O Mundo De Carter
12 Capítulo 12
No dia anterior à véspera de Natal, Carter visitou o Central Park. Seus amigos deslizavam no gelo como crianças que cresceram demais. Becky parecia um anjo. Deslizava de forma tão genuína, que parecia flutuar aos olhos de Carter. Depois de um tempo, Becky e Maggie o puxaram para a pista de patinação. Carter estava envergonhado, pois nunca havia feito aquilo e muitas pessoas estavam olhando. Mas elas não pareciam se importar com isso. Naquela noite, Carter agradeceu a Deus por Simon estar viajando. Becky puxou-lhe os braços e com muito esforço, rodopiaram. Carter sorria, vendo a alegria estampada no rosto de Becky. Como ela era linda. Depois veio os tombos e os roxos, mais isso não entra na história. Foi uma noite inesquecível. Carter se sentiu vivo e acima de tudo, Carter se sentiu livre.
Depois da pista de patinação, Carter, Becky e Mark foram até o Mishan The Bar. Pediram três hambúrgueres duplos e muita cerveja –embora Carter não tenha bebido — enquanto ouviam as piadas sujas de um bêbado. O sujeito fedia a pinga e falava mais que lavadeira que perdeu o sabão.
Já se passavam das onze horas quando deixaram Mark em sua casa. Agora só havia Becky e Carter, novamente em seu velho Voyage vermelho. Ao som, tocava Blowin' In The Wind. Carter se sentia radiante naquela noite, foi quando Becky começou a cantarolar. Aquilo foi tão engraçado que Carter a seguiu:
How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
Yes and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.
Carter parou de cantar por um momento e contemplou a beleza ao seu lado. Como tudo parecia fazer sentido na voz de Becky. Carter deixou-se viajar nas partituras daquela música, sentiu-se leve como uma pluma.
How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
“Quantas estradas precisará um homem andar, antes de chamá-lo de um homem?”:
– Essa era a favorita dele – disse Becky. Carter sorriu, pois estava feliz:
– É uma das melhores.
Carter observou-a contra a luz. Becky parecia incomodada:
– Você é feliz, Carter? – disse após um longo silêncio.
O garoto olhou pela janela e respirou fundo. Como responder àquela pergunta? Preferiu ser evasivo:
– Eu não sei...felicidade é um tanto relativo e...
– Diga a verdade – Becky o olhava – Vi as cicatrizes.
Carter a encarou, sem palavras. Umedeceu os lábios sem jeito:
– Foi uma época difícil.
Becky pareceu agitada:
– Eu não sei por que, Carter, mas toda vez que estou com você...eu sinto que posso falar... eu não sei o que isso significa, não quero que ache que sou louca...
– Eu nunca pensaria isso de você.
Ela sorriu. Um sorriso sincero:
– Você tem algo especial, não é mesmo, eu queria saber o que é.
Você não iria querer saber oque é, pensou Carter:
– Becky...você é feliz?
A garota fez uma careta e mandou-lhe um olhar corriqueiro:
– Felicidade é um tanto relativo.
Carter sentia uma grande tristeza irradiando-se de Becky. Quando chegaram em frente à sua casa, ambos saíram do carro. A garota aproximou-se dele, ficando cara a cara:
– Escute, Carter... me desculpe por estragar sua noite.
– Você não estragou, de jeito nenhum – disse Carter ansiosamente.
Becky o olhou carinhosamente e passou os dedos em seu cabelo, retirando alguns flocos de neve:
– Eu devo estar muito bêbada – disse rindo e Carter a seguiu. Ela então o abraçou. O garoto retribuiu com a mesma intensidade. Naquele momento, somente naquele momento, Carter sentiu que era tudo que precisava ser para alguém.
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