O Mundo Secreto de Bonnie
30 Não, ela não pode fazer melhor do que isso
Notas iniciais
Connie sempre foi a preferida de sua família, a filha perfeita. O plano que havia dado certo, ela sempre teve tudo que queria desde um pônei aos sapatos mais caros da coleção de verão do Valentino deste ano, seu pai era empresário e sua mãe primeira bailarina do Ballet de Paris, seu pai, apesar de gerenciar uma empresa que tratava de tecnologia era o homem mais conservador que ela conhecia, ele queria uma educação de primeira para sua filhinha preferida por isso a mandou para o interior da França mesmo com a manha e os choros de recusa da garota, esse foi o único pedido não atendido na vida de Connie, ela nunca havia recebido um não. Sua escola atual era uma das mais bem vistas do país, então em vez de ficar com suas amigas populares e fashionistas da cidade grande ela teve que se mudar, mudar de vida na verdade e vir morar na pequena, mas mágica, cidade de Blois. No começo Connie odiou a ideia, fez de tudo para voltar para capital e até inventou um intercambio para a America, mas de nenhum jeito seus pais a permitiram retornar para sua vida antiga, depois de alguns anos em Blois a loira começou a se acostumar com o tipo de vida que as pessoas levavam lá, sabe o que dizem...Cidade pequena, grandes problemas e agora ela estava metida em um problema maior, ele era dona do destino de Olivia.
—Ei! – Connie ouviu um grito vindo do fim do corredor. – Connie! – A garota se virou para ver quem a chamava e nada contende viu que eram Bonnie e argh...Olivia, ela revirou os olhos e parou onde estava com os braços cruzados para esperar as garotas, do outro lado do corredor ela ouviu mais alguém chamando seu nome mas essa voz ela conhecia. Era Vincent.
—Connie! – gritou ele.
— O que aconteceu? Por acaso é a reunião do clube dos perdedores? – falou Connie, revirando os olhos e chegando suas cutículas perfeitamente feitas. Estavam os quatro reunidos no meio do corredor principal da escola.
— Você não vai dizer nada para a diretora sobre a Olivia.
—Você vai fazer o que? –Olivia perguntou ignorando Vincent e se voltando para Connie. – Por que? Já não basta tudo o que você fez para mim? Não é o bastante?! Eu só quero terminar o ensino médio em paz, achar meu pai e tentar voltar a ser feliz.
—Ah...tadinha. Se perdeu do papai foi?
—Eu acho que você não iria gostar que o seu pai fosse se envolvesse em um escândalo, não é? – Vincent disse rispidamente – Um cargo daqueles...Não deve ser fácil ter chegando ao topo.
—Do que você está falan...- Connie perguntou mas logo sendo interrompida pelos seus próprios pensamentos. – Não! Você não faria isso!
—Você acha que eu sou muito estúpido, não é? Mas não é só você que tem cartas na manga. –ele deu uma risada sarcástica e depois olhou firmemente para ela com os olhos travessos – Já até imagino as manchetes "Filha de grande empresário revela as fraudes do pai por mensagem" "os perigos da tecnologia contra a tecnologia." Connie olhou pra ele com ódio e cruzou os braço, Bonnie apenas observava a cena, ela estava na verdade muito confusa com tudo aquilo.
—Você é tão! Argh...- ela se virou para Olivia apontando o dedo para ela, seu esmalte rosa reluzia na luz fazendo suas unhas parecerem maiores e ameaçadoras. – Não pense que ele é o mocinho querida, o Vincent é mais sujo do que você pensa e não ache que ele se arrependeu das coisas que fez comigo. – então ela se virou novamente para o garoto. – Eu sei que amanhã mesmo, você vai estar de joelhos pedindo por mais.
—Você é tão vadi...- sem conseguindo terminar a frase Vincent segurou o braço da loira e a puxando para si.
—Não é como se você nunca tivesse feitos coisas piores comigo.- lançou um olhar para Olivia. -Na cama. Olivia olhou para Vincent com os olhos cheios de lágrimas. – Quer dizer que você e ela...? Vincent balançou a cabeça de forma negativa e soltou o braço de Connie que chegou a cambalear por causa do salto alto que usava.
—Não ache que isso acabou aqui. – dizendo isso Connie saiu, ainda assim, desfilando pelo longo corredor. Foi assim que o silêncio que perpetuou. Olivia. Bonnie. Vincet.
—Liv por favor, você precisa me escutar! – ele disse ignorando o fato de Bonnie estar lá e se aproximando mais da garota.
—Não! Tire as mão de mim, eu não quero mais te ver, nunca mais. Assim Olivia deu as costas se correu até o final do corredor já chorando desesperadamente. Vincent olhou para Bonnie, aqueles olhos castanhos, como os de um gatinho perdido.
—Não existe perdão para o que você fez.- ela disse secamente.
—Você não acha que existe nada que eu possa fazer?
—Eu não tenho certeza se quero te ajudar. – Bonnie respondeu
—Você realmente acha que eu continuo mentindo? Você acha que eu fiz o que fiz com a Connie por que tive escolha? – o garoto falou bufando.
—Nós sempre temos escolha. – Bonnie disse cruzando os braços e olhando diretamente para ele. –Só...fique longe ela, vai ser melhor assim.
Olivia sabia que era proibido alunos nos corredores depois do encerramento das atividades mas ela não estava se importando com as regras da escola naquele exato momento, andando apressadamente pelo corredor vazio, desceu a escadaria estreita que levava ao porão, lá era mais uma vez um lugar seguro para ela. Sentando-se no sofá surrado mas aparentemente aconchegante, ela limpou rapidamente as lagrimas e pegou o violão de Toulouse, agora com a permissão dele o que a fez ficar mais tranquila.
— You just another in a long line of men she screwed. Oh yeah, she did, yeah she did what she wanna to do, like all the boys before another dream come true. – cantou ela baixinho, acabando de perceber que ela estava compondo uma musica nova, coisa que não fazia faz muito tempo. –I know a little too much but I never tell. – se levantou, para pegar um papel e caneta para anotar aquela letra nova — You can do better than that, Better than that. – arranhou mais algumas notas no violão. O sentimento de tristeza havia parcialmente desaparecido, agora só restava raiva e dessa vez não era dela.
—Well I guess is just what humans do... – dessa vez passando os dedos com força nas cordas delicadas do violão negro. – I'm not passing judment on her sexual life, I'm passing judgement on the way she always stuck her knife. Olivia respirou fundo, não reparando que Toulouse a observava da escada, quando viu o garoto a encarando, Olivia o olhou surpresa –A quanto tempo você está ai? – perguntou ela sorrindo. – Você por acaso fica me seguindo?
—Que ousadia dizer isso senhorita. –Toulouse disse revirando os olhose terminando de descer as escadas para se juntar a garota. – Eu só queria ficar sozinho um pouco, aqui no porão.
—Desculpe...- Olivia respondeu dando um sorrisinho.
—A proposito, bela melodia – ele falou – Mas parece que você está chateada com algo, na verdade sempre que eu te vejo você está triste.
—Você também não é a pessoa mais feliz que eu conheço. – disse ela desviando o olhar, e focando em alguns papeis em cima da bancada de vidro que havia no centro do cômodo.
"Rosas são vermelhas, violetas são azuis.
Eu amo o Toulouse por que ele é triste"
Estava escrito com uma letra delicada, que ela reconheceu ser de Carmen. Ok, quem sabe ele não tivesse mais problemas que ela e ela só não conhecesse todos eles...?
—Quer dividir comigo? – perguntou o garoto, interrompendo Liv de seus pensamentos.
—O que?
Ele deu um sorrisinho: – Não é obvio? Sua tristeza...
— Acho que seria demais para você...- ela disse – E além disso, está ótimo assim para mim, você achando que eu sou uma boa pessoa.
—Eu nunca lhe disse que achava você boa.
—Então me acha ruim? – perguntou a garota se encolhendo no sofá.
—Eu acho que você é humana, só isso. Ela sorriu encarando os olhos verdes do garoto e depois voltando a encarar o chão, Olivia nunca conseguia olhar muito tempo os olhos penetrantes dele, a não ser quando se beijavam...mas a maioria das vezes ela estava de olhos fechados, o que havia sido uma vez, ela balançou a cabeça para se desviar desse pensamento.
—Eu escrevi uma música nova, quer ouvir? Ela fez que sim levemente com a cabeça. Para dar a introdução na música, Toulouse deu batidinhas no corpo do violão e depois começou a cantar: –Don't fuck with my love that heart is so cold, all over my arm. I don't wanna know that, babe. Ela a acompanhou: –She can do better than that. – juntando seu refrão com o dele, os dois estavam sofrendo do mesmo mal agora.
—Você não é o culpado, você só ficou preso em um jogo. –Olivia disse interrompendo as batidas persistentes do violão do garoto.
—Será que não está na hora de parar de fazer a coisa certa? Olivia não pôde discordar, não como ele olhando assim para ela,Toulouse já estava tão perto, o garoto deslizou a mão na face de Olivia delicadamente, ele sempre fazia isso antes de tentar beija-la era como pedir permissão, ele empurrou rapidamente para se deitar no sofá e Liv apenas seguiu seus empurrõezinhos conduzindo-a para um beijo profundo. Ela se soltou dele pra olhar agora firmemente para o que estava fazendo. –Promete que não vai fugir hoje.
—Eu não vou a lugar nenhum. – ela disse voltando a beija-lo.
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No Final de Semana
"Está tudo certo então?" Susana digitou rapidamente no teclado de seu celular.
"Sim, combinado quando ela entrar eu toco Parabéns pra vc e depois faço um pocket com algumas musicas."
"ótimo, te vejo lá."
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Bonnie discava o número de Avalon no celular rapidamente e torcia para que ninguém entrasse no quarto. –Alô? Jude, que bom que você atendeu. – disse a ruiva aliviada – a Avalon está? Será que ela poderia me atender hoje?
—Sim, ela está, só um segundo. – disse o garoto do outro lado da linha, Bonnie pensou ouvir ele chamando o nome da garota.
—Bom dia Bonnie.
—Bom dia.
—Bem, sobre a consulta. Você pode sim vir hoje mas eu tenho uma péssima noticia para dar, eu vou ter que deixar a cidade, vou voltar para Orange Count.
—Oh...Isso é péssimo, nós estavamos indo não bem.
—Eu sinto muito, é uma emergência. – respondeu a garota
—Tudo bem, vou hoje para me despedir de você, até as duas.E desligou o celular.
—Ótimo...Quando eu estava começando a entender alguma coisa sobre meus sonhos, ela vai embora, só pode ser o destino.- pensou Bonnie -Pelo menos não vou ter que mais mentir para o Sam e isso já é um começo.
XXXX
—Eu vou dar o que ela precisa Jude. – disse Avalon – Bonnie parece uma boa pessoa.
—Com quiser Ever. – respondeu ele.
—Não me chame assim, eu deixei de ser Ever a muito tempo. – disse a loira – Eu só quero ajuda-la. O sininho da porta tocou e ambos sabiam que era a ruiva que acabara de chegar.
—Olá...-disse ela timidamente
—Bom dia Bonnie – Jude disse e Avalon sorriu mostrando um sorriso radiante, assim como seus cabelos dourados como o sol. Bonnie agora sentia mais uma vez como se fosse uma pequena luz brilhante que acompanhava sua mãe, seu pai e Eden a garota que ela apenas conhecia o nome e os longos cabelos ruivos. O cheiro de metal e fuligem estava aumentando.
—Como está Analice? Ela já se casou com Asram? – foi a primeira coisa que Bonnie ouviu e logo a imagem se formava em sua mente e ela podia observar tudo que ocorria e os detalhes da decoração do castelo.
—Bianca! Você voltou!! Analice estava ainda mais bonita do que nunca, usava uma delicada tiara dourada na testa e um vestido azul claro. As duas garotas correram e se abraçaram, Bianca que achou que nunca mais veria Analice não conteve as lágrimas. Agora Bonnie já sentia seu corpo, seus dedos...ela não era mais uma luz e podia sentir também o aroma e a leveza do local.
—Eu achei que nunca mais iria te ver! – disse Analice – Mas o que aconteceu, como vieram parar aqui? As perguntas de Analice foram abafadas por um barulho crescente. Um dos guardas se virou ao perceber um movimento bizarro vindo da entrada do castelo. Sons de coisas caindo, cheiro de enxofre e gritos estridentes o fizeram pegar a espada. Infelizmente um pouco tarde demais uma coisa o atingiu com violência e ele foi jogado na parede, a coisa que o atacou desceu dos ares e mostrou sua face com um sorriso demoníaco, era um troll, não um mas cinco deles agora, Bonnie sentiu um deles atravessando-a, ela podia ver e ouvir...Mas era invisível aos olhos deles, ela levou as mãos a sua barriga sentiu-a latejar um pouco. Analice gritou, pegando um dos castiçais para se defender, ao mesmo tempo algo agarrou Zacarias pelas costas o levantando no ar, Bianca tentou ajudar mas foi atingida no rosto a fazendo cair no chão duro de mármore branco. Sua boca doida e estava cortada. Asram apareceu empunhando uma espada e ajudou Analice, sua noiva a se defender de dois Trolls que a atacavam. Bianca conseguiu se levantar e viu Zac sendo arrastado, Bianca o seguiu para fora da porta do palácio, dava em um corredor com vários pilares, logo estavam em um jardim lateral ainda dentro das propriedades do castelo. O garoto fora jogado no chão na frente de um goblin mais magricela.
—Kajinski! – exclamou ele.
—Seu trono o espera majestade. – disse ele friamente
—Eu não tenho trono nenhum. – Zac disse, ainda de joelhos.
—Você acha que esses humanos se importam com você? Se importam com sua casca, É dessa casca que eles gostam! Tire isso e o que sobra? Eu lhe digo majestade, se soubessem quem você é de verdade te abandonariam, te torturariam...eles mesmo iriam arrancar essa pele que amam tanto. Bonnie sentiu seu peito arder e o cheio de enxofre e carvão queimado se intensificou, ela virou para observar sua mãe que estava com o rosto cheio de lagrimas...tudo se escureceu. Ela sentia seu corpo cansado e seus músculos fracos, sentia como se tivesse corrido uma maratona, só que de salto. -Tome essa água...- foi a voz de Avalon que a tirou do transe em que estava. Bonnie abriu os olhos azuis observando ela que lhe estendia um copo de vidro turquesa.
—Parece que hoje a sessão foi difícil, não é? – perguntou Avalon mas ela já sabia a resposta.
—Eu ainda não entendo...tudo aquilo que eu vi sobre meus pais.
—Você vai ter suas respostas quando voltar para a Inglaterra nas férias e não se esqueça as fadas gostam de pamonha – disse ela dando uma risadinha e empurrando a ruiva para fora de sua sala. – E sua mãe também.
—Do que você está...- Bonnie disse mas Avalon deu passos apressados para perto de Jude sem ao menos deixar a ruiva terminar sua frase. Os dois ficaram olhando para ela, ele com um sorriso delicado e Avalon com o seu sempre misterioso, Bonnie caminhou até eles e se despediu brevemente deixando suas perguntas pra lá.
—Adeus. – disse ela dando uma abraço breve na loira e depois apertando a mão de Jude.
—Você vai entender querida...Só confie um pouco mais. – disse a garota por fim.
—Posso te perguntar uma última coisa?
—Claro.
—Por que você trabalha aqui, se ainda é tão nova...Você parece ter a minha idade. – Bonnie falou, deslizando os dedos pela bancada de madeira que continha entalhes em formatos de lua.
—Eu não sou tão nova quanto pareço...Agora, Adeus, meu avião sai hoje e preciso ajeitar algumas coisas antes de deixar o país. Bonnie concordou com a cabeça não muito satisfeita com a resposta da garota. – Está bem...até mais, quem sabe. – disse a ruiva já saindo da loja mística e abrindo seu quarta-chuva. O tempo estava estranhamente nublado em Blois, Bonnie atravessou correndo a rua e foi direto ao ponto de táxi para conseguir voltar a escola.
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