O Legado Esquecido
13 As familias Antigas
Notas iniciais
Os corredores de Hogwarts estavam quietos, com exceção do eco das vozes do grupo enquanto retornavam da área das masmorras. Cada um parecia absorto em pensamentos. O encontro com a figura encapuzada deixara suas mentes mais inquietas do que nunca. Os símbolos gravados nas pedras, a magia antiga, e as palavras enigmáticas da figura ecoavam em suas cabeças.
Rose parou abruptamente, obrigando os outros a também interromperem seus passos. “Precisamos voltar para a Sala Precisa agora. Há algo que estamos ignorando.”
“Você quer dizer os símbolos?” perguntou Hugo, arqueando as sobrancelhas.
“Não só os símbolos,” ela respondeu. “Mas a conexão com as Sagradas 28. E Merlin.”
Todos se entreolharam. Desde que haviam começado a desvendar o mistério, as famílias Sagradas 28 haviam surgido repetidamente em textos e relatos. Eram famílias de sangue puro que, segundo o que haviam descoberto, tinham laços profundos com a fundação do mundo mágico. Mas até então, não havia nenhuma evidência direta que os ligasse à Ordem da Lua Negra.
Quando voltaram à Sala Precisa, a sala parecia mais iluminada, como se refletisse a intensidade crescente de suas emoções. Rose começou a organizar suas anotações sobre uma mesa, enquanto os outros se sentavam ao redor, atentos.
“As Sagradas 28 foram documentadas como as famílias de sangue puro mais antigas e influentes do mundo mágico,” começou ela, apontando para uma linha de texto em um livro envelhecido. “Mas o que não é amplamente divulgado é que algumas dessas famílias também eram guardiãs de conhecimento antigo. E esse conhecimento, aparentemente, vinha de Merlin.”
“Você acha que Merlin confiou algo às famílias?” perguntou Lily, inclinando-se para frente.
“Exatamente. Pensem nisso: se Merlin sabia que algum dia ele desapareceria ou seria traído, ele não colocaria todos os seus segredos em um único lugar. Ele confiaria partes de seu legado a pessoas de confiança. E quem mais confiável do que famílias que poderiam passar esse legado de geração em geração?”
“Mas isso não explica por que a Ordem da Lua Negra está envolvida,” ponderou Lorcan.
“E se a Ordem for composta por descendentes dessas famílias?” sugeriu Scorpius, a voz baixa.
Houve um silêncio carregado enquanto todos consideravam essa possibilidade.
“Isso faria sentido,” disse Rose finalmente. “Eles poderiam estar protegendo os segredos de Merlin ou tentando reivindicá-los para algo maior. Mas há algo mais aqui. Algo que ainda não conseguimos ver.”
Nesse momento, um livro sobre a mesa brilhou suavemente, como se reagisse à energia mágica na sala. Albus estendeu a mão e o abriu. Era um registro antigo, aparentemente inofensivo, até que ele virou uma página com um símbolo familiar: o padrão lunar que haviam visto no troféu e nas paredes das masmorras.
“O que é isso?” perguntou Fred, inclinando-se para olhar.
“É um mapa,” disse Albus, apontando para as linhas intrincadas que formavam caminhos. “Mas não de Hogwarts. Parece... maior.”
“É do Ministério da Magia,” afirmou Rose, analisando os detalhes. “Estes são os níveis subterrâneos. E aqui,” ela apontou para um ponto marcado com o mesmo padrão lunar, “está algo que eles estão protegendo.”
“Se for isso que eles estão protegendo, talvez seja onde precisamos ir,” sugeriu Hugo, sua voz cheia de determinação.
“Mas isso não pode ser feito sem um plano,” argumentou Scorpius. “Se a Ordem realmente está ligada às Sagradas 28, então qualquer movimento nosso será observado.”
Lily cruzou os braços. “Talvez seja hora de descobrir quem está realmente por trás dessa Ordem.”
Todos se voltaram para ela.
“Pensem nisso,” continuou Lily. “Se a Ordem está entre nós, então eles estão aqui, em Hogwarts. Precisamos identificar os membros e descobrir o que sabem antes de fazermos qualquer movimento.”
“E como você sugere que façamos isso?” perguntou Lorcan.
“Usamos as reuniões deles contra eles,” respondeu Lily, um sorriso se formando em seus lábios.
Naquela noite, o grupo começou a planejar um elaborado esquema para infiltrar-se na Ordem. Se a conexão com as Sagradas 28 fosse verdadeira, então a chave para resolver o mistério de Merlin estava mais próxima do que imaginavam. E, ao mesmo tempo, mais perigosa do que poderiam prever.
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