O Livro do Destino
7 Para resgatar o Destino
“Você só pode estar brincando.” Laura falou sentando-se ao meu lado e me ofereçendo uma xícara de chá de maçã.
“Foi muito estranho. Eu acho que a página está se aproximando e-”
“Julie.” Ela me interrompeu e eu a encarei. “Não tem nada demais. Deixe as coisas acontecerem naturalmente, goste dele se for o caso...”
“Não é o caso.”
“E se isso tudo for simplesmente paranoia?"
“Não é!” Insisti e ela revirou os olhos depois de tomar um gole do chá. Depois de um longo suspiro ela se virou para mim e sorriu.
“Você está com medo de quê?”
“Só quero que vá com ele recuperar meu livro e traga-o para mim, eu não passarei por aquilo novamente.” Laura e eu nos encaramos por alguns segundos até ela revirar os olhos outra vez e soltar um forte suspiro.
“Ai ai ai, Julie..." Ela se levantou e foi atrás do celular e mandou uma mensagem de voz para Michael "Japa, passa aqui, estamos saindo agora.” Ela fechou a tela do celular e cruzou os braços para mim.
“Você o chamou aqui?” Franzi a testa.
“É bom você se esconder ou...” Ela me seguiu até a cozinha. “O quê está fazendo?”
“Tendo certeza que não vou o ver e passar vergonha e humilhação novamente.” Abri a dispensa, entrei e me tranquei. Laura bateu na porta.
“Julie, você está conseguindo ser pior que o meu irmão de seis anos de idade que está na primeira série do ensino fundamental.” Suspirei e a ouvi fazer o mesmo. “Olha, é a campainha.”
“Finge que eu não estou aqui, inventa uma desculpa.” Falei baixo e ela riu.
“Pode deixar comigo.” Seus passos se distanciaram e eu apenas fiquei lá, respirando pesadamente enquanto Laura foi atender à porta.
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Abri uma fresta minúscula da portinha para saber o que estava acontecendo dispensa afora.
“Michael, você não vai acreditar" Laura anunciou abrindo a porta e o abraçando. “A Julie não poderá vir com a gente!”
“O quê? Por que?” Michael olhou em volta da casa. Ele jurava que eu estava por lá.
“A Julie está... ela... Então! Ela ficou louca!”
“O que?!”
“Ela falou que... que a Amanda fez um coração no livro com seus nomes dentro!”
“Ahn?” E nesse momento Michael conseguiu encaixar todas as partes que eu havia omitido e olhou para Laura. “Ela... colocou os nossos nomes?” Laura fez que sim e Michael continuou "Ela estava preocupada que-”
“Xiu, já entendemos o resto, todos quites, fica quieto por que eu preciso dar uma mexida no plano, e ainda precisamos chegar na escola, estamos atrasados.”
“Okay, bicicleta?” Michael olhou para o jardim onde a sua bicicleta se encontrava encostada na árvore. Laura riu e Michael não entendeu "o que foi, menina?"
“Eu não sei andar de bicicleta.”
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E foi assim, pelo menos pelo que Laura me contou depois que voltou que Michael e ela- digo, ele levou os dois em uma só bicicleta para a escola.
“Okay. Temos que passar por uma secretária, encontrar a sala com o livro, sair antes da escola fechar e salvar a menina que está tranca-” Laura riu. “Vamos lá!”
Michael levantou uma sombrancelha. “Laura, isso é sério.”
“Eu estou levando a sério.” Ela revirou os olhos e o puxou até a secretaria do outro lado da escola. As nuvens estavam carregadas e o vento era a desculpa perfeita para Laura empurrar Michael nas poças de lama e faze-lo reclamar. “seríssimo.” Michael revirou os olhos e cruzou os braços. “Tira esse gorro, menino.”
“Está chovendo.”
“Você não sabe viver.” Ela riu e eles entraram na secretaria antes que a chuva ficasse mais pesada. A secretária, roliça e com uma enorme verruga na bochecha, os olhou irritada com a água que trouxeram para dentro da secretaria.
“Como posso ajudar?”
“Estamos aqui para a entrega da atividade de recuperação.” Michael anunciou antes de Laura.
“Certo. Nome?”
“Laura Rogers.” Laura cutucou Michael enquanto a secretária pesquisava seu nome nos arquivos “Idiota, você é o melhor da sala, se fosse o seu nome ela saberia que estamos mentindo na hora.” Ela sussurrou e a secretária os encarou. “Sim?”
“Não temos nenhuma atividade para você entregar.”
Laura riu. “Então fiz exercícios de Química a toa?”
A secretária releu os registros e suspirou. “Sim.”
“Posso pelo menos colocar no armário do professor para ele buscar depois para que meu árduo trabalho tenha valido a pena?” Com outro suspiro a secretária apontou pro corredor da secretaria e Michael e Laura comemoraram internamente, caminhando rapidamente pelo corredor.
“Espere!” Os dois voltaram-se para a secretária. “Você, Michael?” o menino fez que sim. “Porque vai junto?”
“Eh...” foi a única coisa que Michael conseguiu emitir naquela hora, teria ela descobrido que eles não estavam lá por causa de um mísero trabalho de química?
“Michael está me ajudando, acabei de mudar de escola.” Laura mentiu rapidamente e sorriu novamente. “Eu até queria perguntar sobre seus cursos de arte.” A secretária a encarou séria, respirou fundo e concordou. “Michael, para poupar-nos tempo, coloque isso no armário do professor, eu vou ver as inscrições.”
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“Ótimo, ótimo, ótimo, ótimo...” Michael repetiu para si mesmo enquanto andava pelos corredores e ouvia a animada voz de Laura tentando puxar assunto e distrair a secretária. Onde guardavam os itens confiscados? Ele ajeitou o óculos e tentou enxergar qualquer coisa. Não podia ligar a luz para não levantar suspeita. “O que... é...” Luz, luz novamente. Ele andou até a sala e torceu para a porta estar aberta. Estava. Estava à fechar a porta o mais silenciosamente possível quando ela mesma fechou e o empurrou para trás. A luz acendeu novamente.
Michael se levantou e olhou em volta. Vários arquivos antigos. Okay. Possibilidade do livro estar ali? 1.004% Ele procurou nas estantes mais altas e nas gavetas abertas. Não era-
Algo sussurrou em seu ouvido, rindo esganiçadamente, e seu coraçao parou. As luzes apagaram novamente e Michael se agachou.
“Livro tem voz?” Ele murmurou procurando pelo interruptor.
“Livro não.” A esganiçada estava por todo canto. Seria impossível a identificar no escuro e assim que a frase acabava parecia que tudo virava um silêncio eterno. Só uma respiração. Michael repirou fundo e viu a sala começar a ser iluminada por uma luz verde doentia.
“Vão ter que ser bem mais que ameaças para me tirar daqui.” Michael sussurrou, ainda aflito.
“Você quer... atos?” E com essas palavras Michael encontrou seu rosto no chão. Seus óculos haviam quebrado. Ele tateou o chão e encontrou o maior pedaço de vidro que tinha. “Você não consegue machucar alguém que não vê e não sente.”
Ele olhou em volta mais uma vez. O livro... O livro estava... Ele arregalou os olhos e rolou para o outro lado da sala, seu movimento acompanhado do barulho da estante caindo onde ele estava. Ele se encostou da parede. “Sua voz...” De onde a ouviu antes? Ele mordeu o lábio. Depois, sobreviver antes. E nesse segundo ele jurava que não sobreviveria. Sentiu algo em sua cara.
“O que tem a minha voz?” Uma mão segurou seu pescoço. Michael levantou o pedaço de vidro e tentou o fincar na mão que o estrangulava com toda sua força o pedaço passou direto e atingiu seu braço. Ele segurou o caco de vidro firmemente em sua mão e com firmeza. “Eu não sou sólido.”
“O inter-ruptor é.” E ele se culpou de todos os momentos que havia deixado de fazer aula de educação física e se recordou de todos os momentos que havia errado a mira, mas naquele escuro, sem ter ideia de onde estava cada coisa o caco de vidro bateu no interruptor e todas as luzes ascenderam. Como se quem o estrangulasse fizesse parte da escuridão em que se encontrava, tudo sumiu com a luz para dentro do livro agora na sua frente. Michael caiu com sua cabeça no livro e recuperou o ar. “A Julie me deve uma...”
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“Teatro também?! Mas já está inscrita em artes, música, clube de leitura, dança irlandesa, dança do ventre, língua russa e língua árabe!
“Moça, qual destes registros aqui demora mais tempo para fazer?” Ops. Laura olhou assustada para a secretária. “Digo...”
A Secretária fechou o livro de inscrições e se levantou. “Onde está seu amigo?”
“Ele...”
“O que está acontecendo aqui?!” A secretária se levantou e foi atrás de Michael. “Não acredito, acham que eu não tenho nada para fazer e ficam fazendo brincadeiras?” Laura correu atrás da secretária.
“Sentimos muito!” Ela gritou atrás e ela a ignorou.
“Onde ele está?” Ela parou e fitou Laura vendo toda a culpa em seus olhos.
“Eu queria saber.”
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Michael finalmente conseguiu levantar. Ele esfregou seus olhos e abriu a porta. “Minha mãe vai me matar...” Ele não podia ver as manchas de sangue em sua blusa, provavelmente de seu nariz ou de seu braço, as manchas de poeira da sala e dos livros velhos, os pedaços de vidro que ficaram em seu cabelo e a armação que ele perdeu ao ser pisotiada por ele mesmo enquanto procurando a saída da sala, mas agora, nada importava, ele saía da sala com um sorriso que eu morreria para presenciar. Livro embaixo do braço e provavelmente uma vitória contra seu irmão mais velho que ele jurava nunca ter passado por isso.
Ele estava tateando seu caminho de volta para a mesa da secretária quando algo o abraçou. Ele reconheceu o borrão de cor mel e azul e a abraçou de volta.
“O que aconteceu com você?!” Laura limpou os cortes de seu rosto com os dedos. “Cadê os seus óculos?” Laura e a secretária podia lhes matar de perguntas e olhares de censura, mas ele estava feliz demais para se importar.
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