O Livro do Destino
8 "Capítulo 3"
Julie! Seu livroooo” Laura anunciou abrindo a porta da dispensa. Me levantei e coçei meus olhos ao ver o sol depois de uma hora no escuro.
“Vocês conseguiram?!” Sorri e a abraçei. Ela se afastou e sorriu um de seus mais belos sorrisos.
“Nós não. O Japa.” Ela se afastou para que eu visse Michael encostado na parede nos encarando. Corri até ele.
“O que aconteceu? Cadê os seus óculos?”
Ele me entregou o livro e eu o examinei. Eles haviam conseguido. A culpa de não ter ido e ser a razão para que Laura sofresse detenção e Michael quebrasse seus óculos e muito porvavelmente nariz afundou em mim.
“Desulpa, desculpa, desculpa...”
“Xiu, dissemos que iamos ajudar, eu até tenho um óculos para emprestar para Michael até que ele compre um novo.” Laura entregou-lhe um óculos que provavelmente pertencerá ao Harry Potter antes e riu ao ver Michael o usar. Ele a encarou sério e voltou-se para mim.
“Obrigada, obrigada mesmo.” repeti e o abraçei. Ele murmurou qualquer coisa e eu me afastei. Para livrar-me do coração agora... Peguei o livro e agradeci outra vez. “Certo, tenho que ir agora.” Laura lamentou-se e Michael se despediu dela. “Nos vemos amanhã.”
“Isso. Vocês vão embora juntos, não?” Laura falou nos levando até a porta. Fizemos que sim e ela sorriu. “Até amanhã. Boa sorte, Julie.”
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“Por que está fazendo isso?!”
“Prometeu que me contaria.” Michael não virou-se para me encarar em momento nenhum enquanto pedalavamos (um pouco mais depressa que o normal) de volta para casa. Revirei os olhos.
“Eu não deixei de contar nada!”
“Omitiu.”
“Como?!” Laura. Apertei o guidon da bicicleta com mais força. “Eu não-”
“Não tá legal, Julie, não estamos bem, okay?”
Segurei a respiração.
“Se você acha que eu não mereço ser seu melhor amigo, tudo bem, tudo bem mesmo, mas não finja que eu sou por que eu acabo acreditando.”
Parei a bicicleta esperando que ele fizesse o mesmo, mas ele continuou e eu senti meu coração apertar. Eu não estava sendo justa com ele? Pode ser. Tinhamos nos distânciado a partir do momento que comecei a sentir-me um pouco diferente perto dele, mas era somente para que ele não me rejeitasse e eu perdesse o encanto que era estar ao seu lado. Esfreguei meu rosto. As coisas estavam difíceis para quem resolvia gostar de seu melhor amigo. Com esse pensamento final Michael virou a esquina em direção à sua casa e eu acabei chegando em casa sozinha.
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“Julie! Venha aqui!”
Desci as escadas e cruzei meus braços.
Meu pai arrumava a gravata na frente do espelho. Ele estava... vendo alguem? Me senti pior. “S-sim?” gaguejei.
“Eu vou sair. Não sei quando volto.” Ele respondeu e abriu um perfume que havia ganhado à um bom tempo. Ele não tinha a mínima consideração por minha presença ali? “Alguem tocou a campainha.”
Saí do quarto e voltei para encara-lo pelo espelho. “Quando vou conhece-la?”
“Não sei, Julie.”
Corri até a porta com o rotineiro mal humor e para melhorar.
“Eu sinto muito.” Michael falou antes mesmo da porta abrir por inteiro. Fiz que ia fechar a porta e ele a segurou. “Minha mãe está bem ali, por favor não feche na minha cara.”
Suspirei e o convidei para entrar. Ele fechou a porta e mordeu o lábio. “Eu queria dizer que foi injusto dizer o que eu disse e que eu não estou sendo amigo algum.” Ele olhou para o chão. “Queria também dizer que se você acha que essa distância é necessária agora por que somos... obviamente diferentes... anatômicamente-”
“Michael?” O encarei incrédula e seus olhos foram para o teto.
“O que quero dizer é que eu sinto muito e que eu vou melhorar, não importando se você já não gosta de mim, não confia em mim ou acha que não terá chances com o Felipe por causa se mim você sempre será minha primeira amizade e... pode se distânciar, mas... o título continua o mesmo e eu não preciso mais que o sentimento seja recíproco.”
“Queria que meus sentimentos fossem recíprocos” pensei e sacudi a cabeça. “Eu não gosto do Felipe. Quase nunca falo com ele. Acho que nem nunca falei.”
Isso foi... um sorriso em seu rosto? Acabei sorrindo também.
“Isso quer dizer que estamos bem?”
“Melhor que bem.” Respondi e escondi meu rosto ao senti-lo me abraçar. Fechei os olhos e suspirei.
“Ótimo.”
E ai ficou tudo bem. Até ele ir embora e eu ficar sozinha em casa com o livro. Respirei fundo e abri a página com o coração. Okay. Vamos lá, Julie. Tentei minha borracha para caneta, meu estilete, meu corretivo, tesoura, adesivo. O coração voltava. Eu estava uma página longe de provavelmente admitir meus sentimentos e... ver no que iria dar. Suspirei e pensei. Como... Tirei minha caneta azul e voltei-me para o coracão. Acabei por escrever mais um monte de nomes dentro do coração.
Respirei alvíviada.
Um coração com amigos. Estava feito. Há. Julie 2 x 0 para o Destino. -há! Eu estava errada.- Guardei o livro no cofre do lado da minha came e me aprontei para dormir. Ignorei o chacoalhar do cofre. Se o livro realmente quissesse conseguiria fugir? Mordi o lábio. Acho que sim. Apaguei a luz.
“Eu não vou voltar.” Algo sussurrou. Ascendi a luz novamente e olhei para o cofre.
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Ar. Eu não tinha...
Ar!
A estante perpendicular a minha cama caiu em cima de mim. O cofre. Quebrado. Respirei fundo e recuperei o fôlego. Os livros pesados que eu guardava na estante quase me mataram? Tentei me mover, mas a estante havia caído em minha perna. Eu já nem a sentia mais. “Pai!” Gritei. “Pai...” Estiquei meu braço para o celular em cima da minha cama e disquei o número de Michael.
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“Como uma estante daquele tamanho caí do nada?” A enfermeira repetiu outra vez depois de engessar minha perna.
“Eu não...” A fratura estava próxima de ser incurável. Por um triz não perdi a perna. Respirei fundo e apertei a mão de Laura que assim que soube veio me ver no hospital.
Michael manteve-se perto do interruptor. Or por trauma ou por não saber o que fazer.
“Julie... Ele se foi.” Laura alisou meu cabelo. “Não é Michael?”
Michael ajeitou os óculos e concordou. “Dúvido que tenha ido para a escola novamente, não vai voltar, Julie.”
Sorri em alívio mesmo que não acreditando. “Eu quase perdi a perna...”
“Sh...” Laura me deu um copo de água e Michael me fitou sério. “Agora vai ficar tudo bem.” Ela olhou em volta. “Está vendo? Nenhum livro e Michael e eu estamos aqui.”
“Onde está meu pai?”
“O telefone dele está desligado.” Michael falou depois de se entreolhar com Laura. “Sentimos muito, Julie, assim que ele voltar para casa vai saber, minha mãe estará lá. Descanse.”
Concordei e fechei os olhos, estava tudo bem, estava tudo bem.
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