O Mundo Secreto de Bonnie
21 Todos nós
Notas iniciais
Aplausos ecoaram pelo pequeno pub quando Angelina soltou o microfone ela sorriu para a plateia algumas pessoas até haviam se levantado das mesas e se aproximaram do palco. Angelina irradiava felicidade, eram raras as situações em que a garota ficava nesse estado de êxtase. Bem ao centro de seu campo de visão ela avistou uma cabeleira loira se movimentando, era Nathaniel, então ele tinha vindo realmente, ela mal podia esperar por essa noite.
—A próxima música vai ser Factory Girl, ela já tocou algumas vezes aqui na rádio de Blois, talvez vocês a conheçam. – Angelina disse aproximando a boca do microfone – Se souberem cantem com a gente. A música tinha participado da vida de Angelina desde sempre, sua mãe era atriz e as vezes cantava em musicais, cantar a fazia lembrar dela, de seus longos cabelos negros e de sua magreza estrema, Collette havia deixado Angelina no colégio interno para poder viajar pelo mundo com seu novo namorado ela sempre mandava postais dos lugares por onde passava, Angelina amava sua mãe incondicionalmente mas queria mais do que tudo que ela fosse mais presente, quando ela fez quinze anos, Collete estava em Vegas com o antigo namorado e antes disso na sua formatura da oitava serie, estava em alguma ilhazinha paradisíaca na Oceania. É claro que naquele ano Angelina havia recebido pelos correios dois anéis de rubi, presentes de sua mãe para seu aniversário de dezessete mas isso não era o suficiente. No intervalo das musicas Angelinacorreu ao encontro de Nathaniel e pulou em seus braços.
—Ah quanto tempo eu não te ouvia cantar, você foi perfeita – disse ele, agarrando a garota para um abraço apertado, ela parecia uma garotinha quando estava ao seu lado, talvez um garotinha não usasse shorts mínimo preto e aquela blusa soltinha e bem reveladora decorada com dólares. Ela sorriu como agradecimento, sentou na cadeira ao lado do loiro e tomou folego. Sam foi para fora do pub para telefonar para Bonnie, assim que saiu viu um conversível preto acabando de estacionar bem em frente do estabelecimento, ele mordeu o lábio levemente, era o carro de Toulouse, correu até perto do carro, T saiu de dentro dele e assim que viu Sam deu um sorriso sem graça. –Oi...- ele disse suspirando.
—O que você tá fazendo aqui? – o garoto respondeu.
—Eu achei que Angelina estivesse aqui, por isso vim. –Toulouse estava acostumado com o jeito ríspido de Sam por isso não se importou. – Eu preciso falar com ela.
Samuel tirou um cigarro de bolso e acendeu.
—Bem, veja o que vai fazer, ela está com o Nathaniel e é melhor vocês dois não arrumarem confusão. – deu uma tragada — Ainda mais no nosso local de trabalho.
—Eu disse que só queria falar com ela, só isso. Sam olhou desconfiado e assentiu com a cabeça, Toulouse andou até a entrada o pub e começou a procurar por Angelina, avistou-a sentada no colo de Nathaniel ambos estavam sentado em um tipo de poltrona e...se beijavam. Toulouse respirou fundo, ele veio até aqui e estava preparado para aquilo! Não, não estava. Parou na frente dos dois e esperou, Angelina olhou para trás par ver o que fazia aquela sombra, quando viu Toulouse ela viu seu mundo desabar novamente.
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—Toulouse?
—Eu vim...– ele segurava as palavras para falar – ...falar com você. Nathaniel apenas observava. Ange se levantou e ficou cara a cara com ele, aquela conversa estava tão monossilábica que Angelina resolveu concordar de uma vez e ver se acabava logo com aquilo.
—Está bem – ela o seguiu até lá fora e antes de sair da vista de Nathaniel, ela acenou com a cabeça como quem diz "volto logo" ele concordou de volta acenando. Assim que saíram para o lado de fora do pub, Toulouse esperava que Sam ainda estivesse lá mas ele não estava, não havia ninguém além dos dois, o que ele achou ótimo. Angelina engoliu em seco e esperou ele começar a falar.
—Eu não aguento mais esse silêncio, não aguento mais ficar assim com você. – ele tentava se manter forte – Eu sinto falta de você, de tocar junto com você, das nossas risadas.
—Eu também sinto, mais que tudo – ela falou olhando diretamente para ele.
—Eu só queria dizer que quero que voltemos a ser..- ele não conseguia dizer sem lagrimas brotarem de seus olhos -...am-amigos. Mas de uma para a outra Toulouse explodiu, não era comum isso acontecer na realidade era raríssimo -Eu não vim aqui pedir pra voltar, mas agora te vendo bem diante de mim eu não consigo imaginar minha vida sem você – disse ele quase gritando– Você compreende?
Angelina olhava para ele assustada, os olhos azuis dela eram ressaltados pela maquiagem inteiramente preta.
—Toulouse, eu achei que você tinha entendido quando eu disse que acabou. – gritou ela de volta.
—Você não PODE! Não pode fazer isso comigo, eu te amo Angelina – ele chorava como nunca fez antes.
—Não faça tudo ficar mais difícil do que já é, para mim já chega. – a loira ia se virando mas sentiu um puxão forte que a fez desequilibrar, quando percebeu Toulouse a segurava pelos ombros e ela estava a poucos centímetros de sua boca, ele desceu a mão até sua cintura a fez se curvar para frente, Angelina não queria aquilo mas as mãos do garoto eram mais fortes ele a obrigava a abrir a boca e Ange por mais que tentou não conseguiu impedir o beijo, quando se deu conta ela já estava gritando com ele, xingando.
— Vai dizer que não sentiu nada? Que não sente nada quando eu te beijo? – falou ele, tentando a seguarar.
—Não, não sinto! Toulouse eu vou ter que falar em palavras claras? Tudo que nós vivemos foi uma mentira, eu te usei para esquecer o Nathaniel mas como você pode ver, não funcionou! Eu não me orgulho do que fiz e o que me torna diferente de uma pessoa má de verdade é que eu estou sendo sincera e tentando reparar o estrago que eu fiz com você. – ela suspirou.
—Band-aids não consertam buracos de balas, você pede desculpas só para aparecer se você ama assim, sangue frio corre.– a música que eles haviam escrito juntos, esse era um trecho dela, o que fez Angelina se sentir ainda pior. – Eu estou te implorando para voltar para mim, o que eu vou ter que fazer para você voltar. Angelina passou a mão sobre sua própria face, e respirou fundo, ele se aproximou mais dela e retirou as mãos que cobriam sua face com suas próprias, eles estavam tão próximos novamente. Nathaniel saiu de dentro do pub e viu que os dois discutiam então apressou o passo até a direção de Angelina quando chegou mais perto viu que ela chorava e rapidamente disse: — Acho que vocês terminaram não é? – Angelina se agarrou ao braço do namorado – Não é? – ele se virou para ela. Angelina concordou de cabeça abaixada.
—Não, ainda não terminamos. –Toulouse tentou puxar o braço de Angelina mas Nathaniel se pôs a frente dela
—Nós acabamos com isso, já chega – disse a loira cruzando os braços, T bufou e não mediu palavras ao dizer: — Como você pode acreditar nele? Eu não consigo entender, depois daquele tipo de traição?! Você é imprevisível Angelina.
Nathaniel congelou por um segundo e todo o seu mundo girou.
Era uma típica manhã, Nathaniel estava em sua sala preenchendo uma papelada mais especificadamente a transferência de Veruca. A garota era pior que um furacão desde que chegou na escola só trazia problemas para todos e no caso de Nathaniel isso significava tempo trabalhando com fichas e papéis, pelo que ela havia ficado sabendo Veruca tinha ganhado uma bolsa para um intercâmbio em uma escola de música em algum lugar nos Estados Unidos, de Paris para Blois e agora direto para a America e ele agradecia por aquilo, finalmente estaria livre das investidas da garota. Do outro lado da porta ela mexia em seu celular e sorria maliciosamente, como ela podia ser tão inteligente assim? Sussurrou para si mesma Eu sou Veruca e sou fabulosa e sim, ela de fato era, seus longos cabelos azul turquesa até a cintura, seios fartos e cintura extremamente fina deixariam qualquer menino caidinho por ela, todos, menos o que ela realmente queria: Nathaniel. A garota havia começado a namorar Sam pelo simples fato de, ele era gato, nada mais apenas sexo. Mas ela não iria deixar barato Nathaniel ter a chutado diversas vezes e antes de partir ela sabia o que iria fazer, noite passada Veruca se esgueirou pelos até a sala de Nathaniel lá, colocou uma câmera entre os vasos que ficavam em uma prateleira, no local mais alto dela, agora a segunda parte de sua vingança se iniciava agora, ela passou horas ensaiando um texto para o que Nathaniel falasse fosse usado precisamente contra ele.
—Nath, você está ai? – é claro que está, ela pensou, constatando o obvio.
—Pode entrar Veruca.– o garoto respondeu secamente e voltou a se sentar em sua cadeira, ela se aproximou dele e disse: –Você pode olhar nos meus olhos, por favor! – choramingou ela – Eu estou indo embora e você não demonstrada emoção nenhuma. Nathaniel virou os olhos castanhos quase dourados para ela e a encarou. – Eu estou tentando trabalhar. Veruca fez uma expressão de choro e suspirou.
—Só quero te pedir uma coisa antes de me despedir, sabe que eu vou amanha bem cedo. – ela choramingou novamente. Ele assentiu com a cabeça, mas continuou escrevendo algo nos papeis em sua mesa e ela prosseguiu: –Você pode se levantar e falar comigo direito.
—Se eu me levantar você promete que vai embora daqui e nunca mais volta? Ela concordou.
— Ótimo. – Nathaniel se levantou afrouxou a gravata e ficou parado diante dela.
Ela rapidamente se agarrou a ele e o beijou, mas não era um daqueles beijos que Veruca sempre sonhou em dar no garoto, foi um mais voraz com toda a energia que contida em seu corpo.
—Me solta! –ela gritou e continuou se esfregando nele e logo após, se forçou a jogar seu corpo para trás no intuito de repeli-lo.
—Você é louca? – disse ele olhando para os lados – O que você está fazendo? Ela sorriu e ajeitou seu cabelo.
—Até amanhã Nath. Ela piscou e saiu da sala. Nathaniel ficou paralisado enquanto a garota deixava sua sala, o que ela faria depois?
Tudo girou novamente e ele se virou encarando Angelina a garota que Veruca tinha feito ele destruir todo e qualquer laço de amor que os dois tinham, e agora, vejo só, eles estavam juntos novamente e mais uma vez tinha alguém tentando impedir isso. Toulouse. Toda a raiva que ele tinha guardada se expandiu e a válvula de escape foi um soco fortemente aeróbico em Toulouse, ele cambaleou para trás e caiu na grama. Sam e Carmen conversavam na porta do pub, a garota viu T caindo automaticamente ela puxou Sam pela gola para que ele visse o que havia acontecido, os dois correram pela grama até perto do estacionamento onde os três estavam.
—Ei, ei parem já com isso! – gritou Carmen ainda longe dele.s
Toulouse conseguiu se levantar e passou a mão sobre seu rosto onde o soco havia pegado, doía como o inferno. Angelina se virou para Nathaniel e gritou: –Por que você fez isso ? – ele não soube responder o por que foi simplesmente o seu mal interior liberado, ele sempre tinha sido tão tolerante mas o que Toulouse disse o fez explodir.
Sam resolver intervir.
—Toulouse...– disse Amy se aproximando dele – Ai meu deus, precisamos limpar isso.
—Eu estou bem – ele respondeu se sentindo um pouco desnorteado.
—Você nem devia estar aqui Engravataniel! –Sam rosnou e ficou ao lado de Toulouse.
—Por favor, vai pra dentro do pub – Angelina disse quase sussurrando pra o loiro, ele assentiu e saiu do local olhando levemente de costas para ver o que ocorria.
—Por favor gente, não podemos discutir aqui temos um show para terminar – ralhou Carmen– Que alias, nosso tempo de intervalo já acabou, logo eles estarão esperando por nós.
—Eu vou embora. –Toulouse disse, tapando seu olho com a mão e se virando.
—T você não pode dirigir assim, por favor fique, pela banda...por mim –Carmen segurou seus ombros com as mãos delicadas de pianista. Toulouse olhou para Angelina rapidamente e depois para Sam.
—Eu espero no carro. – sussurrou e saiu rapidamente do gramado.
Angelina estava calada e Castiel acendia outro cigarro. –Vamos para dentro. – disse ela. Dentro do pub, os três subiram no palco e Angelina deu palmadinha no microfone para pedir silencio, logo com o silencio conseguido ela começou a falar: – Agora uma penúltima música antes do encerramento, essa é para aqueles que se sentem um nada mas na verdade sabem que são tudo, com vocês: Miss Nothing! – e começou a pular pelo palco e dar rodopios na batida da musica. Mais uma vez os aplausos invadiram o pequeno espaço do pub e Angelina agradeceu se curvando.
—Vocês são demais! – ela riu e correu até Carmen– Será que você pode fazer o encerramento com uma musica mais calma?
—Ah, claro. –Carmen estava sorrindo e rapidamente pegou o violão para começar a cantarolar a nova musica que tinha composto alguns dias atrás. Angelina e Sam desceram no palco deixando o holofote inteiramente para Carmen, isso era uma cena de se acontecer mas nessa noite Angelina estava esgotada, quando já se passava da meia noite o pub fechou, o dono veio pessoalmente agradecer pelo show que os garotos haviam feito. –Você foram muito bem, nunca vi uma plateia tão animada, tenham certeza que convidarei vocês para cantar novamente. – O homem de aparecia juvenil mas cabelos grisalhos falou.
—Fico feliz com isso. – agradeceu Ange.
—Obrigada pela oportunidade. –Carmen disse sorrindo, Sam sorriu para ele apertou sua mão. Saíram de dentro do pub.
—T já deve estar me esperando vou indo gente- Carmen segurava seu violão recoberto pela capa e correu até o carro de Toulouse.
—Eu vou junto Carmen, me espere. – Sam olhou para Nathaniel e depois para Angelina – Aproveitem a noite. –disse ele irônico e dando um sorriso de deboche. Os dois entraram no carro de Nathaniel e logo já estavam na casa do garoto.
—Você me vai me desculpar por aquilo não é? – Nathaniel abriu a porta e rapidamente Ange se esgueirou para dentro.
—Você não devia ter feito aquilo, só vai piorar as coisas com o T... — ela se repeliu por chama-lo assim.- Toulouse.
—Me desculpe, eu não queria, eu fui inconsequente demais – Nathaniel disse se aproximando mais dela no sofá.
—Peça desculpas a ele e não a mim – ela deu um sorrisinho e balançou a cabeça– As vezes é bom ser imprudente. Ela acariciou o rosto dele.
—Eu senti falta dessa casa – suspirou Angelina – Faz tanto tempo desde a ultima vez? Sua irmã está?
—Não...ela foi dormir na casa de uma amiga, eu tive que leva-la, por isso atrasei um pouco para o show.
—Tudo aqui me faz lembrar nosso passado juntos –dizendo isso pequenas lagrimas brotaram dos olhos da loira.
—Vamos esquecer isso ok? Só por essa noite. – Nathaniel deslizou pelo sofá ficando cara a cara com Angelina, os lábios eram acariciados pela ponta da língua, Angelina o puxou para mais perto dela fazendo ficar ajoelhado no sofá as mãos do garoto apertavam o corpo da loira com força enquanto iam aprofundando os beijos sem ao menos dar espaço para o ar.
—Você tem certeza que quer fazer isso? –ele perguntou interrompendo o beijo de Angelina
—É o que eu mais quero.
As mãos macias do garoto passaram por baixo da blusa deixando Angelina arrepiada, antes que pudesse perceber ele já estava tirando a blusa dela pela cabeça e fazendo seu cabelo bagunçar um pouco. Angelina passou sua mão pela camisa dele até encontrar o primeiro botão e desabotoar um por um. Ele observava a mão da loira descendo por seu peito agora nu, Nathaniel deu outro beijo profundo, fazendo Angelina arfar baixinho, suas mãos passaram por trás das coxas dela e rapidamente o garoto a apertou contra o sofá fazendo suas com que pernas se tocassem.
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