O Lago do Cisne
13 Pelo Seu Amor
Notas iniciais
Hyoga não sentia seu coração bater, nem as lágrimas que escorriam por seu rosto e que congelavam antes de atingir o chão, só sentia o vazio, uma sensação vertiginosa que o pressionava para baixo, só sentia uma dor indescritível por todo o corpo. Parecia que tinham levado metade de sua alma e deixado a outra metade totalmente desnorteada em um lugar estranho. Eram sensações familiares, mas nem por isso menos dolorosas.
Não conseguia mais olhar Phoenix nos olhos, não só por vergonha, como também por raiva, então deu-lhe as costas e saio correndo.
Sentia-se como um idiota, percebendo que tinha passado tanto tempo olhando para sua imagem refletida no lago, que a imagem veio a se tornar sua alma. Percebeu que quando olhasse a imagem novamente, ela estaria em pedaços, quebrada. Pedaços de si próprio, afiados de mais para serem colocados de volta. Pequenos de mais para se importar, mas grandes o suficiente para cortá-lo em milhões de pedaços se ele tentar tocá-los. Sabia que isso podia acontecer, porém, ignorou as chances e agora sofria com as provas.
Sentia-se sangrando, mesmo sem ferimento algum. Respirava, mas o ar lhe faltava. Não importava o quanto tentasse, não conseguia se acalmar, queria que o leonino viesse a sua procura, queria que ele convencesse-o que tinha se enganado, que aquilo foi um mal entendido e que tudo melhoraria, mas sua mente não queria deixá-lo se enganar, mesmo que seu coração clamasse pelo oposto.
Entre ele – o corpo – e o reflexo – a alma, a essência, o ser – quem Phoenix realmente amava? Se é que amava depois de uma cena como aquela.
Ele sangrava sem um ferimento físico e sim com um ferimento na alma. Ele respirava sem sentir o ar ou a paz que tanto lhe fazia falta.
Ele se cortou com alguma coisa, talvez em uma das muitas estátuas ou com a arma de algum soldado em que esbarrou ou um galho de arvore, não tem e nem deu importância. Ele sangrava, sentia o sangue morno escorrer, porém, o que realmente doía era o sangue que escorria da alma. Ele respirava sem sentir o ar, logo ele não queria mais respirar. Ele não queria mais...
Phoenix se viu se "ressaca" pela droga ingerida pouco depois, não ligava de estar fraco e dolorido, saio atrás de Hyoga, mas não sem antes dar um tapa na mulher que o manipulara e acusá-la na frente de todos, dando-lhe as costas cambaleante. Não sabia qual seria o fim dela, porém, naquele lugar, traidores não eram admitidos, o destino dela não seria um dos melhores.
Ikki uivava de dor no peito, tanto a emocional, quanto a dor gerada pela droga ingerida, queria tombar de joelhos, chorar e pedir perdão, entretanto, não faria isso sem estar frente a frente com o amado. Ele corria como podia até o lago, não admitiria perder Cygnus, não conseguiria perdê-lo, seu mundo desabaria se o rapaz o negasse.
Chegou ao lago um pouco melhor, já conseguia se manter em pé sem cambalear. Olhava em todas as direções vendo a neve que caia em nevasca, cobrindo a grama, e o lago congelado, mas nenhum sinal do aquariano.
¬ HYOGA!! — sem resposta. — HYOGA!! PERDOE-ME!! ELA ME ENFEITIÇOU!! EU JAMAIS LHE TRAIRIA!! JAMAIS!! — sem resposta. — HYOGA!!
Hyoga estava no meio do lago, sentado sobre a camada de gelo que se formou de suas lágrimas, usando a neve para encobri-lo, seu sangue manchava a neve, formando uma pequena poça de neve e sangue misturado, e ele não se importava, não quando seu coração estava retalhado. Ouvia tudo o que Ikki dizia, mas cada palavra rasgava-lhe o peito. O leonino não estava muito diferente, pela falta de resposta, ele caio de joelhos e chorava, mas não desistiria, fazendo com que seus soluços morressem ainda na garganta, mesmo que o amado não o aceitasse de volta queria que ele ao menos o escutasse.
¬ HYOGA!! EU JAMAIS LHE TRAIRIA!! — declarou aflito, seu peito doía como nunca. — EU QUERO QUE VOCÊ ME AME, MAS AGORA, NÃO ACHO QUE VÁ FAZER ISSO. QUANDO ISSO ACONTECER SEI QUE FICAREI SEM RUMO ENQUANTO ME CONDENO POR SER TÃO TOLO!! — ele tentava controlar a voz embargada sem muito sucesso. — MAS MESMO QUE ASSUSTADO OU MACHUCADO, EU QUERO QUE SAIBA: EU TE AMO!! — aquelas três palavras fizeram Cygnus perder todo e qualquer controle.
¬ VÁ EMBORA, PHOENIX!!
¬ NÃO!! — ditou o leonino. — VOCÊ ME AMA OU NÃO?
¬ NÃO!! EU NÃO TE AMO!! NÃO MAIS!! — a voz dele ecoava por todo o lago, tornando sua localização impossível.
¬ MAS EU TE AMO, HYOGA!! — sem resposta. — EXISTEM MUITAS COISAS QUE NÃO PODEM SER MUDADAS NESTE MUNDO E MEU AMOR POR VOCÊ É UMA DELAS!! — ainda sem resposta. — A FELICIDADE QUE SENTI POR TÊ-LO EM MINHA VIDA NÃO PODE SER DESCRITA EM PALAVRAS!! É POR ISSO QUE EU SEMPRE SORRIA!! EU NÃO QUERIA SABER SE VOCÊ ME AMAVA OU NÃO, SÓ QUERIA FICAR PERTO DE TI, QUERIA TE AMAR SEM ME MACHUCAR OU MACHUCÁ-LO.
¬ SÉRIO?! — perguntou irônico. — MAS ME MACHUCOU DO MESMO JEITO!! O QUE TEM A DIZER SOBRE ISSO?!
¬ A ÚNICA RESPOSTA QUE TENHO PARA TUDO QUE O ENVOLVA É “EU TE AMO” E MESMO QUE MEUS SENTIMENTOS NÃO RETORNEM, EU CONTINUAREI A DIZER “EU TE AMO”!! — um soluço o freou por um tempo. — EU DESISTIRIA DA ETERNIDADE PARA TE TOCAR!! VOCÊ É O MAIS PRÓXIMO DO PARAÍSO QUE JÁ ESTAREI!! TUDO O QUE SINTO É VOCÊ, TUDO O QUE RESPIRO É VOCÊ, VOCÊ É MEU SOL, MINHA TERRA, MEU CÉU, MEU AR!! EU SÓ NÃO QUERO FICAR SEM VOCÊ!! — outro soluço. — EU NÃO QUERO QUE O MUNDO NOS VEJA, POIS ACHO QUE ELES NÃO ENTENDERIAM QUE, AO CONTRARIO DE TUDO QUE É FEITO PARA NÃO DURAR, O QUE SINTO É ETERNO.
Hyoga não lhe respondeu mais e isso o fez chegar ao linear do desespero, só que sua voz estava perdendo a força, logo, falar tornaria-se uma tarefa dolorosa. O que ele mal desconfiava era que, agora, Cygnus estava sentado de frente para ele, se escondendo com a nevasca, tentando ver verdade em suas palavras.
¬ HYOGA!? — Ikki chorava como uma criança orgulhosa que escondia cada lágrima, tentando mostrar que era forte. — Eu sonhava com um lugar em que eu podia sempre te amar. Eu pensei que podia passar esta vida ao teu lado. — ele tentava enxugar as lágrimas que caiam sem muito sucesso. — Eu te amei, amo e amarei, sempre com fervor. Cada passo a mais valerá demais nessa minha busca pelo seu amor.
Cygnus quis tocá-lo, abraçá-lo e beijá-lo, era o que seu coração mandava, mas tinha que se manter forte, não podia ceder, era o que sua mente ditava. A verdade era que o simples fato de Phoenix ter voltado já bastara para que o coração batesse normalmente, se não fosse sua mente, ele já estaria ao lado do leonino.
¬ Quando eu te vi a primeira vez parecia um sonho, a razão eu perdi. E no seu olhar eu vi emoção, era um sentimento vinha do seu coração, tão triste, tão solitário, eu quis mudar aquilo. Não sei porque, mas eu quis mudar aquilo. E quando vi, eu já te amava. — ele fez uma pequena pausa para conter um soluço. — O que está dentro do peito é uma pura emoção, o som do amor que vem lá do coração, Hyoga. Eu te amarei, sempre com fervor! Cada passo a mais valerá demais nessa minha busca pelo seu amor. Nesse meu encontro com você. Ah, meu amor... Cada passo a mais valerá demais nessa minha busca pelo seu amor. — sua voz era um fio. — Por favor... Acredite em mim... Eu te amo.
A nevasca começou a parar e, aos poucos, Phoenix pode ver a figura de Cygnus sentada a sua frente, ele finalmente viu e aceitou a verdade nas palavras do leonino. O aquarino chorava, podia-se ver que as lágrimas antigas eram de tristeza, mas as recentes tinham um “q” de felicidade, tinha um corte em seu braço, que o preocupou o moreno, porém, ele parecia aliviado.
¬ Também te amo. — respondeu sorrindo e foi correspondido.
Afrodite que assistia tudo entre risadas, parou de rir na hora em que ouviu aquelas palavras. Viu a troca de olhares e os sorrisos, esses simples gestos foram o que bastaram para o ódio tomá-la.
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