O Mundo Secreto de Bonnie

35 Em que Olivia se vê dividida


Faziam alguns dias que Olivia estava na casa de Dallas, depois de muito tempo da garota insistir para que ela ficasse mesmo com a hospitalidade de sua recém descoberta, irmã, Olivia não conseguia se sentir em casa, ela havia pensado que tudo estaria consertado assim que encontrasse seu pai mas nada saiu como o planejado, Patrick estava hospitalizado e ela não pode nem lhe abraçar, seu celular cintilava a cada vez que recebia mensagens de Vincent. Ela estava sentada no sofá da sala principal da casa e não se ouvia nada além de sua respiração e de alguns toques insistentes de celular, Olivia olhou para o lado tentando encontrar alguma inspiração para que algumas notas fluíssem de seu violão mas nada minha a sua mente, ela se lembrou de Toulouse, O que ele estaria fazendo agora? Os toques insistentes de celular continuavam e Olivia resolveu finalmente checar o espelho negro, era ele, novamente, pelo santo Deus, Vincent, ela atendeu a ligação mas não disse nada, esperou para que ele falasse.

—Alô? Olivia? Você está ai...?

—Eu lhe imploro para de me ligar! É a ultima vez que pedirei educadamente –Olivia respondeu impaciente se levantando do sofá.

—Se você pelo menos me desse a chance de me explicar...

—Você já a teve e perdeu.

—Mas Liv...Você podia ao menos atender a porta. Ao ouvir isso, os ouvidos da garota se focaram no toque da campainha, não podia ser, ela se levantou rapidamente e olhou pelo olho mágico da porta, Vincent usava uma camiseta vinho e um casaco cinza por cima e segurava ,ela o viu dando toquinhos na porta de madeira e impulsivamente abriu a porta, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa ela se adiantou falando:

—Como você me encontrou?

Ele deslizou as mãos pelo cabelo castanho, que Olivia reparou, estar um pouco maior que o de costume, Vincent sempre usava o cabelo curto com um recorte milimetricamente feito á navalha. -Isso realmente importa? Ela não respondeu e continuou olhando perplexa para ele. –Eu rastreei seu computador e seu celular até aqui. Ela arregalou os olhos e não emitiu nem mesmo um som.

—Me desculpe Olivia, eu realmente precisava falar com você me escute e eu prometo ir embora depois. Ela se virou e trancou a porta, logo em seguida se sentando nos pequenos degraus da entrada da casa, ele a acompanhou.

—Fale de uma vez por todas, eu nem vou comentar o fato de você ser um maldito hacker, esquisitão! Vincent apenas olhou para o lado, tentando arrecadar a pouca coragem que ainda lhe restava.

—Eu aprendi a hackear pouco tempo antes da escola militar. – disse ele gaguejando. – Quando a internet era meu único refugio para esquecer do que eu sofria na vida real

—Esse papo de garoto sofrido que sofreu bullying já deu um basta para mim, milhares de pessoas no mundo tiveram o mesmo problema que você e nenhuma dela precisou vender sua alma para uma vadia psicopata chamada Connie! Vincent se assustou um pouco ao olhar para os olhos da garota e conseguir enxergar a própria raiva.

—Olha, quer saber, eu não vim aqui para me justificar, nem para implorar pelo seu perdão. – Vincent disse passando as mãos pelos cabelos de forma apreensiva.

—Veio por que então? – perguntou ela.

—Eu te amo Olivia. Ao ouvir aquilo, Olivia sentiu que ia vomitar, seu estomago revirou e sua visão ficou turva, várias opções e finais passaram por sua mente como em um filme, a vontade de beija-lo invadiu passageiramente sua mente mas logo foi substituída pela vontade de quebrar um vazo na cabeça do garoto, Olivia não podia negar que em alguma parte doentia de seu cérebro ela não se importava com nada que havia acontecido, nem com as mentiras, nem com o pacto dele com Connie, o corpo da garota apenas lhe ordenava para que lhe entregasse para ele ali mesmo. Olivia tentava recuperar a sanidade, ela não podia deixar que seu cérebro a controlasse assim, na maioria da vezes sua parte sóbria ganhava esses momentâneos colapsos mentais mas essa com certeza essa não era uma dessas vezes. Inconsequentemente Olivia se aproximou dele como em um flash de luz e o beijou, ela sentiu que Vincent não esperava aquilo de maneira alguma e demorou alguns instantes para se acostumar com a idéia, ela já estava usando um dos degraus de apoio para ficar mais perto do corpo do garoto, ele agarrou sua cintura e ela sentiu como se fosse desmoronar. Nada passava pela cabeça da garota nesse momento e ela desejara que aquele momento não acabasse para não ter que dar nenhuma explicação daquilo para ele e muito menos para ela própria, ela não queria que fosse um beijo de adeus.

—Não...-disse ela em um fio de voz. Vincent parou de a beijar mas continuou a segurando perto. –Isso não...não significa nada.

—Não é o que eu acho, para de mentir para si mesma Olivia, não há nenhum problema em perdoar e seguir em frente.

—Eu quero seguir em frente. – falou ela – Mas sem você.

—Me dê a chance de provar que posso ser um ser humano melhor. – respondeu ele.

—Não é para mim que você tem que provar isso. – Olivia disse tentando se afastar um pouco.

— É sim, você foi a pessoa que eu mais machuquei. Ela não disse nada, apenas tentou recuperar sua sanidade mas nada funcionava.

—Eu não vou dizer que vamos voltar a conviver como se nada tivesse acontecido mas...-Olivia mal conseguia pronunciar as palavras. –Acho que podemos ser am...am...

—Amigos? – completou ele. –Você é tão melhor que eu. Ela apenas olhava para ele tentando controlar sua respiração. -Eu vou entregar minhas conversas com a Connie sobre o pai dela para alguns repórteres.

—Não. – repreendeu Olivia. – Se você fizer isso ela pode fazer algo ainda pior com você.

—Eu realmente não me importo mais. – Vincent sorriu para ela.

—Não, Vincent, prove que você mudou esquecendo essa história e seguindo sua vida sem ela. Os olhos de Olivia brilharam por um segundo, ela queria o beijar tão desesperamente que já não importava a resposta que ele daria.

—Ela merece isso Liv. –Vincent disse. – Você não entende, nada nunca dá errado para ela.

—Você é quem não entende. – Olivia respondeu — Eu não quero te ver machucado, não sabemos do que ela ou a família são capazes. Vincent parou por um instante e olhou para o lado. -Mais uma vez você está certa. Havia sido difícil para ele, mais do que Olivia imaginava, cortar a corda vermelha invisível que o ligava a Connie e aquilo, por si só, já era um grande progresso por mais sutil que fosse, Liv podia sentir uma certa leveza estando ao lado de Vincent, a pressão que ela sentia antes e constante vontade de não deixar transparecer suas falhas não estava mais ali e ao invés disso, ela conseguia o enxergar cristalino.

—Como está seu pai? – perguntou ele repentinamente.

—Não está bem, ele está na UTI e não disse uma palavra desde que cheguei, nem sei se ele me reconheceu. Os cabelos azul cobalto de Olivia, crepitavam como um mar de fogo enquanto ela falava sobre o pai.

—Oh não, eu sinto muito. – disse Vincent. – Eu esperava que você me dissesse algo diferente.

—Eu gostaria...- respondeu a garota. –As vezes as coisas não saem do jeito que esperamos, eu já deveria estar acostumada. Já começara a anoitecer e a temperatura a cair, Olivia notou o céu se transformar de um amarelo-alaranjado para azul-cizentado e finalmente azul escuro.

—Então seria melhor eu ir embora? – perguntou Vincent olhando para o céu com esperança que ela o implorasse para ficar.

—Eu não posso lhe convidar para entrar pois a casa não é minha, na verdade, ainda me sinto uma completa estranha aqui.

—Não tem problema, minhas malas já estão no hotel, um dos poucos que eu encontrei no centro desta cidade. – Vincent riu calmante e se virou para ela, olhando em seus olhos novamente, ele se forçou a fazer isso pois ainda não conseguia por completo. Olivia se levantou dos degraus e mesmo estando na varanda e Vincent na pequena pavimentação que havia para chegar até a casa, ela ainda era mais baixa que ele.

—Você não vai desaparecer, não é? – perguntou o garoto. Olivia olhou para o chão e depois para ele decidida.

—Não é como se minha vida girasse me torno de fugir de você. Aquela frase acertara Vincent como uma granada e ele deu um passo para trás, Olivia se retraiu um pouco, ela não queria ter dito aquilo, ela se sentia completamente dividida novamente, a maior parte de seus músculos queria abraça-lo mas dessa vez ela se manteve firme no chão, Vincent por sua vez não se manteve parado ele se aproximou uma ultima vez para se despedir dela.

—Nós podemos nos encontrar amanhã, quem sabe...-ele disse pro fim.

—Vincent, por favor, eu ainda não estou pronta. –Olivia disse em um fio de voz. Vincent segurou as mãos da garota com força e falou: -Demore o tempo que achar necessário. Depois de olhar uma ultima vez dentro dos olhos da garota ele se virou e entrou na picape que havia deixado estacionada em frente da casa, Olivia o viu desaparecer na curva da rua, repentinamente o celular da garota começou a tocar, ela olhou para a tela e o nome de Toulouse cintilava.

—Alô. – disse Olivia levando o celular ao ouvido.

—Olivia? Que bom que você atendeu. – a voz de T. estava suave ao telefone. –Preciso de sua ajuda.

—Oh, claro, para que você precisa de mim ? – perguntou ela.

—Acho que acabei de compor uma musica mas tem um acorde que não está exatamente da maneira que eu gostaria, seu ouvido pra isso é ótimo então eu pensei que você poderia interceptá-lo rapidamente.

—Claro. – sorriu ela pelo outro lado da linha.

—Perfeito, vou colocar no viva voz, um minuto. Olivia aguardou alguns instantes e logo ela já ouvia a batida do violão de Toulouse e mesmo com a ligação fraca e pode logo entender do que a música se tratava, ela sobre ela, novamente, Angelina, Olivia parou de prestar atenção no que Toulouse a pedira e o interrompeu.

—T, você não acha que escrever sobre ela só piorara sua situação? Ela pode sentir que Toulouse havia parado e tocar e olhava perplexo para o celular.

—Eu não consigo, só essa semana já devo ter finalizado pelo menos umas sete musicas e todo com o mesmo maldito tema. Olivia suspirou do outro lado da linha.

—Eu não queria te incomodar com isso novamente Liv mas eu mão sei mais o que fazer.

—Se eu estivesse ai nós poderíamos sair para um café mas como não estou não há muita coisa que podemos fazer. – falou ela. Olivia percebeu que ele Toulouse havia se calado do outro lado da linha, ela podia estar paranóica mas jurava que o ouvira suspirar prestes a chorar. – Toulouse...?

—Estou aqui – respondeu ele. – Eu não sei, Liv, não aguento mais ficar nesta cidade.

—Você deveria ter ido passar as férias com seus pais, nada seria melhor que isso. – Olivia disse trancando a porta e voltando a se sentar no sofá.

—Eles vivem em Nantes, não há nada que eu queira menos do que ir para um local costeiro onde todos parecem felizes. Ela deu uma risadinha sutil.

—Você tem razão. Toulose parou um segundo, uma idéia começara a formular em sua cabeça, sua parte racional o implorava para que não fizesse isso mas já era tarde.

—Eu vou te encontrar. – ele disse imediatamente.

—O que? Por que? – Olivia falou em um tom agudo.

—Nada melhor do que refrescar a cabeça em uma cidadezinha onde coincidentemente meus melhores amigos estão. – Toulouse respondeu rapidamente -O que você acha?

—Eu não sei...-a garota falou, passando as mãos suavemente pelo cabelo. -Na verdade, não haveria problema nenhum.

—Vai ser provavelmente a coisa mais impulsiva que eu faço a anos. Toulouse, em seu interior sabia que ele só estava fazendo isso para tentar se apegar mais a Olivia e esquecer de vez Angelina e infelizmente ele também sabia que aquilo era uma tentativa falha de tentar ter de volta algo que ele jamais teria, T se sentiu horrível por cogitar fazer isso mas era seu coração quebrado versus o de Olivia e como todo bom escorpiano ele escolheu o dele.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.