O Mundo Secreto de Bonnie
34 Sem mais conto de fadas
Notas iniciais

"Onde estavam os heróis? Onde estavam os grandes feitos Onde estava toda aquela emoção que as histórias lhe traziam?"
Depois de deixarem o hospital, Bonnie insistiu para que Olivia ficasse em sua casa mas ela preferiu dormir no hospital e ficar ao lado do pai e de Dallas, em certo ponto Bonnie achou que era mesmo o melhor agora a se fazer. No dia seguinte enquanto Sam ainda dormia Bonnie se levantou cedo e foi para a cozinha tomar café, estava um dia lindo de verão e pela janela ela podia ver as folhas verdinhas das árvores que haviam perto de sua casa, ah como ela sentia falta daquilo, em cima da bancada da cozinha, viu um porta retrato que nunca havia notado antes era sua mãe e...alguma outra garota, alguém que lhe era familiar, Bonnie se levantou da mesa para ver a foto mais de perto, tirou-a da moldura e viu escrito atrás da própria foto.
Analice e Eu
Era uma foto de tirada de uma polaroide e estava meio gasta mas Bonnie pôde ter certeza do que havia visto. Então a ruiva correu para encontrar a mãe, foi para o escritório de Bianca.
—Fadas gostam de pamonha mãe. – Bonnie disse entrando repentinamente em um quarto, o antigo escritório de sua mãe.
—Ahm? – sussurrou Bianca sem dar muita importância para o que a filha falava. -Mãe como era quando nós morávamos no Brasil? Na Tijuca. -Bonnie perguntou a morena e se sentou em uma das mesas de sua antiga casa na Inglaterra, ainda estava como ela havia deixado...Os livros na prateleira do escritório de sua mãe, a boneca russa que ela havia ganhado de sua tia ao lado das estatuetas de um soldado e uma rainha.
—Você não deve se lembrar de nada, era muito pequena ainda...O clima era muito diferente, isso eu posso dizer. – falou Bianca passando as mãos apressadamente sobre seus próprios braços. Bonnie desceu da mesa e virou de costas para a mãe revirando os olhos rapidamente.
—Eu quero dizer...Como era quando você morava no Brasil?
Bianca olhou desconfiada para a filha e espreitou os olhos.
—Por que o interesse repentino no Brasil querida?- Bonnie não respondeu só continuou olhando fixamente para a mãe. – Bem...Eu e seu pai nos conhecemos lá.
—Eu sei disso. – resmungou a ruiva
—O que você quer saber exatamente Bonnie?! – Bianca disse já perdendo a paciência com aquelas perguntas.
—Quero saber sobre a sua amiga de Analice. Bianca se espantou com aquela pergunta e ficou alguns segundo sem dizer nada.
—O que você sabe sobre Analice? Você nunca a conheceu Bonnie.
—Eu sei mãe mas ela anda aparecendo em...sonhos que eu tenho. – respondeu ela — Eu não sabia quem era aquela garota mas achei uma foto de vocês duas aqui em casa. Ela tinha a minha idade quando se foi não é?
—Sim...Nós tínhamos dezesseis. – Bianca disse se virando para arrumar alguns livros em sua estante.
—Mas ela não morreu não é? – Bonnie disse suavemente. – A mãe se virou levemente e serrou os olhos mais uma vez olhando suavemente para Bonnie. –O que você quer Bonnie? – perguntou ela.
—Você precisa me contar o que aconteceu quando você encontrou Paralda. Bianca agora estava pasma e seus olhos castanhos se tornaram um tipo de dourado que Bonnie nunca havia visto antes. – E precisa me contar sobre Eden...– completou ela olhando fixamente para a mãe.
—Como você sabe sobre...- Bianca não pode continuar a frase.
—Eu preciso saber quem eu sou mãe! – disse a garota se aproximando mais de Bianca que ainda se mostrava pasma.
—Eu não esperava que um dia você soubesse...Mas Analice, ah, Analice...Deve ser sido tudo ideia dela. – Bianca puxou uma cadeira para se sentar. – Talvez ela tenha razão. Bonnie se sentou ao lado da mãe e esperava freneticamente que ela lhe contasse o que tanto esperava.
—Eu vou chamar seu pai. –A morena se levantou e foi rapidamente até o outro cômodo, Bonnie pode ouvir ela os passos delicados de sua mãe descendo as escadas de madeira da velha casa. Os dois voltaram e ela pode ver que seu pai apresentava a mesma feição de surpresa que sua mãe a minutos atrás.
Tudo começou em um dia caótico Bonnie, quando eu tinha apenas dezesseis, Eu e Analice éramos amigas inseparáveis, conheci ela no começo de colegial, nós...ou melhor eu gostava de coisas sobrenaturais e de ler muito, sabe aquelas revista Wicca que vende nas bancas de revista, eu adorava ler aquilo...não acreditava cem por cento mas é que a gente sempre gosta de acreditar no impossível. Eu e Analice resolvemos jogar aquele jogo dos espíritos, Ouija, nosso pior erro.
"Como é ai ?"
"B-O-N-I-T-O" "C-U-I-D-A-DO"
"Com o que?"
"F-A-D-A-S"
E foi ai que tudo mudou. Analice desapareceu como uma rajada de vento naquele dia. Eu estava desesperada e não acreditava que ela havia sido sequestrada, ela tinha desaparecido bem na frente do meu nariz, aquilo parecia irreal mas havia acontecido. Dias depois eu recebi um livro pelo correio mas eu não havia comprado nenhum livro aquele mês, era um livro sobre Fadas, Elfos...e Magia. Eu li aquele livro de cabo a rabo e percebi que só existia uma explicação plausível para o que havia acontecido com Analice, ela havia sido raptada...por fadas. Eu tinha que encontrar Analice mas os riscos eram enormes. Ah...Eu era tão inconsequente. – Bianca disse para si mesma e suspirou — Você teria que invocar um anjo para conseguir as informações certas para achar um portal para Faerie. Um dia, enquanto seus avós dormiam eu realizei o ritual no meu quarto e deu certo, foi assim que eu conheci seu pai. Bonnie olhou para Zacariel.
—Meu pai é um anjo? Mãe o que você está dizendo? – Bonnoe parecia incrédula e sentiu como se a cadeira em que se sentava fosse desabar.
—Você queria a verdade, agora lide com ela. – disse a mãe com naturalidade – Eu iria ter que te contar algum dia. Posso continuar?
"Eu tinha que estar no lugar certo na hora certa" Dá pra imaginar? Bianca olhou levemente para Zac e sorriu.
Na noite da Lua azul, eu levei minha pequena mochila azul com sanduiche de queijo e os brincos de perola da sua avó para a lagoa das fadas na floresta da tijuca e um segundo depois eu senti meu corpo flutuar e logo vi um mundo com um milhão de cores que eu nunca tinha visto antes, o cheiro de campinas de flores, grama verdejante, as árvores, o vento...Era tudo maravilhoso. E foi quando também, conheci seu pai, quando realmente o conheci pois antes ele era apenas uma voz. Eu iria achar minha amiga. Finalmente. Mas não foi bem isso que aconteceu.
—E em qual parte a Eden aparece?
Bianca olhou com repreensão pra Bonnie e ela resolveu se calar e escutar.
—Foi então que enquanto eu e seu pai procurávamos um caminho para o reino do Leste, onde Paralda era a rainha encontramos uma garota caída no chão totalmente ferida, ela parecia ter acabado de sair de uma batalha brutal. Nós obviamente paramos para ajuda-la foi então Eden se juntou a nós pois ela também procurava o elixir de Tir Nan Og. Em tão pouco tempo nós nos tornamos amigas e talvez se não fosse por ela eu não estaria viva agora, ela foi uma amiga tão boa quando Analice havia sido para mim mas nossos mundos eram tão diferentes, depois daquilo ela iria retornar para Capitalia e virar princesa e eu nem havia terminado o ensino médio. Tivemos que nos despedir depois da missão cumprida, eu sabia que nunca mais ia ve-la e aquilo me doeu tanto. Eu encontrei Analice e ela não tinha sido capturada mas sim levada para se casar com um Elfo, Asram.
—Mãe. Ok. Isso está ficando muito estranho! – replicou Bonnie.
—Quando eu descobri que Eden havia morrido na guerra, eu não queria aceitar a verdade, tudo que eu queria era poder vê-la mais uma vez.- Bianca falou suspirando lentamente. — Bonnie você tem que entender que quando eu fiquei gravida de você, tudo que eu queria era que fosse uma pessoa melhor que eu fui. Bonnie observava perplexa a mãe e tentava não deixar de olhar nos seus olhos castanhos.
—Quando eu fiquei gravida de você eu desejei que minha filha fosse tão nobre quanto Eden foi em vida, desejei que você fosse como ela. – Bianca suspirou e segurou a mão de seu marido. – Parece que atenderam meu pedido, esses sonhos que você anda tento, são memórias, memórias de alguém que você foi um dia.
—Eu sou Eden. – Bonnie disse finalmente, tentando não se emocionar – Eu sou a lenda que sobreviveu. Bianca concordou, balançando a cabeça positivamente, Bonnie a abraçou juntamente com o pai e nesse momento ela sentiu um alivio inigualável, sua necessidade de ser alguém, de pertencer a algum lugar havia se dissipado no ar.
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