O Mundo De Carter
26 Capítulo 26
No dia 12 de Junho, Carter acordou com uma boa surpresa pela manhã. Sua mãe segurava um belo bolo de aniversário, de cobertura branca e glacê azul. Algumas velas estavam acesas e por um momento, Carter sentiu-se uma criança novamente. Seu pai estava na porta, com um sorriso estampado no rosto, quando Carter pegou o bolo, eles cantaram “Parabéns” timidamente e pediram para que soprasse as velas:
– Faça um pedido, querido! – disse sua mãe. Carter riu daquela situação, fechou os olhos e soprou as velas. Mas não pensou em um pedido imediatamente, ao invés disso, apenas imaginou um futuro onde ele e seus amigos estivessem felizes. Quando voltou a abrir os olhos, sua mãe esperava com uma pequena caixa de presente em mãos. Seus pais tiraram o bolo de seus braços e colocaram sobre o criado-mudo, enquanto Carter abria seus presentes. Dentro da caixa havia uma câmera fotográfica profissional. O garoto foi invadido por uma grande onda de felicidade e um sorriso iluminou seu rosto, para o contentamento de sua mãe:
– É incrível, valeu mesmo...- Carter mexia com a câmera como se fosse feita de porcelana. Quanto tempo fazia desde que pegara em uma pela última vez? Era perfeita. Sua mãe beijou-lhe a testa e afagou seus ombros. Seu pai então se aproximou e sentou-se em sua cama. Sua mãe saiu do quarto, levando o bolo e deixando-os a sós. Carter ficou inquieto, pois seu pai nada dizia. Quando finalmente tomo coragem para dizer algo, Robert disse:
– Como se sente?
– Bem – respondeu com um sorriso vacilante.
– Dezoito anos...- ele falava, contudo mais parecia estar conversando consigo mesmo do que com Carter –...como o tempo passa rápido.
Robert olhou-o de uma forma afetuosa, como se tentasse ver o garoto que desaparecia por trás daquele rosto, no qual um resquício de barba começava a aparecer:
– Eu queria te dar uma coisa...- ele mexia no bolso de sua camisa polo — ...não é nada, legal...ou como vocês falam, maneiro – Carter riu daquele comentário- ...mas é um presente passado de geração em geração. Eu ganhei do meu pai...e agora está na hora de passa-lo pra você – Robert tirou algo de seu bolso, pegou a mão de seu filho e o colocou entre seus dedos. Carter observou admirado o relógio de bolso antigo que estava na palma de sua mão. Era dourado e anoso, sua corrente estava um tanto enferrujada. Seus numerais eram algarismos romanos e marcavam nove horas, embora já devesse passar das onze:
– Não é nada demais, só quero que fique com isso... – disse seu pai.
Carter não sabia o que falar, apenas olhava para o presente. Sentia que aquilo era um grande gesto afetivo, resumindo muitos “eu te amo” não ditos:
– Obrigado – disse por fim e abraçou seu pai. O gesto o pegou de surpresa, mas por fim, o velho Robert amoleceu e a afagou a costa do filho com leves tapinhas.
Minutos mais tarde, Carter comia do bolo de coco que a mãe fizera. Estava delicioso, como previsto. Sua mãe iluminou-se com seus comentários positivos.
Depois do almoço, Carter e seu pai dividiram o dia juntos, campinando o jardim e aparando a folhagem das roseiras, que agora estavam incrivelmente vermelhas. Depois de ajudar o pai a carregar alguns caixotes da garagem, Carter tomou um banho quente para aliviar a tensão de seus músculos.
Sentado em sua cama, Carter revirou a câmera em mãos, admirando sua existência. Era um modelo DSLR, com visor ótico, tela LCD e uma alça de ombro embutida. Carter a testou diversas vezes dentro do próprio quarto, admirando a resolução e a captura da luz. Depois a deixou em repouso e explorou o relógio que ganhara de seu pai.
Apesar de antigo, aquele artefato era lindo e cheio de energia. Como se o fato de ter passado de mãos em mãos durante suas gerações passadas, o tornasse um objeto mágico. Carter sabia que aquele relógio era um vínculo entre ele e o pai, que significava muito mais do que realmente aparentava significar.
Mais tarde naquele dia, uma caminhonete prata – da mãe de Collins-buzinou à sua porta. Carter foi tomado por grande felicidade ao ver seus amigos o esperando do lado de fora, sobre a carroceria. Antes de ir, acabou colocando a câmera no pescoço e o relógio de seu pai no bolso do casaco. Desta forma ele se sentia completo. Recebeu cumprimentos calorosos de todos, até mesmo Cho arriscou-se em um aperto de mãos. Mas foi de Becky que Carter mais gostou. Um abraço apertado, forte o suficiente para sentir seu coração.
Ficaram admirados com a câmera fotográfica:
– Vai poder tirar muitas fotos hoje – dizia Mark. Por mais que perguntasse, eles não diziam para onde o estavam levando.
Logo estavam no Brooklyn Bridge Park, jogados na grama. Eles riam, brigavam, esbravejavam. Havia cerveja, refrigerante e alguns sanduíches caseiros feitos pelas garotas, que até estavam comestíveis.
Carter se divertia, tirando fotos de seus amigos em quanto comiam e bebiam. Registrou o máximo de fotografias possíveis. A noite estava estrelada e amena, confortável o suficiente para um piquenique noturno. Aquele era sem dúvida, o melhor aniversário que já tivera.
Tirando uma foto da Ponte do Brooklyn, uma ideia veio à sua mente, mesmo sendo louca e imprudente, Carter estava solto demais naquela noite para não tentar:
– Que tal um passeio? – disse ele
– Aonde? – interrogou Mark
– Na ponte...vai ser divertido – disse ele cauteloso. O rosto de Mark iluminou-se imediatamente. Apesar das chateações de Cho, todos consentiram.
Em pouco tempo, cruzavam a Ponte do Brooklyn rumo à Manhattan. Carter estava de pé na carroceria, ao lado de Becky e Collins. Eles voavam na noite, ao som dos carros e de gritos excitados. Carter fechou os olhos e deixou o vento bater em seu rosto.
Estava livre.
Então ele gritou o mais alto que podia, como o grito de um vencedor após uma longa batalha, e seus amigos o acompanhou sem pestanejar.
Carter nunca se sentiu tão vivo.
Collins deixou todos em suas casas antes de levar Carter de volta. No momento em que pararam em frente à casa de Becky, o garoto sentiu uma energia negativa irradiar da garota, como se estivesse apreensiva.
Era de um pavimento, havia uma garagem cujo portão estava estranhamente retorcida, como se algo tivesse batido violentamente contra ele. A casa era de uma cor verde clara e todas as luzes estavam apagadas. No momento que a garota desceu Carter a seguiu.
A noite estava esfriando, deixando os lábios de Becky arroxeados, Carter bateu uma foto instantaneamente, fazendo-a rir. Ela então o abraçou por uma última vez. Enquanto seus braços envolviam sua cintura, Carter arrepiou-se ao ouvir sua voz sussurrando:
– Feliz aniversário, Carter – O garoto sorriu. Ela se afastou, mas Carter manteve seus braços ao redor dela. Com seus rostos próximos, Carter pôde ver novamente, toda a beleza de seus olhos. A garota então se aproximou para beijar-lhe o rosto, mas no momento o garoto inclinou-se para o lado, selando seus lábios nos dela. Carter desejava palavras suficientes para descrever aquele beijo.
Seus lábios eram macios e calmos, viciantes o suficiente para torna-lo um dependente químico. O mundo pareceu parar por um instante. Becky correspondeu-lhe o beijo de uma forma doce e sutil e depois se afastou sem o olhar nos olhos, deixando-o sozinho. Depois de um tempo, Carter ouviu um pigarreio e percebeu que Collins ainda estava dentro do pick-up, o esperando. O garoto entrou e corou sobre seu olhar, mas por mais que tentasse, não conseguia esconder o seu sorriso.
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