O Jodo Do Caos
1 Distribuindo as cartas
Notas iniciais
1
♦ ♠ ♥ ♣
País de Valencia – West Blue
O clima perfeito daquela tarde está mudando, o céu azul dava espaço à nuvens negras, a agradável brisa fora substituída por um forte vento e o belo gorjeio dos pássaros agora dava lugar ao ranger dos trovões. O mar socava o porto, onde estava havendo uma feira, que se estendia até a famosa praça das três bandeiras. A tempestade marítima que chegava a ilha era inevitável, as pessoas estavam se apressando em suas compras para não pegarem a chuva que estava por vir, estava um corre-corre na feira um verdadeiro tumulto. Uma onda então para o tumulto, todos param para observar aquela cena estranha, o mar havia “vomitado” um homem no porto.
O homem estava maltrapilho e com uma caatinga terrível, seus cabelos estavam piores que os do Bob Marley e sua barba estava por fazer à uns três dias e repleta de algas e alguns pequenos crustáceos. Caído no chão do porto o sujeito cospe um pouco de água mas continua engasgado, ele tem então um pigarro do qual cospe um ouriço-do-mar. Com os olhos arregalados para o ouriço, o homem faz uma cara bizarra de espanto e o chuta para o oceano. Agora de pé, ele vira-se para a rua da feira, onde todos olhavam fixamente para ele, assustados. O sujeito estava com uma aparência pavorosa, seus cabelos vermelhos estavam todos de pé, tinha um caranguejo em sua barba, em suas costas estava amarrado um enorme Garfo de dois dentes e ambas pernas estavam acorrentadas à grandes bolas de ferro. O homem então, cabisbaixo, começa a caminhar pela rua da feira. E enquanto caminha, arrasta as bolas de ferros, causando um ruído apavorante.
— Os oceanos veem o início do mundo
E os oceanos conhecem o fim do mundo.
É por isso que ele nos atrai para o caminho que devemos seguir em frente
É por isso que nos guia para mundo.
Envolvendo-nos na dor e no sofrimento
Com grandeza, nos envolvendo gentilmente.
Os oceanos veem o início do mundo
E os oceanos conhecem o fim do mundo.
Mesmo se eu desaparecesse,
Os mares que sabem de tudo guiarão.
Eu não posso sentir medo, porque vocês estão aqui comigo.
Eu não posso ficar assustado, porque meus amigos estão me esperando.
Temos que seguir em frente, rumo àquela vastidão azul. –
Ao terminar de cantar, com sua voz grave e marcante, o homem já está no centro da praça das três bandeiras e visível a todas as pessoas da feira e dos arredores.
— Ele é.... a encarnação da Tempestade! Ele veio para nos matar e sacrificar nossas almas para o oceano! – Grita um homem igualzinho ao Fidel Castro.
— HAHAHAHAHAHAHAHHAHA! Essa foi ótima! HAHAHAHA! – Ri o homem, ele então se senta em uma das bolas de ferro e ergue seu rosto, exibindo seus vibrantes olhos amarelos.
Brancos de medo, a população está paralisa, mas não corres, pois é fofoqueira e quer saber das coisas. Mas, o pavor de uma pessoa se destaca visivelmente. Joaquim Marmita, o jornaleiro, quem estava segurando um jornal onde a foto do homem misterioso era a manchete.
— Eeeeele... não é po-si-vel... Ele não! – Joaquim parece não acreditar. – Ele é o homem que roubou um navio de Guerra da marinha sozinho, tendo de lutar contra mais de 100 marinheiros e depois ele navegou sozinho até a ilha proibida. A prisão sem lei da marinha, a ilha de Gorgona! Depois disso ele desapareceu naquela ilha rodeada por redemoinhos e monstros marinhos, e agora está aqui! Ele é manchete a quatro dias seguidos, Jaguar D. Marvin! – Continua o jornaleiro gritando.
Todos berram aquele tradicional: “- NANIIIIIIII?!” Muitos começam a correr como baratas tontas, um homem se esconde dentro de um peixe grande e outro tenta se matar engasgado com tomates. A confusão é incontrolável, até que grande criatura vinda do mar surge no porto.
Um enorme monstro marinho. Um coiote do mar, com a parte da frente do corpo coiote e a de trás peixe. O Monstro começa a se arrastar na direção de Marvin. Todos estão paralisados, o homem começa desesperadamente a enfiar mais tomates na boca.
— Ahn? Então você me seguiu até aqui seu merdinha?! – Fala Marvin.
— Agora vai ser diferente, eu não estou em um tronco à deriva do oceano, agora estamos em terra firme, e aqui eu que mando! – Continua o Jovem.
Saltando para cima do mamífero marinho, Marvin gira seu corpo e bate com uma das bolas de ferro na cara do animal. Logo, sobe em sua cabeça e com o garfo em mãos, o encrava na cabeça da fera estourando seus miolos. O coiote marinho cai morto, Marvin salta para o chão. Marvin está diante dele, profanando seu cadáver com a dancinha do “Créu”! Todos estão boquiabertos.
— Então você é o famoso pirata que está nas manchetes! Daqui você não passa Jaguar! – diz um homem apoiado em um rifle e no telhado de uma das lojas que contornam a praça. O casaco do homem balança com o vento e nele está escrito “Justiça”.
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