O Mundo De Carter
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Carter ainda podia sentir aquela sensação em seus lábios. Era como se ainda estivesse beijando Becky. Ficou tentado, por um longo tempo, a ligar para ela, mas algo lhe dizia que não era necessário. Ao invés disso, aproveitou o tempo livre que tinha para revelar as suas fotos recém-batidas.
Carter as colocou nas paredes do seu quarto, em meio a todas aquelas telas e fotos antigas. Quando finalmente terminou de fixa-las, as contemplou sentado em sua cama. Os rostos sorridentes e extrovertidos de seus amigos, agora o observariam à noite, enquanto dormia. Contudo, uma das fotos que tirara -a última na verdade- ele guardou no interior de sua gaveta. Pois por algum motivo, Carter sentia que ali Becky estaria segura.
Já era quase noite quando Carter decidiu fazer um telefonema. Estava ansioso demais para não tentar. Ficou um bom tempo segurando o telefone em mãos, refletindo sobre oque falar. Qual era o próximo passo? Oque deveria fazer de agora pra frente? Isso que ele estava fazendo era correto? Eram tantas perguntas para poucas respostas. Por fim, Carter resolveu ligar. Segurou o telefone firmemente à orelha, enquanto ouvia o barulho típico de chamada. Quando finalmente atenderam, não era Becky quem falava do outro lado da linha:
– Alô? – disse uma voz grossa e masculina, que parecia um tanto pastosa para Carter. O garoto engoliu em seco, sem ter a menor noção de como reagir àquela situação:
– Quem é?! – a voz do homem estava um tanto alterada – Mas que porra! – Carter ouviu um barulho como se o homem estivesse prestes a desligar o celular, contudo esse foi interrompido por uma voz feminina bem ao fundo. Carter cogitou desligar, mas sua consciência falou mais alto. Foi quando Becky pegou o telefone:
– Alô?
Carter respirou fundo e gaguejou:
– Ah... Oi, Becky...tudo bem? – No momento em que ouviu sua voz, a garota pareceu abafar o telefone, pois sua resposta saiu contida:
– Oi Carter...tudo sim...- ela fez uma pausa – E você?
– Bem...- Oque ele estava fazendo afinal? Carter sentia-se mais perdido que cego em tiroteio: — ...Eu, ahn... – A voz masculina ressoou ao longe, parecia nervoso e por um momento, Carter pensou ter ouvido um palavrão – Está tudo bem mesmo?
– Sim...é só o meu padrasto – sussurrou Becky. Porque ela estava sussurrando? E por que o padrasto atendeu o seu celular? Carter engoliu a própria timidez e decidiu ir direto ao assunto: — Eu liguei pra saber...se você gostaria de...sei lá, sair comigo um dia desses – houve um breve silêncio do outro lado da linha e por um momento horrível, Carter pensou que ela fosse recusar:
– Ahn, claro, eu adoraria... – Becky parecia verdadeiramente animada, mesmo que ainda parecesse cautelosa – Amanhã pra mim está ótimo... – disse ela.
Carter sorriu:
– Então eu te pego às... Oito, pode ser?
– Ahn...pode ser, ok então...te vejo amanhã.
– Ok...boa noite – disse Carter
– Boa noite... – e assim Becky desligou. Carter colocou o telefone no gancho e encarou a parede. Passou certo tempo, ali parado, embora não soubesse quanto. Sua mente parecia uma penumbra, tudo misturado e esmaecido. Estava feliz, porém não podia se dar ao luxo de estar relaxado.
Ao mesmo tempo em que se questionava sobre como conseguiria o carro do pai emprestado, Carter também refletia sobre a situação em que acabara de se meter. Primeiramente, porque o padrasto de Becky atendeu ao telefone? Porque ele ficou nervoso ao fazer isso? Porque Becky estava cochichando, como se estivessem em perigo? E paralela a todos esses “porquês”, estava a perguntava que martelava na base do seu cérebro podre: “Onde levaria Becky em seu primeiro encontro?”.
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