Saí da secretaria depois das meninas. A coordenadora quis me fazer relembrar de todos os petelecos e palavras que já havia lançado na direção da Amanda ou das suas amigas. Entrei na sala no meio da aula de matemática. Ver Michael me fez sorrir e entrar em desespero ao mesmo tempo. Raciocíne, Julie... um coração de repente só pode dizer que... me apaixonarei por ele? Desassenti e voltei para a Terra com Michael fitando-me sério junto ao resto da sala e o professor. “Julie?”

“Perdão, com licença.” Andei rapidamente para minha carteira e tirei meus livros da mochila. Era possível respirar agora. O livro não estava mais nas mãos de Amanda e eu não corria tantos riscos. Como eu o conseguiria de novo? Meu coração acelerou. Meu pai. Eu nunca o convenceria a retornar meu livro e se ele fosse para a escola saberia da Amanda e- Senti a mão de Michael no meu ombro. Virei para encará- lo e ele sorriu. Sorri de volta e voltei- me para meus exercícios. Tudo bem, ajeite-se, Julie.

“Alunos, não se esqueçam: a escola ficará aberta até mais tarde hoje para que possam entregar seus exercícios de recuperação.” Isso me animou e pelo resto da aula arquitetei o plano perfeito para pegar meu livro de volta.

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“Você espera invadir a secretaria?” Michael repetiu meu plano com a voz tão não impressionada que eu só podia me encolher mais um pouco em minha angústia e esperar que não encontrassem outros defeitos.

“Isso... isso mesmo.” Respondi o mais firme que pude.

“Julie... o que estava escrito no livro?” Michael se virou para me encarar sério.

Laura e eu nos entreolhamos.

“Hum... Gente, eu preciso saber se vão me ajudar ou não.”

“Vamos.” Laura puxou Michael mais para dentro de nosso “círculo” e sorriu. Olhei para Michael e acabei por encará- lo até que ele olhasse para meus olhos e eu lembrar que isso era estranho. O coração estava próximo.

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Acabei o almoço e depois de organizar a cozinha, sem notar, já estava pedalando para a casa do Michael. Parei a bicicleta. O que? Do nada?! Um carro buzinou atrás de mim e eu encostei- me em uma árvore. Eu não lembrava de ter ido até a garagem... Tarde demais. ''mas ele pode me ajudar'' sussurrei para mim mesma e arregalhei os olhos. Eu não... me encontrei parando a bicicleta novamente, desta vez na frente da casa do menino que eu tenho gostado desde não sei quando. Virei a bicicleta para voltar para casa quando vi Michael pela janela. Sorri para o nada e caminhei até a porta. Tarde demais.

“Michael, vá atender a porta!” A voz da mãe do meu melhor amigo chegou aos meus ouvidos assim como o cheiro da torta de cereja que a casa tinha. Fiz que não com a cabeça. ''Não atenda a porta, não atenda a porta...'' repeti para mim mesma.

Michael abriu a porta e arregalou os olhos ao me ver, rapidamente disfarçando ao se encostar na porta e cruzar os braços. Ele estava bravo comigo? Tinha todos os motivos para estar, mas não agora.

“Oie.” Falei sorrindo o sorriso mais meloso que poderia conseguir- "desculpa, essa parte sempre me deixa constrangida". Michael ergueu uma sombrancelha e olhou para dentro de casa. Urgh.

“Michael, quem está ai? Eu não te dou educaçã-” A mãe dele abriu um sorriso largo ao me ver. “A quanto tempo, Julie! Entre, querida!” Ela me guiou até o sofá e empurrou Michael para sentar-se ao meu lado. “Estou fazendo torta de cereja, Julie, não se importe...” Ela voltou para a cozinha com um bom humor característico dela. Michael continuou olhando para a TV.

“Mike...” o cutuquei com o cotovelo e ele revirou os olhos ao apelido.

“Acho que você confundiu a casa da Laura com a minha.” Ele respondeu secamente e me coração afundou.

“Não!” Respondi rápido demais. “Não fique chateado-”

Ele cruzou os braços.

“Por favor... Preciso da sua ajuda...”

Michael suspirou e olhou para a mãe que estava olhando para nós de vez em quando enquanto mexia a penela com as cerejas quentinhas. “Vamos lá pra cima.” O segui para seu quarto e fechamos a porta. Ele se encostou nela e me encarou com sua cara claramente não impressionada. “Eu já disse que vou te ajudar. Por que você veio até aqui?” Eu me sentei na cadeira de sua escrivaninha e o fitei por alguns segundos até acordar e prestar atenão no que dizia.

“Se você está bravo por que eu-”

“Eu não estou bravo! Eu estou nigligênciado. Eramos melhores amigos! E eu amo a Laura, mas você não me conta mais nada e-”

“Isso é sobre-”

“Sobre tudo o que aconteceu. Você quer se afastar de mim? Não confia mais em mim-”

Suspirei. Eu não poderia falar. “Eu... nada disso. Eu te amo também.” Corei.

Ele sentou-se ao meu lado e me encarou. Segurei a respiração. “Também te amo.” o que... estava... acontecendo? “Se somos amigos porque não me conta?” Oh. Tristeza desceu como um manto em cima de mim e eu olhei pro chão.

“Amanda escreveu uma de suas peças no meu livro. Tenho medo dele alterar meu futuro.” Me aproximei dele.

“Sim, mas o que ela escreveu?” Era imaginação minha ou ele realmente aproximou seu rosto do meu? Sorri e rapidamente voltei à minha expressão normal. Não, pare.

“Colocou seu nome no meu livro.” Ometi uma parte do livro e- nossa que lábios. Me afastei subitamente. Não. Não. “Eu só preciso ter certeza que vai me ajudar.”

Ele fez que sim e eu olhei para o teto para não olhar novamente para- “Quando vamos?”

“A escola fecha as 6 hoje, 5:30.” Respondi e me levantei. Não iria esperar o tique me atingir novamente.

“Quer jogar algo até la?”

“Não.” Respondi rapidamente e esfreguei meu rosto “Desculpe, não dá... preciso... fazer...tarefa de casa...!" Ri sem graça e corri para fora da casa aos seus protestos.

Era isso, o plano estava arquitetado e eu iria pegar meu livro devolta , jogaria-o em Mordor se isso fosse o necessário. Eu iria o derrotar.