O Mundo Secreto de Bonnie
31 Garota Triste
Notas iniciais

Eu te segui
Como a Alice e o coelho branco
E eu me senti
E eu me senti caindo em um buraco negro e profundo
E eu senti
E eu senti que estava apaixonada profundamente por você
Mas você está sempre fugindo para outro lugares
E sempre sem mim
Eu sinto muito
Mas eu não serei mais a Alice
Nunca mais
Mais uma vez Bonnie desceu no táxi que a levara até a escola, pagou o motorista com alguns euros e caminhou rapidamente para dentro do estabelecimento escolar, onde era coberto, aquelas escadas gigantes antes de chegar enfim dentro da escola eram um inferno.
—Eu te procurei a manhçã inteira, onde você estava? – perguntou Sam entrando rapidamente no quarto da garota.
—Como eu te disse eu fui a loja de discos... — disse Bonnie não se levantando da penteadeira que estava.
—Não. – disse ele – Você me disse que foi a livraria.
—Lá vende discos também..
—Bonnie não brinque comigo, onde você estava? – perguntou ele dessa vez com um tom severo e quase punitivo. Bonnie se virou para Sam e o fitou por um minuto. – Eu estava falando com Avalon. — Nesse momento ela viu a face do garoto se contrair e seus lábios formavam decepção
—Eu não acredito que você voltou lá, depois que prometeu que não iria mais.
—É que...Eu tinha que ir mas sabia que essa iria ser a sua reação. – rebateu a garota gesticulando com a mão. – Eu não entendo o por que você não quer que eu volte lá? – Sam bufou e revirou os olhos.
— Desde que você começou com essa bobagem de Capitalia, você não é mesma! Nós não saímos mais e você passa horas na biblioteca procurando por coisas que não vai achar! – ele disse passando a mão pelos cabelos. Bonnie olhou friamente para Samuel esperando alguma reação a mais dele mas o garoto apenas se virou e saiu do quarto a deixando a sozinha. Ela não podia o suportar por mais um segundo...Não, na verdade ela não podia se suportar, Bonnie se virou e jogou sua bolsa acertando o espelho de sua penteadeira por pouco ela não se espatifa no chão se não fosse pelo material duro de que ela era feita, a garota sentou na cama deitando-se logo em seguida. A chuva caia periodicamente, deixando gotículas caindo como lágrimas na janela, as férias de verão estavam chegando e logo ela iria rever seus pais talvez tudo se resolvesse lá, como Avalon dissera. Depois de alguns minutos deitada ela se lembrou que hoje era o aniversario da irmã de Susana, hoje a noite...Olivia iria tocar lá e Bonnie mal esperava para ver a amiga cantar e ve-la feliz. Seu celular tocou a tirando de seus devaneios.
—Alô?
—Oi Bonnie, é a Dallas – disse a garota com uma voz repuxada de choro.
—Dallas? O que aconteceu? – Bonnie disse ligeiramente preocupada.
—É meu pai..- respondeu a garota – ele teve uma overdose de álcool.
—Meu deus, isso é serio? – perguntou Bonnie – Ele está bem?
—Ele está internado e ah, eu não sei o que vou fazer se ele não resistir Bonnie, eu não aguento tudo isso sozinha.
—Calma, É claro que ele vai ficar bem, se eu pudesse ir ai ficar com você. – disse Bonnie ameaçando chorar – Eu nunca deveria ter te deixado! Eu sei como é sua relação com seu pai.
—Está tudo bem, eu sei que você não podia fazer nada. – respondeu a amiga suspirando do outro lado da linha.
—Dallas...Ah, isso é péssimo! O caso dele é muito grave ?
—Os médicos não tem um laudo certo. –disse ela — Mas parece que ele vai ter que ficar internado alguns dias.
—Me ligue caso aconteça qualquer coisa! Qualquer coisa mesmo, se ficar com medo e não conseguir pegar no sono, nós falamos até você conseguir dormir, ok?
—Está bem Bonnie, obrigada, é tão bom ter você como amiga...não sei o que faria sem você.
—Eu também não sei o que faria sem sua amizade. – respondeu Bonnie dando um sorrisinho.
—Te ligo mais tarde para dar noticias, até.
—Até a noite Dallas, fique bem. Tchau. Encerada a ligação com Dallas, Bonnie resolveu ligar para sua mãe e confirmar a data certa de seu voo para a Inglaterra.
—Mãe...
—Oi filha, você está bem?
—Estou sim, só liguei para saber do nosso voo.
—Você está ansiosa não é? Não é por menos ser minha filha. – disse ela do outro lado e rindo em seguida. –É semana que vem, dia quinze. Seu namorado vai conosco não é?
—Sim, vai mãe, só espero que ele consiga chegar vivo até lá. – Bonnie riu – E o papai?
—Seu pai está bem, ele me ajudou com uma parte do livro hoje...Nós almoçamos em um restaurante que serve um vinho ótimo. — Bonnie pôde ouvir um – Olá filha. – do outro lado da linha
—Fala que eu mandei um Oi pra ele também – disse ela sorrindo – Está bem, te vejo em poucos dias.
—Até filha, não esqueça de lavar atrás da orelha. – disse Bianca, a ruiva ouviu a risada de sua mãe fluindo.
—Tchau mãe.
Toulouse se levantou delicadamente do sofá para não acordar a garota, Olivia estava tão sonolenta ultimamente, deveriam ser as provas, ele teria que acorda-la logo mais pois era hoje a festa surpresa em que a garota iria cantar, T notou um toque insistente de celular e logo o atendeu rapidamente para Olivia não acordar, era o celular dela.
—Alô?
—Ah, Liv que bom que você atendeu! – disse Vincent rapidamente mas depois parou um instante. – Liv?
—Aqui é o Toulouse.
—O que você está fazendo com o celular da Olivia?
—Ela não pode falar agora e por isso eu atendi. – disse ele tentando não falar auto demais – Acho que ela não quer falar com você. Ele pôde ouvir um barulho forte do outro lado da linha como se algo tivesse caído.
—Você não entende...eu, eu amo ela.
—Você não a ama. Você só não quer estar sozinho. Ou talvez..talvez ela só seja bom para o seu ego mas você não a ama, porque não se destrói as pessoas que ama.
—O que você sabe sobre nós dois ? – gritou Vincent.
—O bastante para saber que você não é bom para ela...- Toulouse respondeu tentando se manter o mais calmo possível –Agora, se me dá licença.. – dizendo isso Lysandre desligou o celular rapidamente. Como um passe de magia, ele pode ouvir Olivia espreguiçando no sofá e se levantando de repente.
—Quanto tempo eu dormi? – perguntou ela com a voz um pouco rouca.
—Umas duas horas...Não sei ao certo. – respondeu o garoto se virando para deixar o celular dela na mesa de centro do porão.
—Bem...- ela mordeu os lábios de leve –Eu tenho que ir me arrumar para a festa.
—É claro. –Toulouse disse, ele estava em duvida se perguntava algo sobre Vincent para Olivia– Boa sorte lá.
—Você está estranho...aconteceu alguma coisa?
—Não – ele sorriu, e balançou a cabeça apressadamente –Nada de mais. A garota se levantou e olhou pra ele espreitando o olhar de forma brincalhona. –Bem, então eu vou indo.
—Ok, me mande uma mensagem quando chegar lá. Estranho, essa era a palavra para descrever aquele diálogo que os dois acabaram de ter, em um minuto Olivia e Toulouse estavam quase destruindo o sofá com tanto beijos e quando ela acordara, ele parecia estranho...talvez um pouco confuso. Eu sou uma idiota mesmo – pensou ela. – Com certeza ele se arrependeu daquilo e... Olivia olhou novamente para suas cicatrizes e suspirou. A garota acabara de chegar na porta de seu antigo-novo quarto.
—Você está atrasada! – a garota pode ouvir a voz de Bonnie batendo os pés na porta do quarto, seu sotaque britânico era forte. – Vem logo, eu tenho que arrumar seu cabelo. A ruiva puxou-a para dentro e Olivia foi rapidamente tomar um banho enquanto Bonnie penteava seu longo cabelo, Olivia se sentou na cama e começou a praticar mais uma vez as músicas que iria tocar, ela podia sentir que Bonnie dava rápidas mexidinhas como se estivesse dançando enquanto passava o laque em seu cabelo. Bonnie já estava pronta, realmente impecável como ela sempre ficava para festas, Olivia se olhou no espelho.
—Você não acha que pode dar uma melhorada? – disse ela fitando sua própria imagem no espelho. Bonnie deu um sorrisinho. – Você está linda assim, vamos!
Chegando na festa, Olivia percebeu que haviam poucas pessoas na sala de Susana, a mesma veio correndo abraçar as garotas: –Bonnie, que bom que você veio! – disse ela – E Liv, você já pode ir para o palco, está tudo meio improvisado sabe...Mas eu acho que vai ficar tudo bem. A garota caminhou até o pequeno palco que consistia em duas caixas de som, um pé de microfone e um banco para que ela se sentasse para tocar violão, haviam luzes de neon também, a garota se perguntou quem iria controla-las. Minutos depois, tudo estava escuro e em silencio Kelly iria chegar a qualquer momento.
—Ah querida eu sei, os garotos são tãooo idiotas – Bonnie ouviu um vozinha estridente falando do outro lado da porta de entrada – Eu sei, amiga. Quando Kelly, a irmã mais nova de Susana acendeu as luzes vários balões coloridos caíram do teto e confetes voaram de um lado para o outro, Susana correu diretamente pra a irmã a abraçando forte e colocando um chapéu de aniversario na longa cabeleira loira da irmã, o que deixava um contraste divertido. A festa tinha começado oficialmente agora, Kelly subiu rapidamente para trocar de roupa pois ela tinha acabado de voltar do shopping com sua melhor amiga, Bonnie tinha que admitir ela voltara deslumbrante em um vestido tubinho azul turquesa, era de marca com certeza...A ruiva ficou intrigada com o por que de Susana trabalhar como garçonete se ela tinha uma casa, diga-se de passagem, completamente fabulosa. Olivia estava nervosa é claro mas era mais fácil quando as pessoas conversavam tranquilamente sem esperar que ela começasse a cantar a qualquer momento.
Angelina estava delicadamente apoiada na cadeira de balanço da casa de Nathaniel, deslizando o dedo por seu celular e lendo seus novos e-mails, até que um em especial chamou sua atenção, não podia ser! Realmente não podia ser aquilo que ela havia lido. Um grito se espalhou pela casa e Nathaniel derrubou o copo de suco que segurava. –Angelina? – disse ele correndo para a sala. — O que aconteceu? Chegando lá, ele pode ver que a loira havia parado de gritar e agora dançava freneticamente e correu para os braços dele.
—Você não vai acreditar! – ela gritou mais uma vez e ele revirou os olhos sorrindo.
— O que?
—Adivinha quem foi a banda convidada para tocar no festival de Solaric da cidade? – insistiu ela – Adivinha!
—Deixe-me ver...- ele disse finalmente – A sua?
—Sim! – Angelina disse dando pequenos giros pela sala – Sabe o que isso significa?
—Poder, Dinheiro, Fama? – Nathaniel falou se sentando em um dos sofás e dando um sorrisinho.
—Quase isso...Você sabe que lá sempre tem olheiros esperando um novo talento aparecer. – a garota disse olhando intensamente para ele — A gente tem que e vai tocar nesse festival.
—A gente? – perguntou ele.
—Nossa...Minha banda, você entendeu. – Angelina disse se sentando no sofá ao lado dele.
—E como fica a coisa com o Toulouse?
—Nós conseguimos sem ele.- ela disse deitando sua cabeça no ombro no namorado. – Eu espero. Estava tudo estranhamente dando certo na vida de Angelina, pela primeira vez ela estava feliz de verdade mas é claro que o poder e dinheiro ajudariam ainda mais.
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