O Mundo Secreto de Bonnie

20 Eu gostaria que você estivesse aqui


Notas iniciais
http://secretworldofbonnie.tumblr.com/ Uma das músicas que a Ange canta: https://youtu.be/RImW30M90G0

Aquela garota empunhava uma espada brilhante ao seu lado, uma jovem de longos cabelos da cor de uma manhã de outono banhada pela luz do sol e olhos miúdos verdes, atrás dela um grande exercito de Goblins e a sua frente dois mastros e dois jovens, Elfos apontando grandes flechas para a garganta dos dois garotos, a garota do mastro estava com os olhos vermelhos e o rosto pálido esperando pela morte.

—Pare!!!

—Analice? – disse um Elfo mais alto que todos os outros e que estava sentado em um tipo de trono em cima de um pequeno picadeiro de madeira.

Bonnie se contorceu na cama não muito confortável do hospital, sua respiração estava ofegante.

—Vocês vão se arrepender diso — berrou o elfo para a loira, que se prontificou a dar mais um passo a frente. — Você é minha noiva devia ficar do meu lado!

—Não, Asram! Nenhum amor pode se edificar em um terreno pantanoso...Para você não há mais esperança. – ela rebateu. Tudo girou, Bonnie enxergava apenas árvores ela não estava mais um cenário de guerra e sim deitada sobre uma colina de mãos dadas com um jovem, folhas caiam sobre suas faces, ela ainda podia sentir a brisa de verão e o cheiro de grama e lavanda.

—É impressionante o que você faz quando não sabe do que é capaz. – foi a última coisa que ela ouviu antes de saltar da cama suando e com respiração ofegante. Ela apertou o botão ao lado de sua cama para chamar a enfermeira, ouviu-se um bipe e logo havia uma garota entrando em seu quarto trazendo uma bandeja com alguns comprimidos.

— Mademoiselle...Você está pálida! Aconteceu algo? – A moça com cabelos até o ombro loiro e olhos azuis escuros falou, se aproximando da cama da garota

—Eu não acordei passando muito bem, será que eu poderia tomar um banho? Talvez isso me faça melhorar.

—Mas é claro, vou tratar para que Eva venha te ajudar.

—Não, eu consigo fazer isso sozinha. Só peça para ela me preparar algo para comer, para depois do banho, por favor é claro. – Bonnie disse se sentando na cama.

—Muito bem senhorita, qualquer coisa já sabe, é só apertar o bipe. Bonnie suspirou longamente depois que a enfermeira saiu do quarto e assoprou sua franja, será que Sam demoraria muito para chegar, aquele sonho...sua cabeça estava a mil, uma coisa ela tinha certeza, ela tinha que falar com o prefeito rapidamente, assim que saísse do hospital se possível, nada mais importava.

No quarto das meninas a luz do dia ainda não tinha chegado, Olivia havia sido a primeira a se levantar como sempre e já havia saído do quarto e ido para o café, Carmen e Angelina dormiam profundamente até o alarme do celular de Carmen soar, já eram onze horas da manha e elas tinham um longo dia hoje e põe longo nisso, as duas gracinhas nem haviam decidido a set list do show de hoje e ainda teriam que dar uma revisada nas musicas, Carmen deslizou os dedos longos até o celular e desativou o alarme, Carmen não era muito de enrolar na cama se ela hora de levantar, era hora de levantar. Vestiu suas pantufas de urso e caminhou sonolenta até Angelina.

—Está na hora de acordar desgraça – ela empurrou o ombro da amiga – Vaai! Temos um show hoje, você não está ansiosa ?

—Não...- respondeu Angelina puxando a coberta para cima de si mesma – Me de cinco minutos.

—Você terá o tempo de eu ligar computador e voltar aqui, pois então ande logo – rebateu Carmen correndo para ligar o notbook. Nesse meio tempo Angelina conseguiu se levantar e se esgueirou para dentro do banheiro, saiu de lá renovada e com uma toalha na cabeça.

—Ok..e sobre a play list do show? Já pensou em algo?

—Olha eu acho que Already Dead é uma boa ideia, é uma música calma e ao mesmo tempo animada.

—Ah! Tem também The Devil's Back e no final do show e o Sam poderíamos fazer um acústico de Going to Hell.

—Uma que eu queria também era You, acho tão lindo quando você canta essa música.

—Não sei se quero cantar essa.- Angelina suspirou – Me lembra o Toulouse, e ele não vai estar lá hoje.

—Desculpa...Eu não dou uma dentro.

—Não, não. Tudo bem – Angelina pulou em cima da cama – Sabe qual outra vai ser legal? Factory Girl.

—Essa faz o publico se agitar inteiro, as pessoas sempre amam essa musica. Carmen se levantou de cima da cama e fechou o notbook. Parou pensativa. –Por acaso você viu a Olivia? Pensando bem...parece que ela está evitando a gente.

—Desde aquela discussão dela com a Bonnie, ela está estranha. – Angelina falou.

—Tem razão, o que será que está acontecendo com ela? – arfou Carmen amarrando seu cabelo em um rabo.

—Esses dias eu a vi almoçando com a Connie com certeza aquela vadia está entupindo a cabeça da Olivia com merda.

—Nós temos que falar com ela, perguntar se está tudo bem...– disse a morena.

—A Olivia tem que aprender a se virar sozinha, não é culpa nossa se ela quer andar com a vadia da Connie. – Angelina rosnou – Mas, bem, voltando a falar do show. Nós temos que ensaiar hoje, vamos passar a tarde inteira fazendo isso.

Carmen deu ombros. – Mas é claro, Srta. Tudo. Angelina pegou o celular e discou o numero de Sam.

—Nós vamos ensaiar hoje não é?

—Aram – respondeu uma voz sonolenta.

—Ok, nos encontramos no porão depois do almoço. – retrucou Angelina.

—Tudo bem, vejo você duas no refeitório.

Angelina desligou e começou a se trocar, enquanto Carmen fazia o mesmo. Correndo para o banheiro Angelina se olhou diante do espelho, não era a visão que ela gostava de ver ultimamente, maquiagem borrada da noite passada, cabelos bagunçados e lábios rachados, aquela situação, aquele momento de sua vida estava a matando, sem falar de suas notas, ela estava quase dando o sangue para segurar as pontas com elas. Angelina sempre soube o que queria ser e na sua opinião a escola era feita para lhe ensinar o que você irá ser quando crescer e como ela sabia, estudar em um escola não lhe servia para nada, "Eu sei exatamente quem eu sou e quem eu quero ser, essa frase regia a vida da garota, mas agora era não tinha certeza de quem realmente era depois daquilo que Toulouse havia dito, das palavras duras ela tinha mudado e não sabia se tinha sido para pior. Ela não era mais destemida.

Sam saiu do ensaio correndo e foi diretamente para o hospital onde Bonnie estava, ele passou a recepção, recebeu o crachá com seu nome e subiu dois andares de elevador para chegar até o quarto da garota. Bonnie estava recostada na cama e a TV estava ligada em um canal de notícias qualquer, o hospital não disponibilizava muitos canais mais divertidos que isso.

—Sam...que bom que você veio. – disse ela.

—Eu disse que viria, não é? –Sam respondeu se aproximando dela, abraçou-a e assim eles ficaram por breves instantes – Mas então, como foi seu dia hoje? Aposto que com muitas aventuras.– ele riu.

—Como você engraçado, mas sim, aconteceu uma coisa hoje! – Bonnie parecia apreensiva – Eu tive outro sonho. – ela falou.

—E...? – Castiel disse mordiscando um biscoito da bandeja de Bonnie – A gente sonha sempre.

—Mas esse não foi um sonho comum, foi um daqueles tipos de flashback como se eu já estivesse estado no lugar. – Bonnie suspirou –Eu acordei suando frio.

—Você tem vida real além dessa que você insiste em inventar? –Sam disse seco, e se afastando da cama com um jeito desprezível – Bonnie você está obcecada com esses sonhos!

—Eu não estou obcecada! –ela cruzou os braços e fez um bico – Você não consegue entender o que eu estou sentindo, o que eu sinto quando tenho sonhos assim!

Samuel revirou os olhos e se voltou a janela do quarto de hospital.

— Por favor...- disse ela se rendendo – Eu preciso da sua ajuda para conseguir falar com o prefeito. O garoto se virou e olhou diretamente para ela, sorriu. – Você sabe que eu não resisto a esse seu sorriso. Mas você tem que se lembrar de esquecer o passado e viver o presente.

—Hakuna Matata – sussurrou ela, mas ele não ouviu. Sam digitava algo no celular.

—Aqui está o número da prefeitura de Blois, tente ligar...mas não conte com a sorte, por mais que a cidade seja pequena o prefeito sempre tem muitos compromissos. – preveniu ele, mas Bonnie não deu ouvidos e rapidamente discou o numero e esperou a ligação ser atendida.

—Prefeitura de Blois, Donna na linha, com quem você deseja falar ? – uma voz feminina acabara de atender o telefone.

—Aqui é Bonnie Skylark– a ruiva não sabia mais o que falar, ela não poderia chegar e dizer simplesmente "Oi sou uma garota que está tendo sonhos loucos com a lenda de Capitalia e preciso falar com um especialista" ela certamente desligaria em sua cara – Eu preciso falar com o prefeito sobre o Museu de Blois, sua coleção pessoal.

—E sobre oque seria esse assunto? – Donna perguntou

—É particular. – Bonnie respondeu dura.

—Bom mocinha o prefeito está em uma reunião agora mas se você puder comparecer aqui daqui uma semana posso agendar uma reunião para você.

—Uma semana? Será que não poderia ser antes, é realmente importante. – Bonnie disse aflita.

—Bem você pode vir aqui amanhã e veremos o que eu posso fazer com o seu caso. – a mulher disse

—Oh, Obrigada Donna, não sabe como está me ajudando ! – falou ela – Até.

—Não foi nada, até amanha senhorita. E desligou. Amanhã, amanhã finalmente seria o dia.

—E então? – perguntou Sam

—Então que amanhã eu vou até a prefeitura falar com o prefeito. – Bonnie falou transbordando felicidade, sorrindo.

—Você é sortuda, ein garota ?! – ralhou ele, andando de um lado para o outro no quarto.

—Não conte tanto com isso, ele pode não me atender amanhã...só indo para saber – suspirou ela, assoprando sua franja. Os dois ficaram conversando até a noite cair completamente. –Eu não queria ir, juro, mas tenho um show agora –Sam beijou Bonnie uma vez e acariciou seu pescoço.

—Boa Sorte, espero que de tudo certo ainda mais com o Toulouse fora. –ela disse, se sentando ao lado de Samuel na cama.

—Também espero que de tudo certo, ainda mais por que o Nathaniel vai estar lá...- ele revirou os olhos – Não suporto aquele sujeito.

Bonnie deu um longo suspiro e puxou Samuel para perto de si, fazendo-o arfar.

—Você sabe que de algum modo isso deve ser proibido não é ?

—Isso o que? – disse ela, deslizando as mãos sobre a camiseta do garoto, seu olhar era penetrante. Os toques começaram a ficar mais ousados, logo ele já estava com a mão dentro da blusa fininha da garota, o tempo parecia ter parado enquanto os dois estavam ali, o celular de Sam tocou e ele interrompeu o beijo para atende-lo.

—Fala Angelina...- o cabelo do garoto caia em sua face e ele suspirou

— Está atrasado! E nós vamos sair para o show logo, logo. Temos que montar os instrumentos ainda. – A loira espumava do outro lado da linha de celular.

—Me de dez minutos e eu estarei bem ai na sua frente para te mostrar como se monta uma bateria, inútil.– ele riu e desligou o telefone – Tenho que ir. Amanha passo aqui de tarde para te buscar e ai nós iremos ver o tal do prefeito.

—Está bem...Queria tanto ir com você e te ver tocar...- Bonnie choramingou.

—Você ainda vai ter outras oportunidades. — ele se aproximou dela e beijou sua testa a deixando sozinha no quarto, novamente.

Toulouse caminhava tranquilamente pelos corredores da escola, já fazia quase uma semana que ele não trocava uma palavra com Angelina e aquilo estava o matando, ele não podia deixar de ama-la mesmo depois de tudo. Se sentou em um dos sofás, em um tipo de alongamento do corredor onde os alunos podiam se reunir para conversar, estudar ou apenas ler um bom livro. Toulouse estava lendo um que chamava "The seven sisters: Maia" e o fez lembrar do que Gustavo havia dito a ele mesmo sobre Izabela, nunca a deixaria de ama-la mesmo depois de saber que o filho que ela carregava no ventre era de outro homem, É claro que na Belle Époque as coisa eram muito mais complicadas que agora mas o fez pensar que ele poderia ter o que quisesse era só acreditar, mas ele não podia, não podia ter o amor de Angelina por nenhum dinheiro, por nada nesse mundo. Isso era uma dor insuportável, e o pior era como eles haviam terminado isso só dificultavam as coisas, ele havia falado coisas para ela que não eram verdade, não inteiramente. "Eu queria que você voltasse, eu queria nunca ter falado aquelas coisas como eu disse, queria que você soubesse, que eu nunca te esquecerei enquanto eu viver, eu gostaria que você estivesse aqui, agora e estaria tudo bem"

Deixar o orgulho de lado pode ser um desafio mas seria uma coisa que Toulouse teria que vencer se quisesse pelo menos reconciliar uma relação saudável com Ange, ele se lembrava de tudo que os dois passaram juntos esses anos, por que antes de serem namorados eles eram amigos e isso nunca mudou. Ele olhou para o lado, haviam mais pessoas ao seu redor sentadas em poltronas e em uma delas uma garota com os pés encolhidos em cima de um sofá, escrevendo em um tipo de diário entre os joelhos.Era Olivia, ela parecia muito triste e seus cabelos estavam mudados de escovados e com luz, para lisos e um pouco despenteados, ele saiu de sua poltrona e foi se sentar ao lado da garota.

—Você está bem Olivia? – a garota se assustou com a aparição repentina de Toulouse e fechou o diário bruscamente.

—Ah, oi T, estou sim – ela respondeu prontamente – E você?

—Estou bem.

—Eu fiquei sabendo que a Angelina te deu um fora – rapidamente a garota tentou concertar o que havia falado – Que terminaram.
Toulouse deu um risinho sem graça e quase irônico.

—Quase isso, parece que todo que vivemos foi apenas uma trágica mentira.

—Me desculpe, deve ser horrível para você tentar conversar com uma pessoa e ela só querer saber do seu termino de namoro. –Olivia disse.

—Pelo menos, alguma pessoa entende isso mas tudo bem. – o garoto disse finalmente – Para falar a verdade a gente nunca se fala, podíamos marcar um café qualquer dia desses.

—Ah, claro. Para falar a verdade por que não vamos agora? Eu vou precisar passar no Folly&Tea pedir uns dias de folga para estudar para as provas finais.

—Perfeito. – ele estendeu a mão para ela, para ajuda-la a descer do sofá –Olivia sorriu, ajeitou as mangas de sua blusa de frio e os dois seguiram o corredor até seu fim e saíram pela porta.

O vento de Blois sempre era frio assim, Sam sentia seu rosto congelando mesmo usando o capacete, o alivio se voltou a ele quando finalmente conseguiu estacionar a moto em frente da escola, Carmen e Angelina já estavam do lado de fora esperando.

—Ainda bem que a gracinha chegou. – ela fez uma pausa — O cara do transporte já passou aqui para pegar os instrumentos, temos que ir logo e chegar antes dele, para estarmos lá quando ele descarregar.

—Como a Bonnie está? –Carmen disse entregando a guitarra de Sam para ele.

—Vai melhorando e...- ele pensou em dizer algo sobre os sonhos de Bonnie mas achou melhor deixar de lado. – é, amanha já irei pega-la.

—Como você é insensível Angelina.- suspirou Sam e logo após dando uma risada. – Nem para perguntar como sua amiga está.

—Aprendi com você. Ambos entraram no taxi e seguiram conversando para o local do show. Lugarzinho bonito, era um tipo de pub com um palco ligeiramente grande e rodeado por mesas, bem aconchegante na opinião de Carmen, local perfeito para um show, os três subiram no palco e começaram a ajustar os instrumentos.

—Que horas o show estava marcado para começar? –Sam segurava sua guitarra e ajustava as cordas.

—oito horas, acho que já podemos começar não é? –Carmen falou, já indo para seu lugar na bateria, era isso que iria tocar hoje ela geralmente tocava teclado e raramente fazia algumas participações cantando, Angelina não gostava de deixar Carmen cantar, ela sempre era a estrela, Carmen sempre ficava irritada com o jeito diva de Angelina ser mas acabava cedendo quando percebeu que Angelina tinha mais qualidades que defeitos, ou quase isso.

—Boa noite galera vamos começar com uma musica que eu chamo de Devil's Back.– ouviu-se alguns gritinhos e aplausos e a guitarra começou dando a introdução.

"Hey Me, Remember when you were skinny? Remember when you didn't worry? Remember when you didn't care? That's when you were living, you were alive and I don't know what's happened to me. No, I don't know what's happened to me, I guess the devil's back, Hate me, I hate what I've become and now I cannot breathe, anxiety is killing me slowly. What happened to youthful carefree, when did I get so old and I don't know what's happened to me."