O Mundo Secreto de Bonnie
17 Idem
Notas iniciais
É, aquela aula não tinha sido uma das melhores para Bonnie, ela havia chegado atrasada e teve que pegar autorização para entrar na sala. A ruiva estava sentada na mesa da biblioteca rabiscando um papel, para rabiscos estavam muito bons, ela olhava para a TV da sala que estava muda, em letras miúdas passavam-se as legendas, ela prestou atenção em uma cena.
"-Você me ama ?
—Claro
—Por que nunca diz ?
—Eu digo sim
—Não, você só diz Idem, não é a mesma coisa
—Muitas pessoas dizem eu te amo sem querer significar nada"
Bonnie deu um sorrisinho, ela adorava aquele filme, Ghost, a primeira vez que ela havia assistido foi quando tinha doze anos com sua mãe e por falar nela o peito de Bonnie doía de saudade nesse momento, quando ela a veria novamente, alguém interrompeu seus pensamentos passando a mão sobre seus ombros.
—Ah, então você está aqui – o garoto dizia, Sam estava com uma calça jeans hoje, aquele típico jeans escuro, Bonnie adorava quando ele o usava. Ela assustada, recolheu os papeis da mesa os deixando junto de si.
—O que você está escrevendo ai? – ele perguntou
—Nada..só rabiscando – ela começava a ficar vermelha, por que sempre se sentia assim perto dele, Bonnie era tão segura de si perto dos garotos, mas quando estava com Sam tudo era diferente.
—Deixa eu ver – ele estendeu a mão insistindo.
—Não, não é nada importante – a garota respondeu, ele arqueou as sobrancelhas, ela revirou os olhos e entregou os papeis..
—Nossa..eu não sabia que você desenhava esse tipo de coisa –Samuel admirava a bonequinha Pin Up nua que Bonnie havia feito, ela estava sentada em um pequeno sofá segurando um telefone vermelho, e havia um gato apoiado em uma de suas pernas. Sam deu uma risada e passou a mão pelo cabelo.
—Por isso eu não queria que você visse – disse Bonnie revirando os olhos
—Você gosta de arte então? – ele sorriu e passeou com seus dedos pelo rosto da garota – vem comigo – ele a puxou para fora da biblioteca e caminhou apressado para que ela o acompanhasse.
—Ei..espera onde você vai me levar? – a garota perguntou desconfiada e parou no meio do corredor.
—Você acha que eu vou te contar? Será uma surpresa! – ele puxou Bonnie mais uma vez e a conduziu até a saída do colégio.
—Você é louco – ela riu – Não podemos sair em horário de aula. Sam continuou andando sem se preocupar com que a ruiva disse, ela o seguiu até uma garagem que ficava perto da escola, era um grande galpão e lá haviam vários carros e motos guardados, Samuel caminhou até uma moto preta e Bonnie o seguiu sem discutir.
—Eu não sabia que você dirigia. – ela pigarreou
—Tem muitas coisas que você não sabe sobre mim – disse o garoto entregando um capacete para a ruiva e subindo na moto, ela montou logo atrás e os dois partiram, passando rapidamente por carros e ônibus na pequena mas movimentada Blois, aquela cidadezinha na França. Não demorou muito para que Sam estacionasse na frente de um Casarão com um grande jardim em sua frente, Bonnie desceu, tirou o capacete e observou aquele lugar, era perfeito como um conto de fadas na frente da porta haviam duas armaduras guardando a entrada e havia uma placa, Museu Municipal de Blois, ela correu para a porta deixando Sam para trás. Chegando bem na frente do grande casarão, Bonnie o observou melhor era majestoso, com dobradiças e maçanetas de ouro, e a porta de madeira da melhor qualidade.
—Esse lugar é incrível! – disse Bonnie, ela virou ao reparar que Sam estava atrás dela, o garoto puxou um cigarro do bolso e acendeu, ela continuava a observar a faixada em um tipo de transe, ele passou a mão por suas bochechas para que ela reagisse e a puxou para dentro do local
—Esse não é um dos meus lugares favoritos da cidade, mas achei que você ia gostar... – os sapatos de Bonnie faziam barulho quando ela pisava vagarosamente na madeira, ela estava maravilhada com aquele local. A ruiva olhou para cima e observou o teto, era recoberto por uma pintura barroca, querubins repousavam em nuvens e arabescos cobriam todo o resto, haviam inscrituras em algumas partes mas estavam tão distantes no grande teto que ela não conseguia compreende-las. Era caminhou mais até chegar em um corredor estreito, ao lado de Sam ela observava as pinturas, havou uma que lhe chamou a atenção era uma garota ruiva como ela com um lindo vestido azul escuro e uma delicada coroa que era usada na testa atrás da garota havia fogo, um castelo pegando fogo, era um cenário de guerra. Por que aquela foto doía como se fosse ela quem estivesse lá?
Ela parou em frente do grande quadro e passou alguns segundos em transe novamente, Sam já estava quase do outro lado do corredor mas quando viu que Bonnie havia empacado, ele voltou e se meteu entre ela e o quadro.
—Talvez não tenha sido uma boa ideia te trazer aqui, já vi que vai passar horas olhando essas coisas. –Sam revirou os olhos e se sentou em um dos bancos que ficavam no meio do corredor, apagou o cigarro, ela se sentou ao seu lado. Bonnie continuou olhando para o quadro incessantemente, Sam já estava ficando entediado ele passava as mãos pelos cabelos cor de fogo da garota e a observava.
Ela se levantou sem dar atenção a ele e voltou para perto do quadro, ela observou uma pequena plaquinha dourada em baixo do quadro, deslizou os dedos sobre ela passando-os pelas pequenas letras douradas entalhadas ali.
Princesa da Guerra – Autor desconhecido
Quadro achado nas ruinas de Capitalia
Capitalia? Era a cidade que Bonnie passará sua infância, onde ela tinha vivido praticamente sua vida inteira, como essas obras haviam vindo parar aqui, então quase prevendo seu pensamento Sam disse vagarosamente: –Esse museu é acervo pessoal do prefeito de Blois, um velho maluco pelas lendas de Capitalia...por isso a cidade é cheia de referências a essa lenda, o parque perto da nossa escola é cheio de estatuas de personagens dessa história estúpida.
Bonnie se virou para ele e respondeu: — É claro, agora eu me lembro aquela história que minha mãe sempre me contava da Princesa retornou para seu reino, para lutar na guerra, então ela existiu, a história era real...Eu preciso falar como prefeito, saber mais sobre isso!
Sam deu um risinho quase que caçoando da garota –Lendas...são só velhas histórias sem importância. – ele completou.
Bonnie se virou e continuou olhando para os quadros, até que um vaso lhe prendeu a atenção, era tão delicado parecia ser de algum tipo de porcelana mas desconhecida por ela, ele estava preso por uma redoma, intocável. Aquele lugar lhe dava uma sensação de déjavu, ela tinha certeza que já tinha visto aqueles objetos em algum lugar só não sabia onde, em baixo do vaso havia mais uma escritura.
Vaso do castelo de Capitalia, coleção pessoal da rainha Aine
O local não era tão grande e passando rapidamente por algumas armaduras de guerra Bonnie foi para o ultimo artefato do museu, uma redoma de vidro guardava uma espada prateada com joias coloridas em todo o seu torno, ela estava muito bem polida e era parte da armadura feminina que estava pairando ao seu lado.
Espada usada pela Princesa De Capitalia na guerra contra a corte de Useseelil
Bonnie estava realmente maravilhada com tudo aquilo era como se ela estivesse vivido naquela época, Ah! Como ela adorava histórias medievais. Em quando observava a espada ela começou a trançar seu próprio cabelo e o prendeu com fivela que estava em sua bolsa, ao lado da garota pendurado na parede estava outro quadro daquela guerreira do primeiro quadro mas dessa vez ela estava com um vestido de baile e também uma usava uma trança. Sam olhou confuso para Bonnie e depois olhou para o quadro, meu Deus como elas eram parecidas, o garoto pensou. Delicadamente ele conduziu a ruiva até o quadro e disse: –Acho que você tem uma irmã gêmea e não percebeu – Bonnie se virou para o quadro e notou as semelhanças dela com as da garota do quadro, a mesma boca, os mesmos olhos. Bonnie franziu a sobrancelha, olhando atentamente para o quadro, aquilo era loucura.
Ao lado do quadro havia outra redoma de vidro mas essa era permitida o toque os visitantes podiam tocar na bela escova de cabelos que estava dentro do vidro, Bonnie se aproximou devagar e tocou nela, com aquele toque seu corpo inteiro estremeceu e uma faísca de memória veio até sua mente, um quarto, foram poucos segundo mas algum detalhes Bonnie guardou, era uma decoração céltica, as paredes eram creme e tinha uma grande cama com um moisés em cima, típico daquelas camas de época, mas era só...nenhum rosto, nenhuma voz, só aquele quarto sobreo e vazio. Ela queria ir embora, chega. Esse sentimento de lembrança estava a deixando tonta, sua cabeça começara a doer e tudo estava girando ao seu redor, por que aquilo estava acontecendo? Sem avisar ao garoto ela saiu do museu e assim que deu o primeiro passo para fora do local tudo ficou embaçado.
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