O Mundo Secreto de Bonnie

18 Eu te amo, não me deixe


Notas iniciais
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Uma parte deste capítulo será sob a perspectiva do Vincent

Ela respirava vagarosamente, eu estava deitado ao seu lado passando a mão em seus cabelos. Sim, eu era obrigado a admitir ela estava linda dormindo assim, mas não, eu não sentia nada, talvez um desejo carnal mas nada mais que isso. Resolvi levantar e preparar algo para comer, abri o armário e tirei o pote de granola, coloquei em uma pequena tigela derramei um pouco de iogurte por cima e mexi, de repente es que surge na porta da cozinha Olivia, ela estava apenas com o vestido de ontem e com os cabelos soltos.

—Bom Dia – eu disse dando uma colherada na granola e levando a boca. Ela corou, por que ela cora por tudo é sempre tão fácil arrancar suspiros dela!

—Bom Dia, como nós viemos parar aqui? Só me lembro de...

Eu a interrompi falando – Você adormeceu no campo e eu não queria te acordar então resolvi te trazer para cá. Ela olhou para os lados, observando o local.

—E oque é aqui exatamente? – ela disse se apoiando no batente da porta.

—Meu apartamento – eu respondi, dando mais uma colherada na granola – Ah! E se você quiser lavar o rosto ou qualquer coisa, o banheiro fica ao lado do meu quarto – eu me virei e peguei uma toalha de banho que estava em cima da maquina de lavar e entreguei para ela. Olivia concordou e caminhou até lá, já eram duas horas da tarde, ir para a escola estava fora de cogitação, então resolvi ligar para a Connie ela gostaria de saber das novidades.

—Eu não tô com tempo, o que você quer Vincent? – dizia Connie pelo telefone, eu podia ver seus olhos revirando do outro lado da linha, essa era ela, mas esse tratamento valeriam a pena mais tarde.

—Ah, tudo bem então acho que você não ia gostar de saber que eu dormi com a Olivia– eu disse rapidamente.

—O QUE VOCÊ DISSE? PARA TUDO! ISSO É PERFEITO. – Connie respondeu, como eu podia prever ela estaria dando pulinhos nesse exato momento, ouvi uma outra voz feminina ao seu lado provavelmente seria Sophie ou Skey, as duas cachorrinhas gêmeas dela.

—Eu sei, é por isso que você me ama – eu ri.

—Quero detalhes, hoje a noite você vai me contar T-U-D-I-N-H-O ! Como a Olivia é estupida, maslte conhece e já vai pra cama, aposto que é virgem– ela disse aquelas palavras separadamente para dar ênfase, debochando. É claro que eu omiti a parte que nós não transamos, mas por hora é o que irei falar. Aquele sentimento de possível arrependimento ia e vinha, então logo iria passar.

—Ah..e tem mais uma coisa– eu falei, iria contar pra ela dos distúrbios de Olivia, mas congelei por um minuto e mecanicamente continuei — ...bem depois te falo, isso não é tão importante – for fim desliguei o telefone, e o coloquei de volta na central, o que está acontecendo comigo, não vou sentir pena dela, ninguém nunca sentiu pena de mim quando eu precisei, nunca! Mas..Liv não tem culpa do que me aconteceu, talvez.

—Chega – gritei para mim mesmo, talvez alto de mais, pois quando Liv apareceu novamente na sala, ela me olhava admiradamente assustada.

—Vi...- por que ela insistia em me chamar assim, seus cabelos estavam molhados e ela estava com uma toalha enrolada ao corpo – Você tem alguma roupa pra me emprestar, meu vestido ainda está molhado por causa de ontem a noite. – ela estava corada novamente

—Bem..eu acho que não te... – pensei, se ela não tiver uma roupa para usar provavelmente ela vai querer ir embora– acho que tenho uma roupa que a minha irmã esqueceu aqui...- na verdade eu não tinha nenhuma irmã, aquela roupa era de Connie, espero que ela não reconheça, pequei a calça jeans que Connie havia esquecido aqui e uma blusa minha, era o que dava pra arrumar, ela teria que usar sem reclamar. Chegando na sala, passei pela garota e entreguei a roupa para ela, Olivia deu meia volta e retornou para o quarto, logo mais ela já estava de volta, a minha camiseta militar fica uns 3 números maiores pra ela, me aproximei e sorri.

—Você está linda.– ela sorriu de volta, mas não respondeu, logo depois seu sorriso se desmanchou, com certeza ela pensava em algo, logo após ela se virou de costas e se apoiou na mesa, ela sussurrava algo:

—Ai meu deus o que eu estou pensando ? Dormir na casa de um completo estranho! – pelo jeito a síndrome do "dormi com você mas estou arrependida" começava a tomar o corpo de Olivia avassaladoramente, eu a olhava assustado, Liv realmente tinha problemas

—Você está bem? – ela olhou para mim novamente e respondeu: –Eu preciso ir, de verdade, não sei onde eu estava com a cabeça quando dormi aqui...a gente mal se conhece – ela cruzou os braços, colocando o direito sobre o esquerdo, os cortes ficavam sempre por baixo, era mania.

—Não foi sua culpa, eu te trouxe aqui, você adormeceu na campina, lembra? – ela forçou as sobrancelhas, forçando sua mente a se lembrar.

—Mesmo assim, se a diretora ficar sabendo eu posso ficar na detenção e perder provas e se eu perder alguma prova vou ter que fazer a segunda chamada e isso só vai acontecer nas férias e então vou ter que ficar aqui na em Blois e não poderei ir atrás do meu pai. – ela tagarelava sem parar, e isso já estava me deixando inquieto.

—Por favor Olivia...eu te levo de volta mas antes que lhe perguntar sobre uma coisa que vi ontem a noite, enquanto você dormia. Seu rosto acabara por ficar pálidoe suas pupilas se dilataram, acho que ela já sabia sobre o que eu perguntaria, eu não sabia como falar sobre isso, auto-mutilação era sempre um assunto, muito, muito delicado, qualquer palavra errada ela poderia fugir do apartamento e assim o plano de Connie estaria arruinado e ela iria me matar.

—Queria saber como você conseguiu aquelas cicatrizes no seu pulso.- eu disse sem saber o que mais poderia inventar, de como eu poderia ter as visto, talvez tenha sido direto demais.

—A-ah, e-e-eu estava, caminhando ..e-e então eu cai em um monte de folhas..e-e lá tinha alguns espinhos..e-e então – ela não conseguiu dizer mais nenhuma palavra, e lagrimas logo brotaram de seus olhos.. – Não é o que você está pensando...é só que – ela continuou, mas eu a calei

—Por favor não me diga que você se au-au..se machuca – eu falei, obviamente eu já sabia a resposta, mas queria ouvir dela, só para ter certeza absoluta, se aquilo fosse verdade, talvez...eu não pudesse continuar com aquilo, suicidas tem a mente mal estruturada e muito fraca, quem sabe no que aquilo pode dar, não sei...Eu não podia fazer mais nada a não ser abraça-la, aquilo era horrível, eu me sentia horrível.

—Você não pode contar a ninguém...- ela falou baixinho enquanto ainda nos abraçávamos – Eu concordei com a cabeça e a apertei mais ainda.

—Você precisa procurar ajuda Liv...- eu disse olhando em seus olhos – Isso é serio, você pode perder o controle um dia e acaba fazendo algo que não quer realmente.

Ela balançou a cabeça. – Fazer isso, seria dizer adeus a faculdade, eles iriam me chamar de louca e me internar, sem falar na minha mãe...ela nunca aceitaria. Eu acaricie seu rosto. –Vou te levar pra casa. Despois disso eu desisti de mantê-la lá até de noite, ela estava cansada e chateada e eu também. Parei o carro em frente da escola, Olivia desabotoou o cinto e antes que ela pudesse sair do carro segurei seu pulso e o puxei de volta para mim, ela cruzou os braços para esconder os cortes, eu tinha certeza. Ela olhou de volta para mim, seus olhos já se enchiam de lágrimas.

—Você não precisa esconder isso de mim Liv– agora as lágrimas caiam lentamente – Não chore...por favor, você não precisa ter vergonha de mim. Ela soluçava, seus gemidos me irritavam resolvi a calar com um beijo, as lagrimas deixavam meu rosto ensopado ela correspondia todos os meus beijos mas nesse ela mal se mexia.

—Desculpa – eu disse por fim.

— Eu tenho que ir –disse ela, dessa vez já botando os pés para fora do carro, eu a puxei de volta para dentro, Olivia parecia realmente chateada.

—E-eu não queria que você soubesse, isso é muito difícil para mim – ela disse por fim

—Eu não vou dizer a ninguém. – a não ser a Connie, pensei, que certamente vai conta a Soph que vai contar a Skye que vai contar a escola inteira...- Eu te prometi lembra ? – ela concordou com a cabeça e sussurrou.

—Você vai me deixar eu sei, todos fizeram isso quando descobriram – mais uma lagrima rolava de sua face, eu suspirei.

—Você foi forte o bastante para suportar tudo até agora, devia se orgulhar disso. – Por que eu disse aquilo ? Tinha que faze-la parar de chorar, mas quanto mais eu falava mais lagrimas rolavam de sua face. Mantenha a calma.

—Eu preciso ir, de verdade...Você foi incrível, obrigada por tudo..- ela deu um pequeno sorriso e saiu do carro, ela estava emocionalmente esgotada e eu cansado de tanto brincar de teatrinho, dei partida no carro e estacionei em frente de um banco, meu celular marcavam quatro horas da tarde, era hora de ligar para Connie.

— Estou te esperando em frente do banco que fica virando o quarteirão da escola.

—Tudo bem, estou chegando – ela concordou e desligou automaticamente, Connie não demorou nada mais que 10 minutos para chegar, ela entrou no carro fechando a porta com velocidade e virando o rosto para encarar Vincent, Connie sorriu maliciosamente e se acomodou em cima do garoto que afastou o bando do motorista para lhe dar mais espaço

—Não estamos muito longe da escola, você sabe...

—Ninguém vai vir aqui, só cala a boca – ela aproximou seu rosto do dele e deslizou os dedos sobre o cabelo do garoto, ele soltou um gemido rouco – Acho melhor irmos, sairmos logo daqui –Vincent disse entre beijos.