Notas iniciais
Capítulo-extra da tarde, espero que gostem...

Carter recebeu uma visita de Don Corleone durante uma noite. Começou como um sussurro ao longe, depois foi se aproximando, aproximando e aproximando...tão próximo que quase podia sentir o fedor de seu bafo. Carter acordou sobressaltado. As mãos cobriam-lhe os ouvidos.

“O pequeno Carter vai morrer, ele é muito fraco, o pequeno Carter vai sentir muita dor...”.

Abriu imediatamente a gaveta de seu criado-mudo em busca de seu estojo de comprimidos, mas para o seu terror, ao abri-lo não havia nenhum. Carter teria de ir até o armário do banheiro. Cambaleante, o jovem se levantou, não acendeu as luzes para não acordar os pais. O corredor estava mergulhado em profunda escuridão.

“Eu sinto o seu fedor, pequeno Carter, não pode se esconder...Eu vejo você.”

Carter apalpou a parede em busca de direção e de repente, seus dedos estavam mergulhados em uma substância morna. O garoto estremeceu e se afastou da parede. Gotas pingavam em sua cabeça. Carter estava paralisado de medo, seus pés pareciam grudar-se ao chão.

“Atrás de você, pequeno Carter...”

– Não é real...não é real...não é real – repetia incessantemente, cobrindo os ouvidos, como se isso fosse lhe ajudar – Não é real...Não é real... – Carter fechou os olhos e despencou em meio ao corredor. A escuridão começava a ganhar formas monstruosas. Os demônios queriam lhe pegar. Queriam pegar o pequeno Carter e comer seu coração.

“Não tenha medo, pequeno Carter, deixe-me brincar com você...deixe eu sentir o gosto do seu sangue...”

Carter chorava e tremia convulsivamente:

– Cale a boca! Cale a boca, seu miserável! – gritava

“Abra os olhos, pequeno Carter, abra os olhos! Porque não abre os olhos? Olhe para mim!”

– Vai embora! Me deixe em paz! – Carter atolou a cabeça entre os joelhos – Vai embora!

Mãos começavam a tocar seu corpo, acariciando-o. Carter berrava, mas não conseguia abrir os olhos. Os demônios o tocavam, queriam tirar sua roupa, deixa-lo nu. O garoto se contorcia em desespero:

– Vai embora! Vai embora! Vai Embora!

As mãos o puxaram contra o chão, queriam enforca-lo. Estavam tentando mata-lo! Seus olhos ardiam, havia luz, estavam derretendo seus olhos! Jogavam fogo neles:

– Meus olhos! Meus olhos! Socorro! Meus olhos!

Algo perfurou sua pele, Carter berrou de dor, choramingando e gemendo:

– Vai embora...por favor...

Seus olhos então se abriram e a luz ofuscante do corredor queimou lhe as retinas. Carter suava frio, seu corpo pesava nos braços de seu pai, que o segurava por trás. Sua mãe chorava agachada ao seu lado, com uma seringa vazia na mão. Seu mundo então girou de cabeça para baixo e Carter foi lançado na escuridão.