será escrito. Boa leitura :)

Em uma terra distante e abençoada pelos deuses uma pequena aldeia foi erguida. A abundância do solo, os belos campos verdes, além do clima agradavelmente fresco apenas fortaleceram ainda mais a decisão de construir as moradias naquela região. Um local próspero e entregue pelo próprio Tupã, grande criador dos céus, da terra e dos mares.

Todavia, essa terra de mil maravilhas, não demorou muito para mostrar aos seus novos habitantes o motivo de não haver mais ninguém pelas redondezas.

Quando se completou um mês que o primeiro humano pisou seus pés ali, durante a noite, uma grande criatura emergiu dos altos céus e destruiu o vilarejo. Os habitantes locais tentaram impedi-lo, mas as lanças de madeira pareciam não surtir efeito no terrível monstro. No final todo o trabalho de um mês fora destruído em uma única noite.

Aquelas pessoas que haviam fugido das guerras do outro lado do continente, encontraram algo pior naquelas bandas. No entanto estavam dispostos a lutarem. Um grande muro feito de estacas de madeira foi erguido, armas, com um melhor acabamento, criadas. As pessoas se preparavam para uma guerra, esperaram uma batalha todos os dias, mas nada aconteceu.

Somente quando o primeiro ataque completou um mês foi que algo aconteceu. Novamente, durante a noite, um grande rugido pôde ser escutado vindo dos altos céus. Era a criatura novamente, mas dessa vez não estava sozinha, trazia consigo outros monstros, diversificando as espécies. O ataque foi brutal. O número de mortos foi grande para o lado humano. Algumas criaturas acabaram sendo mortas, mas fora um número insignificante.

Após o ataque as feras voltaram para seu lar, localizado no alto de uma montanha, uma grande cratera. Os corajosos que haviam se arriscado para chegar perto o bastante sabiam que ali havia ruínas de algo que já fora grandioso no passado. A profundidade era impressionante, do topo não se podia ver o chão, era como se os prédios fossem sustentados pelo nevoeiro que ali havia. O local foi chamado de “Ninho”.

As pessoas gostavam daquela terra, tinham paz na maior parte do tempo, mas aquele último dia do mês era o equivalente a um mês inteiro de guerras e conflitos com outros seres humanos. O pensamento de desistir e partir em busca de novas possibilidades havia se tornado coletivo. Embora alguns insistiam em permanecer ali.

O líder da aldeia estava no grupo dos que queriam ficar e foi em uma reunião com todos do vilarejo que foi decidido o que seria feito com relação às feras. Uma última chance, caso não funcionasse os vivos enterrariam seus mortos ali e partiriam imediatamente. Reunião feita na manhã do penúltimo dia do mês e finalizada com a seguinte frase, dita pelo líder:

— Nós chegamos nessas terras sem sequer avisar. Usamos de seus recursos. Usamos seu solo. É normal que os deuses peçam algo em troca...

Assim que mais um mês se passou e dessa vez não houvera ataque, todos do vilarejo se alegraram, exceto pelos pais da criança usada como sacrifício. A ideia de uma vida entregue pelo bem da maioria foi aceita pela maioria e como não estavam dispostos a saírem daquelas terras, todo o povo passou a conviver com isso.

Toda noite, um dia antes de se completar o mês, uma pessoa desaparecia da aldeia e nunca mais retornava. Os habitantes nada comentavam, os familiares lamentavam suas angustias dentro de suas casas, mas na realidade todos estavam contentes pelo livramento de um ataque contra a aldeia.

Os anos foram se passando, a aldeia se expandido, e os sacrifícios continuaram. A geração fora renovada, mas os antigos sabiam da necessidade de se manter as tradições. Para os mais novos, que duvidavam da presença dos Devoradores de Homens, os rugidos vindos da montanha fazia com que esses passassem a temer o que havia no Ninho. Aqueles que já haviam presenciado o terror dos ataques não desejavam que tais eventos voltassem a acontecer.

Porém a verdadeira história ainda estava para acontecer. Em uma pequena maloca feita com folhas de buriti, onde uma menina de doze anos se encontra confinada há três meses. Costume do povo para as meninas que se tornavam mulheres. Uma grande festa estava sendo feita para comemorar esse fato, a alegria era de todos.

A menina tinha uma doença rara na pele que fazia com que o tom de pele e a cor dos olhos da mesma fossem mais claros que de seus pais, além de sofrer grande irritação quando ficava exposta por muito tempo no sol. Tinha cabelos loiros, o que era anormal em meio ao seu povo que era repleto de morenos. Sofrera muito por causa disso, mas aquele era seu dia e nada a impediria de comemorar o fim do confinamento.

O grande rito de comemoração da passagem da fase de criança para adulta aconteceu durante a noite, para melhor comodidade da jovem. Todos a cortejaram e a encheram de mimos, seus pais nunca pareceram tão felizes para ela. Por outro lado uma família de vizinhos parecia inconsolável, choraram durante toda a festividade. Em sua cabeça a festa era o ápice de sua vida, o momento mais glorioso.

— Hoje é um dia muito especial para você, minha cara, espero que esteja aproveitando, afinal, isso só acontece uma vez na vida – o velho ancião, que estava no comando desde os primórdios, estava com um singelo sorriso no rosto.

— Sim, estou aproveitando ele muito bem, Ancião. Muito obrigada.

— Já está um pouco tarde. Vi que seus pais já foram dormir de tão cansados, pelo jeito perderão a última parte da comemoração.

A garota olhou confusa para o Ancião, não lembrava que havia uma outra parte além da festa, seus pais sequer haviam avisado algo para ela. Inocentemente ela pergunta o que seria essa última etapa.

— Bem, seria algo que somente a família e o Ancião podem participar. Mas como os seus pais já se retiraram, creio que seja impossível.

— Ah não tem problema. Eu posso contar para eles! Meu pai sempre disse que eu tenho uma ótima memória e um poder descritivo excelente.

— Você tem certeza?

A menina sem pestanejar assentiu com sua cabeça. O Ancião sentiu-se obrigado a ceder à vontade dela, de realizar a última etapa do ritual. O velho homem apontou para sua cabana e chamou a menina para lá, assim que ela passou, a porta foi fechada. O que aconteceu ali dentro não fora nada agradável e sequer digno de ser descrito, embora nenhum ato tenha sido consumado, pela bondade dos bons deuses.

A garota resistiu com todas as forças que alguém poderia ter, teria sido em vão, se um amigo seu não tivesse batido na porta procurando pelo Ancião. O velho teve que parar qualquer tentativa para atender o rapaz, dando espaço para que a garota, aos prantos, passasse correndo pela porta e voltasse para sua cabana. Seu amigo não entendera nada.

Em estado de choque por ter conseguido escapar de algo terrível, a menina tentou dormir. Nunca tivera tanta dificuldade em pegar no sono como naquela noite. As risadas das pessoas das festas, juntamente com a imagem do Ancião, vinham em sua cabeça lhe roubando todo o sono.

Quando finalmente conseguiu dormir, teve péssimos sonhos. Sonhou com gritos de seus pais, com pessoas a machucando e a apertando com força, até que finalmente abriu os olhos e percebeu que não estava sonhando, estava vivendo aquilo. Algumas pessoas da aldeia, encapuzadas, estavam a levando em direção ao Ninho. O ancião guiava a pequena multidão, iluminando o caminho com uma tocha. A mãe e o pai gritavam dizendo que não deveria ser ela, que tudo era um engano.

A garota tentou resistir, mas era fraca demais e logo suas forças se esgotaram. Em certo momento apenas desistira de tentar escapar, se perguntando o que aconteceria consigo. A chegada até o topo do Ninho fora rápida, seu corpo era leve, as pessoas que a carregara não tiveram problemas. Ela foi colocada de pé, com os pés amordaçados, em frente ao precipício.

Embora estivessem no alto, a brisa era leve. Um arco de pedra, simbolizando a entrada, estava bem a frente, a garota se encontrava no meio deste. Acima era possível ler ‘Oeste’, indicando que poderia haver outras passagens. Seus ‘sequestradores’ a seguravam e o Ancião, um pouco mais atrás, começou a falar em voz alta:

— Oh, Devorador de Homens! Nós, seus humildes servos viemos agradecer pelas terras que nos permitis-te que habitássemos. Como oferta pela boa safra e colheita desse mês, viemos lhe oferecer essa jovem alma como sacrifício!

O silencio seria absoluto se não fosse pelo choro da garota. De repente um vento forte emerge do grande precipício e um bater de asas pode ser ouvido. Uma criatura com cabeça e asas de águia aparece. Seus olhos possuem a cor esverdeada e se dirigem diretamente à garota. Todos os presentes ficaram quietos. A lua se esconde por trás das nuvens, somente o verde dos olhos do monstro pode ser visto. O Ancião resmunga que aquilo não deveria acontecer.

A criatura, mirando a menina, imediatamente pousa na beira do penhasco e se prepara para abocanhá-la. Mas de repende um rugido mais alto é ouvido, pela escuridão da noite, uma silhueta, de outro monstro voador se aproximando, foi vista. A colisão das duas feras fora violenta, uma competição para ver quem ficaria com o sacrifício.

A segunda fera tinha o dobro do tamanho da primeira e aparentava uma força física maior também, a remota escuridão impedia distinguir com clareza os detalhes da segunda. Mas o som da luta é claro, a intenção de ambas é matar se for preciso. Enquanto lutam o brilho dos olhos vermelhos de ambas é nítido. O peso das feras faz com que o chão sob os pés dos humanos presentes começasse a ceder. Percebendo isso os encapuzados começaram a fugir, seguidos pelo ancião.

Não houve tempo para fugas, o chão subitamente cedeu e a garota se viu indo para o fundo da cratera. As duas criaturas caem juntas, se atracando uma na outra. Quando a primeira, rapidamente, desfere um ataque veloz e direto na direção da garota, a engolindo por inteiro, sem dar tempo da mesma sequer reagir ou pensar.

Notas finais
Parabéns você chegou até o final. Espero que tenha gosta e qualquer comentário é bem vindo. Sobre os próximos capítulos: Se você está lendo isso no mês que foi postado (Dezembro/2016) acho legal avisar que a continuação pode demorar. Acabei de voltar a escrever fics e pretendo finalizar uma que deixem em aberto. Até a próxima.